RINALDO: titular da primeira Academia Palmeirense

                    Rinaldo Luis Amorim nasceu dia 19 de fevereiro de 1941, na cidade de Jurema – PE. Teve uma brilhante passagem pelo Palmeiras de 1964 até 1968. Foi um dos 47 convocados pelo técnico Vicente Feola, para o período de treinamento que visava a conquista da Copa da Inglaterra e, consequentemente, o tricampeonato de futebol, mas, infelizmente deu tudo errado. Jogou também em outros grandes clubes, como, Náutico, Coritiba, Fluminense, Sport e Santa Cruz. Também defendeu a Seleção Paulista, o União Agrícola Barbarense e o Treze da Paraíba.

                   Em 1965, vestiu a camisa da Seleção Brasileira na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, quando o Palmeiras que na época tinha uma verdadeira seleção, representou e muito bem nosso país, pois venceu o Uruguai por 3 a 0 com um gol de Rinaldo.  Hoje Rinaldo reside em Carpina, Pernambuco, a 55 km de Recife, e trabalha como operador de Raio-X e técnico na aplicação de gesso do hospital da cidade. Antes havia atuado como treinador por um breve período.

INÍCIO DE CARREIRA

                 Começou no Santa Cruz, de Recife, depois jogou no Auto Esporte e no Campina Grande da Paraíba. Depois jogou no Náutico, de Recife, onde sagrou-se campeão pernambucano em 1960 e 1963. Na época o time era o seguinte; Lula, Germano, Zequinha, Clóvis e Coronel; Salomão e Ivan; Nado, Bita, China e Rinaldo.  O goleiro Lula jogou no Corinthians em 1969.

PALMEIRAS

                 Sua estréia com a camisa alviverde aconteceu no dia 11 de abril de 1964, quando o Palmeiras perdeu para o Vasco da Gama por 3 a 2 pelo Torneio Rio-São Paulo. Uma semana depois, ou seja, dia 18 de abril, Rinaldo participava do primeiro clássico paulista contra o Corinthians. Neste dia o Palmeiras jogou com; Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Tarciso (Waldemar Carabina) e Geraldo Scotto; Zéquinha e Ademir de Guia; Julinho, Vavá, Tupãzinho e Rinaldo. O técnico era Silvio Pirilo. Esta foi a primeira vitória com a camisa do alviverde, pois o Palmeiras derrotou o Corinthians por 2 a 1, gols de Servilio e Geraldo Scotto, enquanto que Silva marcou o único tento corintiano.  

               Rinaldo foi sem dúvida alguma, um dos melhores pontas de toda a história do Palmeiras. Afinal, desde que chegou, este pernambucano que já brilhara no Náutico/PE tornou-se titular absoluto do time. E a maior prova disso foi que, das 166 partidas que disputou com a camisa esmeraldina, foi titular em nada menos do que 160 delas, ou seja, em mais de 96% dos jogos. Tanto prestígio não foi à toa. Embora ponta, não se limitou apenas aos desconcertantes dribles nos laterais e aos perfeitos cruzamentos para a grande área. Sempre que pôde, entrou pelo meio da área e se desembestou a fazer gols. Daí o fato de estar entre os 40 maiores artilheiros do Palmeiras e de também ter jogado pela Seleção Brasileira.

             Destaque da Primeira Academia, Rinaldo não conseguiu, porém, manter-se na equipe quando o fim dos anos 60 se aproximou. Não que o seu futebol tivesse diminuído, muito pelo contrário, mas é que se fez necessário o rejuvenescimento da equipe, e a chegada de atacantes de peso, como César Maluco e Serginho, fez com que o craque se transferisse para o Coritiba/PR. Com a camisa do alviverde, Rinaldo disputou 166 partidas. Venceu 96, empatou 35, perdeu 35 e marcou 61 gols.

            De todas estas partidas e de todos estes gols, certamente o que mais marcou sua carreira, aconteceu no dia 7 de setembro de 1965, dia em que o Brasil parou e concentrou todas suas atenções para Belo Horizonte. Estava sendo inaugurado o Estádio Magalhães Pinto, o “Mineirão”. Obra corajosa, vanguardista, imponente, um dos melhores estádios de futebol do mundo, com capacidade para mais de 100 mil espectadores.

            Para coroar os festejos da inauguração, organizou-se um amistoso entre a Seleção Brasileira e a do Uruguai e, pela primeira vez na história do futebol brasileiro, uma equipe de futebol, a Sociedade Esportiva Palmeiras, foi convidada para compor toda a delegação, do técnico ao massagista, do goleiro ao ponta-esquerda, incluindo os reservas. Uma primazia única em reconhecimento à melhor equipe do País, que vencia a todos os adversários e convencia, encantava de tal maneira que recebeu da imprensa e do povo a alcunha de “Academia de Futebol”.

             O Palmeiras vinha de sucessivas vitórias e acumulando uma invencibilidade de 11 jogos. A equipe estava completa e em plena forma. O Palmeiras entrou em campo com Valdir Joaquim de Moraes no gol, Djalma Santos (que completaria 92 jogos pela Seleção justamente nesta partida) na lateral direita, Djalma Dias e Waldemar Carabina compondo a zaga e Ferrari na lateral esquerda (no lugar do titular Geraldo Scotto). O meio-campo com Dudu e Ademir, municiando Julinho pela direita, Rinaldo pela esquerda e Tupãzinho e Servilio no ataque.

              No banco, Picasso, Procópio, Santo, Zequinha, Germano, Ademar Pantera, Dario e Gildo. Uma verdadeira Seleção Brasileira. Waldemar Carabina foi designado o capitão do time para esta partida. No banco, Don Filpo Nunes, o “bandoleon”, argentino de nascimento e palmeirense e paulistano por opção, tornar-se-ia naquela tarde o único treinador estrangeiro a dirigir a Seleção Brasileira. Uma honra que ele soube valorizar, respeitar e reconhecer até o fim de sua vida.

               Aos 27 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Cincunegui cortou o cruzamento com o braço, cometendo pênalti. Rinaldo, o batedor oficial, foi lá e fez 1 x 0 para o Brasil. Aos 34 ainda do primeiro tempo, o mesmo Rinaldo desceu pela esquerda e cruzou rasteiro, Tupãzinho dividiu com o zagueiro e na sobra encheu o pé sem chances para Taibo, 2 x 0, e o Mineirão inteiro aplaudia e se encantava com a Academia. No segundo tempo o técnico Filpo Nuñes fez cinco alterações.

              Aos 18 minutos, Dario entrou no lugar de Rinaldo e, após muitas chances perdidas, aos 29 minutos, Germano marcou um golaço, para alegria da torcida brasileira. Havia uma taça em disputa, mas ao final da partida o Palmeiras, entendendo que o troféu pertencia de direito à CBD, pois estava apenas representando-a, deixou o mesmo com a Comissão Organizadora e retornou à São Paulo. Vinte e três anos depois, em 1988, descobriu-se que o troféu continuava no Mineirão, pois a CBD também não havia requisitado o troféu e assim ficou decidido pelas partes que o Palmeiras deveria honrosamente ficar com o mesmo e que hoje está exposto na Sala de Troféus da Sociedade Esportiva Palmeiras.

                 Este foi um jogo muito importante na carreira de Rinaldo, mas não podemos esquecer de um outro jogo em que Rinaldo simplesmente arrasou. Foi no dia 12 de março de 1967, quando o Palmeiras derrotou o Vasco da Gama por 5 a 0. Este jogo valeu pela quarta rodada da primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E o excelente público que compareceu naquela tarde de domingo e quase lotou o Estádio do Pacaembu certamente não se arrependeu: afinal, não só viu uma histórica goleada palmeirense sobre o tradicional adversário como, de quebra, ainda presenciou uma extraordinária exibição do ponta-esquerda Rinaldo, autor de quatro dos cinco gols que o Verdão impôs à equipe vascaína.

               O quinto gol foi do peruano Gallardo. Esta é a maior goleada do Palmeiras sobre o Vasco até os dias de hoje. A despedida de Rinaldo do alviverde de Parque Antarctica, aconteceu no dia 26 de maio de 1968, quando o Palmeiras derrotou o São Paulo por 1 a 0, gol de Lauro. Este jogo foi válido pelo Campeonato Paulista. Os títulos mais expressivos pelo Palmeiras foi o do Rio-São Paulo de 1965, o Paulistão de 1966 e a Taça Brasil de 1967.

SELEÇÃO

               Rinaldo teve a honra de vestir a camisa da Seleção Brasileira por 11 vezes. Venceu 7, empatou 3 e perdeu somente uma vez. Sua estréia com camisa canarinho aconteceu em 1964, na Copa das Nações. Ainda nesta copa, vencemos a Inglaterra por 5 a 1 no dia 30 de maio de 1964. Neste jogo Rinaldo marcou dois gols, os demais foram de Pelé, Julinho e Roberto Dias.

                Pela Seleção Paulista, fez inúmeras partidas, como aquela de 1965 que era formada por; Suly, Djalma Santos, Ditão, Clóvis e Lima; Roberto Dias e Nair; Dorval, Prado, Nei e Rinaldo. Antes de encerrar a carreira, Rinaldo jogou ainda no Coritiba em 1970 e no União Agrícola Barbarense, da cidade de Santa Bárbara D´oeste, interior de São Paulo em 1975, quando encerrou a carreira.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Após encerrar sua carreira de atleta, tentou ser técnico algumas vezes, mas seguiu carreira na área da saúde, na qual até hoje, mesmo já aos 70 anos, trabalha como técnico de Raios-X e Gesso em um hospital público de Recife/PE. Trabalhou também como visitador sanitário na cidade de Carpina (PE), depois de prestar um concurso público, concurso este que deu muita confusão, pois o município de Carpina alegou que houve irregularidade no concurso, pois muitos acharam que Rinaldo foi beneficiado por ser um ex-atleta que alcançou projeção nacional.

Em pé: Pescuma, Hermes, Hidalgo, Célio, Cláudio Marques e Nilo   –    Agachados: Leocádio, Rubinho, Hélio Pires, Tião Abatiá e Rinaldo
União Barbarense 1975     – Em pé: Leca, Foguinho, Jorge, Pedro Miranda, Milton e Ademar   –    Agachados: David, Carlos Frank, Zé 21, Rinaldo e Tata
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Minuca, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari   –    Agachados: Gallardo, Ademar Pantera, Servílio, Ademir da Guia e Rinaldo
1965 – Em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando, Rildo e Dudu   –    Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Ademir da Guia, Flávio, Pelé, Rinaldo e o outro massagista Pai Santana
Seleção Paulista de 1965   –   Em pé: Djalma Santos, Lima, Dias, Clóvis, Ditão e Suly   –    Agachados: o massagista Mário Américo, Dorval, Prado, Ademar Pantera, Nair, Rinaldo e o outro massagista Jair
Em pé: Dr. Zerilo, Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Filpo Nuñez, Djalma Dias, Dudu e Geraldo Scotto    –    Agachados: o massagista Reis, Gildo, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Rinaldo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Procópio, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari   –     Agachados: Jairzinho, Ademar Pantera, Servílio, Dudu, Rinaldo e o massagista Reis

Em pé: Zequinha, Valdemar, Zé Luís, Evandro, Gilson Costa e Clóvis   –    Agachados: Nado, Bita, China, Ivan e Rinaldo
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