ÍNDIO: ídolo no Flamengo e no Corinthians

               Aloísio Francisco da Luz nasceu dia 1 de março de 1931, na cidade de Cabedelo – PB. Foi um centroavante que teve a hora de jogar nos clubes de maior torcida do futebol brasileiro, Flamengo e Corinthians. Também defendeu nossa seleção na Copa de 1954, na Suíça, do Sul-americano de 1957 e por pouco não disputou a Copa de 1958, quando conquistamos o nosso primeiro título mundial na Suécia. Mas chegou a disputar as eliminatórias, inclusive marcou um gol importantíssimo contra o Peru, quando o Brasil empatou em 1 a 1. O jogo foi em Lima e o único gol brasileiro foi anotado por Índio. No jogo de volta aqui no Brasil, vencemos por 1 a 0, gol de Didi e com isto o Brasil estava classificado para disputar o mundial da Suécia. Índio foi um atacante que marcou época pelo Flamengo. Jogou quase 8 anos pela equipe carioca e sua média de gols era de um tento a cada duas partidas, tendo conseguido entrar na seleta lista dos 10 maiores artilheiros da história do clube. Pelo Corinthians disputou 101 partidas e marcou 52 gols.

FLAMENGO

                O atacante nasceu na Paraíba, e mudou-se para o Rio aos sete anos de idade, indo morar no bairro de Magalhães Bastos. Começou a carreira aos 14 anos, no infantil do São José. Em seguida, foi para o Bangu, onde jogou de 1947 até 1949, depois saiu para acertar com o Flamengo, onde jogou até 1957. Na equipe da Gávea estreou em uma partida contra o São Paulo, substituindo o grande Durval. Depois foi para uma excursão pela Europa da qual o Flamengo retornou invicto. Em 1952 fez história ao interromper uma série invicta do Vasco, e começou a arrancada para o segundo tricampeonato estadual do Mengão em 1953, 1954 e 1955. Índio ainda foi o artilheiro do Flamengo nas temporadas de 1953 e 1956 com 41 e 31 gols respectivamente. Com a camisa do Flamengo, Índio disputou 202 jogos, sendo 127 vitórias, 38 empates, 37 derrotas e marcou 134 gols, com isto está entre os 10 maiores artilheiros do clube da Gávea. Nesse período sagrou-se bicampeão do Torneio Início em 1951 e 1952 e tricampeão carioca nos três anos seguintes. Em 1956 teve a honra de defender a Seleção Carioca, cuja equipe era a seguinte; Castilho, Paulinho de Almeida, Edson Machado, Zózimo e Nilton Santos; Déquinha e Didi; Joel, Vava, Índio e Pinga.

CORINTHIANS

               Índio chegou ao Parque São Jorge em 1957 com um belíssimo currículo, pois era um dos principais artilheiros do Flamengo. Sua vinda para o Corinthians começou quando defendia a Seleção Brasileira em 1957 e o técnico tanto da seleção, quanto do Corinthians era Osvaldo Brandão, que o convidou para vir jogar no alvinegro o que Índio aceitou. Dias depois dirigentes do Corinthians foram a Rio de Janeiro e trouxeram o atacante à São Paulo. Sua estreia com a camisa corintiana aconteceu dia 16 de julho de 1957, quando o Corinthians derrotou o São Cristóvão do Rio de Janeiro por 2 a 1, num jogo amistoso realizado no Pacaembu. Os gols corintianos foram marcados por Alfredo Ramos e Cláudio, enquanto que para time carioca, o gol foi anotado por Russo. Neste dia o técnico do Corinthians, Osvaldo Brandão, escalou a seguinte equipe; Rossi, Olavo e Alfredo Ramos; Idário, Walmir e Oreco; Cláudio, Luizinho (Zé Carlos), Índio, Zague e Boquita. No jogo seguinte pelo Campeonato Paulista, Índio marcou 3 gols na goleada de 7 a 1 sobre a Ferroviária de Araraquara.

               Para este Campeonato Paulista de 1957, o Corinthians era o favorito. Tinha um time com grandes valores individuais, uma estrutura técnica bem definida e uma garra que virou tradição. A equipe funcionava como um relógio. Tinha personalidade e havia muita harmonia dentro do clube. O São Paulo não era exatamente o fantasma do campeonato, mas era quase e aparecia como a grande surpresa. O São Paulo se classificou na última vaga. O Corinthians esteve na liderança durante todo campeonato. Depois de trinta e cinco partidas invictas, os corintianos perderam para o Santos por 1×0 na penúltima partida do certame. Com esta derrota o time também perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o São Paulo.

               As seis horas da manhã daquele dia 29 de dezembro de 1957 já tinha gente chegando ao Pacaembu. Quando foi uma hora da tarde, a garoa continuava e os portões foram fechados. Primeiro entrou o São Paulo com Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Vitor e Riberto; Maurinho. Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro. O meia campista Dino Sani, contundido não jogou neste dia pelo Tricolor, Sarará era seu substituto. Depois entrou o Corinthians com Gilmar, Olavo e Oreco; Idário, Valmir e Benedito; Claudio, Luizinho, Índio, Rafael e Zague.  O jogo terminou com a vitória tricolor por 3 a 1, mas foi só terminar o jogo para o tempo fechar. Em vez de confetes tricolores, caiu uma chuva de garrafas, pedras e outros objetos enviadas pela torcida corintiana. Pelo incidente, a partida passou para a história como a “Noite das Garrafadas”.

               O que Índio mais sentiu de diferença ao vir jogar no estado de São Paulo, foram as viagens ao interior paulista, onde se levava horas e horas para chegar na cidade onde seria realizado o jogo e depois outras tantas horas para retornar. No Rio de Janeiro as cidades eram todas bem próximas. Ainda em 1957, foi convocado para defender a Seleção Paulista, onde só tinha feras. A formação era a seguinte: Gilmar, De Sordi, Mauro Ramos de Oliveira, Vitor e Riberto; Dino Sani e Jair da Rosa Pinto; Dorval, Índio, Pelé e Chinesinho.

               O dia 21 de agosto de 1958, uma quinta feira, foi um dia triste para Índio e para a imensa torcida corintiana, pois neste dia o alvinegro perdeu de 4 a 0 para o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. Com três gols de Paulinho e um Julinho, o alviverde quebrou um tabu de sete anos sem vencer o Corinthians. Ao todo foram 15 jogos, sendo 10 vitórias alvinegras e 5 empates. Com a camisa corintiana, Índio disputou 99 partidas. Venceu 56, empatou 25 e perdeu 18. Marcou 52 gols e não conquistou nenhum titulo. A última vez que vestiu a camisa corintiana foi no dia 24 de junho de 1959, quando o Corinthians fez um amistoso contra o Barcelona no Estádio Camp Nou, na cidade de Barcelona, Espanha.

             O Corinthians venceu por 5 a 3, gols de Tite (2), Luizinho, Bataglia e Índio. Neste dia o técnico Sylvio Pirilo mandou a campo os seguintes jogadores; Gilmar, Oreco e Olavo; Walmir, Goiano e Roberto Belangero; Bataglia, Luizinho, Índio, Rafael e Tite. Esta foi uma das inúmeras excursões que o Corinthians fez a Europa com muito sucesso, pois disputou 10 jogos, venceu 7, empatou 1 e perdeu 2.  Depois que deixou o Parque São Jorge, Índio ainda jogou no Espanyol de 1960 até 1964 e depois no América do Rio de Janeiro, onde conquistou a Taça Disciplina e o Torneio Ary Barroso, ambos no ano de 1965. E foi no América carioca que ele encerrou a carreira.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Índio vestiu a camisa canarinho pela primeira vez no dia 2 de maio de 1954, quando o Brasil derrotou um combinado colombiano por 4 a 1, sendo que dois gols foram dele. Pela Copa do Mundo daquele mesmo ano, Índio disputou somente uma partida, foi no dia 27 de junho, quando o Brasil perdeu para a Hungria por 4 a 2 nas quartas-de-final, e com este resultado, fomos eliminados da competição. Neste dia o Brasil jogou com; Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Nilton Santos e Brandãozinho; Bauer e Didi; Julinho, Índio, Humberto Tozzi e Maurinho. O técnico da nossa seleção era Zezé Moreira.

               Dois anos depois Índio voltou a vestir a camisa da nossa seleção pela Copa Raul Colombo, no dia 5 de dezembro de 1956, quando o Brasil perdeu para a Argentina por 2 a 1, sendo que o único gol brasileiro foi anotado por Índio. No ano seguinte disputou o Campeonato Sul-americano, quando vencemos o Chile por 4 a 2, o Equador por 7 a 1, sendo que um dos gols foi de Índio. Depois vencemos o Peru por 1 a 0 e perdemos para a Argentina por 3 a 0. Para as eliminatórias do mundial de 1958, o Brasil só teve um adversário, que foi o Peru.

               Foram só dois jogos valendo uma vaga. O primeiro jogo entre as duas seleções aconteceu em Lima no dia 13 de abril d e 1957. E foi neste dia que Índio marcou o gol mais importante de sua carreira. O Brasil perdia por 1 a 0, quando o atacante brasileiro empatou a partida. O segundo jogo foi no Maracanã dia 21 de abril e o Brasil venceu por 1 a 0 gol do meia Didi, de “folha seca”. Neste dia nossa seleção jogou com; Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Zózimo e Nilton Santos; Roberto Belangero e Didi; Garrincha, Evaristo de Macedo, Vava e Joel. Com esta vitória, o Brasil estava classificado para o mundial da Suécia.  Quando estava para sair a lista dos convocados para a Copa de 1958, Índio estava confiante, pois era certa a sua presença no selecionado que mais tarde conquistaria o primeiro mundial para o Brasil.

              No entanto, Índio machucou um dos dedos do pé direito. Com isto, Vicente Feola não o convocou, levando como atacantes, Mazzola, Dida, Vava e um certo Pelé, que até então era um ilustre desconhecido da maioria do povo brasileiro. Assim que os jogadores se apresentaram e começaram os treinamentos, o dedo do pé de Índio ficou completamente curado. Parece até que foi uma coisa para ele não ir naquela Copa e ser um dos heróis daquela conquista. Com a camisa da Seleção Brasileira, Índio disputou 10 jogos e marcou 5 gols. Conquistou os títulos do Superclássicos da América em 1957 e neste mesmo ano a Taça Atlântico. Hoje Índio mora no Rio de Janeiro e futebol só pela televisão.

Da direita para a esquerda: Gilmar, Zague, Benedito, Rafael, Olavo, Idário, Índio, Valmir, Oreco, Luizinho e Cláudio
Em pé: Olavo, Oreco, Goiano, Walmir, Gilmar e Roberto Belangero     –    Agachados: Bataglia, Rafael, Índio, Luizinho e Tite
Em pé: Oreco, Alfredo Ramos, Walmir, Olavo, Idário e Gilmar     –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Rafael, Índio e Boquita
Em pé: Garcia, Servilio, Pavão, Marinho, Déquinha e Pavão      –     Agachados: Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquerdinha
Em pé: Ari, Pavão, Milton, Déquinha, Tomires e Jordan     –     Agachados: Joel, Paulinho, Índio, Evaristo de Macedo e Zagallo
Seleção Carioca – Em pé: Rubens, Zózimo, Nilton Santos, Castilho, Pinheiro e Bauer     –    Agachados: Sabará, Zizinho, Índio,Didi e Pinga
Seleção Carioca – Em pé: Paulinho, Castilho, Nilton Santos, Déquinha, Zózimo e Edson Machado      –     Agachados: Joel, Vavá, Didi, Índio e Pinga
Seleção Paulista de 1957  –  Em pé: De Sordi, Dino Sani, Riberto, Gilmar, Vitor e Mauro     –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Índio, Pelé e Chinesinho
Em pé: Oreco, Gilmar, Olavo, Cássio, Goiano e Roberto Belangero     –    Agachados: Zezé, Índio, Rafael, Zague e Boquita
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto Belangero     –    Agachados: Garrincha, Evaristo de Macedo, Índio, Didi e Joel
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