VALDOMIRO: melhor ponta direita da história do Internacional/RS

                 Valdomiro Vaz Franco nasceu dia 17 de fevereiro de 1946, na cidade de Criciúma – SC. Filho do operário das minas de carvão de Criciúma, José Pedro, e de Constança Maria, teve uma infância humilde. Na adolescência, aos 14 anos, foi engraxate e aos 17 trabalhou na lavoura ajudando a plantar batata e mandioca.  Influenciado pelo trabalho do pai, aos 18 anos, foi trabalhar numa mina de carvão.  Ele dividia seu tempo com o serviço e também com o time da Mina São Marcos. Na equipe era destaque e devido a forte marcação dos adversários teve lesões que o acabaram provocando sua demissão. Já fora do time ele foi convidado a defender os juvenis do Comerciário. Mais tarde, em 1968, foi chamado para jogar no grupo profissional.

                 Passou por momentos complicados na equipe catarinense, mas logo conseguiu espaço dentro das quatro linhas e respeito pelos clubes onde atuou, entre eles, Internacional/RS e Seleção Brasileira de Futebol. Começou jogando no Comerciário Esporte Clube de Santa Catarina em 1966 e ficou até 1968. Tornou-se profissional com 20 anos e ajudou o time catarinense a conquistar um título estadual em 1967. Com um belo futebol apresentado, não demorou muito para ir jogar no Internacional.

INTERNACIONAL

                  O atacante que “voava” em campo foi descoberto por outro grande craque colorado: Tesourinha. Em 1968, Valdomiro havia sido contratado junto ao Comerciário, hoje Criciúma E.C. Na época o atleta foi muito criticado pela imprensa e torcida. Persistente, ele foi adiante não desistindo dos percalços que o mundo do futebol, muitas vezes, apresentava. Com velocidade, chute forte, cobranças de faltas impecáveis e um cruzamento que colocava os atacantes na cara do gol, Valdomiro fez história no Internacional/RS. Foi  dez vezes campeão gaúcho, um feito jamais igualado no futebol do Rio Grande do Sul e destaque no tricampeonato brasileiro do Internacional (1976-1977-1979), jogando ao lado de Falcão, Carpegiani, Figueroa e do ponta esquerda Lula. Exímio cobrador de escanteios, Valdomiro era praticamente mortal nas cobranças de falta.

               Na final do campeonato brasileiro de 1975, em 14 de dezembro, entre (Internacional x Cruzeiro), Valdomiro sofreu a falta e cruzou para Figueroa que marcou de cabeça o antológico gol iluminado, que deu o título de campeão ao Inter. No ano seguinte, mais uma vez Valdomiro bateu falta, com bola batendo no travessão e caprichosamente bateu atrás da linha do gol, 2 a 0 no Corinthians e assim, o Internacional sagrava-se bicampeão brasileiro. O jogo foi no estádio Beira Rio dia 12 de dezembro de 1976. Neste dia o Inter jogou com; Manga, Cláudio, Figueroa, Marinho Perez e Vacaria; Caçapava, Falcão e Batista; Valdomiro, Dario e Lula. O técnico era Rubens Minelli. Já o Corinthians jogou com; Tobias, Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir; Givanildo, Ruço e Neca; Vaguinho, Geraldão e Romeu. O técnico corintiano era Duque. Valdomiro seria o único jogador octacampeão gaúcho, um feito jamais igualado no futebol do Rio Grande do Sul.

                Em 1980 transferiu-se para o futebol colombiano atuando na equipe Millonarios. Mas, a identificação com o Colorado era tão intensa que ele retornou ao estádio Beira-Rio em 1982.  Embora não exista uma estatística oficial, acredita-se que Valdomiro tenha sido o atleta que mais jogos fez com a camisa colorada. Estima-se que foram 800 jogos em 14 anos de Clube. Pelos números o craque, após encerrar a carreira, ganhou uma placa no estádio como atleta-símbolo do vitorioso período da década de 70. Em entrevista para o jornal Zero Hora de Porto Alegre, o ex-presidente do Internacional, Frederico Arnaldo Ballvé, definiu assim Valdomiro: O maior jogador da história do Inter foi Valdomiro! Mas e Falcão e Tesourinha? argumentou um jornalista Esses foram os melhores.

               Mas Valdomiro foi maior. Jogou 13 anos no Inter e teve participação direta em todos os gols decisivos do time. Após encerrar a carreira, Valdomiro ganhou uma placa no Estádio Beira Rio, como atleta-símbolo do vitorioso período da década de 1970. Com a camisa do Inter, Valdomiro sagrou-se Campeão Gaúcho em 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978 e 1982, em Campeonato Brasileiro 1975, 1976 e 1979, sendo que este último foi de forma invicta.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Craque que é craque não deixa de marcar sua história na Seleção Brasileira. Com a camisa canarinho, que trazia a numeração 13 (considerada um talismã pelo supersticioso técnico Zagallo), Valdomiro foi titular na Copa da Alemanha Ocidental em 1974. Apesar da eliminação precoce no Mundial, ainda na primeira fase, o craque anotou seu gol contra o Zaire o que ajudou a aliviar uma campanha brasileira não tão brilhante. Nas Oitavas-de-Final, o Brasil já havia empatado com a Escócia e com a Iugoslávia pelo mesmo placar, 0 a 0.

               Contra o Zaire, precisava vencer por uma diferença de três gols. Incrivelmente abalado com a resistência dos africanos, o Brasil parecia implorar por mais um gol quando vencia por 2 a 0, para se livrar da desclassificação. Faltavam 10 minutos de jogo, quando o ponta direita Valdomiro, que entrara para substituir Leivinha, fez, finalmente, o terceiro gol brasileiro, o gol salvador.  Neste dia o Brasil jogou com; Leão, Nelinho, Luiz Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Piazza (Mirandinha), Rivelino e Paulo Cesar Carpeggiani; Jairzinho, Leivinha (Valdomiro) e Edu.

               Classificado para as Quartas-de-Final, enfrentou a Argentina e venceu por 2 a 1, gols de Rivelino e Jairzinho. Mas, no dia 3 de julho de 1974, o Brasil dava adeus a Copa ao ser derrotado pela Holanda por 2 a 0. Valdomiro soube ser um jogador singular uma referência na sua posição. Se dentro de campo ele marcou seu nome, fora dele também não foi diferente. Ser humano exemplar, pai e esposo correto, cidadão ético, independente, predestinado e determinado, assim podemos defini-lo.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Além de encantar a todos com um de seus maiores talentos, o futebol, Valdomiro também ingressou na carreira política em 1982, quando foi eleito vereador pelo PMDB. Já em 1986 concorreu à Assembléia Legislativa. Já como constituinte foi orientado para a defesa de comunidades carentes. Valdomiro apresentou cinco emendas de lei que acabaram virando artigos constitucionais. Entre eles, o artigo 262, I, que garante aos maiores de 65 anos a gratuidade dos transportes coletivos urbanos e metropolitanos; a garantia de condições para a prática de educação física, do lazer e do esporte ao deficiente físico sensorial e mental, assegurada no artigo 232.

               Grande ponta-direita do Internacional nos anos 70, Valdomiro Vaz Franco mora em Criciúma (SC), cidade onde nasceu. Lá, Valdomiro tem uma escolinha de futebol em um centro de treinamento, que ele mesmo construiu, no mesmo bairro em que reside: Recanto Verde. Casado com Natália, tem dois filhos, André e Tales. Com uma vida bem administrada e mostrando toda disposição para jogar aquele futebolzinho com os amigos, ele se dedica aos trabalhos do seu Centro Esportivo. No local, construiu um Memorial que tem a finalidade de registrar sua belíssima história. O Memorial conta por meio de arquivos pessoais a trajetória do craque colorado.

               Mostra camisas que vestiu pelo Inter e pela Seleção Brasileira na Copa de 74. Muitos troféus, objetos que ficaram guardados por muitos anos e fotos inesquecíveis. Guerreiro, disciplinado, exemplar, sempre apoiou os mais jovens que chegavam aos profissionais do Inter, lembra Benitez, goleiro campeão brasileiro em 79. O ex-volante Batista vai além: Hoje o torcedor não fala de Internacional sem lembrar da história do Valdomiro. Além deste espaço o CT também oferece uma escolinha de futebol que vai oportunizar aos vários garotos o sonho de viver este esporte, assim como fez o craque Valdomiro Vaz Franco.

               Valdomiro Vaz Franco é incomparável não apenas pelo futebol, mas pelo conjunto da obra: Ser humano exemplar, pai e esposo correto, cidadão ético, independente, predestinado e determinado. Não era um fora de série, um super craque, mas com tanta persistência tornou-se um jogador único, referência na sua posição e na história do Internacional. Foi Campeão Catarinense pelo Comerciário, hoje Criciúma, em 1968. Depois do título foi negociado junto com o badalado centroavante Chiquinho para o Internacional.

              Chiquinho logo voltou para Santa Catarina, mas Valdomiro ficou no Inter, superou as vaias e hoje é um símbolo colorado. Foi Campeão Gaúcho em dez oportunidade, três vezes Campeão Brasileiro, além de um Vice-Campeonato Colombiano pelo Milionários de Bogotá. Pela Seleção Brasileira, disputou a Copa do Mundo da Alemanha e marcou um importante gol na vitória contra o Zaire. Valdomiro é um exemplo de vida e de jogador. Um craque fora de campo que as novas gerações devem conhecer e seguir. Um cidadão, um craque, um exemplo.

1977   –   Em pé: Lúcio, Carlão, Beliato, Benitez, Batista e Falcão      –     Agachados: Valdomiro, Vasconcelos, Escurinho, Caçapava e Edu 
1976    –   Em pé: Zé Maria, Manga, Figueroa, Vacaria, Marinho Peres e Falcão    –    Agachados: Valdomiro, Jair, Escurinho, Caçapava e Dario
Seleção do Internacional de todos os tempos   –   Em pé: Paulinho, Manga, Figueroa, Gamarra, Oreco e Salvador    –     Agachados: Tesourinha, Carpegiani, Falcão, Valdomiro e Fernandão. Técnico: Rubens Minelli
Em pé: Gainete, Pontes, Jorge Andrade, Hermínio, Carbone e Edson Madureira    –   Agachados:  Valdomiro, Bráulio, Claudiomiro, Tovar e Dorinho
Em pé: Pontes, Schneider, Figueroa, Jorge Andrade, Tovar e Édson Madureira    –    Agachados: Valdomiro, Bráulio, Claudiomiro, Paulo César Carpegiani e Volmir
1971   –   Em pé: Gainete, Pontes, Hermínio, Jorge Andrade, Carbone e Édson Madureira   –    Agachados: Valdomiro, Sérgio Galocha, Claudiomiro, Paulo César Carpegiani e Benê
1979   –   Em pé: João Carlos, Benitez, Mauro Pastor, Falcão e Claudio Mineiro   –    Agachados: Valdomiro, Jair, Bira, Batista e Mário Sérgio
Copa de 1974   –   Em pé: Zé Maria, Leão, Marinho Peres, Alfredo, Carpegiani e Marinho Chagas    –     Agachados: Valdomiro, Ademir da Guia, Jairzinho, Rivelino e Dirceu
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