EVAIR: o matador

                    Evair Aparecido Paulino nasceu dia 21 de fevereiro de 1965, na cidade de Ouro Fino (MG). Portanto, hoje ele está fazendo 45 anos de idade. Tudo começou em um campo de Várzea de Crisólia, município de Ouro fino (MG). Evair vestia a camisa 10. Isso, claro quando tinha dinheiro para entrar em campo vestindo alguma coisa. A situação era difícil para a família Paulino, até que o filho deu o grande salto para o sucesso no futebol. Rui Palomo, um amigo de seu José, pai de Evair, havia se acostumado a ver Evair brilhando no campo de várzea da cidade e resolveu levá-lo para um teste no Guarani. O cunhado de Palomo, Clóvis Cabrino, era um dos diretores do clube campineiro e poderia facilitar as coisas. Ele garantia que a situação seria bem diferente da vez em que Evair tentou a sorte no São Paulo, em 1979, quando fez um teste no Tricolor mas acabou recusado na peneira.  

                   Santista na infância, o menino só não jogava peladas na várzea com a camisa do time de Pelé porque a família não tinha dinheiro para comprar o uniforme. No Guarani, passou com folga na peneira e começou a jogar na mesma posição dos tempos da várzea: meia-esquerda. Mas a vida não era fácil. Evair deixou os pais em Minas Gerais para viver embaixo das arquibancadas do Brinco de Ouro.

GUARANI

                 Vivia na companhia de outros colegas que brilharam nos campos anos mais tarde: o volante Tosin, que atuou no Corinthians, e o ponta João Paulo, ex-Seleção, eram seus principais companheiros. Antes deles, gente famosa já havia passado por ali, como o zagueiro Julio César e o centroavante Careca. Isso aumentava a esperança de que o sucesso não tardaria. Fazia frio no alojamento e as dificuldades aumentaram quando a diretoria cortou o lanche noturno da garotada. A ajuda de custo inferior a um salário mínimo, muitas vezes não era suficiente nem para comer um lanche. A história começou a mudar em 1984, quando o técnico Lori Sandri o promoveu aos profissionais. De cara, Evair trocou a camisa 10 pela 9. O aprendiz de centroavante ficou preocupado.

                 Ele sabia que não era o jogador mais perfeito do planeta para a armação de jogadas, e a necessidade de fazer gols podia torná-lo um alvo fácil para a torcida acabar com sua carreira. A estréia aconteceu contra a Inter de Limeira, pela Copa Rayovac, um torneio amistoso entre clubes eliminados do Brasileirão. Os gols começaram a sair. Dois anos depois, o país inteiro descobriu o centroavante que duelou com Careca pela artilharia do Campeonato Brasileiro. No final, deu Careca: 25 X 24. Daí pra frente a vida do craque que saiu do interior de Minas nunca mais foi a mesma. Em 1987 foi convocado para a seleção brasileira campeã pan-americana. Em 1988 foi contratado pelo Atalanta da Itália onde permaneceu até 1991 quando foi contratado pelo Palmeiras em uma transação que levou Careca Bianchesi para o time italiano.

PALMEIRAS

                 No alviverde de Parque Antarctica, Evair teve um começo complicado. Permaneceu cerca de cinco meses treinando em separado, após ser afastado do elenco alviverde por “deficiência técnica”. “Tinha acabado de voltar da Itália e sofri muito. Recebia os salários, mas não podia trabalhar. Foi, sem dúvida, uma situação deprimente”, conta o craque. Com a contratação de Otacílio Gonçalves, voltou novamente a ser titular e o principal jogador na campanha vitoriosa que levou o time ao título paulista, depois de quase 17 anos de jejum. Evair virou herói e ganhou o apelido que o acompanharia por todos os gramados do mundo. Naquele dia 12 de junho de 1993, ele deixou de ser Evair Aparecido Paulino para se tornar o inesquecível “El Matador”, o maior goleador da equipe alviverde nos anos 90. O sucesso no Verdão valeu a Evair uma convocação para a seleção brasileira na Copa América de 93 e nos jogos das eliminatórias para a Copa de 94. O artilheiro disputou 24 jogos com a camisa canarinho e marcou seis gols. Mas, Evair não foi convocado para a disputa da Copa do Mundo de 1994 e teve de assistir à competição pela televisão. Uma decepção que o atacante não esconde de ninguém.

VÁRIOS CLUBES

                  Ao término da temporada 94, entretanto, o craque decidiu que era o momento ideal para consolidar a independência financeira no milionário futebol japonês. Por isso, juntamente com os amigos César Sampaio e Zinho, se transferiu para o Yokohama Flugels, onde permaneceu durante dois anos no Japão, de 94 a 96. De volta ao Brasil, esteve no Atlético Mineiro e no Vasco em 1997; jogou pela Portuguesa no ano de 1998, e retornou para o Palmeiras em 1999, para ser campeão da Copa Libertadores da América. Transferiu-se para o São Paulo em meados de 1999 e no mesmo ano ainda foi para o Goiás. Em 2001 jogou pelo Coritiba e retornou para o Goiás em 2002. Em 2003 esteve atuando por aquele que foi seu ultimo clube como jogador o Figueirense Futebol Clube de Santa Catarina. Clube onde entrou definitivamente para a história dos Campeonatos Brasileiros quando marcou seu centésimo gol na competição na vitória por 2X1 contra Grêmio em 01/06/2003. Devido a problemas de saúde de seu pai, Evair resolveu antecipar o encerramento de sua carreira de Dezembro para Agosto de 2003.

TREINADOR
                  
Quatro meses após encerrar a carreira como jogador Evair teve a oportunidade de iniciar a carreira de treinador ao receber uma proposta do Vila Nova de Goiás. No dia 8 de Fevereiro de 2004 ele fez a sua primeira partida como técnico no comando do time, ganhando de 1 a 0 do Anapolina. O seu início foi bom, terminando a primeira fase do Campeonato Goiano em 1º lugar e mais tarde garantindo uma vaga na final. Porém, após ganhar o primeiro jogo por 2 a 1, o Vila Nova perdeu o título ao ser derrotado por 3 a 0 para o CRAC. Apesar da derrota Evair foi mantido no comando do time para a disputado da 2ª divisão do Campeonato Brasileiro. Mas após um início prometedor onde chegou a estar na liderança, o Vila Nova caiu de produção e Evair foi demitido. Sob o seu comando o Vila Nova disputou no total 33 jogos (14 vitórias – 9 empates – 10 derrotas). Entretanto Evair manteve uma relação com o clube, chegando a trabalhar como olheiro na Copa São Paulo de Juniores. Após trabalhar como olheiro, Evair passou um grande período preparando melhor a sua carreira de treinador até que em 2007 acertou a sua ida para a Ponte Preta para exercer a função de auxiliar-técnico e coordenador das categorias de base, apesar dos protestos dos torcedores do clube que alegaram uma forte ligação que ao rival Guarani.

RECORDAÇÕES

              Evair diz que tem mais coisas boas para recordar do que as ruins. Como por exemplo o título paulista de 1993, o pênalti que cobrou contra o Deportivo Cali ainda no tempo normal na decisão da Libertadores em que o Palmeiras sagrou-se campeão na disputa de pênaltis. E quando recorda como tudo começou até o momento em que encerrou a carreira, Evair se emociona. O garoto alto, humilde e tímido não esperava, porém, que o relacionamento de paixão com a bola de futebol pudesse lhe render tantas alegrias e emoções. O jovem matador, que desfilava com a redonda pelos ‘campinhos’ de Crisólia, bairro de Ouro Fino, no sul de Minas Gerais, não sonhava em se transformar no craque Evair, o ídolo eterno da torcida do Palmeiras.

               A imagem do atleta está estreitamente ligada ao sucesso, ao gol, à vitória, na memória da fanática galera do Verdão. Muitos craques já vestiram a camisa 9 alviverde desde sua saída no final de 99, mas Evair deixou saudade, definitivamente registrou seu nome na história do clube. O Parque Antártica, palco dos espetáculos do atacante, ainda sente falta do maestro, que empolgava a platéia com sua categoria. “Eh, oh, eh, oh, o Evair é um terror”, a ópera do matador ainda faz os corações palmeirenses baterem mais forte. E sempre fará!  “Não tive luxo na infância, pelo contrário. Levava uma vida muito humilde, pois meu pai era pedreiro. Realmente o futebol transformou minha vida. E o Palmeiras é um capítulo muito importante nesta história. Tenho um carinho muito especial pelo clube, pois foi no Parque Antártica que conquistei grandes títulos”, garante o atleta.

               Com a camisa do Palmeiras, Evair fez mais de 120 gols em 238 jogos.  E para relembrar, aqui estão os títulos que Evair conquistou ao longo dos seus 23 anos de profissional; Bicampeão Paulista e Brasileiro pelo Palmeiras em 1993 e 1994. Campeão do Torneio Rio-São Paulo pelo Palmeiras em 1993. Campeão Brasileiro pelo Vasco em 1997 e Campeão da Copa Libertadores da América pelo Palmeiras em 1999. Hoje, Evair leva uma vida tranquila ao lado de sua esposa Gisele e seus dois filhos, Vitória e Guilherme.

Em pé: Mazinho, Cláudio, Cleber, Fernandes, César Sampaio e Antônio Carlos      –     Agachados: Evair, Rincon, Edilson, Roberto Carlos e Zinho
Em pé: Neuri, Rodrigo, Ricardo Rocha, Oberdan, Tozin e Julio César      –     Agachados: Gilberto, Carlinhos, Evair, Boiadeiro e João Paulo
Em pé: Zetti, Roberto Carlos, Valber, Luiz Carlos Winck, César Sampaio e Antônio Carlos      –     Agachados: Raí, Muller, Evair, Neto e Zinho
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2 comentários em “EVAIR: o matador

  1. Muito obrigado por escrever toda essa biografia do “El Matador”, na biografia tem todo um belo trabalho em pesquisa e dedicação. Grato

    1. Olá Alexandre, tudo bem?
      Muito obrigado por prestigiar meu site. Fico honrado com seus comentários. Sempre que desejar saber de algum jogador do seu amado Palmeiras, é só pedir.
      José Carlos de Oliveira

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