PARREIRA: campeão do mundo como técnico da nossa seleção em 1994

               Carlos Alberto Parreira nasceu dia 27 de fevereiro de 1943, na cidade do Rio de Janeiro – RJ.  Reconhecimento internacional, títulos e muita experiência no currículo. Parreira já conquistou tudo quanto é campeonato, mas em qualquer disputa que entra, quer mais. Ele mesmo costuma dizer sobre as suas taças. “Eu me preocupo muito mais com a qualidade do que com a quantidade”, afirma. Por isso mesmo, tem no seu currículo o tetracampeonato mundial na Copa dos Estados Unidos, a maior glória que um técnico de futebol pode alcançar. Mas isso não foi suficiente para colocar o treinador no lugar dos maiores de nosso futebol.

               Ele precisava de um algo mais para cair nos braços do povo. E nada melhor do que comandar o Corinthians, o time da massa em São Paulo, para a conquista  do  título da Copa do Brasil,  que  dava ao Timão a tão sonhada vaga na Libertadores de 2003. E com isso ele caiu nos braços do povo, andou em carro de bombeiros e teve uma emoção tão grande quanto a da Copa do Mundo em 94.

SELEÇÕES

               Parreira aos 23 anos, formava-se em Educação Física e técnico de futebol na Escola Nacional de Educação Física e Desportos. Ele trabalhou como preparador físico no São Cristóvão, Vasco, Fluminense e Seleção Brasileira olímpica e profissional. Também foi auxiliar técnico na Seleção olímpica em 72 e na seleção do Kuwait. Mas acabou se destacando mesmo como treinador. Em 67, foi para Gana comandar a seleção daquele país. “O futebol lá era jogado em campos de terra, muitos atuavam descalços e já existia o problema dos gatos porque eles não sabiam quando tinham nascidos”, comenta.  E ele acabou ficando no continente africano e aproveitou ainda para aprimorar o seu inglês.

              Além disso, começou a se sobressair. Obteve o vice-campeonato da Copa Africana de Nações, em 68, e o título continental de clubes, pelo Kotoko SC, ambos em 68. Em 70, já estava no Fluminense, como preparador físico, e conquistou a Taça de Prata. Mas seu grande título foi no México, com a Seleção Brasileira: o tricampeonato mundial. Continuou no Flu e foi tricampeão carioca (71, 73 e 75) e esteve nos amistosos e nos Jogos Olímpicos, todos pela Seleção.

              Em 1976, voltou para o exterior, desta vez para ser auxiliar, e posteriormente comandar, a seleção do Kuwait. Ficou até 82 e, para não mudar a rotina, muitas conquistas. Foi vice-campeão da Copa Ásia de Seleções em 76, campeão do Torneio Pré-Olímpico e campeão da Copa da Ásia de Seleções em 80 e vice-campeão dos Jogos Asiáticos e campeão da Copa do Golfo em 1982. Voltou novamente ao Brasil e em 83 trouxe com a Seleção o segundo lugar na Copa América. Em 84 foi campeão brasileiro com o Fluminense e resolveu dar um breve adeus ao Brasil.

              Foi para o Oriente Médio e em 1985 foi vice-campeão da Copa do Golfo pela seleção dos Emirados Árabes. Mas em 1988 ganhou na final e colocou em seu currículo mais um título de campeão da Copa da Ásia de Seleções, desta vez com a Arábia Saudita. Em 91, comandando o Bragantino, chegou ao vice-campeonato Brasileiro, perdendo a final para o São Paulo de Telê Santana. Mas em 94 ele se tornaria um herói nacional ao conquistar o tetra nos Estados Unidos com a Seleção Brasileira. E quando chegou no Corinthians, em 2002, não sabia que a glória viria a curto prazo. Venceu o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil e caiu nas graças da Fiel. E assim, parece que sua qualidade em títulos virou quantidade também.

              A carreira do treinador só deslanchava e ele ainda foi ser técnico do Valencia (Espanha), Fenerbahce (Turquia), São Paulo, New York Metro Stars (Estados Unidos), Fluminense, Atlético-MG, Santos e Internacional-RS. No Flu, aceitou comandar a equipe na terceira divisão do Brasileirão e chegou ao título. Mas o grande triunfo acabou vindo no Corinthians, em 2002. Diante de muita desconfiança, ele levou uma equipe sem estrelas ao título da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo. Resultado: caiu nos braços da Fiel e voltou à seleção brasileira depois da conquista do pentacampeonato mundial, no lugar de Luiz Felipe Scolari.

SELEÇÃO DE NOVO

              Em mais uma passagem pela seleção, apesar de um início conturbado, Parreira logo conseguiu implantar novamente sua filosofia. Acabou com o esquema 3-5-2 de Felipão, e adotou o bom e velho 4-4-2. Na metade de 2004, o treinador teve seu primeiro grande momento vitorioso à frente da seleção em sua passagem atual: conquistou o título da Copa América, praticamente com um ‘time B’, batendo a Argentina, nos pênaltis, na final. Título para lavar a alma e impulsionar o trabalho rumo à Alemanha. Às vésperas de encerrar a participação brasileira nas Eliminatórias, a situação da seleção era tranquila e a classificação à Copa do Mundo de 2006 era questão de tempo.

              O elenco para o Mundial, embora ainda admitia alguns reparos, estava quase fechada. E o próprio Parreira não escondia: “Somos favoritos para o título mundial, porque temos mesmo os melhores jogadores. Precisamos saber lidar com esse favoritismo”. No entanto, dentro de campo a realidade foi outra e o Brasil acabou sendo eliminado nas quartas-de-final, ao perdermos para a França por 1 a 0. Muitos dos jogadores brasileiros nem vieram para o Brasil, alegando que moravam na Europa e os poucos que vieram não tinham nenhuma explicação que pudesse convencer esta nação.  

              O técnico Carlos Alberto Parreira voltou ao Brasil, mas ao chegar no aeroporto do Rio de Janeiro, saiu pelas portas do fundo, numa atitude pouco educada para com o povo que tanto confiou nele. A seleção brasileira teve a seguinte participação nesta Copa de 2006:  Ficou em 5º lugar. Marcou 10 gols e sofreu 2 .  O artilheiro da seleção brasileira foi Ronaldo que marcou 3 gols.

              Muitos fazem reservas ao estilo mais cauteloso e burocrático de Parreira, além de considerá-lo excessivamente teórico e esquemático. Há ainda os que o chamam de “retranqueiro” por, em seus esquemas, destacar mais atenção ao setor defensivo. Inspirado no lema de Sepp Herberger (antigo técnico alemão) que diz que futebol é atacar e defender com a máxima eficiência, Parreira ficou conhecido pela frase “O Gol É apenas um detalhe”, mostrando a intensa visão de jogo defensivo.

ÁFRICA DO SUL

              Até 17 abril de 2008, Parreira comandou a seleção da África do Sul, anfitriã da próxima Copa do Mundo. Entretanto, alegando problemas particulares, o treinador deixa a seleção sul-africana sem obter resultados satisfatórios. Em seu lugar, assume o também brasileiro Joel Santana, recém saído do Flamengo. Em 6 de março de 2009, Parreira acerta a sua volta ao Fluminense (seu clube de coração), após a saída de René Simões. No entanto, em 13 de julho do mesmo ano, o técnico tetracampeão mundial pela seleção brasileira foi demitido por conta dos resultados inconsistentes no Campeonato Brasileiro. No dia 23 de outubro, volta ao cargo de treinador da África do Sul após a demissão de Joel Santana.

             E assim, Carlos Alberto Parreira estará participando de mais uma Copa do Mundo, um verdadeiro recorde para um treinador, pois atingiu a notável façanha de classificar quatro seleções nacionais diferentes e disputar cinco Copas do Mundo (Kuwait1982; Emirados Árabes1990; Brasil1994 e 2006; Arábia Saudita1998 e agora irá comandar a Seleção da África do Sul, se igualando assim com  Bora Milutinović que também levou cinco países à competição. São resultados bastante expressivos para um profissional até hoje bastante contestado pelos críticos do esporte e, principalmente, pela exigente torcida brasileira.

PARREIRA ARTISTA

              Segundo seus admiradores, Parreira é um estudioso do futebol, tendo conseguido unir teoria e prática. Mas, além do futebol, ele possui grande interesse pela arte. Mais especificamente pela pintura, sendo uma grande fã da escola impressionista e pela fotografia. Como ele mesmo diz: “Como qualquer arte, a pintura na minha vida é algo inato. Sempre gostei muito de desenhar e de fotografar”.  Parreira também escreveu o livro “Formando Equipes Vencedoras“, da Editora Best Seller, em 2006, mas que acabou não fazendo o sucesso esperado.

              O fracasso de vendas é atribuído ao insucesso da Seleção na Copa de 2006. Formado em Educação física pela Escola Nacional de Educação Física e Desportos, no Rio de Janeiro, em 1966, Parreira é considerado por muitos como um grande treinador pela conquista da Copa do Mundo de 1994, ao lado de Zagallo, do Campeonato Brasileiro de 1984 com o Fluminense e a Copa do Brasil e o Rio-São Paulo de 2002, com o Corinthians, dois títulos em apenas três dias.

Da esquerda para a direita: Valdir Joaquim de Moraes, Parreira o terceiro e o último é Moracy Santana 
Na Copa de 1970 Carlos Alberto Parreira foi o Preparador Físico da nossa seleção
Em pé: Cláudio Coutinho, Carlos Alberto Parreira, Carlos Alberto Torres, Piazza, Brito, Clodoaldo, Everaldo e Zagallo    –     Agachados: Rogério, Mário Américo, Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé, Paulo César Caju e o massagista Nocaute Jack
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