TONINHO: um catarinense que brilhou no Palmeiras

                 Antônio Fernandes Quintino nasceu na cidade de Florianópolis (SC), em 27 de fevereiro de 1952. O pai, Antônio Francisco Quintino, nunca foi muito chegado a uma bola e talvez por isso não tenha levado muito a sério o encantamento de um dos filhos pela prática do futebol. Mas o baixinho Toninho era esforçado e atrevido, a tal ponto de ser encaminhado para as categorias de base do Avaí FC em meados de 1970.

AVAÍ  F.C.

                 Em pouco tempo já era uma das atrações do time juvenil a partir de 1972. Em 1973, o treinador José Ferreira, tomou coragem, confiou no próprio feeling e entregou a camisa nove para o baixinho de pernas tortas fazer suas primeiras participações no elenco de profissionais. Toninho foi obrigado a deixar os estudos de lado. Causando espanto a todos, o voluntarioso Toninho foi o artilheiro do estadual de 1973, anotando 22 tentos, durante a vitoriosa campanha naquele certame. Mesmo assim, com a chegada do treinador Walter Miráglia, Toninho foi parar no banco de reservas.

                Miráglia não havia comprado a ideia de possuir em seu time um centroavante com 1.70m e com pernas curtas e tortas. Mas a iniquidade durou pouco. Pouco tempo depois, Miráglia foi demitido e o novo treinador voltou a apostar na valentia do jovem atacante injustamente barrado da equipe. Mas como desgraça pouca é bobagem, Toninho sofreu uma lesão no tornozelo que o afastou dos gramados por quase três meses. Quando voltou ao time, agarrou a oportunidade e continuou a fazer seus gols graças aos lançamentos cirúrgicos do meia Zenon, que anos depois viria fazer muito sucesso no Guarani de Campinas e no Corinthians.

FIGUEIRENSE

                Em março de 1975, o Avaí demorou e facilitou demais na renovação do contrato do centroavante, o suficiente para que o rival Figueirense fizesse sua oferta. Assim, Toninho trocou de clube, de camisa e de torcida, causando um tremendo mal estar. Com a excelente participação do Figueirense durante o campeonato brasileiro de 1975, Toninho ocupou lugar diferenciado na prateleira de jogadores pretendidos pelas agremiações do badalado eixo Rio-São Paulo. No empate em 2×2 contra o Palmeiras no Parque Antártica, Toninho anotou os dois tentos do Figueirense. Foi o suficiente para que os dirigentes esmeraldinos fossem buscá-lo para ocupar a camisa nove do alviverde na temporada de 1976.

PALMEIRAS

                E Toninho caiu como uma luva no time ainda comandado pelas passadas cadenciadas de Ademir da Guia. Naquele Paulistão de 1976, Toninho e Jorge Mendonça formaram uma dupla de causar calafrios nas defesas adversárias. Foi campeão paulista de 1976 (o último título antes da era Parmalat), num jogo em que o Verdão derrotou o XV de Piracicaba por 1×0, gol de Jorge Mendonça. Neste dia o Palmeiras jogou com; Leão, Valdir, Samuel, Arouca e Ricardo; Pires e Ademir da Guia; Edu, Jorge Mendonça, Toninho e Nei. O técnico era Dudu.

               Toninho ainda foi artilheiro do Paulistão de 1977 com 28 gols. Rápido, bom finalizador e perfeitamente adaptado, o baixinho Toninho realizou uma ótima temporada no campeonato brasileiro de 1978, quando foi o vice-artilheiro da competição. Uma de suas memoráveis apresentações aconteceu na vitória sobre o Bahia no Estádio do Morumbi, quando anotou os dois gols da vitória por 2×1. O primeiro foi em cobrança de penalidade máxima e o segundo foi com a sua tradicional persistência, ao roubar uma bola na linha de fundo e avançar até o arremate certeiro quase sem ângulo. Toninho permaneceu vestindo a camisa do Palmeiras até 1979, quando teve uma rápida passagem pelo Cruzeiro. Ao todo foram 175 jogos pelo Palmeiras (91 vitórias, 60 empates, 24 derrotas), com 83 gols anotados.

OUTROS CLUBES

               De volta ao futebol paulista, vestiu a camisa do Corinthians no período entre 1980 e 1981. Sem o mesmo brilho dos tempos de Palmeiras, o catarinense Toninho realizou 41 jogos com a camisa mosqueteira, obtendo 18 vitórias, 10 empates e 13 derrotas, marcando apenas 13 gols. Nessa época o Corinthians tinha a seguinte equipe; Jairo, Zé Maria, Mauro, Djalma e Wladimir; Caçapava, Biro Biro e Basilio; Gil, Geraldão e Toninho.

               Essa foi a equipe que perdeu para o Paulo por 4×0 no dia 10 de agosto de 1980. Depois do Corinthians, Toninho iniciou sua procura pelos dias felizes do passado. Jogou pela Ponte Preta, Aymoré, Bangu, XV de Piracicaba e Ferroviária. Toninho estava insatisfeito em Araraquara, há dois meses sem jogar e gostaria de voltar a Florianópolis em definitivo, opinião compartilhada pelo resto da família. Pra isso, o artilheiro comprou seu próprio passe da Ferroviária por algo em torno de Cr$ 7 milhões e deu um prazo de três meses para o Avaí comprar o seu passe.

              Depois jogou ainda no Universidad Católica do Chile, até retornar em definitivo aonde tudo começou, no Avaí em 1984, onde encerrou sua carreira em 1986. Continuou ligado ao futebol quando abriu sua escolinha para descobrir novos talentos. Hoje mora em Florianópolis-SC, no bairro Pantanal. Lá, o excelente ex-atacante ainda joga futebol masters, é empresário de jogador e criador de camarão.

1976   –   Em pé: Valdir, Emerson Leão, Arouca, Pires, Samuel e Ricardo   –    Agachados: Edu Bala, Jorge Mendonça, Toninho, Ademir da Guia e Nei
1976   –   Em pé: Valdir, Leão, Arouca, Pires, Samuel e Ricardo   Agachados: Edu, Jorge Mendonça, Toninho, Ademir da Guia e Nei
Ponte Preta 1982    –   Em pé: Edson, Sílvio, Everaldo, Valdir, Juninho Fonseca e Carlos   –     Agachados: Cremilson, Celso, Toninho, Dicá e Zezinho
1978   –   Em pé: Rosemiro, Gilmar, Beto Fuscão, Ivo, Polozzi e Sóter    –    Agachados: Amílton Rocha, Jorge Mendonça, Toninho, Pires e Nei
1978   –   Em pé: Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo, Pires e Pedrinho   –   Agachados: Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa
Em pé: Rosemiro, Mário Soto, Bernardino, Pires, Arouca e Ricardo   –   Agachados: Edu Bala, Jorge Mendonça, Toninho, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Valdir, Leão, Arouca, Pires, Samuel e Ricardo   –    Agachados: Edu, Jorge Mendonça, Ademir da Guia, Toninho e Nei
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