CANHOTEIRO: o Garrincha do Morumbi

                   José Ribamar de Oliveira, o grande Canhoteiro, nasceu dia 24 de setembro de 1932 na cidade de Coroatá (MA) e faleceu dia 16 de agosto de 1974. Foi um dos maiores ídolos da história do São Paulo F.C.  Ponta esquerda de habilidade única, o atleta se destacou como grande driblador.  Muitos o consideram o melhor da posição que já existiu. Entortava os adversários com uma facilidade inacreditável. Transformava os marcadores em verdadeiros admiradores de seu futebol alegre e descontraído. Quando garoto, era reprimido pelo pai quando queria bater uma bolinha na rua com os amigos. Sr. Cecílio o amarrava no pé de uma mesa para não poder brincar de jogar futebol, desejava que o filho fosse médico.  Menino levado, mesmo atado improvisava uma bola de papel e se divertia do jeito que desse.  Esse era o seu destino.  Começou sua carreira nos anos 50, no América do Ceará.  Alguns olheiros do São Paulo o descobriu e o trouxe para fazer um teste no Morumbi.

                  Neste dia, o técnico da equipe do São Paulo pediu ao zagueiro Turcão, conhecido por ser um jogador muito ríspido, para poupar aquele pequeno garoto de canelas finas. Ao fim do jogo, o beque, atônito com o talento do jovem futebolista, disse: “Não é que eu tenha atendido o técnico, é que eu não consegui acertá-lo”. Após isso, Turcão e todo o elenco são-paulino foi unânime em indicar Canhoteiro aos dirigentes do clube, que, cinco dias depois, compraram o seu passe.  Chegou no São Paulo dia 13 de abril de 1954 e fez sua estréia com a camisa do tricolor no dia 18 de abril em um amistoso contra o Limoense. O placar não foi aquele dos seus sonhos, pois perdeu por 2 a 1. Porem os deuses da bola sabiam que ali nascia um dos maiores jogadores do time Tricolor de todos os tempos. 

                 Canhoteiro teve vários momentos de maestria absoluta no Tricolor. Certa vez, Zizinho, cansado, pediu que ele prendesse a bola o máximo possível e foi isso que ele fez, dando um show de dribles nos infelizes zagueiros adversários. Entre gols belíssimos em que dava dois chapéus em zagueiros e um em um goleiro e passes precisos, um drible virou característico do jogador. No chamado drible do solavanco, o craque girava a cintura de um lado para o outro e com o pé esquerdo, conduzia a bola, iludindo o marcador.

               Conquistou pelo São Paulo o Torneio Jarrito, no México, em 1955 e a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela, em 1957, mas se consagrou mesmo no Campeonato Paulista de 1957, quando foi aclamado como um dos responsáveis pela conquista do Estadual. Suas exibições marcaram época no São Paulo. Ele participou da lendária inauguração do Morumbi em 1960 contra o Sporting de Portugal, quando ele deu um show a parte naquele dia de festa.  Ao todo foram 103 gols com a camisa do São Paulo em 415 partidas. Venceu 228 vitórias, 97 empates e 90 derrotas. Foram 390 jogos como titular e apenas 25 como suplente. Em 1960, após sofrer uma séria contusão em uma entrada casual com Homero, do Corinthians, Canhoteiro realizou duas cirurgias mal sucedidas, o que atrapalhou sua carreira.

               Se despediu do Tricolor com uma derrota para o Corinthians por 3 a 0 no dia 4 de agosto de 1963. Neste dia o time do São Paulo foi o seguinte; Suly, Deleu, Bellini, Jurandir e Riberto; Roberto Dias e Benê; Faustino, Pagão, Leal e Canhoteiro. Os gols foram marcados por Manoelzinho, Silva e Ferreirinha. Por último, jogou no México, onde atuou pelo Deportivo Nacional em 1963 e Toluca em 1965. Voltando ao Brasil, marcou presença no Nacional e no Saad, time em que parou de jogar profissionalmente em 1967, aos 33 anos, quando trocou a bola pelo copo e pelo violão.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Vestiu poucas vezes a camisa da seleção. Participou do Sul-Americano Extra de Lima, da Taça Osvaldo Cruz e da excursão preparatória para a Copa de 58. Dizem que vestiu poucas vezes a camisa canarinho, devido a um medo desenfreado de andar de avião e à paixão pela boemia, o que faz com que o comparem mais ainda com o extraordinário Mane Garrincha.  A sua participação na Copa de 58, na Suécia, só não foi concretizada por sua grande amizade com Djalma Santos. Canhoteiro disputava a posição com Pepe. Acontece que nos treinamentos o seu marcador era seu compadre Djalma Santos. Se ele jogasse tudo que sabia e fosse pra cima do lateral, muito provavelmente iria desmoraliza-lo e consequentemente, Djalma seria cortado.

               A amizade e a consideração falaram mais alto e, Canhoteiro “guardou” seus dribles. Como consequência, ele sim foi cortado da seleção e para seu lugar foi chamado Zagallo. Canhoteiro com certeza fez muita falta no selecionado nacional, não pela falta de jogadores extremamente habilidosos daquela época, mas pela maestria e malandragem que ele poderia adicionar na sensacional equipe da Copa de 58.  Pela seleção, Canhoteiro disputou 16 partidas, sendo 15 delas oficiais, marcando apenas um gol, justamente na sua estréia contra o Paraguai no Pacaembu no dia 17 de novembro de 1955, quando empatamos em 3 a 3.

               Canhoteiro foi convocado e jogou outras vezes, como contra a Inglaterra, em 13 de maio de 1959, quando o Brasil venceu por 2 a 0, com gols de Julinho e Henrique. Garrincha não pôde jogar e em seu lugar entrou Julinho (Júlio Botelho), que recebeu uma das mais ruidosas vaias da história do Maracanã, que minutos depois se curvava a Julinho, aplaudindo-o por sua magnífica exibição, aberta por dribles e fintas desconcertantes em ingleses, por um gol, aos sete minutos e, depois de entortar seus marcadores, aos 12 minutos dar o passe para Henrique fazer o segundo. O Brasil neste dia jogou com Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Julinho, Henrique, Pelé e Canhoteiro.

              Canhoteiro media 1,68m era um ponta esquerda extremamente habilidoso. O seu drible desconcertante, costumava entortar os adversários, o cabeceio certeiro, o chute raso, quase sem dar chance de defesa ao goleiro, o passe perfeito, a alegria do gol era também um jogador extremamente veloz, talvez seu único ponto fraco em campo era a marcação. Uma variedade de estilos, como se fosse um coquetel preparado para o mais fino gosto.  Conhecido também como Garrincha do Morumbi, Canhoteiro é sem dúvida um dos maiores ídolos do São Paulo Futebol Clube de todos os tempos.

               O lendário camisa 11 do tricolor foi também um dos primeiros jogadores de futebol a ter fã-clube organizado, devido as suas jogadas mágicas. O que Garrincha fez na ponta-direita, Canhoteiro fez na esquerda. Iguais, em lados diferentes, Garrincha acabou sendo um mito maior, porém, Canhoteiro tinha o mesmo espírito brincalhão. Fazia do futebol uma arte, a arte de divertir o público, se divertir e assombrar os companheiros. Ante a impossibilidade de marcá-lo, os adversários, muitas vezes, se contentavam em admirá-lo, como se fossem também espectadores e não participantes.

              Para ilustrar melhor a genialidade deste exímio atacante, é só analisar o tratamento que o ex-técnico do São Paulo, o húngaro Bella Guttman, dava a ele. Apenas Canhoteiro e Zizinho não participavam das preleções da equipe. Dizia o treinador: “Eles dois já sabem tudo, para que chamá-los para as preleções?”. Os colegas de equipe o aplaudiam pelas embaixadas com moedas, laranja, xícara de cafezinho ou tampa de garrafa. A intimidade dele com objetos redondos, vinha do hábito de ser preso pelo pai a uma mesa, mas Canhoteiro embora amarrado ao móvel, valia-se de bolinhas de papel para fazer malabarismo. Certa vez, contra o Corinthians, em uma só jogada ele fintou o marcador Idário 14 vezes, para delírio da massa são-paulina.

            Mesmo não sendo muito lembrado nas convocações da seleção brasileira, José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro, é considerado um dos melhores pontas canhotos da história do Brasil. Foi um dos grandes personagens do São Paulo, adorado pelo público. Um homem que teve prazer na vida e no futebol. Morreu dia 16 de agosto de 1974, muito cedo, aos 42 anos de derrame cerebral.

              Conhecido como Canhoteiro, arrebatou legiões de admiradores em todo o país. Perfeito nos cruzamentos, dava gols aos seus companheiros com freqüência maior do que balançava as redes, se sentia bem fazendo assistências depois de três ou quatro dribles endiabrados. Muitos o comparavam a Garrincha, outros diziam que, se não fosse um boêmio e levasse a carreira a sério, seria melhor que Pelé. Exageros a parte, Canhoteiro foi um gênio. Zizinho, o ”Mestre Ziza”, era um dos maiores admiradores do jogador. Não cansava de exaltar as qualidades do ponta canhoto. Adepto do futebol brincalhão, o jogador era um espetáculo sem igual nas partidas são-paulinas.  

              Quem o viu jogar, não fica em cima do muro: “Foi o maior de todos no São Paulo Futebol Clube”. Driblava, garantem os mais velhos, no espaço de um lenço. Uma de suas jogadas características era sair com a bola junto da bandeira de escanteio, fintando o adversário mesmo estando de costas. Esse era Canhoteiro, atacante do Tricolor nas décadas de 50 e 60. De gênio indomável e habilidade para poucos. Era a alegria da torcida. Enlouquecia a multidão das arquibancadas brincando com a bola, pois era literalmente um verdadeiro artista.

Em pé: Djalma Santos, Poy, Fernando Sátiro, Gildésio, Riberto e Vitor    –    Agachados: Julinho, Almir, Gino, Gonçalo e Canhoteiro
Em pé: De Sordi, Poy, Dino Sani, Riberto, Gérsio Passadore e Ademar  –   Agachados: Cláudio Cristóvam do Pinho, Neco, Gino Orlando, Bibe e Canhoteiro

Em pé: Bellini, Jurandir, Riberto, Leal, Suly e Deleu    –   Agachados: Cecílio Martinez, Amauri, Benê, Cido e Canhoteiro
Em pé: Vilásio, Roberto Dias, Geraldo, Luís Valente, Suly e Vítor Paulada   –    Agachados: Paulo Lumumba, Amauri, Gino, Benê e Canhoteiro
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Dino Sani, Nilton Santos, Gilmar e Orlando    –    Agachados: Julinho, Didi, Henrique, Pelé e Canhoteiro
Em pé: De Sordi, Procópio, Deleu, Riberto, Suly e Benê    –   Agachados: Faustino, Prado, Baiano, Jair Rosa Pinto e Canhoteiro
Em pé: De Sordi, Jadir, Nilton Santos, Gilmar, Mauro e Roberto Belangero      –    Agachados: Garrincha, Moacir, Mazzola, Pelé e Canhoteiro
Em pé: De Sordi, Dino Sani, Zózimo, Castilho, Mauro e Cacá    –   Agachados: Canhoteiro, Vavá, Almir, Dida e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, De Sordi, Nilton Santos, Gilmar, Zózimo e Roberto Belangero   –   Agachados: Sabará, Walter, Gino, Didi e Canhoteiro
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