AÍLTON LIRA: um dos melhores cobradores de falta do nosso futebol

                 Aílton Lira da Silva nasceu dia 19 de fevereiro de 1951, na cidade de Araras – SP.  Jogou no Santos de 1976 até 1979 e fez parte do time santista campeão paulista em 1978, na época dos “Meninos da Vila”, jogando no meio-de-campo ao lado dos craques Pita e Clodoaldo. A fama maior daquele time veio da juventude e competência do ataque, formado por Nílton Batata, Juary e João Paulo. Com lançamentos longos e precisos armou inúmeros contra-ataques que culminaram em gols, vitórias e no primeiro título de campeão paulista pós era Pelé, em 1978. Além do Peixe, Aílton Lira jogou na Ponte Preta, na Caldense (MG), no São Paulo, no Al Nassr (Arábia Saudita), Guarani, União São João (SP), Comercial (SP), Portuguesa Santista (SP), Itumbiara (GO) e Guará (DF).

                 Em sua passagem pelo Tricolor do Morumbi, em 1980, Aílton atuou em 29 partidas (12 vitórias, 13 empates, 4 derrotas), marcou nove gols e conquistou o título paulista daquele ano. Além dos lançamentos, Aílton Lira era um excelente cobrador de faltas, sendo a sua maior  “vítima”  o  goleiro  Carlos,  que jogava  na  Ponte Preta e foi titular na Copa de 1986, no México.

SANTOS

                 Aílton Lira começou na Ponte Preta de Campinas em 1966 e ficou por lá até 1972. Jogou ao lado de grandes jogadores, como por exemplo, Nelsinho Batista, Samuel, Teodoro, Roberto Pinto, Dicá, Manfrini e outros craques. Depois foi jogar na Caldense onde ficou por quatro anos.  Chegou na Vila Belmiro em 1976, após uma indicação do treinador José Duarte que o viu jogar na Caldense. Sua estreia com a camisa do Peixe aconteceu no início de 1977 e naquela época o time santista era assim formado; Ricardo, Leo, Marçal, Alfredo e Otávio; Clodoaldo, Zé Mário e Ailton Lira;  Nilton Batata, Totonho e Toinzinho. O técnico era Otto Glória. Este foi o time que enfrentou o Corinthians pelo Campeonato Paulista dia 29 de maio de 1977 no estádio Cícero Pompeu de Toledo e perdeu por 4 a 0. Os gols corintianos foram anotados por Luciano, Geraldão, Romeu e Palhinha. Neste dia tivemos um público de 117.676 pagantes.

               Aílton Lira fez parte do primeiro time do Santos que ficou conhecido como “Meninos da Vila”, quando conquistou o título do Campeonato Paulista de 1978, ao lado de Nílton Batata, Juary e João Paulo. Foi um ano maravilhoso e que o torcedor santista sente saudade, pois o time praticava um futebol bonito de se ver. Em uma melhor de três contra o São Paulo F.C., o Santos F.C. chegou ao título com uma geração formada por pratas-da-casa, conhecida como Meninos da Vila.  Na primeira partida, o Peixe venceu por 2×1.  Na segunda, houve empate em 1×1.

               Na decisão, o Peixe venceu por 2×0 (gols de Zé Sérgio e Neca) no tempo normal e empatou sem gols na prorrogação. Campanha: 56 jogos / 26 vitórias / 16 empates / 14 derrotas / 80 gols pró / 47 gols contra. Artilheiro da competição, Juari com 30 gols. A equipe era assim formada; Vitor, Nelsinho Batista, Joãozinho, Neto e Gilberto Sorriso; Clodoaldo, Aílton Lira e Pita; Nilton Batata, Juari e João Paulo. O técnico era o saudoso Chico Formiga, que também marcou época com a camisa do Santos.

                Quando Aílton Lira jogou no Santos, havia um tabu de não vencer o Corinthians, coisa que no passado era o inverso. A rivalidade era enorme e isso já vinha dos anos 60, quando o Timão ficou 11 anos sem vencer em Campeonato Paulista. Aílton confessou que aquelas derrotas para o arqui-rival pesava e muito para os jogadores, que entravam em campo para jogar como se fosse uma decisão. E algumas vezes era frustrante, pois chegavam perto da vitória, mas levava um gol no fim do jogo e o tabu continuava por mais algum tempo.

               No entanto, Aílton Lira sempre teve sorte para fazer gols contra o Corinthians, aliás, parecia que só fazia contra o alvinegro de Parque São Jorge e um bom exemplo disto foi no dia 20 de março de 1977, no estádio do Morumbi. O Santos vivia um momento difícil, a equipe ainda estava em formação. Foi naquela época que começaram a ser lançados os garotos que formaram o time campeão paulista em 1978, mas não havia como negar que, em 77, o Corinthians era bem melhor. A torcida santista nem tinha como saber de cor a escalação da equipe, porque as trocas de jogadores eram constantes no Santos.

               A jogada que resultou o gol foi a seguinte, o Nilton Batata, que era muito veloz, recebeu um passe e foi derrubado pelo Ademir Gonçalves na entrada da área. Aílton Lira cobrou a falta com categoria e marcou o gol. O Corinthians havia acabado de abrir o placar quando Aílton marcou o gol de empate. A torcida corintiana ainda estava comemorando. Como o Morumbi estava lotado, e as duas torcidas dividiram o estádio meio a meio, foi interessante ver a torcida corintiana sentando e a santista levantando.

               O fato desse gol ter sido de falta fez com que esse jogo se tornasse ainda mais especial para Aílton Lira. Não tem jeito, as cobranças de falta eram mesmo a sua marca registrada. Até hoje torcedores que viam seus jogos, dizem que adoravam ver ele batendo as faltas. Quando acabavam os  treinos, Aílton Lira costumava ficar no gramado cobrando faltas para se aperfeiçoar. Não era algo que acontecia por acaso, havia muito trabalho. A torcida do Santos sabia muito bem que ele era um ótimo cobrador e sempre fazia uma festa enorme quando o time conseguia uma falta perto da área.

               Parecia que já havia acontecido o gol. Um jogo contra a Ponte Preta no Pacaembu, em que saiu uma falta e o estádio inteiro começou a gritar seu nome. Foi emocionante. Aílton cobrou muito bem e fez o gol. Nem preciso dizer que o Pacaembu veio abaixo. Por tudo isso Ailton Lira sempre se emociona quando as pessoas se lembram das suas cobranças de falta.

               Sua experiência foi fundamental para o jovem time do Peixe, comandado pelo técnico. A humildade de Aílton Lira chamou a atenção de muitos novatos daquela equipe, entre eles o meia Pita, que certa vez disse “Eu estava usando a camisa 10, porque o Aílton Lira estava fora da equipe por motivo de contusão. Quando ele voltou eu falei que a 10 era dele. Mas o Aílton Lira me disse que a 10 tinha ficado bem em mim, então ele pegou a 8”. Outro depoimento que diz bem o que foi Aílton Lira em cobranças de falta, é do ex-craque Neto, que diz “Ele foi um dos melhores meias que eu vi. Era brincadeira cobrando falta”.

SÃO PAULO F.C.

               Com a camisa do time do Morumbi, Aílton Lira levantou o estadual de 1980, cujo título foi decidido contra seu ex-clube, o Santos. A grande final do campeonato foi então disputada entre Santos, o campeão do 1º turno e o São Paulo que venceu o 2º turno. No primeiro jogo a equipe do Morumbi venceu por 1 a 0 e repetiu o mesmo placar no segundo jogo sagrando-se campeão paulista de 1980. A equipe do Tricolor naquele ano era a seguinte; Waldir Perez, Getúlio, Nei, Dario Pereira e Aírton; Teodoro, Heriberto e Aílton Lira; Serginho, Renato e Zé Sérgio. Foi o único título de Aílton Lira pelo time do Morumbi, onde jogou por apenas seis meses, motivo pelo qual ele tenha maior identificação com o time da Baixada.

              Jogou mais pelo Santos, porem nunca jogou um SanSão com a camisa do São Paulo. Mesmo sendo campeão com os distintivos de São Paulo e Santos ao peito, ele recorda com mais carinho do troféu conquistado pelo time da Vila Famosa. Embora não tenha jogado a final por estar suspenso, o título de 1978 ficou marcado por ser o primeiro título da era pós-Pelé. Era um time cheio de jovens e fomos crescendo durante a competição.

TREINADOR

               Depois de deixar os gramados, em 1988, Lira iniciou sua carreira como técnico de futebol. O ex-jogador teve passagens por diversos times do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Em times como União São João e Mogi Mirim, Aílton era responsável pelos garotos das equipes de base e, esporadicamente, acabava revelando algum jogador para a equipe principal. Em outros clubes como Itumbiara-GO, Caldense-MG e Passos-MG, o ex-meia-esquerda comandou o elenco profissional, porém sem obter êxito.

               Depois de tantas voltas pelo Brasil, Aílton Lira, sem se desiludir com a carreira, voltou para o interior paulista. Atualmente trabalhando com a categoria Sub 17 de uma empresa multinacional, em Araras, Aílton Lira acha que os meias clássicos desapareceram por culpa dos treinadores, sobretudo na base dos clubes. “Nós temos esses meias, mas os treinadores não aproveitam, querem colocar o jogador aberto, correndo. Tem que ser como o Santos, que tem coragem para aproveitar jogadores que têm esse toque diferenciado”, frisou.

              Aílton Lira da Silva dispensa apresentações. Natural de Araras, ficou marcado como um dos grandes batedores de falta do país. Formou com Clodoaldo e Pita um dos melhores meio de campos da história do Santos, sendo, inclusive, campeão paulista em 1978, na primeira geração dos chamados “Meninos da Vila”. Aílton Lira morou em Passos (MG), onde foi técnico do Passos Futebol Clube, equipe fundada em 1996, e atualmente tem residência fixa em Araras (SP). Foi um dos melhores cobradores de falta que já passaram pelo futebol brasileiro e deixou gravado seu nome na história do futebol de São Paulo.

Em pé: Ricardo, Gilberto Sorriso, Fernando, Joãozinho, Nelsinho Baptista e Carlos Roberto    –     Agachados: Juari, Nélson Borges, Toinzinho, Aílton Lira e João Paulo
Em pé: Gilberto Sorriso, Vitor, Joãozinho, Neto, Clodoaldo e Nelsinho Baptista    –     Agachados: Nilton Batata, Aílton Lira, Juari, Pita e João Paulo
Em pé: Buzuca, Toninho, Neto, Guilherme, Walter Tambau e Luiz Carlos Beleza   –    Agachados: Carlos Roberto, Jota Lopes, Vandu, Aílton Lira e Ganzepe
Da esquerda para a direita: Gilmar, Mauro Ramos de Oliveira, Zé Mario, Joel, Marçal, Mengálvio, Lima, Juary, Zito, Pepe, Dalmo, Aílton Lira e Fernando
Em pé: Ricardo, Fausto, Marçal, Alfredo, Bianchi e Fernando   –    Agachados: Nilton Batata, Zé Mario, Juary, Aílton Lira e Bozó
Aílton Lira quando trabalhou como treinador do Independente de Limeira e o repórter Evaldo Tietz
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