PIAZZA: campeão do mundo com nossa seleção em 1970

                 Wilson da Silva Piazza nasceu dia 25 de fevereiro de 1943 em Ribeirão das Neves (MG).  Aos 8 anos jogava pelada com os presos do Centro de Reeducação de Neves, onde seu pai trabalhava, num campinho que ajudou a construir junto com os presos. Jogava como ponta direita do time do Flex Solas no Campeonato Classista de 1960. Ainda garoto começou a jogar futebol no Estrela, um time de várzea de Belo Horizonte. Aos 18 anos, passou para o juvenil, como ponta de lança.  Destaque da equipe, ele despertou o interesse do Renascença, onde ingressou na categoria juvenil em 1961. Muito eficiente nos desarmes, Wilson, como era conhecido na época, era um jogador de muita dedicação tática e com um extraordinário vigor físico. Também tinha como características a apurada visão de jogo e o alto índice de acerto de passes.  No Renascença, havia um outro jogador chamado Wilson. Para se diferenciar, passou a ser chamado de Wilson Piazza. 

                 Ganhou destaque jogando no meio campo e passou a ser o centro das atenções nos jogos de seu clube.  Um dia, pouco antes do início da partida, descobriu que um dos jogadores do time adversário era um velho conhecido dos tempos do Estrela.  Os dois se cumprimentaram e, logo após as saudações, o amigo o interpelou: “Wilson, quem é esse tal de Piazza que os caras falaram que está gastando a bola no meio campo de vocês?”  O volante respondeu de maneira definitiva. “Muito prazer, Wilson Piazza”. Era o início da carreira de um dos maiores meio campistas da história do futebol brasileiro. No ano seguinte, em 1962, subiu para a categoria profissional. Chamou a atenção do Cruzeiro, que o contratou em 1964.

CRUZEIRO

                 Chegou à Toca da Raposa sem muito estardalhaço, mas logo se consolidou como um dos principais jogadores do time mineiro.  Quando Piazza chegou no Cruzeiro, o time era pouco conhecido no cenário nacional. O futebol da época era centrado no eixo Rio – São Paulo e qualquer time de fora tinha pouco espaço na mídia. Bastou um ano, porém, para que o volante levantasse sua primeira taça: a do Campeonato Mineiro de 1965. 

                 Piazza chegou no Cruzeiro, como reserva. Uma contusão do jogador Ílton Chaves, logo no início do Campeonato Mineiro de 1964, acabou transformando-o em titular.  No ano de 1966, veio a conquista que deu destaque ao Cruzeiro. O time disputava a Taça Brasil, equivalente ao Campeonato Brasileiro de hoje, e enfrentou na decisão o poderoso Santos F. C., com Pelé e companhia, que já havia faturado o torneio em outras cinco oportunidades e ainda era gabaritado por dois títulos mundiais (1962 e 1963).

                Com uma equipe formada por jovens promessas, o Cruzeiro não se intimidou com os consagrados craques santistas e goleou por 6 a 2 no Mineirão, na primeira partida da final. No jogo de volta, no Pacaembu, em São Paulo, os mineiros perdiam por 2 a 0 até início do segundo tempo, mas viraram para 3 a 2 e ficaram com o caneco. Neste dia o Cruzeiro jogou com; Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Edvaldo e Hilton Oliveira.

                Sobre o primeiro jogo, disputado em Belo Horizonte, Piazza se mostrou incrédulo. Não estava acreditando que havia vencido o poderoso Santos de Pelé, Lima, Zito, Mengalvio, Edu, enfim, o time santista só tinha feras, no entanto o primeiro tempo havia terminado com o placar de 5 a 0 para o Cruzeiro.  No intervalo os jogadores mineiros, ainda estavam preocupados, pois todos achavam que o Santos ainda poderia virar aquela partida, afinal, era o melhor time do mundo no momento. No entanto, o Cruzeiro continuou jogando seu futebol e chegou a vitória por 6 a 2. 

                Surpreendente, o Cruzeiro tinha talentos como o goleiro Raul, que mais tarde se consolidou como um dos maiores nomes brasileiros na posição, e o zagueiro Procópio, que fizera parte da Academia de Futebol do Palmeiras na década de 60.  O destaque do time mineiro, contudo, era o meio campo. Com um trio formado por Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, seu maior talento, a Raposa se consolidou como um dos grandes clubes do país.  Entre os anos de 1965 a 1977, o Cruzeiro faturou nove vezes o Campeonato Mineiro.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Em 1967, Piazza estreava na seleção brasileira com o pé direito, pois foi campeão da Copa Rio Branco. No ano seguinte, uma fatalidade. O dia 12 de junho é muito importante na vida de Wilson Piazza. O dia dos namorados, porém, não é lembrado com alegria por ele. E a dor não se trata do término de nenhum relacionamento. É que no dia 12 de junho de 1968, num amistoso em que o Brasil venceu o   Uruguai por 4 a 0  no Maracanã, o volante sofreu uma grave fratura na perna, que o afastou do futebol por cerca de um ano. “Foi uma das maiores dores que senti na vida”, analisou Piazza.

              Segundo o jogador, o sentimento do lance só pode ser comparado com outros dois. “Perder a Copa de 74 e a Libertadores de 75. Acho que foram tão ruins quanto a contusão”. A lesão de Piazza aconteceu em uma dividida de bola. O jogador lembra que o lance foi fruto da rivalidade entre brasileiros e uruguaios. “Ninguém queria perder e todos brigavam como loucos pela posse da bola. Foi um clássico e a garra era uma marca das duas equipes”. Piazza pondera, contudo, que a jogada não foi intencional. “Foi apenas excesso de força. Não vi maldade de nenhum dos lados”, considerou o jogador.

              No ano seguinte, em 1969, já recuperado participou do maior clássico pelo Campeonato Mineiro, que apanhou um público pagante recorde do Mineirão (123.351 pagantes). Piazza teve que ser improvisado como zagueiro da equipe, após as contusões de Mario Tito e Fontana. Nesta partida mostrou que era um jogador versátil e o time passou a jogar melhor em campo. Piazza comandou a vitória cruzeirense por 1 x 0 numa partida que tornou-se histórica. Foi a primeira vez que Piazza atuou como zagueiro. No ano seguinte, foi convocado por Zagallo para disputar a Copa do Mundo no México, para jogar no meio de campo.

              No entanto, em um treino, o zagueiro Baldochi se machucou. O treinador Zagallo, resolveu improvisar o volante do Cruzeiro na defesa do time nacional. O resultado não poderia ter sido melhor. Poucas semanas depois, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial no México.  Piazza disputou 67 partidas com a camisa canarinho, sendo 52 delas oficiais.  O único número triste na história do volante, é nunca ter balançado as redes pela seleção.  Em 1972, houve um marco na trajetória do Cruzeiro. Tostão o grande astro da companhia, foi emprestado ao Vasco. A expectativa era uma queda de produção, mas aconteceu exatamente o contrário.

              O time manteve a soberania no estado, venceu a Taça Brasil mais duas vezes (1974 e 1975) e ainda conquistou a Copa Libertadores da América de 1976, que na época, além dos veteranos Piazza e Dirceu Lopes, o Cruzeiro contava com grandes jogadores como o lateral Nelinho, o meia Palhinha e o atacante Jairzinho, tricampeão mundial em 1970. O título veio em uma final contra o River Plate da Argentina, vencida por 3 a 2. O Cruzeiro foi o segundo clube brasileiro a conquistar a Libertadores. Antes, só o Santos havia ganho.

               Em 1973, durante uma excursão dos brasileiros à Escócia, Piazza fez parte do grupo que coordenou um boicote dos jogadores à imprensa, uma forma de repúdio àqueles que publicavam notícias falsas sobre os atletas. No ano seguinte, durante a Copa de 1974 na Alemanha, viveu um de seus piores momentos na seleção. O Brasil, que defendia o título, não conseguiu passar de um quarto lugar. A imprensa e os torcedores atacaram duramente o elenco nacional. Piazza que nunca se importava com as críticas, ficou muito chateado com aquilo tudo.  Depois de 13 anos defendendo as cores do Cruzeiro, Piazza resolveu se aposentar.

               Nesse período disputou 487 jogos e marcou 112 gols. Diante dos apelos da torcida para que continuasse, ele garantiu que era o momento ideal.  Resolveu parar para cuidar de seus negócios, e também porque estava no auge, assim como fez Pelé. Ao contrário de muitos jogadores, Piazza não quis saber de muita festa de despedida, pois esta sempre foi uma das suas características, a modéstia marcante, tanto dentro quanto fora de campo.   Em 1972, filiado ao PMDB, o então jogador do Cruzeiro foi eleito vereador de Belo Horizonte. Mesmo com sua carreira em curso, o volante conseguiu sucessivas reeleições no cargo.

                A principal meta de campanha de Piazza era incutir a filosofia e a disciplina provenientes do esporte nas crianças carentes da capital mineira. O espírito de liderança sempre foi uma característica marcante na personalidade de Wilson Piazza. A braçadeira de capitão sempre foi como uma parte de seu uniforme Ao longo de sua carreira conquistou vários títulos, Taça Brasil de 1966, Libertadores da América de 1976 e ainda 10 campeonatos mineiros (1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977), além é claro do Mundial de 70 no México.

1969   –   Em pé: Carlos Alberto, Félix, Brito, Djalma Dias, Wilson Piazza e Rildo   –    Agachados: o massagista Mário Américo, Jairzinho, Dirceu Lopes, Pelé, Gérson, Tostão e o massagista Nocaute Jack
Bola de Prata de 1972   –   Em pé: Aranha (Remo), Marinho Chagas (Botafogo), Figueroa (Internacional), Beto Bacamarte (Grêmio), Leão (Palmeiras) e Piazza (Cruzeiro)    –     Agachados: Osni (Vitória), Alberi (ABC), Zé Roberto (Coritiba), Ademir da Guia (Palmeiras) e Paulo César Caju (Flamengo)
1969   –   Em pé: Carlos Alberto, Félix, Djalma Dias, Joel Camargo, Piazza e Rildo   –    Agachados: Mário Américo, Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé, Edu e Nocaute Jack
1968   –  Em pé: Djalma Santos, um integrante da comissão técnica, Piazza, Sadi, Cláudio, Joel Camargo e Jurandir    –     Agachados: o massagista Mário Américo, Paulo Borges, Tostão, César, Rivelino e Edu
Em pé: Vanderlei, Fontana, Pedro Paulo, Piazza, Mário Tito e Raul    –     Agachados: Nocaute Jack, Natal, Zé Carlos, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues
Em pé: Vanderlei, Fontana, Pedro Paulo, Piazza, Mário Tito e Raul    –     Agachados: Nocaute Jack, Natal, Zé Carlos, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues
Copa de 1970   –   Em pé: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo, Everaldo e Admildo Chirol    –   Agachados: Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé e Paulo Cézar Caju
Em pé: Zé Maria, Félix, Brito, Piazza, Clodoaldo e Everaldo   –   Agachados: Zéquinha, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino
Seleção Brasileira de 1969 com uniforme da seleção de 1914  –  Em pé: Carlos Alberto, Félix, Brito, Djalma Dias, Wilson Piazza e Rildo   –    Agachados: Jairzinho, Dirceu Lopes, Pelé, Gérson e Tostão
1974    –    Em pé: Zé Maria, Marinho Chagas, Wendell, Luís Pereira, Piazza e Carbone   –   Agachados: Mário Américo, Jairzinho, Paulo César Carpegiani, Mirandinha, Ademir da Guia, Edú e Nocaute Jack
Em pé: Vanderlei, Zé Carlos, Piazza, Pedro Paulo, Brito e Raul   –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira

         

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