ZÉ SÉRGIO: um ponta esquerda a moda antiga

                 José Sérgio Presti nasceu dia 8 de março de 1957, na capital paulista. Foi um ponta esquerda habilidoso, driblador, que jogou no São Paulo de 1975 até 1984, depois no Santos de 1984 até 1986, no Vasco em 1987 e finalmente no Japão de 1988 até 1993, quando encerrou a carreira. Em 1957 o São Paulo ganhava um título histórico, o então charmoso campeonato paulista. Aquele ano foi um ano tricolor, um ano de Canhoteiro, um ano de Gino, um ano de Dino Sani e, sobretudo, um ano de Zizinho, o “mestre Ziza”.

                E foi nesse ano de 1957, que nasceu o menino José Sérgio Presti, que veio ao mundo enquanto o primo Roberto já começava a dar os primeiros passos no mundo da bola, o primo Roberto ia ser craque, ia por a torcida a seus pés. Zé Sérgio cresceu vendo o primo  deslumbrar o Brasil.  Logo Roberto passou  a  ser chamado  pelo sobrenome: Rivelino, que começou criança no futebol de salão, no EC. Pinheiros, foi lá que “Riva” aprendeu a dar seus dribles curtos, seus humilhantes elásticos, foi lá que aprendeu a soltar bombas com seu inigualável pé esquerdo que assombraria mais tarde os goleiros do mundo inteiro.
                Zé Sérgio admirava o ilustre primo e, criança atenta, queria igualá-lo. É assim a vida, os bons exemplos na família são, para os mais jovens, como uma luz na escuridão. Zé Sérgio não teve uma infância pobre como a maioria dos jogadores de futebol, Zé Sérgio convivia com uma família de classe média alta, estudava, os pais queriam que ele fosse médico, engenheiro, economista, advogado, mas ele resolveu que também seria craque da bola.

SÃO PAULO

                 Ainda criança, foi procurar o São Paulo FC, foi ali que começou a sua história de glória.Cedo se percebeu que se tratava de um atleta absolutamente diferenciado. Zé Sérgio corria, corria, corria como ninguém, ninguém o alcançava quando ele soltava seu impulso inato para a frente, com uma gana que parecia que o alvo de sua corrida era a um tesouro precioso, um tesouro que brilhava como diamante. Ele saía do meio-campo e voava até a linha de fundo, como se fosse um pássaro, seus pés tinham asas! A fama de Zé Sérgio, tal qual a sua rapidez, começou a se espalhar. Por ter um primo já famoso, não foi difícil para o jovem conseguir bater uma bolinha em um treino dos profissionais do Timão, em junho de 1970.

                E a habilidade, mesmo aos 13 anos, chamou a atenção dos dirigentes do alvinegro, que o convidaram para seguir no clube.  “Eles me chamaram, mas eu não quis. Eu morava no Butantã e o Corinthians ficava muito longe da minha casa. Achei melhor continuar no São Paulo” – relembra Zé Sérgio, que faz questão de frisar que sua entrada no Tricolor foi por seus próprios méritos. “Eu fui para o São Paulo porque fiz um teste muito bom. Ninguém sabia que eu era primo do Rivelino, o que só foram descobrir depois de algum tempo” afirma.             

               No time do Morumbi, Zé Sérgio chegou rapidamente ao profissional. A oportunidade de treinar entre os profissionais, em 1976, ainda é fresca na memória do ex-ponta. “Foi numa terça-feira à tarde. Faltava um jogador para o treino e eles foram buscar no juvenil. Como ninguém do time “A” podia ir, sobrou para mim. Fiz dois treinos e joguei no sábado, contra o América de Rio Preto. Apesar de termos perdido o jogo, eles gostaram de mim” – relata Zé Sérgio. Em 1977, ajudou o São Paulo a conquistar seu primeiro titulo brasileiro. Foi contra o Atlético Mineiro, em pleno Mineirão. Neste dia o São Paulo entrou em campo com a seguinte formação; Waldir Perez, Getúlio, Tecão, Antenor e Bezerra; Chicão, Dario Pereira e Theodoro; Viana, Mirandinha e Zé Sérgio.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Devido a excelente fase que atravessava, foi convocado para a Copa de 1978. Chegou a seguir com a seleção brasileira, mas não ficou nem no banco de reservas. Mas isto não o desanimou, tanto que Telê Santana o escalou como titular do Brasil no Mundialito de Montevidéu, em 1979/1980. Mas o campeão naquele torneio foi o time do Uruguai, que venceu o Brasil na final. Os zagueiros Diogo e Moreyra bateram muito em Zé Sérgio. Em 1982, devido a uma grave contusão no joelho, ele perdeu o lugar para Éder, que o foi o nosso camisa 11 no Mundial da Espanha. Com a camisa canarinho, atuou 25 vezes e marcou 5 gols.

FATO TRISTE

              Nesse meio tempo aconteceu um fato muito triste na carreira de Zé Sérgio, ele foi injustamente acusado de ter se dopado quando um exame realizado após uma partida do São Paulo contra a Inter de Limeira, em 1980, constatou a ingestão do remédio Naldecon, receitado pelo médico do clube, o dr. José Carlos Ricci. Substâncias proibidas contidas no medicamento foram acusadas no exame e o atleta foi suspenso preventivamente, antes das partidas contra o Santos, pelas finais do Campeonato Paulista daquele ano.

              Após exaustivos julgamentos no TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), acabou sendo absolvido e o caso arquivado. Mas o mal já estava feito. De atleta disciplinado e considerado “bom moço” (foram poucas as confusões que se envolveu na carreira), sua imagem acabou sendo chamuscada pela possibilidade de ter ingerido substâncias que pudessem aprimorar suas capacidades atléticas.  Zé Sérgio alegou inocência por todo o tempo, e ao seu lado contou com a benevolência de toda a imprensa esportiva e da opinião pública.

             Atletas manifestaram publicamente estarem do lado de Zé Sérgio, e a palavra “armação” foi proferida várias vezes ao se tratar do jogador. No entanto, uma personalidade se posicionou contrário a Zé Sérgio e pediu sua punição. Ninguém menos do que o Rei do futebol, Pelé. Isso causou um grande mal-estar na época, tanto que Zé Sérgio nunca chegou a publicamente perdoar o jogador do século após o episódio.

             Mas o pior não foi a punição em si. O atleta acabou conseguindo arquivar o processo a atuou nas finais contra o Santos, ajudando o Tricolor a conquistar o Campeonato Paulista e acabou sendo eleito o melhor jogador do Brasil na temporada. Mas sua carreira não foi mais a mesma depois disso.

CONQUISTAS

              Com a camisa do Tricolor, Zé Sérgio conquistou títulos e despontou para o futebol nacional, a ponto de ser eleito o melhor jogador do Brasil em 1980, recebendo a “Bola de Prata” da revista Placar. Foi fundamental na conquista do Campeonato Paulista de 1980, atormentando seus marcadores pela esquerda, mas ficou quase dois meses parado no Paulistão seguinte, por ter quebrado o braço direito em um amistoso contra a seleção mexicana, em Los Angeles. Na primeira partida depois de voltar, contra o Noroeste, no Pacaembu, sofreu uma falta e caiu em cima do mesmo braço, quebrando-o de novo. Com ele fora do restante da campanha, a diretoria foi atrás de Mário Sérgio. No ano seguinte, outra contusão tirou-o da Copa do Mundo de 1982, na Espanha.

               Zé Sérgio ainda foi campeão paulista pelo São Paulo em 1981 e pelo Santos em 1984, numa final em que o Peixe venceu o Corinthians por 1 a 0, gol de Serginho Chulapa. Foi também campeão carioca pelo Vasco em 1987, mas já não vivia mais a grande fase. As contusões continuavam incomodando-o, e seguiram sendo um inferno por toda a carreira, até mesmo no fim, quando atuou pelo Hitachi, no Japão, onde também iniciou a carreira de treinador.  Não fossem tantas as lesões, poderia inclusive ter conseguido a independência financeira com uma transferência para o Barcelona, que demonstrou interesse em sua contratação.

              Mas os tempos eram outros, e o São Paulo bateu o pé e manteve o jogador. No fim da carreira, decidiu se arriscar como técnico de futebol, onde ainda está longe de obter o sucesso e o reconhecimento dos tempos de jogador. Mas seu nome já estava na história como um dos melhores jogadores do São Paulo e também do Brasil. Nada mal para quem, um dia, foi apenas “primo do Rivelino” e chegou a ser o maior ponta esquerda do futebol brasileiro na época. Pela equipe profissional são-paulina, o ponta fez 353 jogos (166 vitórias, 111 empates e 76 derrotas) e marcou 49 gols. Ele é casado com uma pastora evangélica maravilhosa, tem 3 filhos, ainda bate uma bola redonda e foi o melhor jogador do Brasil em 1979/1980.

               Depois de se aposentar, com o dinheiro economizado nos anos em que morou no Japão, Zé Sérgio montou uma escolinha de futebol em Vinhedo. Em 2003, recebeu convite para fazer parte da equipe que cuida das categorias de base do São Paulo. Em 2007 e 2008, foi o técnico da equipe Sub-17 tricolor que conquistou o bicampeonato mundial em Toledo, na Espanha. Foi um dos responsáveis por revelar o zagueiro Breno que jogou por pouco tempo no São Paulo e logo foi para a Europa.

               Esta é um pouco da história de Zé Sérgio, um jogador que teve uma carreira curta, porem de muito sucesso. Por isso hoje lhe agradecemos pelas inúmeras alegrias que você deu ao futebol brasileiro, em especial à torcida tricolor.

1981   –   Em pé: João Leite, Edevaldo, Toninho Cerezo, Oscar, Luizinho e Junior   –    Agachados: Nocaute Jack (massagista), Tita, Paulo Isidoro, Sócrates, Batista e Zé Sérgio
Em pé: Leão, Oscar, Marco Antonio, Ronaldo, Ademir, Chiquinho e o técnico Candinho   –    Agachados: Silvinho, Heriberto, Dino Furacão, Mário Sérgio e Zé Sérgio
Em pé: Getúlio, Toinho, Antenor, Tecão, Chicão e Bezerra   –    Agachados: Zequinha, Neca, Serginho Chulapa, Teodoro e Zé Sérgio
Em pé: Waldir Peres, Oscar, Getúlio, Almir, Dario Pereira e Airton   –    Agachados: o massagista Hélio Santos, Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Zé Sérgio
Em pé: Waldir Peres, Dario Pereira, Oscar, Getúlio, Almir e Aírton    –     Agachados: o massagista Hélio Santos, Paulo César, Renato, Serginho Chulapa, Heriberto e Zé Sérgio
Em pé: Waldir Peres, Airton, Getúlio, Chicão, Marião e Bezerra  –   Agachados: Edu Bala, Teodoro, Serginho Chulapa, Dario Pereira e Zé Sérgio
1981   –   Em pé: Waldir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereira, Almir e Marinho Chagas   –   Agachados:  Paulo Cesar, Renato, Serginho Chulapa, Mário Sérgio e Zé Sérgio
1977   –  Em pé: Antenor, Tecão, Getúlio, Chicão, Bezerra e Waldir Peres   –   Agachados: o massagista Hélio, Vianna, Teodoro, Mirandinha, Dario Pereira e Zé Sérgio

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