DJALMA SANTOS: bicampeão do mundo com nossa seleção (1958 e 1962)

                     Djalma Santos nasceu dia 27 de fevereiro de 1929 em São Paulo. Fez história nos três grandes clubes por onde passou. Na Portuguesa de Desportos, fez parte da melhor equipe do clube de todos os tempos, ao lado de jogadores que também brilharam no futebol brasileiro. Djalma é também o maior recordista de jogos disputados pela Lusa do Canindé.  Depois foi jogar na Sociedade Esportiva Palmeiras, onde teve o auge de sua carreira, pois conquistou vários títulos com a camisa alviverde, principalmente naquela época em que o Santos F.C. tinha uma máquina de jogar futebol, comandada por Pelé.  Djalma Santos foi o único brasileiro a integrar a seleção oficial da FIFA.

                     E quando encerrou a carreira, defendia as cores do Atlético Paranaense, clube que defendeu com muita garra, mesmo já estando com 42 anos de idade, outro verdadeiro recorde para um jogador de futebol.  Ficou marcada uma jogada que Djalma sempre fazia, ou seja, a forte cobrança de arremesso lateral, pois jogava a bola sempre dentro  da  área  adversária. Segundo ele, tinha  um  problema na mão, provocado por um acidente de trabalho, o que fazia com que jogasse a bola sempre para a frente.

                  Passou sua infância no bairro Parada Inglesa, onde sua diversão era o futebol e os livros, pois seu pai que era soldado da Força Pública, queria que o filho seguisse a carreira militar.  Aos 11 anos de idade, entrou num time do bairro cujo nome era Internacional.  Certo dia seu pai foi vê-lo jogar e, depois daquele dia, deixou de obriga-lo a seguir a carreira militar, pois viu que seu futuro era outro.

PORTUGUESA DE DESPORTOS 

                    Dos campos de várzea da capital paulistana, Djalma Santos foi para a Portuguesa de Desportos. Sua primeira partida com a camisa da Portuguesa, aconteceu dia 9 de agosto de 1948, numa partida de aspirantes contra o Corinthians. Ainda com 19 anos, o jovem fez sua estréia no time profissional  quando enfrentou o Santos F.C. em 16 de novembro de 1948 e perdeu por 3 a 2.  Neste dia a Lusa jogou com; Ivo, Lorico e Pedro; Silveira, Djalma Santos e Hélio; Renato, Pinga II, Nininho, Pinga I e Simão. 

                   Quando Brandãozinho foi contratado da Portuguesa Santista, em 1949, o lateral direito Luizinho contundiu-se, Djalma Santos, que até então jogava como centromédio, passou a jogar na lateral, posição que o consagraria mundialmente.

Como jogador da Portuguesa, fez 53 partidas pela Seleção Brasileira.   Com a camisa da Lusa do Canindé, Djalma realizou 453 partidas. Conquistou o bicampeonato do Rio – São Paulo em 1952 e 1955 e a Fita Azul em 1951, 53 e 54.  Djalma jogou na Portuguesa até 1959, depois trocou a colônia portuguesa pela colônia italiana. A sua despedida da Lusa aconteceu dia 29 de abril de 1959, quando a Portuguesa venceu o Palmeiras por 6 a 3 numa partida válida pelo Torneio Rio – São Paulo.

PALMEIRAS

                    No time de Parque Antártica, passou a fazer parte de um dos melhores elencos daquela época. Conquistou três títulos paulista em uma década em que o monopólio santista, comandado por Pelé e companhia, parecia insuperável. Quando chegou no Palmeiras a equipe alviverde era assim formada; Valdir, Djalma Santos, Waldemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho, Américo, Vavá e Romeiro.  Pelo Palmeiras Djalma conquistou vários títulos, como os Campeonatos Paulista de 1959, 63 e 66. A Taça Brasil de 1960 e 67, Torneio Rio – São Paulo em 1965 e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967. 

                   Djalma jogou no Palmeiras por dez anos,  entre os anos de 1959 e 1969. Realizou 498 jogos com a camisa do alviverde de Parque Antártica.  Venceu 295, empatou 105 e perdeu 98 vezes.  Marcou 10 gols.  Foi um jogador que o torcedor palmeirense jamais irá esquece-lo, pois toda vez que entrou em campo para defender as cores esmeraldinas, o fez com muita garra e amor, pois sempre foi um atleta disciplinado dentro e fora de campo, um verdadeiro exemplo para aqueles que estavam começando.

SELEÇÃO BRASILEIRA 

                   A história de Djalma Santos na seleção brasileira começou no início da década de 50, quando os torcedores ainda tentavam esquecer a derrota para o Uruguai na final da Copa do Mundo, no Maracanã. Fez sua estréia contra a seleção peruana, em 10 de abril de 1952, num empate sem gols pelo Campeonato Pan-americano. Sua primeira vitória com a camisa verde amarela, aconteceu somente contra o Panamá, e com goleada, 5 a 0.

                  Neste ano o Brasil tinha a seguinte formação; Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho e Nilton Santos; Bauer e Pinga; Julinho Botelho, Baltazar e Rodrigues.  No mundial de 1954 disputado na Suíça, Djalma foi titular nas três partidas da seleção brasileira, quando vencemos o Chile, o Paraguai e o México.  Na fase seguinte empatamos com a Iugoslávia no tempo normal em 1 a 1 e na prorrogação em 0 a 0, o que nos dava a condição de seguirmos na competição.  Na partida das quartas-de-final contra a poderosa Hungria, Djalma Santos marcou um gol cobrando uma penalidade máxima, mas não impediu a derrota por 4 a 2 e a eliminação da nossa seleção daquele mundial. 

                  Veio então a Copa de 58 na Suécia. Djalma assistiu as cinco primeiras partidas do banco de reservas. Somente na grande final, contra a anfitriã Suécia, é que Djalma substituiu De Sordi, que estava contundido, e fez uma excelente apresentação. Até hoje Djalma diz que foi o maior momento de sua carreira aquela vitória sobre a Suécia. Na casa do adversário e com a presença do Rei na arquibancada.

                   Djalma ainda seria titular absoluto em mais dois mundiais. Na campanha do bicampeonato, em 1962, no Chile, e na Copa de 66 disputada na Inglaterra, quando os brasileiros foram eliminados pela seleção de Portugal, comandada pelo atacante Eusébio. Além do destaque dentro dos gramados, o maior ala direito de todos os tempos ainda quebrou um importante recorde pela seleção canarinho. Djalma Santos foi o primeiro atleta a superar a marca dos 100 jogos com a camisa da seleção brasileira.

                  Em seu currículo, 110 partidas, quatro Copas do Mundo (dois títulos) e três gols com a camisa verde amarela.  Sua despedida da seleção aconteceu dia 9 de junho de 1968, quando o Brasil recebeu o eterno rival Uruguai, no estádio do Pacaembu, e venceu por 2 a 0.  Pela seleção brasileira, Djalma Santos disputou 110 jogos. Venceu 79, empatou 16 e perdeu 15 vezes.

FINAL DE CARREIRA

               Em 1969, deixou o Parque Antártica e foi jogar no Atlético Paranaense, aos 42 anos de idade. Já não precisava provar mais nada, mas mesmo assim virou ídolo da torcida rubro negra, com a conquista do Campeonato Estadual em 1970. Na ocasião o Furacão estava há treze anos sem nenhum título.  Sua despedida dos gramados aconteceu no ano seguinte ainda com a camisa do Atlético-PR. E logo em seguida começou a trabalhar como técnico no Peru e, na volta ao Brasil, dirigiu o Internacional de Bebedouro, Sampaio Correa – MA, União de Mogi das Cruzes e Vitória da Bahia.  

HOMENAGENS

              Em 1963, a FIFA organizou uma partida amistosa para comemorar os 100 anos da criação do futebol e da Liga Inglesa. Apenas um brasileiro teve a honra de vestir a camisa da seleção do resto do mundo que jogou contra o “English Team”, e este brasileiro foi Djalma Santos. Participaram deste jogo craques consagrados como o atacante português Eusébio, o goleiro soviético Yashin, o meia tcheco Masopoust, o argentino Di Stefano, o atacante húngaro Puskas, entre outros.  O placar deste jogo foi 2 a 1 para a seleção inglesa, jogo que foi disputado no estádio de Wembley, na Inglaterra.

                   Em 30 de janeiro de 1972, numa partida comemorativa pela inauguração do Canindé, vestiu a camisa da Portuguesa, na vitória de 2 a 0 sobre a seleção do Zaire. Este foi o último dia que Djalma pisou num gramado para jogar futebol, algo que sempre gostou de fazer e o fez com muito amor pela camisa que vestia. Djalma dos Santos como está na sua certidão de nascimento, ficou viúvo e casou-se novamente.

                  Gostava de assistir futebol pela televisão e, ao ver certos jogadores que se dizem craques, ele sente muita saudade do tempo que entrava em campo e dava o sangue se fosse preciso. Sua maior tristeza era quando ouvia certos jogadores pedirem para não serem convocados para defenderem a nossa seleção, coisa que era motivo de muito orgulho em seu tempo de jogador.

TRISTEZA

                   Nos tempos em que lateral tinha como principal função defender, ele foi um visionário. Sua saúde privilegiada e a técnica das mais apuradas ajudaram muito nos avanços ao ataque. Resumo da ópera: duas das cinco estrelas que os brasileiros carregam no peito foram conquistadas com o suor e o brilho de Djalma dos Santos. Por uma questão de praticidade, qualidade típica dos bons laterais, a preposição e o artigo foram abolidos do nome: virou Djalma Santos. Dia 23 de julho de 2013, o craque visto por muitos como o melhor lateral-direito de todos os tempos nos deixou, causando a todos os desportistas uma profunda tristeza.

                   Djalma Santos estava internado desde o dia 1 de julho de 2013 no hospital Dr. Hélio Angotti, em Uberaba-MG. devido a insuficiência respiratória e pneumonia. Dia 23 de julho, seu estado piorou e veio a falecer aos 84 anos. Com certeza hoje ele está lá no céu, mas ficará por todo e sempre em nossos corações. O tempo infelizmente se expirou para Djalma Santos, e Deus sem alarde para junto de Si o chamou.  Além da saudade, o sólido exemplo foi o grande tesouro que nos deixou. Nos jardins celestiais, uma rara espécie de Djalma agora brotou. Descanse em Paz, eterno Djalma Santos.

Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar     –    Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos e Mauro     –    Agachados: Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, Picasso, Waldemar Carabina, Djalma Dias, Vicente e Zéquinha    –    Agachados: Julinho, Vavá, Servilio, Ademir da Guia e Gildo

Em pé: Djalma Santos, Bellini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto Belangero     –    Agachados: Garrincha, Evaristo de Macedo, Índio, Didi e Joel

Em pé: Djalma Santos, Peres, Baldochi, Minuca, Dudu e Ferrari     –    Agachados: Dario, Servilio, César, Ademir da Guia e Tupãzinho

Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zéquinha e Geraldo Scotto    –    Agachados: Julinho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro
DJALMA SANTOS – 110 JOGOS PELA SELEÇÃO BRASILEIRA

 

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