CEREZO: do circo aos grandes estádios de futebol

                   Antonio Carlos Cerezo nasceu dia 21 de abril de 1956, na cidade de Belo Horizonte (MG).  Cerezo foi um volante com estilo clássico. De família humilde, seu pai trabalhava como palhaço para sustentar a família. Em alguns shows na periferia de Belo Horizonte, o filho o acompanhava. Cerezo estreou no Galo Mineiro no início dos anos 70, teve uma passagem por empréstimo pelo Nacional, de Amazonas e retornou o time mineiro em 1978.  No mesmo ano, mostrando um grande futebol, Cerezo foi convocado para defender o Brasil na Copa do Mundo da Argentina.

                 Juntamente com Batista, Chicão, Dirceu, Rivelino e Zico, Cerezo fazia parte dos convocados para o meio de campo de nossa seleção, que naquele mundial, ficou em terceiro lugar.  Seus primeiros passos como profissional foram longe da bola. Ainda com  sete anos o pequeno  Toninho Cerezo se apresentava  com seu pai como o palhaço Moleza em circos montados na periferia de Belo Horizonte.

                Apesar de demonstrar algum talento na arte de divertir as pessoas, Cerezo convenceu mesmo quando passou a brilhar com a bola nos pés. A carreira circence de Toninho Cerezo, só terminou sete  anos mais tarde,  quando  foi descoberto por um olheiro do Atlético Mineiro nos campos de várzea atuando pelo time do Ferroviário, no bairro de Esplanada.

ATLÉTICO  MINEIRO

                Em 1972, fez sua estréia com a camisa do Atlético, clube em que se tornou unanimidade. Depois de um começo tumultuado, no qual chegou a ser emprestado ao Nacional, do Amazonas, para adquirir experiência, onde sagrou-se campeão amazonense,  Cerezo voltou ao Galo Mineiro e a partir de 1974 ganhou a posição de titular. Vestiu a camisa de número 8 do Atlético Mineiro por dez anos consecutivos. Com ela conquistou oito títulos mineiros (1976, 78, 79, 78, 80, 81, 82 e 83).

                Foi duas vezes vice-campeão brasileiro, quando disputou com o São Paulo em 1977 e com o Flamengo em 1980. Quando o Galo conquistou o pentacampeonato mineiro de 1978, 79, 80, 81 e 82, nos dois últimos anos o Atlético tinha um grande time; João Leite, Orlando, Osmar Guarnelli, Luizinho e Jorge Valença; Toninho Cerezo e Geraldo; Pedrinho, Palhinha, Reinaldo e Eder. Durante sua carreira, teve grandes momentos, como a conquista do título estadual de 1982, pois o título foi conquistado em cima do maior rival, o Cruzeiro.  Este jogo aconteceu no dia 5 de dezembro de 1982.

                Neste dia o Mineirão recebeu um público de 108.935 pagantes. Tostão abriu o placar aos 23 minutos e Renato empatou para o Galo aos 45 do primeiro tempo. Começou o segundo tempo e, logo ao 1 minuto de jogo, Reinaldo desempatou a partida, que assim terminaria: Atlético 2 a 1 sobre o Cruzeiro. Foi um dia de glória para a torcida atleticana, mas principalmente para Toninho Cerezo, que foi escolhido como o melhor em campo.

                Com a camisa do Atlético Mineiro, Cerezo disputou 451 jogos e marcou 77 gols. Ao lado do artilheiro Reinaldo, formou uma das maiores equipes de todos os tempos do Galo Mineiro e é lembrado até hoje como herói do título estadual de 1976, acabando com a hegemonia de quatro anos do rival Cruzeiro. O Atlético aumentou seu investimento nos garotos do dente-de-leite, infantil e juvenil e, com eles, empolgou o país com o talento de craques como Reinaldo, Toninho Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro, Vantuir e João Leite.  Este título de 1976, foi conquistado mais uma vez em cima do Cruzeiro, que na época tinha jogadores como Nelinho, Piazza, Zé Carlos, Raul, ou seja, só feras.

                A torcida do Galo ocupava 70% do Mineirão. Reinaldo abriu o placar aos 33 minutos do primeiro tempo e Marcelo marcou o segundo gol aos 21 minutos do segundo tempo. Placar final – Atlético 2 a 0 em cima do Cruzeiro. Foi um dia inesquecível para Toninho Cerezo, que conquistava seu primeiro título com a camisa do Galo.  Neste dia o Atlético jogou com; Ortiz, Getulio, Modesto, Vantuir e Dionísio; Toninho Cerezo, Danival e Paulo Isidoro; Marinho, Reinaldo e Marcelo. O técnico foi Barbatana.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Depois de ter disputado a Copa de 1974 na Alemanha, quatro anos depois Cerezo voltou a vestir a camisa canarinho, ao disputar a Copa de 1982 na Espanha, quando o Brasil formou uma das melhores seleções de todos os tempos e que o torcedor brasileiro até hoje lamenta não ter conquistado aquele título. Cerezo formou ao lado de Falcão, Sócrates e Zico um dos melhores meio-campo da história do futebol mundial. Mas nem tudo foi alegria naquela competição.

                Cerezo sofreu duras críticas por ter falhado em um dos gols marcados pela Itália, que derrotou o Brasil, por 3 a 2, e assim eliminou o forte time canarinho da competição. Por um infortúnio, teve sua carreira marcada pelo passe de presente ao atacante italiano Paolo Rossi, contra a Itália, que acabou colocando fim ao sonho do Brasil de conquistar o tetra.  Ainda hoje, Cerezo comenta; “Reconheço o passe errado no fatídico jogo contra a Itália, mas faço questão de ressaltar que o Brasil não foi eliminado somente por aquele lance”.

                Naquele mundial, o Brasil tinha tudo para sagrar-se campeão, pois o time era simplesmente fantástico; Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Falcão, Sócrates e Toninho Cerezo; Serginho Chulapa, Zico e Eder. O técnico era o saudoso Telê Santana. Até 1985, sua última convocação, o meio-campista fez 73 partidas pelo time canarinho. Foram 51 vitórias, 18 empates e apenas 4 derrotas. Marcou 5 gols com a camisa canarinho.

ITÁLIA

               Em junho de 1983, Toninho Cerezo foi negociado com a Roma por US$ 10 milhões, mesmo valor da transferência de Zico para a Udinese. Cerezo chegou na capital italiana com a responsabilidade de dividir o meio de campo com Falcão, chamado na época de “O Rei de Roma“. O frio e as diferenças culturais encontradas na Itália foram barreiras difíceis para Cerezo nos primeiros anos. Não conseguiu repetir o sucesso conquistado em Belo Horizonte, mas participou das campanhas vitoriosas em duas Copas da Itália, em 1984 e 1986.  Em agosto de 1986, se transferiu para a Sampdória, onde voltou a brilhar, sagrando-se campeão em 1989 e em 1991.  Foi apelidado de Pluto, pelas passadas largas e desajeitadas como as do cachorro do Mickey, nos desenhos animados. Conquistou um campeonato italiano e mais duas Copas da Itália.

SÃO PAULO F.C.

               Já veterano, retornou ao Brasil em 1992 a pedido de Telê Santana, para atuar pelo São Paulo F.C., onde teve uma brilhante passagem.  Esteve presente nas duas campanhas de títulos mundiais do Tricolor em Tóquio, em 1992 e 1993. Na primeira conquista o São Paulo tinha uma equipe extraordinária; Zetti, Cafu, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luiz; Toninho Cerezo, Leonardo e Raí; Vitor, Muller e Palhinha. Com esta equipe o Tricolor venceu o Barcelona por 2 a 1.

               No ano seguinte já com 38 anos e com uma equipe um pouco diferente, pois entraram Dinho, Doriva e Válber, o Tricolor venceu o Milan por 3 a 2, sendo Cerezo apontado como o melhor em campo.  Com a camisa do São Paulo, Toninho Cerezo ainda conquistou um título paulista e duas Libertadores. Apesar de tantas alegrias, deixou o clube chamado de velho pelo diretor de futebol Júlio Brisola. 

               Toninho Cerezo jogou no São Paulo de 1992 até 1995, nesse período realizou 72 partidas. Foram 37 vitórias, 22 empates e 13 derrotas. Marcou 7 gols com a camisa do Tricolor. Antes de pendurar as chuteiras, Cerezo ainda atuou pelo Cruzeiro em 1994, Lousano Paulista em 1995, e América Mineiro em 1996. Na partida de despedida, atuou pelo selecionado do Atlético Mineiro contra o Milan em uma partida que terminou empatada em 2 a 2 no Mineirão no dia 4 de agosto de 1997.

               Antônio Carlos Cerezo, o Toninho Cerezo, ex-volante da Seleção Brasileira, Atlético Mineiro, São Paulo e outras equipes, dono de um estilo clássico e de muita vitalidade, só encerrou a carreira aos 40 anos de idade, sendo 24 deles dedicados ao futebol. Conquistou dois títulos mundiais interclubes com o São Paulo, quando foi eleito o melhor em campo. Depois que encerrou a carreira de jogador de futebol, começou a trabalhar fora das quatro linhas como treinador. Trabalhou como técnico no futebol japonês, após dirigir com competência o Vitória, da Bahia.

               Em março de 2006 voltou ao Brasil para assumir o Guarani de Campinas (SP). Em seu primeiro jogo no comando do Bugre, venceu o Santos por 2 a 1. A equipe da Vila era líder da competição estadual naquele momento. No entanto, Toninho Cerezo não conseguiu salvar o alviverde do rebaixamento no Paulistão daquele ano e, após a eliminação da equipe na Copa do Brasil, ao ser derrotado pelo Flamengo, o ex-volante deixou o Brinco de Ouro da Princesa.  Em 2008, ele dirigiu o Al-Shabbad dos Emirados Árabes, onde foi campeão nacional.

              Além de ídolo da torcida do Atlético e do São Paulo, Cerezo conquistou uma legião de fãs na Itália, quando jogou na Roma e no Sampdória. Com seu jeito mineiro, Cerezo fez grandes amigos e sempre é lembrado com muito carinho pelos clubes que passou, pois acima de tudo, é um ser humano incrível, dentro de uma humildade que o caracteriza como um verdadeiro exemplo a todos.

1978   –    Em pé: Toninho Baiano, Leão, Oscar, Edinho, Toninho Cerezo, Amaral e o preparador físico Admildo Chirol    –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Tarciso, Zico, Reinaldo, Rivelino e Dirceuzinho
1981   –   Em pé: João Leite, Edevaldo, Toninho Cerezo, Oscar, Luizinho e Junior    –    Agachados: Nocaute Jack (massagista), Tita, Paulo Isidoro, Sócrates, Batista e Zé Sérgio
1981   –   Em pé: Waldir Peres; Edevaldo; Luizinho; Oscar; Toninho Cerezo e Júnior   –    Agachados: Paulo Isidoro; Sócrates; Reinaldo; Zico e Éder
Em pé: João Leite, Nelinho, Osmar Guarnelli, Luisinho, Cerezo  e Jorge Valença   –    Agachados: Catatau, Heleno, Reinaldo, Renato e Éder
Copa de 1982    –   Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Júnior   –   Agachados: o massagista Nocaute Jack, Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa, Zico e Éder
Seleção do Atlético Mineiro de todos os tempos    –   Em pé: Nelinho, João Leite, Luizinho, Vantuir, Cincunegui e Toninho Cerezo    –    Agachados: Oldair, Paulo Isidoro, Reinaldo, Dario e Éder – Téc. Telê Santana
Em pé: Márcio, Ortiz, Getúlio, Dionísio, Toninho Cerezo e Vantuir   –    Agachados: Marinho, Danival, Paulo Isidoro, Reinaldo e Marcelo
Em pé: Mazurkiewcz, Getúlio, Grapete, Rubens, Cláudio Mineiro e Vanderlei Paiva   –    Agachados: Paulinho Kiss, Campos, Toninho Cerezo, Reinaldo e Julinho
Em pé: João Leite, Orlando, Osmar Guarnelli, Luizinho, Cerezo e Jorge Valença   –    Agachados: Pedrinho, Geraldo, Palhinha, Reinaldo e Éder
1993 – Em pé: Moracy Santanna (preparador físico), Zetti, Ronaldão, Leonardo, Dinho, Cafu e Toninho Cerezo    –     Agachados: Doriva, Válber, Palhinha, André Luiz e Müller
1993 – Em pé: Zetti, Dinho, Ronaldão, Cafu, Leonardo e Toninho Cerezo    –    Agachados: Muller, Doriva, Válber, Palhinha e André Luiz
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