ÊNIO RODRIGUES: o locutor do “o que vale é bola na rede”

                 Ênio Rodrigues Carraca nasceu dia 20 de fevereiro de 1935, na cidade de Araraquara – SP. O autor do bordão “o que vale é bola na rede” e Barítono do Scrat do Rádio começou sua carreira pelas rádios “A Voz da Araraquarense” e “Rádio Cultura”, em Araraquara, e depois partiu para São Paulo. Lá passou 27 anos na Band AM, trabalhou nas rádios Gazeta e Tupi, atuou em programas esportivos de televisão, como o “No Campo do 13”, da Band, e nas tevês Gazeta, Cultura e na extinta TV Jovem Pan.

                 Esteve em oito Copas do Mundo – Inglaterra-1966, México-1970, Alemanha-1974, Argentina-1978, Espanha-1982, EUA-1994, França-1998, sendo que a mais importante delas para sua carreira foi a primeira, quando narrou a célebre vitória de Portugal sobre a Coréia do Norte por 5 a 3. Ênio foi presidente da Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo (Aceesp), é membro vitalício do Conselho Superior da Aceesp, membro do Conselho Estadual de Desportos e integrante  da  Associação  Brasileira  de Cronistas Esportivos (Abrace). Ele atuou também como colunista esportivo exclusivo do Grupo Um de Jornais.

                Sua vida era repleta de títulos e prêmios de reconhecimento por seu excelente trabalho em anos de profissão. Dentre eles estão: título de Cidadão Benemérito de Araraquara (sua terra natal), títulos de Cidadão Honorário de Ourinhos, Barra Bonita, Matão e Gastão Vidigal, ganhador de sete troféus Nakata, dois Gandula, da Bola de Ouro RJ, do Ford/ACEESP, do Bola de Ouro SITREPESP, do Sol de Ouro de Araraquara, da Antena Esportiva, e de três troféus São Carlos. Conseguiu também os diplomas de Honra ao Mérito e Sócio Honorário de diversos clubes e associações.

               Ênio Rodrigues sempre atuou como Mestre de Cerimônias de diversos eventos solenes ou festivos em diversas entidades, como: Federação Paulista de Futebol e de Voley, ACEESP, SITREPESP (Sindicato dos Treinadores Profissionais do Estado de São Paulo), ABRACE (Associação Brasileira dos Cerealistas), ABRALEME (Associação Brasileira dos Lojistas em Material Esportivo), Festa do Troféu Ford/ACEESP, Festa do Troféu Nakata, Festa de Aniversário da SE Palmeiras, Festa de Aniversário do SC Corinthians Paulista, Abertura Oficial do Soccer Clinic International e Festa anual do Grupo Um de Jornal. Ênio era conhecido como o “Barítono do Screte do Rádio”. Sua profissão lhe proporcionou viajar e conhecer o mundo. Como jornalista e radialista fez 47 viagens à Europa, conheceu todos os países da América, Japão e Austrália, além de todos os estados brasileiros.

                Ele trabalhou por 27 anos na Rádio Bandeirantes AM. Sua estreia foi em um jogo do Campeonato Paulista de 1963 entre Corinthians e Ferroviária. Este jogo foi no Estádio Adhemar de Barros (Fonte Luminosa) no dia 23 de outubro e terminou empatado em 3 a 3. Os gols corintianos foram anotado por Ferreira, Nei e Lima, enquanto que para a Ferroviária os três tentos foram assinalados por Paulo Bim. Neste dia o alvinegro de Parque São Jorge jogou com; Heitor, Augusto, Eduardo, Cláudio e Ari Clemente; Ferreira e Bazani; Davi, Silva, Nei e Lima.

                A equipe de Araraquara jogou com; Toninho, Geraldo, Galhardo, Rodrigues e Fogueira; Dudu e Fernando; Peixinho, Tales, Paulo Bim e Ari. Vale lembrar que neste ano o campeão paulista foi o Palmeiras que ficou entre cinco títulos do Santos, pois o Peixe havia conquistado em 1960, 61 e 62 e depois conquistou em 1964, 65. Era uma época maravilhosa do futebol paulista, onde as equipes do interior tinham grandes elencos e dificilmente um time da capital vencia em seus domínios, devido ao grande número de craques que possuíam.

                Um bom exemplo disto é esta equipe da Ferroviária, onde tínhamos, Galhardo e Fogueira que depois fizeram sucesso no próprio Corinthians, Peixinho que fez sucesso no São Paulo e Santos e Dudu que brilhou no Palmeiras. Tudo isso sem falarmos de Bazani que neste jogo já defendia as cores alvinegras, mas que foi um dos maiores ídolos da equipe de Araraquara.

               Segundo o próprio Ênio Rodrigues, uma das partidas mais emocionantes que ele narrou em toda sua carreira, foi o jogo entre Portugal e Coreia do Norte, na Copa do Mundo de 1966, aliás esta foi a primeira Copa em Ênio trabalhou. Este jogo aconteceu dia 22 de junho e foi válido pelas Quartas de Final daquele mundial. O mais surpreendente daquela partida, foi a Coréia estar vencendo por 3 a 0 com apenas 22 minutos de jogo. Somente depois de acordarem do terrível pesadelo, foi que Portugal começou sua reação.

               Com quatro gols de Eusébio, sendo dois de pênaltis e um de José Augusto, Portugal não permitiu que a maior zebra de todas as Copas acontecesse naquele dia, afinal, Portugal que já havia eliminado o Brasil naquele mundial ao vencê-lo por 3 a 1, enquanto que a Coréia dentro do cenário futebolístico não era nada. Este jogo ficou marcado na carreira de Ênio Rodrigues.

               Saiu da Rádio Bandeirantes e foi para a Tupi, onde trabalhou em 1991 e 1992, ao lado de Barbosa Filho. Em seguida foi para a Rádio Gazeta, onde era chefe da equipe de esportes e narrador da emissora. Ficou por lá até 1996, quando a direção da emissora optou por mudar radicalmente sua programação e desfez a equipe de esportes.

FATOS INUSITADOS

               Pelo campeonato brasileiro de futebol jogavam no dia 11 de dezembro de 1988 no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, Corinthians e Cruzeiro. A rádio Bandeirantes escalou para a cobertura o narrador Enio Rodrigues e o repórter Eduardo Luís (Ligeirinho). O Corinthians vencia por 1 a 0 até os 43 minutos e meio do segundo tempo quando numa bola mal rechaçada por Biro-Biro o atacante Edson acertou um petardo sem defesa para o goleiro Ronaldo, que hoje integra o time de comentaristas das emissoras de TV do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Na euforia do gol de empate os torcedores cruzeirenses exageraram e deu-se, então, o inusitado que por pouco não terminou em tragédia.

              Durante a descrição dos detalhes do lance, Enio Rodrigues levou um tremendo de um susto: Um torcedor que estava em cima da cabine de rádio, onde Ênio fazia a transmissão do jogo, caiu devido o vidro do teto não ter suportado o peso do indivíduo e por pouco não cai em cima da cabeça de Ênio Rodrigues. Fatos inusitados como esse, ocorrido durante as transmissões das mais variadas competições esportivas do scratch do rádio, existem às dezenas no mais completo arquivo sonoro do rádio brasileiro, o CEDOM – Centro de Documentação e Memória – da rádio Bandeirantes de São Paulo.

               Um dos reportes de campo que trabalhou por longos anos com Enio Rodrigues, foi Roberto Silva na Rádio Bandeirantes. Roberto era chamado de “olho vivo” e quem deu este apelido à ele? Foi Enio Rodrigues. O apelido surgiu de uma brincadeira do narrador Enio Rodrigues. Roberto entrevistava alguma personalidade nas numeradas e falava do lance, quando era chamado pelo narrador (Enio ou Fiori Giglioti), como se estivesse atrás do gol. O Ênio brincava: Ele tem olho vivo. Consegue pegar tudo.

              E por falar em companheiros de trabalho, qual o amante do rádio que não se lembra da equipe de esportes da Rádio Bandeirantes, o famoso Scratch do Rádio, a Cadeia Verde Amarela de Norte a Sul do Brasil. Era uma equipe que chegava a dar mais de 90% de audiência em grandes jogos. Nas transmissões tínhamos Fiori Giglioti, Flávio Araujo, Borghi Junior e o grande Enio Rodrigues. Para os comentários eram; Mauro Pinheiro, Barbosa Filho, Dalmo Pessoa e Loureiro Junior e nas reportagens de campo, Roberto Silva, João Zanforlin, J. Hawila e Luiz Augusto Maltoni, que depois passou a trabalhar como comentarista.

              Outros que também faziam parte da equipe de esportes da Bandeirantes; Jaime Madeira, Estevam Sangirardi, Darcy Reis, Fernando Solera, José Paulo de Andrade, Chico de Assis, Oswaldo dos Santos, Tony Lourenço, Dinamérico Aguiar e Alexandre Santos. Realmente uma equipe que dava gosto de ouvir, pois eram verdadeiros craques do rádio esportivo brasileiro.

TRISTEZA

               O locutor esportivo araraquarense Ênio Rodrigues Carraça, criador do inesquecível bordão “o que vale é bola na rede”, não estava bem de saúde e estava internado há um bom tempo. Lutou contra a doença até quando pôde, até que ela o venceu. Ênio morreu na madrugada do dia 12 de agosto de 2013, aos 78 anos, no hospital Sancta Maggiore, localizado no bairro do Paraíso, em São Paulo. O histórico narrador lutava contra uma doença pulmonar crônica. Foi um dia de muita tristeza para o rádio esportivo brasileiro.  Morreu um dos principais narradores dos últimos cinquenta anos: Ênio Rodrigues, que marcou época na Rádio Bandeirantes de São Paulo (AM 840), tinha 78 anos e foi vencido por uma doença no pulmão.

                O corpo de Ênio Rodrigues foi velado e enterrado no cemitério da Vila Mariana, que está localizado na Av. Lacerda Franco, 2.012, em São Paulo. Ênio Rodrigues foi um brilhante narrador, inteligente, culto, fiel aos acontecimentos e muito vibrante. Além do ser humano especial que sempre foi. Realmente um nome consagrado do rádio. Maravilhoso narrador esportivo, por isso, hoje o rádio está triste pois não ouviremos mais aquele bordão que marcou as transmissões esportivas, “o que vale é bola na rede”.

Da esquerda para a direita: Fiori Giglioti, Enio Rodrigues, Oscar Ulisses, João Zanforlin, Dalmo Pessa, Sérgio Carvalho, Osvaldo dos Santos, Luiz Augusto Maltoni e Ney Costa
Em pé: Jaime Madeira, Ênio Rodrigues, Flávio Araújo, Mauro Pinheiro, Fiori Giglioti, Luiz Augusto Maltoni, Domingos Leoni, Fernando Solera e Jorge Mello    –    Agachados: Borghi Júnior, Luiz Carlos Moreira, José Paulo de Andrade, Osvaldo dos Santos, Alexandre Santos, Carlos Alberto de Castro e Dinamérico Aguiar
Em pé: da esquerda para a direita: Prof. Aquino, João Costa, Prof. Mário Baraldi e Mauro    –     Sentados: Ênio Rodrigues, Fiori Giglioti e Roberto Silva
Em pé: Darcy Reis, Sérgio Barbalho, Paulo Edson, Luiz Augusto Maltoni, Ana Marina, Ênio Rodrigues, Fiori Giglioti, Dalmo Pessoa, Oscar Ulisses, João Zanforlin e Tony José     –    Agachados: Jota Junior, Roberto Silva (olho vivo), Wilson de Freitas, Eduardo Luiz (ligeirinho), Roberto Monteiro e Sérgio Carvalho

Em pé: Dieter Glaeser, Roberto Silva, Luiz Augusto Maltoni, Dinamérico Aguiar, José Carlos Silva, Luiz Moreira, Tony Lourenço e Alexandre Santos     –    Sentados: Chico de Assis, Osvaldo dos Santos, Ênio Rodrigues, Fiori Giglioti, Flávio Araujo, J. Hávilla, Barbosa Filho e Borgui Junior
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