RAMIRO: ídolo do Santos F.C. na década de 50

                   Ramiro Rodrigues Valente nasceu em 19 de fevereiro de 1933 na cidade de São Paulo. Na segunda metade dos anos quarenta, iniciou sua trajetória nas fileiras amadoras do Jabaquara A.C, junto com seu irmão Álvaro. Era muito fácil confundir os irmãos Álvaro e Ramiro, que juntos, trilharam na carreira defendendo o Jabaquara, o Santos e o Atlético de Madrid. A semelhança física era tão marcante que, não fosse o registro de nascimento, poderíamos afirmar que eram gêmeos.

                   Em 1953 Álvaro foi contratado pelo Santos, enquanto Ramiro foi tentar sua sorte nos gramados cariocas vestindo a camisa do Fluminense. Sem muitas chances de se fixar entre os titulares do poderoso esquadrão do tricolor das Laranjeiras daquela época, Ramiro reencontrou o irmão quando foi contratado pelo Santos em 1955.

                  Originalmente, Ramiro jogava como meio campista, mas encontrou seu lugar no time praiano após ser recuado para a posição de volante, tendo jogado também como zagueiro central e em algumas oportunidades como lateral direito. A adaptação na nova posição não foi difícil, o que favorecia seu aproveitamento pelo técnico Luís Alonso Peres (Lula). Apesar de se ver obrigado a desenvolver seus atributos de marcação, Ramiro mostrava qualidades indiscutíveis quando tinha a bola nos pés. Seu futebol foi fundamental na conquista do campeonato paulista de 1955, quando o Peixe já amargava uma fila de 20 anos sem colocar a mão no caneco estadual.

                 O time base utilizado com maior freqüência durante aquela celebre conquista: Manga ou Barbosinha, Hélvio e Feijó, Ramiro, Formiga e Urubatão, Tite ou Alfredinho, Álvaro, Del Vecchio, Vasconcelos ou Negri e Pepe. No ano seguinte chegava na Vila Belmiro, um garoto trazido pelas mãos de Valdemar de Brito, o menino Pelé, de 15 anos, que deu um novo impulso à história do Santos, levando-o a conquistas que enalteceram o futebol brasileiro no planeta. Mas no ano de 1956, ainda sem Pelé como titular, o Peixe chegava ao bicampeonato paulista. O jogo que garantiu o título foi realizado no Pacaembu dia 3 de janeiro de 1957 e o alvinegro venceu o São Paulo por 4 a 2, com dois gols de Del Vecchio, um de Feijó e um de Tite, enquanto que para o Tricolor, os dois gols foram marcados por Zézinho.

               Com jogadores de personalidade tão forte e tão decididos, como Urubatão, Zito, Pelé, Coutinho, Mauro, não é de se admirar que o Santos tenha sido um time tão forte também no aspecto psicológico, que acreditava na vitória mesmo nas piores circunstâncias e diante das torcidas adversárias. E foi ao lado dessas feras que Ramiro fez partidas memoráveis com a camisa do Peixe, como aquela do dia 7 de dezembro de 1958, quando o Santos goleou o Corinthians por 6 a 1 na Vila Belmiro, com quatro gols de Pelé, um de Pepe e um de Pagão, enquanto que Zague marcou o único tento corintiano. O jogo foi na Vila Belmiro e neste dia o Peixe jogou com; Manga, Getúlio e Dalmo; Zito, Urubatão e Ramiro; Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe.

              Em 1958 o Santos tinha um time praticamente imbatível e com isso aplicou várias goleadas; 7×3 e 6×2 no Jabaquara, 6×0 e 5×0 no XV de Piracicaba, 4×0 na Ponte Preta, 5×2 no XV de Jaú, 4×1 e 8×1 no Ypiranga, 10×0 no Nacional (a maior goleada do campeonato), 8×1 e 7×1 no Guarani, 6×1 na Portuguesa Santista, 4×0 no Botafogo, 9×1 no Comercial, 7×1 no Juventus, e 6×1 no rival Corinthians, como citamos acima. Show de Bola é talvez o que melhor descreve isso… 

             Com a camisa Alvinegra, além do titulo de 1955, Ramiro ainda conquistou mais dois títulos Paulistas em 1956 e 1958, além do Torneio Rio-São Paulo de 1959, mesmo ano em que o Santos realizou uma excursão pela Europa e goleou o Barcelona. Na ocasião, o Santos venceu o amistoso por 5 x 1, com gols de Pelé (duas vezes), Dorval (duas vezes) e Coutinho. O tento dos espanhóis foi marcado pelo brasileiro Evaristo de Macedo. A partida, realizada no estádio Camp Nou, marcou o início das grandes excursões do Santos pelo continente Europeu, encantando depois o restante do mundo com as apresentações de Pelé e seus companheiros. Ao todo, Ramiro disputou o número considerável de 212 partidas e marcou dois gols vestindo a camisa do time de Vila Belmiro.

ATLÉTICO DE MADRID

              E foi depois dessa excursão, no mês de Setembro, que os irmãos Ramiro e Álvaro deixaram o Santos para jogarem juntos pelo Atlético de Madrid. Pelo clube espanhol, Ramiro não conquistou o título nacional, já que naqueles tempos, o Real Madrid era uma verdadeira máquina de jogar futebol. Ramiro permaneceu jogando pelo Atlético até o final da temporada de 1965. Ao encerrar sua carreira nos gramados tornou-se treinador, com passagem inclusive pelo Santos no início dos anos noventa. Os irmãos Alvaro e Ramiro foram separados definitivamente no dia 21 de setembro de 1991, quando Álvaro faleceu em decorrência de complicações da diabetes. Ramiro foi um sólido empresário do ramo imobiliário no Rio de Janeiro, onde passou a residir desde que encerrou definitivamente sua carreira no futebol.

1957   –   Em pé: Fioti, Ramiro, Getúlio, Veludo, Zito e Dalmo     –     Agachados: Tite, Álvaro, Pelé, Pagão e Pepe
Em pé: Getúlio, Feijó, Ramiro, Mourão, Zito e Laércio   –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Macedo
Em pé: Dalmo, Fioti, Ramiro, Getúlio, Urubatão e Manga    –    Agachados: Hélio Canjica, Álvaro, Baianinho, Guerra e Dorval
Em pé: Urubatão, Formiga, Ramiro, Manga, Hélvio e Zito    –    Agachados: Pagão, Negri, Álvaro, Vasconcelos e Del Vecchio
Em pé: Getúlio, Feijó, Ramiro, Mourão, Zito e Laércio    –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Macedo
Em pé: Ramiro, Hélvio, Manga, Urubatão, Zito e Ivan    –    Agachados: Alfredinho, Jair Rosa Pinto, Álvaro, Vasconcelos e Tite
Seleção Paulista de 1957   –   Djalma Santos, Gilmar, Olavo, Zito, Ramiro, Mauro e o roupeiro Mateus   –     Agachados: o massagista Mário Américo, Maurinho, Luizinho, Pagão, Mazzola e Pepe

Em pé: Zito, Ramiro, Manga, Urubatão, Getúlio, Dalmo e o massagista Macedo   –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe
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