FEFEU: ídolo no Flamengo e no São Paulo

                 Alfredo de Souza nasceu dia 18 de maio de 1940, em Niterói (RJ). Fefeu começou a carreira no Canto do Rio. Lá, se destacou e chamou a atenção dos dirigentes do Flamengo, que contrataram o meia-atacante para defender o rubro-negro carioca. Ficou no Fla entre 1964 e 1966. “Costumava ir à Gávea para ver os treinos do Flamengo e especialmente o Fefeu, que era um grande jogador”, revelou um dia Zico.

FLAMENGO

                O interesse do técnico Rubro Negro Flávio Costa nasceu depois da grande atuação de Fefeu na derrota do Canto do Rio para o mesmo Flamengo por 3×2, partida válida pelo returno do campeonato carioca de 1963. O acerto com o jogador do Canto do Rio aconteceu na quarta feira de 16 de outubro de 1963. O jornal carioca, Correio da Manhã, estampou em seu segundo caderno os detalhes da negociação.

               O Flamengo concordou em pagar 5 milhões de cruzeiros pela garantia de contar com Fefeu na  temporada de 1964. Dono do próprio passe, Fefeu ainda jogaria pelo Canto do Rio até o findar do campeonato carioca de 1963. Admirado pelo jovem Arthur Antunes Coimbra, o Zico, Fefeu foi aproveitado na meia cancha do Flamengo pelos dois lados do gramado, sempre com participações importantes na organização das manobras de ataque.

               A estreia de Fefeu no Flamengo aconteceu dia 11 de abril de 1964, dia em que o Flamengo perdeu para o Botafogo por 2×1. O principal título que conquistou no Flamengo foi o Campeonato Carioca de 1965, mas teve também o Troféu Gilberto Alves e o Troféu Quadrangular de Vitória, Espírito Santo. Enquanto jogador do Mengão, foi convocado para o amistoso contra a Seleção da Bélgica, Brasil 5×0 em 2 de Junho de 1965, mas não jogou. Esteve também na preparação para a Copa do Mundo de 1966, porém não chegou a disputá-la.

SÃO PAULO

              A transferência de Fefeu para o São Paulo Futebol Clube foi divulgada em reportagem publicada pelo jornal carioca Correio da Manhã, no dia 2 de fevereiro de 1966. Fefeu assinou com o São Paulo no dia 1 de fevereiro, depois dos entendimentos finais entre o presidentes do São Paulo e do Flamengo, Laudo Natel e Fadel Fadel.

              Laudo Natel confirmou o pagamento de 120 milhões cruzeiros ao clube carioca, mais os 15% devidos ao jogador. Inicialmente, o Flamengo fixou os direitos de Fefeu em 150 milhões, mas acabou concordando com os valores oferecidos pelo time do Morumbi. Em 1966 o São Paulo passava por uma fase sem títulos. Tinha sido campeão paulista em 1957 e depois disso, nada (naquele tempo não havia o Brasileirão, só o Rio-São Paulo).

              Pois bem, cansado da carência de armadores no time desde o grande Zizinho (campeão em 1957) a diretoria fez uma contratação bombástica para a época: trouxe o Fefeu, que jogava no Flamengo. Era um bom jogador, com uma característica especial: chutava muito, muito forte com o pé esquerdo. Fefeu chegou, o tempo foi passando e ele não conseguia convencer. Até que chegou um jogo contra um time pequeno no Pacaembu.

               Nesse jogo aconteceu uma falta para o São Paulo bem perto do meio de campo. O Fefeu se posicionou para bater direto, apesar da distância. O time adversário montou a barreira, com medo da bomba. O Fefeu correu e encheu o pé. Quem estava na plateia levou um susto com o barulho que o chute fez. A bola saiu como um foguete e entrou no canto do goleiro, que pulou só por dever do ofício. Golaço inesquecível!

               Fefeu nunca se firmou, logo se machucou e não se tornou o ídolo que se esperava. Mas esse gol ficou marcado na memória. Aquela falta ficou guardada na memória dos torcedores são-paulinos, devido aquela bomba que ele deu, talvez a mais forte da história do Pacaembu! Com a camisa Tricolor, Fefeu disputou 59 jogos. Venceu 22, empatou 17 e perdeu 20. Marcou 8 gols.

BANGU

               Ex-jogador do Flamengo e São Paulo, Fefeu chegou emprestado pelo clube paulista ao Bangu para o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. Contundiu-se gravemente numa partida contra o Botafogo, em General Severiano, no dia 28 de novembro de 1968, o que abreviou sua carreira no futebol. Pelo Bangu disputou somente três partidas, onde venceu uma, empatou uma e perdeu uma. Não marcou nenhum gol.

              Em entrevista publicada na revista Placar de 1 de maio de 1970, o presidente Laudo Natel afirmou que naquela oportunidade o clube fez tudo o que era possível para amparar o jogador. A matéria jornalística com o presidente Laudo Natel foi uma resposta para João Saldanha, que declarou na mesma revista que o jogador foi completamente abandonado pelo São Paulo.

              Laudo Natel afirmou ainda que o médico do clube foi enviado ao Rio de Janeiro para um acompanhamento clínico mais detalhado. Paralelamente, o São Paulo decidiu bancar uma espécie de “ajuda de custo”, enquanto Fefeu permaneceu internado. Quando deixou o hospital Fefeu foi ao Morumbi e recebeu o cheque da seguradora, fixado em 22.500 cruzeiros novos, um montante considerado baixo em relação ao valor do jogador no mercado.

TRISTEZA

              Fefeu faleceu em 06 de março de 2010, vítima de Mal de Alzheimer, aos 69 anos. Ele morava em São Gonçalo, com sua esposa, dona Maria de Souza, que divulgou a notícia dois dias após a sua morte, pois estava entristecida com a falta de apoio do Flamengo e do São Paulo em relação ao marido. A informação é do ex-jogador César Maluco, ex-craque do Palmeiras.

              Aposentado pelo INSS, Fefeu tinha um sério problema na perna esquerda, o que lhe obrigava a andar com o auxílio de muletas. “Aconteceu ainda nos tempos de jogador. Se fosse hoje, com a medicina esportiva atual, talvez ele não tivesse ficado inutilizado para o futebol”, diz Dona Maria sua esposa.

              Além disso, desde 2002 o ex-jogador sofria de Mal de Alzheimer, doença que lhe fez perder a memória. “Ele não reconhecia mais ninguém. Algumas coisas lhe chamavam a atenção. Foi perdendo a memória gradativamente. Só não aconteceu de forma rápida, por causa dos remédios, “O medicamento, que é caro, foi importante para minimizar o problema”, revelou sua viúva.

Homenagem do Flamengo

               A passagem de Fefeu na Gávea é reconhecida. Em 2005, o Flamengo homenageou Fefeu e outros atletas pela conquista do IV Centenário. “Uma pena que ele não pode estar presente na festa. Mas o Flamengo mandou fazer uma placa para o Fefeu. O Silva (ex-atacante) veio entregar em nome do Flamengo”, revelou, na ocasião, dona Maria, sua esposa.

Em pé: Oswaldo Cunha, Nenê, Bellini, Adevaldo, Tenente e Fábio   –    Agachados: Ferreti, Prado, Babá, Benê e Fefeu.
Em pé: Murilo, Jaime, Marco Aurélio, Luis Carlos, Carlinhos e Paulo Henrique    –    Agachados: o massagista Luiz Luz, Pedrinho, Fefeu, Paulo Choco, Silva e Neves
1965   –   Em pé: Nenê, Dias, Tenente, Celso, Suly e Jurandir   –    Agachados: Paraná, Prado, Benê, Fefeu e Valdir
Em pé: Ditão, Valdomiro, Jarbas, Nelsinho, Jaime e Paulo Henrique    –     Agachados: Pedrinho, Amauri, Silva, Evaristo de Macedo e Fefeu
Em pé: Nenê, Roberto Dias, Renato, Celso, Suly e Jurandir   –    Agachados: Paraná, Prado, Benê, Fefeu e Valdir Birigui
Em pé: Nenê, Roberto Dias, Tenente, Bellini, Celso e Suly    –    Agachados: Paraná, Prado, Benê, Fefeu e Valdir Birigui.
1966   –   Em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Edson, Fontana e Dudu    –     Agachados: Nado, Fefeu, Alcindo, Tostão, Edu e o massagista Pai Santana.
1966   –   Em pé: Murilo, Manga, Brito, Fontana, Oldair e Roberto Dias    –    Agachados: Garrincha, Alcindo, Silva, Fefeu e Rinaldo
1966   –   Em pé: Osvaldo Cunha, Tenente, Bellini, Carlos Alberto, Fábio e Nenê    –    Agachados: Paraná, Prado, Babá, Fefeu e Adíber
Postado em F

Deixe uma resposta