HOMERO: campeão paulista pelo Corinthians em 1954

                  Homero Oppi nasceu dia 16 de fevereiro de 1928, na cidade de São Paulo. Foi um jogador firme, seguro, um dos melhores de sua posição na época em que jogou. Começou num clube pequeno de São Paulo, mas sua firmeza aliada a uma boa técnica fizeram com que vários clubes grandes do futebol brasileiro passassem a namorá-lo, no entanto, o Corinthians foi mais rápido e o levou para o Parque São Jorge, onde jogou de 1951 até 1958, conquistando nesse período títulos importantíssimos, sendo que o mais famoso foi o do ano de 1954, quando conquistou o título do IV Centenário, um título que era cobiçado por todos os clubes paulistas e que o Corinthians teve a honra de ganhar. Depois ainda jogou no Clube Atlético Juventus da Moóca, onde participou de um jogo que entrou para a história, o qual aconteceu dia 2 de agosto de 1959, onde Pelé marcou o gol mais bonito de toda a sua carreira.

INÍCIO DE CARREIRA

                  Sua carreira começou no Clube Atlético Ypiranga, um clube pequeno da cidade de São Paulo, mas que disputou por muitos anos o Campeonato Paulista, conquistando muitas vezes resultados importantes. Vários jogadores iniciaram suas carreiras dentro do futebol neste clube, mas com o tempo, foram mostrando suas qualidades e acabaram indo jogar em grandes clubes, não só da capital paulista, como também em outros estados. Este foi o caso de Homero, que devido as suas grandes apresentações acabou sendo contratado junto ao Corinthians.

CORINTHIANS

                  Veio do Ypiranga para a disputa do Rio-São Paulo de 1951. Firme, seguro, um dos melhores de sua posição no país, era pretendido por outros grandes clubes, como o Vasco da Gama. Estreou em um jogo contra o próprio time carioca, no Maracanã no dia 24 de fevereiro de 1951, quando o Corinthians venceu por 4 a 3, com gols de Nardo (2), Luizinho e Colombo.   Neste dia o Corinthians jogou com; Cabeção, Homero e Rosalem; Idário, Touguinha e Julião; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nardo e Colombo. Este jogo foi válido pelo Torneio Rio-São Paulo.

                 Depois desse jogo, tomou conta da posição por sete anos. Nesse período foi três vezes campeão paulista (1951, 1952 e 1954), mas se consagrou mesmo, em 1954, quando sagrou-se Campeão Paulista, conquistando assim, o título do IV Centenário, formando a defesa ao lado do goleiro Gilmar e dos zagueiros Alan e Olavo. Este jogo aconteceu dia 6 de fevereiro de 1955 e o adversário era o arqui rival Palmeiras. Para o Corinthians bastava um simples empate, pois estava a 3 pontos na frente e só tinha mais um jogo, contra o São Paulo.

                 O Palmeiras precisava da vitória e mesmo assim, iria depender do Tricolor na última rodada. Vale lembrar que naquela época a vitória valia 2 pontos. O Palmeiras para surpresa de todos, entrou em campo com uma camisa azul, atendendo assim uma ordem de um pai-de-santo, que também disse ao presidente do alviverde, Sr. Paschoal Byron Juliano gessar a perna esquerda e carregar uma bengala branca, com a qual benzeria o técnico Aymoré Moreira, dando dois toques em cada ombro, para deixá-lo com o corpo fechado.

                 Por outro lado, nos vestiários corintianos, segundo o jogador Homero, o presidente Alfredo Ignácio Trindade segurava um rosário nas mãos e andava de um lado para outro. Era um jogo muito aguardado. O dia amanheceu ensolarado, desde cedo o movimento nas ruas era intenso. Carros e ônibus passavam lotados em direção ao Pacaembu, pois às 4 da tarde, Corinthians e Palmeiras iriam decidir o Campeonato Paulista e o vencedor seria o Campeão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, um título cobiçado por todos.

               O Corinthians jogou com; Gilmar, Idário, Homero, Goiano e Alan; Roberto Belangero e Rafael; Cláudio, Luizinho, Baltazar e Simão. O técnico era Oswaldo Brandão. O Palmeiras jogou com; Laércio, Manoelito e Cação; Nilo, Waldemar Fiume e Dema; Liminha, Humberto, Nei, Jair da Rosa Pinto e Rodrigues. O técnico era Aymoré Moreira. O jogo começou muito nervoso, mas logo aos 10 minutos, Rafael cruza uma bola na área alviverde e Luizinho se antecipa de Waldemar Fiume e de cabeça joga a bola para o fundo das redes palmeirense.

               O velho Pacaembu vira uma loucura, mas o time cai na retranca. Quando o primeiro tempo acaba, Gilmar já é o melhor em campo, fazendo defesas sensacionais. Aos 7 minutos do segundo tempo, Homero faz falta em Liminha. Jair cobra e Idário erra a cabeçada. A bola vai entrando e Nei tem apenas o trabalho de empurrá-la para dentro. Era o gol de empate e o jogo fica ainda mais nervoso. Humberto ainda teve a chance de fazer o segundo gol palmeirense, quando chegou na marca do pênalti, vê o canto e chuta. Gilmar defende a bola e não dá mais tempo para nada, o árbitro Esteban Marino apita o final da partida. A torcida corintiana invadiu o gramado e carregou os jogadores, que tiveram seus uniformes rasgados e Homero saiu de campo chorando. Para fechar com chave de outro aquele título, no domingo seguinte cumprindo a tabela, o Corinthians ainda venceu o São Paulo por 3 a 1, gols de Nonô, Luizinho e Cláudio, enquanto que para o Tricolor, marcou Negri de pênalti.

               Homero foi também campeão do Torneio  Rio-São Paulo em 1953 e 1954. Realmente foram os anos dourados do S. C. Corinthians Paulista. Sua última partida pelo alvinegro de Parque São Jorge aconteceu no dia 3 de setembro de 1958, quando o Corinthians venceu a Ferroviária de Araraquara por 1 a 0 pelo Campeonato Paulista daquele ano. O jogo foi no Parque São Jorge e o único gol da partida foi anotado pelo ponta direita Bataglia aos 28 minutos do segundo tempo.

               O técnico corintiano era o ex-craque Cláudio, que até hoje é o maior artilheiro do clube com  305 gols. Neste dia o Corinthians jogou com: Gilmar, Homero e Ari Clemente; Cássio, Olavo e Benedito; Bataglia, Joãozinho, Zague, Rafael e Tite. Nestes 7 anos que jogou no Corinthians, Homero realizou 233 partidas. Venceu 150, empatou 36 e perdeu 47. Curiosamente não marcou nenhum gol a favor, porem, dois gols contra. Conquistou 3 Paulistão e 2 Rio-São Paulo pelo Timão.

JUVENTUS

               Depois que deixou o Corinthians, Homero foi jogar no Juventus da Mooca, onde teve uma passagem muito boa, inclusive entrou para a história do clube, pois participou de um jogo que até os dias de hoje é lembrado pelos amantes do futebol. Foi no dia 2 de agosto de 1959, quando no estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, que pertence ao Clube Atlético Juventus do bairro da Mooca, em São Paulo, o Moleque Travesso enfrentou o Santos F.C., que na época tinha uma máquina de jogar bola; Manga Ramiro, Pavão, Mourão e Formiga; Zito e Jair da Rosa Pinto; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.

              Enquanto que o Juventus jogou com; Mão de Onça, Julinho, Homer,  Pando e Clóvis; Lima e Cássio; Lanzoninho, Zeola, Buzone e Rodrigues. Todos aqueles que viram o Juventus jogar nesta sua nova fase de sucessos esperavam naturalmente do quadro da Rua Javari uma boa partida frente ao Santos, uma partida que talvez quebrasse a invencibilidade santista. Por esse motivo foi que uma grande assistência compareceu ao campo da Mooca dando uma renda recorde, lotando completamente as dependências da pequena praça de esportes dos avinhados.

               Neste dia, Pelé não estava jogando bem, fazia uma partida lenta, a torcida então começou a provocá-lo com vários xingamentos e gozações. De repente, Pelé olha para a torcida do Juventus e faz um sinal como quem pede para esperar, foi como despertar uma fera, logo depois saiu o magnífico gol. O Santos já vencia por 3 a 0, quando aos 36 minutos da segunda etapa, Pelé recebeu a bola na entrada da área, deu um chapéu em Homero, outro chapéu em Clóvis e mais um em Julinho e humilha o goleiro Mão de Onça que saiu da meta, mas foi encoberto com absoluta tranquilidade e esperou a descida da bola para com uma cabeçada, segura e bem calculada, enviá-la ao fundo das redes. Foi de tal forma sensacional o gol, que os jogadores juventinos foram cumprimentar o Rei.

                Este gol é considerado o mais bonito de toda a carreira de Pelé.  Durante o jogo, Homero foi atingido pelo jogador Coutinho, quando tentou dar uma bicicleta e acertou sua cabeça. Teve de sair de campo para ser medicado e ficou constatado que não tinha condição de continuar, mas como naquela época não havia substituição, Homero teve que retornar ao gramado.

               Homero também defendeu a Seleção Paulista, num jogo que aconteceu dia 16 de junho de 1950, alguns dias antes da abertura da Copa do Mundo realizada no Brasil. Este jogo marcou a inauguração do estádio do Maracanã e os paulistas venceram por 3 a 1, sendo que o primeiro gol marcado no estádio foi de Didi. Neste dia os paulistas jogaram com; Oswaldo Pizoni, Djalma Santos, Homero, Dema e Alfredo Ramos; Brandãozinho e Rubens; Renato, Ponce de Leon, Orlando e Brandãozinho II.  Homero faleceu dia 18 de setembro de 2002, na cidade de São Paulo, aos 74 anos. Deixamos aqui a nossa singela homenagem por tudo que fez pelo futebol paulista, em especial ao S. C. Corinthians Paulista.

Em pé: Alan, Homero, Goiano, Idário, Roberto Belangero e Gilmar     –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Nonô
Em pé: Cabeção, Idário, Goiano, Homero, Olavo e Julião      –       Agachados: Cláudio, Luizinho, Carbone, Mário e Baltazar
Em Pé: Alan, Homero, Clóvis Nori, Valmir, Roberto Belangero e Gilmar    –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Nono
Em pé: Idário, Alan, Valentino, Julião, Homero e Valmir     –     Agachados: Cláudio, Rafael, Baltazar, Paulo e Jansen.
Foto raríssima. É do time do tradicional Clube Atlético Ypiranga, ano de 1949. Homero, Dema e Minelli (na ponta-esquerda) são algumas das atrações. Ypiranga, em 1949:      Em pé: Reinaldo, Osvaldo, Homero, Silas, Belmiro, Giancoli e Dema     –      Agachados: Liminha, Rubens, Bibe e Minelli.
Em pé: Juvenal, Mão de Onça, Clóvis, Homero, Lima e Pando      –     Agachados: Lanzoninho, Zeola, Buzzone, Cássio e Rodrigues Tatu
Seleção Paulista 3×1 Seleção Carioca na inauguração do estádio Maracanã:     –    Em pé: Homero, Osvaldo Pizoni, Djalma Santos, Brandãozinho, Dema e Alfredo Ramos     –    Agachados: Cláudio Christóvam de Pinho (não jogou), Renato, Rubens, Ponce de Leon, Orlando e Brandãozinho II.
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