MIKA – fez três jogos pelo Corinthians

                   José Ademir Carloni nasceu dia 29 de janeiro de 1953, na cidade de Jaú (SP). Mika, como era conhecido futebolisticamente falando.

                  Como surgiu o nome Mika?

                 “Era o meu apelido em Jaú. Não sei direito o porquê desse apelido, o que sei é que mika era a resistência de ferro de passar roupa. Quando vim jogar no XV, era conhecido como Ademir, de vez em quando ouvia na torcida alguém gritar: Mika! Imaginava que poderia ser meus primos de Jaú que tinham vindo para trabalhar na Caterpillar, os Pracucho, entre eles o João Batista”.

                   No Corinthians, jogou ao lado de grandes astros como Rivelino, na época em que o folclórico e estimado presidente era Vicente Matheus. Tem a sabedoria daqueles que tratam o estrelato do passado com a dignidade que merece. Jogou nos maiores estádios do país, com milhares de torcedores observando cada detalhe. Soube reconhecer o momento em que deveria deixar o futebol profissional. Muitos esportistas ao apagarem-se as luzes da fama não sabem como trabalhar com a situação.

                   Mika com muita determinação iniciou-se na área comercial, obtendo sucesso e reconhecimento. Hoje ele é proprietário de um estabelecimento comercial onde além dos produtos que comercializa, destaca-se numerosas fotos do XV de Novembro de Piracicaba. A princípio pode-se imaginar que é mais um apaixonado pelo time. De fato é e inclusive por anos a fio defendeu no gramado a camisa do “Nhô Quim”.

CORINTHIANS

                   Quem o convidou para ir jogar no Corinthians, foi o Dr. Geraldo Jabur, na época ele já era um influente conselheiro do Corinthians. “Ele tinha me conhecido na partida final do Estado. Eu estava jogando na Rua Javari, no campo do Juventus, contra a equipe da Máquinas Piratininga. Foi um jogo difícil, nós ganhamos de 3 a 1, sendo que eu fiz dois gols. Tinha um “olheiro” do Corinthians, logo fui levado para o Corinthians.

                   Na época eu tinha 18 anos, em 1970. O Corinthians tinha Rivelino, Zé Maria, Vaguinho, Aladim, Tião, Buião. Adãozinho. Já fui morando no alojamento, dentro do Parque São Jorge, onde inclusive havia um restaurante. Vivi ali uns cinco anos”.

                   Lá no Corinthians, o popular Mika era chamado pelo seu nome, Ademir. Ele jogava com a camisa número 5 ou 4. Quando você entrou pela primeira vez no campo para disputar uma partida jogando pelo Corinthians qual foi a sua sensação? “Sou corintiano, minha família toda sempre foi corintiana. Em Jaú me mandaram entrar em um carrão dizendo que eu estava contratado pelo Corinthians e á noite já joguei contra o Nacional de Água Rasa, com todas aquelas estrelas do futebol. Saí de Jaú, tinha aqueles jogadores como ídolos, personagens de álbum de figurinhas e já a noite estava jogando com eles. Foi muito repentino, quase inacreditável. Entrei jogando no quadro principal”.

                   O salário atingia cifras elevadas?

                  “Como fui sem empresário, assim como outros jogadores, quem fazia o salário eram os presidentes do clube. É muito diferente do que é hoje. O jogador de futebol treina cedo e a tarde, recebe ordens como um funcionário. Não é como treinar em uma academia, ao sentir-se cansado simplesmente para. Não pode parar, o preparador físico ganha para aquilo. Ele tem que mostrar serviço, para que dentro do campo o jogador renda e que fique claro que pelo menos na preparação física o jogador foi devidamente trabalhado”.

                    Lá você estranhou o fato de ter roupeiro e outras facilidades?

                  “Era tudo muito bem organizado. Em determinada época chegou um treinador polêmico, o Dorival Knipel, mais conhecido por Yustrich, ele queria que estivéssemos as sete horas da manhã dentro do campo. As seis e meia da manhã íamos tomar o café, era uma mesa que eu nunca tinha visto. Tinha de tudo, todas as espécies de frutas, achocolatados, biscoitos, bolachas, lanches diversos. Eu pensei que se o jogador ingerisse aquela quantidade e variedade de alimentos como iria entrar no campo?

                    Ele afirmava á todos que tinham que se alimentarem muito bem porque o treinamento iria ser duro. Ele fazia um verdadeiro banquete. Só que não deu certo por muito tempo, tinha uns que ficavam um pouco mais na mesa. Não cheguei a excursionar fora do país. Eu estava relacionado na delegação que iria para o Japão, o Eurico iria ser cortado, o que não aconteceu. Eu estava com o terno preparado, acabei não indo. Quem tinha feito o terno foi o grande estilista Thomazin, que se tornou meu amigo e sempre que posso converso com ele.

                   Na época os jogadores que não estavam relacionados para jogar no time principal jogavam no time dos aspirantes. Todos os times grandes faziam esse campeonato dos aspirantes. Uma espécie de segundo quadro, onde havia muita fera. Joguei um bom tempo nesse segundo quadro, todo ano saia uma peneira dali. Jogadores que vinham com um sonho muitas vezes nem chegavam a jogar. Cada treinador tinha um estilo próprio, era difícil jogar em um time grande”.

                  Você jogou contra grandes nomes do futebol brasileiro?

                 “Joguei contra praticamente todas as feras do futebol. No São Paulo tinha o Chicão, Edson, Terto, jogamos muitas vezes contra o Murici. No Palmeiras tinha Alfredo, Luiz Pereira, Zeca, Eurico, Leivinha. Essa rivalidade entre Corinthians e Palmeiras sempre houve.

                   Qual é a sensação de estar em um campo de futebol, você com uma bola no pé, milhares de pessoas observando, uma responsabilidade muito grande?

                  “É uma questão muito interessante. Muitos torcedores não sabem, mas os grandes atletas já estão jogando desde os 12 anos, em nenhum momento ele irá sentir-se estreando, ou irá tremer diante de um público enorme. Ele já tem a vivência de seis a sete anos de clube, já se acostumou faz parte da vida dele. Se você quer ser juiz de direito, mesmo que leve 100 anos, um dia será juiz de direito. Se quiser ser médico, mesmo que demore 100 anos um dia será médico. Ser um artista como jogador de futebol é um dom.

                   Não adianta querer ensinar um garoto a ser jogador de futebol. Se ele não tiver a aptidão natural, o dom, ele nunca será um bom jogador de futebol. Nem que ele frequente a escola do Zico. Nos dias atuais quem não gostaria de ter em sua família um jogador de futebol? Todo mundo queria”.
Você pegou uma época boa?

                  “No aspecto financeiro não. Nunca cheguei a fazer publicidade de algum produto, o marketing com jogador de futebol era muito raro. Por isso digo que os jogadores merecem o que ganham, são os empresários que fazem o salário deles. Valorizam. Antigamente o jogador sentava-se a mesa com o presidente de um clube para fazer o seu salário, ele estava sozinho.

                    Os presidentes sempre tiveram muita habilidade em manipular, com isso o jogador acabava se iludindo com o que estava sendo oferecido e assinava o contrato. Hoje o jogador nem participa da negociação, só vai para assinar o contrato. Ficou mais profissional. O Neymar que é a estrela principal do futebol mundial tem atrás dele seu pai e pessoas que entendem do assunto”.

                   Qual foi o jogo onde ganharam com a goleada mais expressiva?

                  “Foi um jogo onde o Corinthians ganhou de 7 a 0 do Ribeirão Preto. Saímos consagrados até pela torcida adversária. O Corinthians só saia escoltado quando perdia dentro do Pacaembu”.

                   Em que ano você saiu do Corinthians?

                  “Fiquei até 1975, foi quando vim jogar no XV de Novembro de Piracicaba, o presidente era Romeu Ítalo Ripoli, uma pessoa muito inteligente, de raciocínio rápido, brigava pelo XV. A estrela principal do time era ele. Tínhamos um time muito bom. No Campeonato Nacional, quando chegávamos a grandes estádios, de grandes capitais, notava-se uma aglomeração, parecia que estava ocorrendo alguma briga, era todo mundo aplaudindo o Rípoli, ele brigava contra a federação em nome dos times menores. O Ripoli quando acabava o jogo já nos pagava o bicho, não tinha que passar na sede.

                    No XV você permaneceu até que ano?

                   “A primeira vez que joguei no XV foi em 1972, o time estava mal das pernas, foram me buscar no Corinthians. Fui muito bem sucedido aqui, fiz uma ótima campanha, o XV estava para cair, conseguimos nos classificarmos. Eles não conseguiram comprar o meu passe eu voltei para o Corinthians. Em 1975 vim em definitivo para o XV, onde joguei até 1981, como lateral direito. Disputei três Campeonatos Nacional.

                   Joguei de quarto zagueiro, em um Campeonato Nacional ficamos em oitavo lugar com todo assalto que havia em cima de nós. Era um roubo descomunal em cima da gente. Ganhamos de todos os times grandes, ficamos invictos em treze partidas, acho que nenhum time faria isso hoje”.

                   Pelo Corinthians Mika fez somente 3 jogos. Venceu 1 e empatou 2. Não marcou nenhum gol. 

XV de Piracicaba em 1979    –    Em pé: Vadinho, Pizeli, Alan, China, Mika e Marcio Gomes    –     Agachados: Ronaldo, Fio, Uriel, Rogério e Zé Luiz
XV de Piracicaba em 1976    –    Em pé: Fernando, Capitão, Almeida, Pizeli, Muri, Elói, Volmir, Doná e Getúlio   –    Agachados: Paulinho, Delém, Nardela, Zé Ito, Vágner, Ademir Carloni (o Mika), João Paulo e Pitanga
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