ROSEMIRO: futebol simples porem eficiente

                     Rosemiro Correia de Souza nasceu em Belém do Pará em 22 de fevereiro de 1954. Como a grande maioria dos garotos de sua idade, jogava pelos campinhos de terra batida em Belém até ser descoberto por um olheiro, que o encaminhou para testes nas peneiras do Clube do Remo. Em 1972 já estava no time profissional. Sua estrela começou a brilhar rapidamente com a conquista do Tri-campeonato Paraense de 1973, 1974 e 1975. No mesmo ano, foi convocado pelo grande mestre Zizinho para defender a Seleção Brasileira nos jogos Pan-Americanos da cidade do México, onde conquistou a medalha de ouro. A Seleção tinha os seguintes jogadores; Carlos, Rosemiro, Tecão, Carlinhos, Tiquinho, Marcelo, Claudio Adão, Alberto Leguelé, Batista e Edinho.

PALMEIRAS

                   Rosemiro chamava a atenção de várias equipes nos grandes centros. Foi com ótimas credenciais que Rosemiro desembarcou em São Paulo em 1975 e foi para o Parque Antárctica. Chegou ao Parque Antarctica com a missão de substituir Eurico que havia sido negociado com o Grêmio em 1975. Com a carreira em franca ascensão, Rosemiro foi mantido no grupo que disputou o Pré-Olímpico e a Olimpíada de Montreal em 1976, onde atuou como ponteiro direito. Assim que assumiu a titularidade da equipe de Parque Antarctica, começaram as gozações por parte da imprensa, da torcida e principalmente dos adversários. O próprio locutor Osmar Santos o apelidou de “namoradinho da Rachel Welck”. Ficamos imaginando o quanto isso deve ter sido complicado na cabeça do jovem paraense que chegou a cidade de São Paulo com esperanças e muita vontade de vencer. Lamentavelmente, são coisas do mundo da bola.

                  Sua estrela continuou a brilhar com a conquista do Campeonato Paulista de 1976, quando foi utilizado em algumas partidas. O titular da posição era o lateral Valdir. Rosemiro trabalhou com o técnico Telê Santana em 1979 e a equipe era formada por; Gilmar, Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi e Pedrinho; Pires, Mococa e Jorge Mendonça; Jorginho, César e Baroninho. Naquela ótima equipe que quase chegou ao título paulista, o lateral aprimorou diversos fundamentos de marcação e distribuição de bola. Como o próprio Telê sempre dizia: “Apoiar o ataque é sempre mais gostoso, mais vistoso e também mais perigoso”.

                 Ainda em 1979 o Palmeiras derrotou o Flamengo em pleno Maracanã por 4×1. Foi uma vitória imponente do Palmeiras contra um adversário difícil. Os jornais até exageraram um pouco, como a Folha de S. Paulo, que comparou a derrota flamenguista à da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950. “Foi o mesmo silêncio de 50″, era a manchete do caderno de esportes de 10 de dezembro. De qualquer jeito, o clube paulista avançou às semifinais e foi derrotado pelo Internacional de Falcão, que seria campeão invicto. Mas pelo menos deixou o Maracanã em silêncio.

                No ano de 1980, Rosemiro se envolveu em uma “queda de braço” com o técnico Diede Lameiro. O clima já não vinha bem e acabou explodindo quando ele foi substituído em uma partida contra o São Paulo no mês de outubro. O lateral atirou a braçadeira de capitão ao chão e disse em bom tom que com aquele treinador ele não trabalharia mais. Depois do acontecido, Rosemiro não teve mais clima no clube e foi negociado com o Vasco da Gama. Chegava ao fim sua passagem com a camisa do Palmeiras, onde realizou 300 partidas (139 vitórias, 97 empates, 64 derrotas e marcou 8 gols). Rosemiro marcou época no Palmeiras, ao lado de Leão, Luis Pereira, Jorge Mendonça, Ademir da Guia, Edu e companhia, ele foi campeão paulista de 76, o último título do Palmeiras antes do jejum que durou até 1993.  

VASCO DA GAMA

                Jogou pelo Vasco de 1979 a 1982, sendo campeão carioca no último ano em que atuou pelo clube cruz-maltino. O título foi em cima do Flamengo por 1 a 0, dia 10 de dezembro, gol de Marquinho. Neste dia o Vasco jogou com; Acácio, Rosemiro, Galvão, Ivan e Pedrinho; Serginho, Ernani e Marquinho; Pedrinho Gaúcho, Roberto Dinamite e Gerson. O técnico era Antonio Lopes. Vale lembrar que a equipe do Flamengo era praticamente a mesma que havia conquistado o título mundial de clubes em Tóquio no ano anterior diante do Liverpool da Inglaterra. No Vasco, Rosemiro atuou ao lado do lateral esquerdo Pedrinho, que também havia deixado o Palmeiras.

OUTROS CLUBES

                 Depois de deixar o clube cruzmaltino, Rosemiro ainda atuou pelo Bangu (1982 a 1985), Colorado (PR) (1985 a 1986), Noroeste de Bauru (1986 a 1987), Chapecoense (1988) e Marcílio Dias (1988 a 1989), onde encerrou sua carreira de jogador de futebol. Hoje é professor em escolinha de futebol no bairro do Rio Bonito, capital paulista. A principal qualidade de Rosemiro como lateral-direito era apoiar bastante o ataque. “Ele costumava apoiar muito mesmo. Não era de ficar somente na marcação”, conta o ex-ponta-esquerda são-paulino Zé Sérgio, que travou vários duelos com Rosemiro. Rosemiro teve a honra de vestir a camisa da nossa seleção nos jogos Pan-Americanos de 1975 e também nas Olimpíadas de 1976, em Montreal, Canadá. Com a camisa canarinho Rosemiro disputou 27 partidas.

Seleção Olímpica de 1976    –   Em pé: o técnico Zizinho, Rosemiro, Zé Carlos, Tecão, Edinho, Chico Fraga e Batista   –    Agachados: Marinho, Alberto Leguelé, Jarbas, Erivelto e Santos
1979   –    Em pé: Rosemiro, Gilmar, Polozzi, Ivo Wortmann, Marinho Peres e Pedrinho   –    Agachados: Amilton Rocha, Osmir, Zé Mário, Pedro Rocha e Nei
Em pé: Rosemiro, Gilmar, Polozzi, Beto Fuscão, Zé Mário e Pedrinho    –    Agachados: Nedo, Jorginho, César, Pires e Baroninho
Em pé: Rosemiro, Gilmar, Beto Fuscão, Ivo, Polozzi e Sóter    –   Agachados: Amílton Rocha, Jorge Mendonça, Toninho, Pires e Nei

Seleção Pan-americana de 1975   –  Em pé: Mauro, Batista, Edinho, Tecão, Carlos e Chico Fraga   –    Agachados: Rosemiro, Eudes, Luís Alberto, Cláudio Adão e Santos
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