AMARAL: de coveiro a campeão paulista pelo Palmeiras

                  Alexandre da Silva Mariano nasceu dia 28 de fevereiro de 1972, na cidade de Capivari – SP. Foi sem dúvida alguma um dos jogadores mais carismáticos que já surgiu no futebol nacional. Amaral carrega o apelido de coveiro por ter trabalhado enterrando defuntos antes de se tornar jogador profissional. Sempre bem humorado, Amaral brincou com a situação. “Não pensei o que vou fazer agora que encerrei minha carreira, acho que vou trabalhar no ‘Pé na Cova’, da Rede Globo de Televisão, já que eu trabalhei em funerária”. E assim segue o incansável Amaral. Desde 1995 com o mesmo carisma, bom humor, força de vontade e, acima de tudo, amor ao futebol.

                  Teve a honra de vestir camisas de grandes clubes brasileiros, como Palmeiras, Vasco, Corinthians, Atlético Mineiro, Grêmio e também no exterior, como Benfica de Portugal, Fiorentina e Parma da Itália e tantos outros. Até a camisa da nossa seleção brasileira Amaral chegou a vestir, enfim, foi um jogador que merece ser lembrado por esta coluna. Então vamos conhecer um pouco da vida de Amaral.

ANTES DO FUTEBOL

                 Antes de jogar bola, Amaral trabalhou em uma agência funerária, onde tinha a incumbência de vestir os mortos. Certa vez, ao vestir um defunto, notou que ele calçava um belíssimo sapato e que por coincidência era o seu número, 39. Como ele tinha um casamento no dia seguinte e estava sem um par de sapato adequado para a ocasião, não pensou duas vezes, tirou o sapato do defunto e o calçou. Ao abrir a tampa do caixão lá no cemitério, a família notou que o defunto estava descalço e quando olharam nos pés de Amaral, lá estava o belíssimo calçado. Foi aquele furdunço e Amaral acabou tendo que devolver o par de sapato ao defunto.

PALMEIRAS

                 O volante, revelado pelo Palmeiras, passou a ganhar destaque em 1995 quando foi convocado pela primeira vez para a Seleção Olímpica. Nascido com uma ptose palpebral, razão do olho direito levemente caído, ele aproveitou o embalo do Palmeiras campeão paulista e agarrou a oportunidade de disputar a Olimpíada de Atlanta em 1996, e ajudou o escrete a conquistar a medalha de bronze ao derrotar a Seleção Nacional Portuguesa por 5 a 0, o que lhe rendeu uma primeira experiência no mercado internacional, pelo Parma, da Itália, onde sagrou-se campeão da Copa da UEFA, jogando ao lado de craques como Buffon, Thuram, Crespo e Brolin.

                 Encontrou muita dificuldade para se adaptar, e assim foi transferido para o Benfica. Neste mesmo período, o nosso querido coveiro foi capa da revista Placar do mês de Maio de 1996. Lá falou um pouco sobre assuntos tristes, e também, como ótimo contador de histórias que sempre foi, sobre fatos engraçados que já havia presenciado no futebol e em sua vida particular e uma delas foi essa: “Minha mãe pesa 200kg e na época que eu estava no auge da minha carreira, haviam muitos sequestros de mães de jogadores, então eu disse para minha mãe, se vierem lhe sequestrar, a senhora se joga no chão”.

                Outro caso engraçado que Amaral contou foi o seguinte: Quando eu jogava no Japão, fizemos um jogo contra o Nagoya e causei um grande desespero à um zagueiro que me derrubou por trás e ao cair bati o rosto no chão. O japonês ao me olhar de perto, pensou ter causado o olho caído. Mais espantado ainda, ficou o massagista, que tentava curar o meu olho e eu fazia sinal que era o pé que estava doendo”.

                A melhor fase de Amaral dentro do futebol foi sem dúvida quando jogou pelo Palmeiras. Conquistou títulos importantes e se consagrou como atleta profissional. Somente no ano de 1993, sagrou-se campeão paulista, campeão do Torneiro Rio-São Paulo e campeão brasileiro. Em 1994 repetiu a dose, faltando apenas o título do Torneio Rio-São Paulo. Neste ano de 93, a Parmalat injetou muito dinheiro no clube e com isto foram feitas grandes contratações, o que resultou em inúmeros títulos.

                A equipe alviverde em 93 era assim formada; Sérgio, Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral e Zinho; Edmundo, Edilson e Rivaldo. A equipe tinha ainda, Evair, Flávio Conceição, Maurílio, Alexandre Rosa, Cláudio, Jean Carlo e outras feras. O técnico era Wanderley Luxemburgo. Pelo Verdão, entre 1993 e 1997, atuou 244 vezes. Ganhou 149 jogos, empatou 56 e perdeu 39 partidas. Marcou apenas um gol, contra o Grêmio, pela Libertadores da América de 1995.

BENFICA

                Em 1996 Amaral foi contratado pelo Benfica de Portugal, através de uma indicação do treinador Paulo Autuori, que na época era o treinador da equipe portuguesa. No entanto, com a saída de Autuori, o novo treinador que não simpatizava com Amaral, acabou pedindo sua venda. No entanto, Amaral já havia conquistado a torcida do Benfica e logo surgiu uma grande campanha “Fica Amaral”. Mas não adiantou, Amaral acabou deixando o clube retornando ao Palmeiras, onde acrescentou mais alguns troféus para sua coleção. Devido às boas partidas pelo Verdão, o Benfica resolveu dar-lhe outra chance de mostrar seu futebol no cenário internacional. Porém, disputou apenas cinco partidas pela Liga Portuguesa, e acabou voltando para o futebol brasileiro, mais especificamente ao Corinthians.

CORINTHIANS

                A estreia de Amaral com a camisa corintiana, aconteceu dia 5 de julho de 1998, num jogo amistoso diante do União São João de Araras. O jogo foi realizado na cidade do Espírito Santo do Pinhal e o Corinthians venceu por 2 a 1, gols de Didi e Souza. Neste dia o técnico Vanderley Luxemburgo escalou a seguinte equipe; Nei, Rodrigo, Cris, Célio Silva e Silvinho; Amaral, Marcelinho Paulista, Souza e Marcelinho Carioca; Didi e Mirandinha. Ainda neste ano, Amaral ajudou a equipe alvinegra a conquistar o título brasileiro. No ano seguinte Amaral sagrou-se campeão paulista pelo alvinegro de Parque São Jorge.

                Sua última participação na equipe corintiana foi no dia 9 de junho de 1999, quando Corinthians e São Paulo se enfrentaram no Morumbi. O jogo terminou empatado em 1 a 1, gols de Márcio Santos para o Tricolor e Edilson para o Corinthians. Neste dia o técnico Osvaldo de Oliveira mandou a campo os seguintes jogadores; Maurício, Índio, Gamarra, Nenê e Silvinho; Rincon, Vampeta (Amaral), Ricardinho e Marcelinho Carioca; Edilson e Fernando Baiano (Dinei). Vale lembrar que ainda neste ano de 99, o Corinthians sagrou-se bicampeão brasileiro, mas Amaral já não estava mais no elenco.

               Amaral ganhou este apelido por uma suposta semelhança com o outro Amaral, que jogou no Guarani, no Corinthians e defendeu nossa seleção na Copa de 1978, na Argentina. Com a camisa do Corinthians, Amaral disputou 62 partidas. Venceu 30, empatou 11 e perdeu 21. Marcou somente um gol, que foi no dia 23 de maio de 1999, quando o alvinegro derrotou o Santos por 5 a 1.

VASCO DA GAMA

                Ao deixar o Parque São Jorge, Amaral foi para São Januário, defender o Vasco da Gama, que preparava um super-time. Junto de Amaral chegaram Edmundo (Fiorentina), Romário (Flamengo) e Juninho Paulista (Atlético de Madrid). Esse time empilhou diversas taças como o Campeonato Brasileiro de 2000 e a Copa Mercosul de 2000.  A equipe vascaína era formada por Carlos Germano, Paulo Miranda, Odvan, Géder e Gilberto; Amaral, Fabiano Eller, Felipe e Ramon; Donizete e Edmundo. O técnico era Antonio Lopes. Foi esta a equipe que derrotou o Corinthians por 4 a 2 no dia 22 de setembro de 1999 pelo Campeonato Brasileiro.

OUTROS CLUBES

               Depois do sucesso vascaíno, foi vendido ao Fiorentina. Diferente de sua primeira passagem pelo velho continente, desta vez ele conseguiu se firmar, e se manteve na titularidade até 2002, quando o clube italiano foi extinto, devido às dividas superiores a 22 milhões de euros. O clube abriu falência. No mesmo ano, assinou com o Beşiktaş, onde foi Campeão Turco. No fim de seu contrato, em 2003, assinou com o Grêmio um contrato de seis meses para a disputa da Copa Libertadores da América, no ano do centenário do clube. Com a eliminação precoce do time gaúcho, Amaral cumpriu seu contrato e não renovou.

               Em 2004, assinou com o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, porém não disputou sequer uma partida. No segundo semestre, disputou a Série B pelo Vitória, numa campanha drástica, foi rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, foi anunciado pelo Atlético Mineiro, mas não se firmou como titular devido a seguidas lesões, fazendo apenas 26 partidas pelo Galo Mineiro. Em 2006, voltou para a Europa, defendendo o Pogoń Szczecin, da Polônia. Ainda passou pelo Santa Cruz, antes de ajudar o Grêmio Barueri a subir para a Série A. Em 2008, transferiu-se para o Perth Glory, da Austrália. 

              Na temporada de  2011 e 2012 jogou futebol, mas em um país sem muita tradição: a Indonésia. Nos primeiros dias de 2013 foi anunciado como reforço pelo Poços de Caldas Futebol Clube, que disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro, mas devido a problemas com o empresário antes de estrear rescindiu com o time mineiro, que em 23 de fevereiro do mesmo ano anunciou que não participaria do campeonato. Dias depois, o Itumbiara (GO) o buscou e fechou contrato. Mais uma decepção. Após 19 dias e um jogo feito, a diretoria o demitiu.

               Amaral foi sempre um dos jogadores mais queridos pelos demais jogadores das diversas equipes onde passou, quer pela sua humildade, pelas suas qualidades futebolísticas e ainda pelas hilariantes histórias que conta dos tempos em que era funcionário num cemitério. Desses tempos vêm também as alcunhas pelas quais é conhecido no Brasil e em Portugal: “Zé do Caixão” e “O Coveiro”, respectivamente. Fica os nossos parabéns pelo aniversário, pois hoje Amaral completa 44 anos de vida.

1993   –   Em pé: Sérgio, Tonhão, Cláudio, Roberto Carlos, César Sampaio e Alexandre Rosa   –    Agachados: Flávio Conceição, Amaral, Maurílio, Edílson e Jean Carlo
Em pé: Maurício, Márcio Costa, PC Gusmão, Nei, Gamarra, Batata, Silvinho, Rincón e Cris   –    Agachados: Dinei, Amaral, Mirandinha, Didi, Rodrigo, Vampeta, Índio, Ricardinho, Marcelinho e Edílson
1996   –   Em pé: Velloso, Júnior, Sandro, Galeano, Cafu e Cléber   –    Agachados: Luizão, Amaral, Rivaldo, Djalminha e Müller
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