BATISTA: ídolo no Internacional e no Grêmio

                   João Batista da Silva nasceu dia 8 de março de 1955, em Porto Alegre (RS). Cada vez mais o futebol brasileiro carece de um jogador de qualidade numa posição na qual Batista era especialista: o volante que sai para o jogo. Excelente marcador, bom armador e condutor de bola, o gaúcho se transformou em um dos ícones do time do Internacional da década de 1970 graças a sua personalidade dentro e fora de campo. Dono de um futebol vibrante, Batista pode ser classificado como um jogador polivalente, já que cumpria diferentes funções com a mesma competência.

                  Tal versatilidade garantiu ao volante a titularidade no meio de campo do Inter após a saída de Paulo César Carpegiani. Antes, tinha sido aproveitado como lateral-direito no Colorado, que precisou ceder sete jogadores ao Cruzeiro de Porto Alegre para contar com a revelação. No meio de campo, Batista achou sua verdadeira posição e foi uma das peças fundamentais para as conquistas do Campeonato Brasileiro de 1975, 1976 e 1979 pelo Internacional. Nesse período, formou ao lado de Jair, Falcão e Caçapava, um dos quadrados mais eficientes e de qualidade do futebol brasileiro.

                  Porém, a carreira do jogador colorado entrou em declínio após uma grave contusão em 1981, mais precisamente no dia cinco de abril. Durante a partida entre Internacional e Sport, Batista recebeu uma entrada por trás de Merica e ficou afastado dos gramados até o final do ano, quando foi desprezado pela diretoria colorada, que não renovou seu contrato. Seu destino foi o Grêmio, maior rival do Inter, o que não foi bem digerido pelos fanáticos torcedores do Colorado.  Bem recebido no tricolor gaúcho, Batista defendeu o clube por um ano, mas a principal meta do volante em 1982 era recuperar a boa forma perdida durante o tempo afastado dos gramados e garantir um lugar na seleção brasileira para a Copa do Mundo da Espanha.

                 No Mundial anterior, em 1978, o volante foi o titular absoluto e participou de todos os jogos da campanha brasileira em solo argentino. Telê Santana, seu admirador confesso, convocou Batista para a Copa de 82, mas a reserva e a pouca utilização durante a competição criaram um mal-estar entre o jogador e o treinador.

                 Depois de um ano apenas regular no Grêmio, Batista foi contratado a peso de ouro pelo Palmeiras, onde jogou por cinco meses até transferir-se para a Lazio. Depois de um início desastroso, o brasileiro se firmou no clube italiano, mas não conseguiu repetir a regularidade nas três temporadas que passou na Europa, principalmente por sua fama de boêmio.  De volta ao Brasil, Batista ainda esboçou continuar a carreira, mas abandonou o Avaí após duas partidas. Era o fim da trajetória dentro de campo de um dos jogadores que na visão de Telê Santana.

                 A trajetória de Batista na seleção brasileira teve dois momentos distintos. Durante a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, o volante foi peça fundamental do time comandado por Cláudio Coutinho e sua pouca idade prenunciava uma longa vida na seleção. Porém, a contusão que o afastou dos gramados durante quase todo o ano de 1981 interferiu em sua preparação para o Mundial da Espanha, onde foi reserva e entrou em atritos com o técnico Telê Santana. A estréia de Batista no Brasil aconteceu no dia 5 de abril de 1978, na vitória por 1 a 0 diante da Alemanha, em Hamburgo.

                 O volante substituiu Rivelino durante o segundo tempo, mas mostrou qualidade suficiente para garantir um lugar entre os convocados para a Copa do Mundo da Argentina.  Apesar de ter apenas 24 anos, ele não demorou a se firmar como titular da seleção. Ao lado de Leão, Oscar e Amaral, Batista foi um dos quatro únicos jogadores brasileiros a disputarem os 630 minutos das sete partidas na competição. Apesar de o Brasil ser eliminado pelos argentinos antes da decisão, o volante do Inter conquistou seu espaço dentro da seleção. 

                 Porém, quando vivia o auge de sua carreira, Batista foi surpreendido por uma contusão às vésperas da Copa do Mundo de 1982. Depois de ficar praticamente o ano de 1981 parado, o jogador conseguiu recuperar parte do terreno perdido na seleção e garantiu uma vaga para o Mundial da Espanha. Sem apresentar sua melhor forma física, Batista passou a ser criticado pela torcida brasileira e ficou a maior parte da Copa na reserva de Toninho Cerezo, o que provocou o choque com o técnico Telê Santana.

                 Com o fim da Copa do Mundo de 1982, Batista considerou o ciclo na seleção brasileira encerrado, mas mesmo assim foi lembrado por Parreira em 1983. Aceitou a convocação, mas depois da transferência para o futebol europeu, a seleção virou passado em sua carreira. Pela Seleção Batista realizou 47 jogos com 31 vitórias, 13 empates e três derrotas.

                 Mas a vida continuava e a transferência de Batista do Internacional para o Grêmio agitou o futebol gaúcho. Até aquele momento, jamais um jogador de ponta havia deixado um dos dois principais clubes do estado para jogar no rival. Tal situação obrigou o ex-volante colorado a deixar Porto Alegre durante alguns dias para esperar a poeira abaixar. Para contar com Batista, o tricolor gaúcho foi obrigado a desembolsar Cr$ 163 milhões, o que na época correspondeu ao mais alto investimento da história do futebol brasileiro.

                Apesar do alto valor, o Colorado poderia ter negociado de melhor forma seu ídolo, já que antes da contusão, a Inter de Milão ofereceu US$ 1 milhão pelo jogador. A perda de um dos maiores ídolos para o rival provocou uma grande crise no Inter. Segundo Batista, dirigentes colorados tentaram impedir a transação de todas as formas possíveis. Depois que estava tudo acertado com o Grêmio, um conselheiro do Inter, contrário à transação, lhe ofereceu o dobro para que ele não fosse para o rival, e sim jogar em qualquer outro clube, menos o Grêmio. Dentro de campo, Batista manteve a regularidade apresentada no Colorado e logo foi aceito pela torcida tricolor.

                Porém, a passagem do jogador pelo Grêmio durou apenas um ano. No início de 1983, Batista foi seduzido por uma proposta irrecusável de um grupo de empresários ligados ao Palmeiras, que teve que desembolsar Cr$ 280 milhões para contratar o volante indicado pelo técnico Rubens Minelli. Em sua estréia no Verdão, quase 50 mil pessoas viram a vitória do time paulista sobre o Bahia por 4 a 0 no Morumbi. Assim como no Grêmio, o volante gaúcho não permaneceu muito tempo no Verdão. Com a camisa alviverde, Batista jogou 14 vezes. Venceu 6, empatou 7 e perdeu 1. Marcou dois gols.

                Em junho de 1983, Batista chamou a atenção dos dirigentes da Lazio durante uma excursão da seleção brasileira pela Suécia e foi vendido por US$ 1 milhão de dólares (cerca de 520 milhões de cruzeiros). Apesar do contrato com a equipe paulista vencer em agosto, a negociação foi concretizada e uma nova e última etapa de sua carreira seria cumprida. A passagem de Batista pela Itália foi cheia de altos e baixos. Primeiramente, o brasileiro teve que conviver com as comparações feitas pelos torcedores da Lazio, que esperavam um jogador do mesmo nível de Falcão, ídolo na rival Roma.

                Além disso, o volante conviveu com a fama de boêmio e indisciplinado. Os primeiros seis meses no clube italiano foram decepcionantes. Batista usava a camisa 5, a mesma de Falcão na Roma, mas não conseguia repetir o sucesso do compatriota, principalmente pelo elenco de baixo nível de seu clube. A péssima colocação na temporada fez com que Batista recebesse o título de pior jogador brasileiro na Itália. Além disso, as acusações de indisciplina contribuíam para que surgissem boatos de dispensa.

               A volta por cima não demorou a acontecer. Nos seis meses seguintes, Batista caiu nas graças da torcida e tornou-se o único capitão estrangeiro em equipes da Itália. Dessa forma, seu contrato foi renovado e o brasileiro ficaria na Lazio por mais duas temporadas. Porém, uma de suas principais características nos tempos de Inter, a regularidade, já não era a mesma. Sua segunda temporada no clube italiano foi marcada pela seqüência de contusões, o que lhe prejudicou na tentativa de se firmar como ídolo da equipe.

                A principal causa das freqüentes lesões do brasileiro era a vida desregrada fora dos gramados. Batista era presença garantida nas boates de Roma e seu nome passou a ser mais visto no noticiário de fofocas do que no de futebol. As modelos Paola Borghese e Serna Grandhi foram algumas das mulheres famosas com quem o brasileiro manteve relacionamento em sua passagem pela Itália.  Depois de dois anos e três meses, apesar de ter recuperado a melhor forma e ter voltado a se concentrar apenas no futebol, Batista foi colocado à venda pela diretoria da Lazio.

                Acusado de ser um líder negativo dentro do grupo, o volante continuou na Itália até o final da temporada, quando se desligou do clube. “Alguns me acusaram de ser líder e eu nunca pretendi nada disso. Sou um jogador sério e aplicado, que toco a minha profissão como algo importante”, defendeu-se depois de deixar a Lazio. Clubes de São Paulo e Rio de Janeiro cogitaram a idéia de repatriar Batista, mas o brasileiro continuou na Itália e defendeu o Avelino por um curto período. Passou dois anos em Portugal, no Belenenses.

               Depois, voltou para o Brasil e fez duas partidas pelo Avaí antes de aposentar as chuteiras, em 89. Curiosidade: Batista foi  questionado pela imprensa argentina sobre sua preocupação com o jovem Maradona para a partida entre Brasil e Argentina pela fase semifinal da Copa do Mundo de 1982, Batista surpreendeu na resposta. “Posso lhe garantir que tenho dormido muito bem à noite. Por que não o Maradona está preocupado comigo?”, retrucou. Na partida, vencida pelo Brasil, por 3 a 1, Maradona foi expulso ao final do jogo, depois de uma entrada violenta justamente sobre Batista.

 

Em pé: Gasperin, Toninho, Mauro Pastor, Falcão, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro   –    Agachados: Chico Spina, Jair, Adilson, Batista e Mário Sérgio
Seleção Gaúcha de 1983   –   Em pé: Batista, Leão, Edevaldo, Mauro Galvão, Casemiro, Borille (preparador físico) e Hugo De León   –    Agachados: Renato Gaúcho, Rubén Paz, Geraldão, Cléo e Silvinho
1981   –   Em pé: João Leite, Edevaldo, Toninho Cerezo, Oscar, Luizinho e Junior   –    Agachados: Nocaute Jack, Tita, Paulo Isidoro, Sócrates, Batista e Zé Sérgio
1977   –  Em pé: Lúcio, Carlão, Beliato, Benitez, Batista e Falcão   –    Agachados: Valdomiro, Vasconcelos, Escurinho, Caçapava e Edu
Em pé: Márcio, Nenê, Vagner Bacharel, Batista, Perivaldo e João Marcos   –    Agachados: Barbosa, Jorginho, Carlos Alberto Seixas, Carlos Alberto Borges e Carlos Henrique
1979   –   Em pé: João Carlos, Benitez, Mauro Pastor, Falcão, Mauro Galvão e Claudio Mineiro. Agachados: Valdomiro, Jair, Bira, Batista e Mário Sérgio
Seleção Brasileira Juniores campeã de Cannes (França) em 1974  –   Em pé: Vanderlei Luxemburgo, Walter, Xáxa, Batista, Carlos e Carlinhos   –    Agachados: Chico (massagista), Jarbas, Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Gaúcho, Cláudio Adão e Toninho Vanusa

           

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