EDU: um dos melhores pontas do Brasil

                  Jonas Eduardo Américo nasceu dia 6 de agosto de 1949, na cidade de Jaú (SP). Foi um ponta esquerda que encantou a todos que o viram jogar. Aos 15 anos já foi convocado para a seleção juvenil e em 1966, com apenas 16 anos, já estava convocado para participar de uma Copa do Mundo. O começo fulminante de Edu, mostra bem como foi a sua carreira. Em julho de 1964, o garoto Jonas Eduardo chegou à Vila Belmiro procurando por ninguém menos que Pelé. Ele trazia uma carta de recomendação de seu irmão Vicente, ex-jogador de Guarani e Portuguesa Santista. O camisa 10 do Santos conversou com o técnico Lula e o menino recém chegado de Jaú começou a treinar no Peixe. Dois anos depois, como Abel estava machucado e Pepe também não tinha condições de jogo, Edu ganhou uma chance de mostrar seu futebol. Em menos de um mês, ele já era titular do melhor time de todos os tempos.            

                Edu chegou para jogar no infantil. Em 1965, com 15 anos, foi lançado nos aspirantes e convocado para a seleção juvenil.  Em 1966, foi lançado aos poucos pelo técnico Lula. Entrou no segundo tempo do jogo com a Portuguesa de Desportos e depois contra o Fluminense. Diante do Botafogo, começou como titular. Permaneceu na equipe por mais sete jogos e foi convocado pelo técnico Vicente Feola para disputar a Copa de 66, na Inglaterra. Realmente uma ascensão espantosa, até mesmo para ele, que até pouco tempo atrás brincava de jogar bola nos campos do interior paulista.  Edu nunca teve o destaque que desejava na seleção, mas participou de três Copas do Mundo.  Zagallo não gostava de seu futebol, fazendo até com que Edu pensasse em desistir. No entanto, com dribles imprevisíveis e desconcertantes, chutes fortes e precisos, arrancadas fabulosas e um futebol inteligente e dinâmico, o ponta Edu escreveu seu nome na história do futebol brasileiro. No imbatível Santos das décadas de 60 e 70, Edu atingiu seu ápice no futebol.

                Se Edu não viveu grandes momentos na seleção, nos clubes por onde passou a história foi muito diferente. Ao lado de Pelé, o ponta alternava títulos paulistas com conquistas nacionais e internacionais.  Mesmo com pouco tempo de profissional, Edu já tinha vivido experiências incríveis. Esteve na Rússia, na Austrália, na Ásia e até na Oceania.  Guarda todos os seus passaportes, cinco ou seis, cheios de vistos e carimbos. O Santos era o time que mais viajava e esta vida de cigano lhe ensinou muitas coisas. Edu viajava tanto, que sua família o chamava de “O Visitante”. 

              Vestindo a camisa do Santos F.C. Edu viveu momentos memoráveis contra o Corinthians. Ele travou grandes duelos com o maior lateral direito da história do time de Parque São Jorge, Zé Maria. Geralmente Edu levava vantagem. O interessante era ver a cara dos torcedores corintianos quando Edu e Zé Maria saiam juntos depois do jogo. Até hoje eles mantém uma grande amizade, pois se enfrentaram muitas vezes, mas sempre houve um grande respeito de um para com o outro. Foram companheiros de seleção, pois foram convocados para as Copas de 70 e 74. Ainda contra o Corinthians, Edu tem grandes lembranças, mesmo quando perdia, pois a torcida corintiana vibrava como se fosse um título.

             Um bom exemplo disto foi a quebra do tabu de 11 anos, quando Corinthians venceu o Santos por 2 a 0 no dia 6 de março de 1968. Neste dia o Santos jogou com; Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Lima e Negreiros; Kaneko, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu Quando o juiz da partida, Roberto Goicochea apitou o final da partida, Pelé chorou, jogadores corintianos foram carregados. Edu levou a bola para o vestiário e disse que era presente para o seu sargento. Realmente foi um dia inesquecível na vida do Edu.

              Defendendo o Peixe, Edu faturou os títulos paulistas de 1965, 67, 68, 69 e 73. Ganhou também a Taça Brasil de 1965, o Rio São Paulo de 1966 e o Robertão de 1968.  Pelo mundo, entre 1965 e 1975, Edu ganhou tudo quanto é torneio de verão, inverno, outono e primavera que inventaram. Edu, o legítimo e primeiro Edu do futebol brasileiro, foi um dos mais brilhantes jogadores de futebol que Deus pôs na terra. Porém, como uma estrela cadente, ele começou a enfrentar problemas no Peixe a partir de 76. Com apenas 26 anos, já vivia as voltas com os problemas de peso. Um clima ruim passou a cercar o jogador na Vila Belmiro.

             Insatisfeito no clube em que conquistou inúmeros títulos, Edu resolveu pedir para ser negociado, pois o que mais ele queria era sair da Vila Belmiro.  Ficou muito irritado com tantas críticas, acusações injustas, criou fama de gordo, de mole, por isso, qualquer time que o desejasse compra-lo ele iria, pois tinha futebol para qualquer time da época, no entanto, a diretoria santista não decidia nada. Modesto Roma que era o presidente do Santos na época, não queria se desfazer do talento de seu ponta esquerda. Inclusive chegou a dizer que nem por 500 mil dólares venderia Edu, afirmando ainda, que já havia recusado duas propostas, uma da Portuguesa de Desportos e outra do Vasco da Gama.

              Porem, a vontade de Edu foi cumprida e ele se transferiu para o Corinthians, onde fez parte da equipe que conquistou o título histórico do Paulista de 1977, sua última conquista expressiva. Quando Edu chegou no Corinthians por empréstimo, a equipe lutava desesperadamente por um título que desde 1954 não conquistava. A torcida corintiana estava sedenta por novas glórias e disto Edu sabia muito bem, pois conhecia o sofrimento da Fiel desde o tempo em que ele fazia partidas magistrais contra o Timão e via a torcida alvinegra deixar o estádio muito triste. Mas naquele ano de 1977 a Fiel soltou o grito de campeão que estava entalada na garganta por tantos anos. Edu jogou a maioria das partidas, sempre revezando com Romeu.

              Na decisão do campeonato, quando o Corinthians enfrentou a Ponte Preta, Edu foi impedido de participar das finais, pois estava no quarto, na concentração, quando Osvaldo Brandão, que era o técnico da equipe entrou. Edu logo sentiu que havia alguma coisa errada. Então Brandão deu o recado; “O Santos quer muito libera-lo para os jogos da decisão, mas o Corinthians não quer pagar o que eles pedem, então você está fora do jogo”. Aquelas palavras o deixaram arrasado. Simplesmente abraçou Brandão e chorou.  Com a camisa do Corinthians, Edu jogou 40 partidas. Venceu 18, empatou 9 e perdeu 13 vezes. Marcou 5 gols.

              A partir daquele dia, começou a fase descendente da carreira do jogador. Até o ano de 1984, quando encerrou sua trajetória, ele perambulou por diversos times como Monterrey, do México, Nacional – AM e Colorado – PR. Em 1987, ainda participou da seleção de Masters do Brasil. Depois de abandonar o futebol, o ex-ponta abriu uma fábrica de molas em Jaú. Anos mais tarde, passou a trabalhar com escolinhas de futebol, para ensinar um pouco do que aprendeu às novas gerações. Em relação ao esporte, fica um sentimento de gratidão. Edu brinca ao dizer que ao ver o mapa-mundi, ele descobre que é mais fácil marcar os lugares onde não esteve.  

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Poucos jogadores participaram de três Copas do Mundo, como Edu. No entanto, o ponta recebeu poucas chances de atuar com a amarelinha durante os mundiais. A primeira convocação veio em 1966. Com apenas 16 anos, ele foi à Inglaterra com a responsabilidade de defender o titulo conquistado quatro anos antes no Chile. Edu sequer entrou em campo na campanha fracassada do Brasil que caiu logo na primeira fase da competição. A inexperiência do jovem acabou atrapalhando seu desempenho, afinal, mal tinha saído de Jaú e já estava vestindo a camisa da seleção. Sua grande chance foi na seleção de 1970. Jogou muito nas eliminatórias para a Copa do México e, com 20 anos e no auge de sua forma, era um dos titulares e artilheiro do técnico João Saldanha.

             Mas, com a chegada de Zagallo só atuou em uma partida daquela Copa. O jogo foi contra a Romênia, que vencemos por 3 a 2.  Foram apenas alguns minutos, mas que permanecem para sempre na sua memória. Sua alegria pela conquista do Tri, já o deixou super feliz.  A história se repetiu quatro anos depois. O mesmo treinador convocou Edu para a disputa da Copa da Alemanha. Entrou apenas uma vez, pois Edu não se enquadrava no esquema tático de Zagallo.  Mesmo assim, Edu nunca se abateu, pois como ele próprio diz; “Eu agradeço e muito por ter participado de três mundiais, pois naquela época o sujeito tinha que jogar muito para fazer parte da seleção, não é como agora, que qualquer um joga”.

             O futebol de Edu era muito ofensivo, ele corria com a bola dominada, nem parava para driblar, isso dificultava a vida dos zagueiros. Ele driblava sempre buscando o gol. Certamente foi este o estilo de jogo que limitou sua vida na seleção, pois Zagallo nunca foi um ponta ofensivo, sendo assim ele queria que seus pontas jogassem da mesma maneira. Por isso, Edu jogou somente 15 minutos contra a Romênia em 1970 e, somente uma partida em 74, contra o Zaire, tudo porque era um ponta ofensivo.  Edu é casado, não tem filhos, é professor de escolinhas de futebol em Santos, e continua jogando futebol Masters pelo Brasil, ao lado de veteranos do Santos e do Corinthians. Durante toda a carreira fez 183 gols em 584 jogos. Sua canhota ainda é lembrada como uma das melhores do mundo.

Em pé: Carlos Alberto Torres, Edvar, Ramos Delgado, Léo, Joel Camargo e Rildo     –    Agachados: Manuel Maria, Negreiros, Pelé, Coutinho e Edu.
Em pé: Leão, Ramos Delgado, Carlos Alberto, Dias, Dudu e Rildo     –    Agachados: Suingue, Ademir da Guia, Ivair, Pelé e Edu

Em pé: Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo, Clodoaldo, Cláudio e Rildo     –    Agachados: Wilson, Buglê, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu
Em pé: Cejas, Vicente, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Clodoaldo e Turcão    –     Agachados: Manoel Maria, Brecha, Eusébio, Pelé e Edu
Em pé: Carlos Alberto, Félix, Djalma Dias, Clodoaldo, Joel e Rildo     –    Agachados: Jairzinho, Gerson, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu
Em pé: Cejas, Zé Carlos, Leo, Roberto, Hermes e Vicente    –    Agachados: Mazinho, Brecha, Cláudio Adão, Nenê e Edu
Em pé: Teodoro, Toninho Baiano, Djalma Dias, Jaime, Marco Antônio, Ado e Luciano do Valle     –    Agachados: Gil, Carpegiani, Lola, Dicá e Edu
Em pé: Carlos Alberto, Sadi, Cláudio, Joel, Denilson e Jurandir    –    Agachados: Paulo Borges, Gerson, Jairzinho, Tostão e Edu
Postado em E

Deixe uma resposta