TIÃO: o fiel escudeiro de Rivelino

                 Sebastião Carlos da Silva nasceu dia 8 de março de 1948, na cidade de Santa Leopoldina – ES. Foi um médio volante que jogou por muitos anos no Corinthians. Foi uma época em que o alvinegro sempre teve grandes jogadores, formou grandes equipes, mas não consegui conquistar nenhum título enquanto vestiu a camisa corintiana. Seu nome sempre aparece ligado ao de Rivelino. Isso porque eles formaram a dupla de meio-campo dos últimos duros anos sem títulos, entre 1968 e 1974. Naquele período, jogadores, técnicos e dirigentes eram trocados com a maior facilidade a cada ano de fracasso. 

                Tião, porem, que foi revelado no próprio clube, permanecia intocável. Jogava mais para o time que para a torcida.  Ao contrário de seu ilustre companheiro de meio-campo sobreviveu, até, a derrota para o Palmeiras na decisão do Paulistão de 1974. Ao sair do Corinthians acabou indo jogar no Juventus em fevereiro de 1977, apenas oito meses antes da quebra do jejum de títulos, que durou 22 anos e oito meses.

INÍCIO DE CARREIRA

                Ainda não tinha um ano de idade, quando deixou sua cidade natal, Santa Leopoldina, no Espírito Santo. Veio para São Paulo e foi morar no bairro Itaim Bibi, onde viveu por 17 anos. E foi um amigo do bairro que o levou para treinar no Corinthians. Sempre gostou do futebol e na sua adolescência jogava nos times de várzea, como; Esplanada, Marechal e Extra Glorioso. Foi nesses clubes que deu os primeiros passos no futebol. Quando jogava no Esplanada, tinha 16 anos de idade e jogava de ponta direita. Depois conversando com o treinador, resolveu jogar como médio-volante, onde se adaptou rapidamente e nunca mais trocou.

CORINTHIANS

                Quando chegou no Corinthians para participar de uma peneira com jogadores entre 20 e 22 anos, que o professor Teixeira fazia, saiu-se muito bem e imediatamente o levaram ao Departamento Amador, onde começou sua história dentro do clube. Primeiro começou a treinar com o José Castelli, o popular Rato, depois passou a trabalhar com o Cabeção e finalmente com o Luizinho (o pequeno polegar). Finalmente chegou o dia em que teve a oportunidade de jogar no time de cima. Era o dia 11 de maio de 1968, dois meses depois que o Corinthians havia quebrado o tabu de 11 anos contra o Santos em Campeonatos Paulista.

                O adversário era o Palmeiras e neste dia o alvinegro de Parque São Jorge jogou com; Lula, Osvaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos e Maciel; Edson e Rivelino (Tião); Buião, Paulo Borges, Tales e Eduardo. O técnico era Lula. Aos 20 minutos do segundo tempo, Rivelino se machucou e então surgiu a oportunidade para Tião que entrou em seu lugar. Naquele momento o jogo estava empatado em 2 a 2, placar que terminou a partida. Os gols corintianos foram marcados por Paulo Borges e Rivelino, enquanto que para o time esmeraldino, marcaram Diogo e Gildo.

                Quando Tião se firmou no time de cima, sentiu muita responsabilidade em vestir a camisa número 5 do Corinthians, afinal, jogadores como Dino Sani, Edson Cegonha, Nair, Roberto Belangero e tantos outros já haviam vestido aquela camisa. Mas todos deram muita força e incentivo para Tião que era uma prata da casa e sabia muito bem a responsabilidade de jogar no Corinthians. Um dos jogadores que mais apoiaram Tião durante o tempo que permaneceu no Parque São Jorge, foi Rivelino.

                Sempre lhe deu muitos conselhos e dentro de campo procurava sempre facilitar o trabalho do seu “santo protetor”, pois Tião fazia um par perfeito com Riva no meio de campo. Na opinião de Tião, depois de Pelé e Garrincha que segundo ele são extra terrestres, vem Rivelino, pela maneira que batia na bola, pela forma que colocava os atacantes na cara do gol, tudo isto sem falarmos das cobranças de faltas que eram perfeitas. Quando Rivelino foi para o Fluminense, Tião sentiu e muito sua falta, pois conhecia muito bem o modo de jogar do Reizinho do Parque.

               Durante os nove anos que jogou no Corinthians, Tião disputou 367 partidas. Venceu 160, empatou 114 e perdeu 93. Marcou 13 gols, sendo que um destes jogos e um destes gols foi um dos dias mais importantes na carreira de Tião. Tudo aconteceu no dia 25 de abril de 1971, quando o Corinthians enfrentou o Palmeiras pelo Campeonato Paulista daquele ano. Com 9 minutos de jogo o alviverde já vencia por 2 a 0, com dois gols de César Maluco. Somente no segundo tempo que o Corinthians empatou, através de Mirandinha e Adãozinho.

               Logo após o gol de empate, Leivinha marca o terceiro gol para o Verdão. O árbitro Armando Marques apita o reinício do jogo e Tião pega a bola e vai levando até chegar diante do arqueiro Leão que também é driblado e com o gol aberto, Tião faz o terceiro gol corintiano, empatando novamente a partida. Quando faltavam quatro minutos para terminar o jogo, Mirandinha faz o quarto gol do alvinegro de Parque São Jorge e a torcida corintiana vai a loucura, naquele domingo de muito frio na capital paulista.

CORITIBA F.C.

               O Corinthians no Campeonato Brasileiro de 1976 fez uma preparação em Caldas Novas (Goiás). Na semana que o time iria embarcar, Tião teve uma contratura e não foi. Inclusive, no primeiro jogo, não tinha nem um time certo pra colocar, contra o Fortaleza. Acabou não indo. Quando o Corinthians voltou de Goiás, já sentiu que seu espaço estava preenchido. Depois que estava melhor, não estava relacionado, então pediu pra sair, teve um convite da Portuguesa de Desportos e do Coritiba. Como o Dino Sani, que foi seu treinador no Corinthians, estava em Curitiba, resolveu ir para lá por empréstimo. Foram meses maravilhosos, o Coritiba tinha um grande time, fez uma campanha bonita, mas o Corinthians e o Internacional tinham equipes superiores, chegando à final. Foi neste campeonato que a torcida corintiana fez aquela inesquecível “Invasão Corintiana” no Rio de Janeiro.

JUVENTUS

               Em fevereiro de 1977, foi vendido ao Juventus da Mooca, bem no início do Campeonato Paulista em que oito meses depois o Corinthians sagrou-se campeão e terminou com um jejum de 22 anos e 8 meses, ou seja, por pouco que Tião não entra para a história do clube. Para Tião foi muito triste por não estar presente naquela conquista do título, pois ficou no clube durante nove anos e sabia muito bem o que representava aquele título para os jogadores, assim como para a torcida. Na época em que jogou no Juventus a equipe era assim formada; Sérgio, Jair Gonçalves, Leiz e Cedenir e Deodoro; Tião e Luciano; Ataliba, Geraldão, Toninho Vanusa e Wilsinho. A equipe fez uma grande campanha, inclusive eliminando o Corinthians, numa fase semifinal, ganhando por 1 a 0 no Morumbi. O time era muito bom, só que é diferente o time que chamamos de pequeno para o grande. Foi uma passagem muito gloriosa pra carreira de Tião.

GUARANI

                Depois de jogar um ano e meio no Juventus, foi jogar no Guarani de Campinas, pois Brida e Milton Buzzeto que eram os treinadores do Juventus, foram trabalhar no Bugre e como precisavam de um médio volante o chamaram. Foi um dos times mais técnicos que jogou, pois tinha Zé Carlos e Zenon no meio de campo e Careca no comando do ataque. Sua estréia foi justamente contra a Ponte Preta, onde jogavam Dicá e Dario Maravilha. A partida foi no Brinco de Ouro e terminou empatada em 1 a 1. Em um determinado momento do jogo, Tião subiu com o Dario para disputar uma bola e o cotovelo de Dario bateu no rosto de Tião, que sangrou muito.

                Naquele tempo não era como hoje, sendo assim, coloquei um algodão e voltei para o jogo com o sangue escorrendo pelo rosto. Aquilo para a torcida do Guarani foi algo extraordinário. Ao final do jogo veio a recompensa, foi eleito o melhor em campo e com isto ganhei um lindo par de sapatos. Depois de alguns meses, como não houve acerto financeiro entre as diretorias, Tião teve que voltar para o Juventus, onde seu passe estava preso, sendo assim, não foi campeão brasileiro em 1978 com o Guarani. Essa foi outra decepção na carreira de Tião, que deixou de conquistar dois títulos importantes num prazo de dois anos.

FORA DAS QUATRO LINHAS

             Depois dessas duas decepções, Tião resolveu encerrar a carreira. Ficou tão chateado que nunca mais foi a um campo de futebol. Atualmente é dono de uma escolinha de futebol no bairro da Saúde, em São Paulo. É um homem feliz, pois faz aquilo que gosta. Roberto Rivelino, sem dúvida, é um dos maiores ídolos da História do Corinthians. Mas seu sucesso se deve também ao companheiro Tião. Quase sempre coadjuvante, o volante era o responsável por segurar as pontas dentro de campo. Falar de Rivelino sem mencionar Tião é quase impossível. Foram quase sete anos atuando juntos. Ele era segundo volante. Além de marcar com qualidade, o Tião era muito técnico, tocava bem a bola e transmitia muita tranqüilidade aos companheiros.

1974   –   Em pé: Zé Maria, Tião, Laércio, Armando, Brito e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Rivelino e Pita
1969   –   Em pé: Almeida, Osvaldo Cunha, Pedro Rodrigues, Polaco, Suingue e Alexandre   –    Agachados: Lindóia, Servílio, Joel, Tião e Buião
1969   –   Em pé: Alexandre, Polaco, Luiz Carlos, Ditão, Dirceu Alves e Pedro Rodrigues   –    Agachados: Suingue, Tales, Servílio, Tião e Carlinhos
1974   –   Em pé: Zé Maria, Buttice, Tião, Brito, Baldochi e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Pita e Peri
Em pé: Pedrinho, Zé Maria, Luíz Carlos, Vágner, Ado e Tião   –    Agachados: Vaguinho, Sicupira, Mirandinha, Rivelino e Marco Antônio
Em pé: Sidnei, Luís Carlos, Baldochi, Pedrinho, Zé Maria e Tião   –    Agachados: Vaguinho, Mirandinha, Adãozinho, Aladim e Rivelino
Em pé: Baldochi, Zé Maria, Luiz Carlos, Rivelino e Ado   –    Agachados: Vaguinho, Suingue, Mirandinha, Tião, Aladim e Pedrinho
1969   –   Em pé: Ado, Pedro Rodrigues, Miranda, Luiz Carlos, Ditão e Tião    –   Agachados: Ivair, Suingue, Lima, Benê e Rivelino
Em pé: Zé Maria, Sidney, Baldochi, Dirceu Alves, Luis Carlos e Pedrinho   –    Agachados: Vaguinho, Tião, Carlos Alberto, Rivelino e Aladim
Em pé: Cedenir, Bracalli, Arnaldo, Tião, Deodoro e Paulinho   –   Agachados: Ataliba, Luciano, Geraldão, César e Wilsinho
Em pé: Luís Carlos, Tião, Sadi, Ado, Zé Maria e Pedrinho   –   Agachados: Lindóia, Samarone, Rivelino, Mirandinha e Peri
Em pé: Zé Maria, Buttice, Tião, Brito, Ademir e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Rivelino e Adãozinho
Em pé: Pedrinho, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Diogo e Miranda     –   Agachados: Ivair, Buião, Vanderlei, Tião e Suingue

 

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