KANEKO: ponta direita do Santos no final dos anos 60

                     Alexandre de Carvalho Kaneko nasceu dia 6 de outubro de 1946, no Rio de Janeiro. Kaneco, inesquecível ponta-direita do Santos na metade dos anos 60, morreu em 18 de abril de 2017, em Santos, aos 70 anos de idade. Ele sofria de câncer e estava internado desde a última segunda-feira (17) no Hospital Guilherme Álvaro.

                    Amante do futebol, Kaneco se reunia sempre com os amigos para animadas peladas com os veteranos do time da Vila. Ele era proprietário de uma escolinha de futebol. Descendente de japoneses – o segundo do futebol brasileiro, já que o primeiro foi Sérgio Echigo, do Corinthians, que hoje mora em Tóquio (JAP) -, Kaneco entrou para a história ao aplicar a primeira “carretilha” do nosso futebol.

                   Foi num jogo noturno, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista, em 09 de março de 1968, quando o Santos bateu por 5 a 1 o Botafogo de Ribeirão Preto (SP), também de Sicupira e Paulo Leão. A jogada imortal e inesquecível aconteceu quando Kaneco, na linha de fundo, junto à área e diante do bom lateral Carlucci, colocou a bola apertada entre suas duas chuteiras e, de calcanhar, lançou a redonda sobre a cabeça do aturdido lateral “penteando” o zagueiro em bela chapéu e levantando a Vila Belmiro.

                  Em seguida, Kaneco cruzou para a pequena área e Toninho Guerreiro, de letra e com desdém, mandou a bola para as redes do goleiro Dirceu Hugo da Roz, hoje advogado em Gramado (RS). E, além de Dirceu, ficaram petrificados na jogada os zagueiros Zé Carlos e Veríssimo, além do próprio Carlucci. Ainda sobre Kaneco (antes de sua morte).

                 Alexandre de Carvalho Kaneco, o Kaneco, teve alguns supermercados na baixada santista e hoje procura emprego. “Gostaria até de voltar a trabalhar no futebol”, conta o ex-ponta-direita que defendeu o Santos no final da década de 60 e ficou famoso por ter feito uma jogada genial contra o Botafogo de Ribeirão, na Vila Belmiro, em 1967.

                 Especialista no drible batizado de “carretilha”, Kaneco chapelou o zagueiro Carlucci e cruzou na área para Toninho Guerreiro marcar de letra. “Estava acostumado a fazer aquela jogada. Aprendi jogando futebol de salão no Paes Leme e no Mackensie”, lembra o ex-jogador. Aliás, os dribles o ajudaram a ser profissionalizado no Santos. “O clube estava atrás de um ponta-direita. Falava-se em Natal (Cruzeiro) e Paulo Borges (Bangu), mas não conseguiram contratar ninguém e me deram uma chance.”

                 Para Kaneco, a goleada sobre o Pantera não foi o único jogo guardado na sua memória. “Todos os jogos foram inesquecíveis, principalmente porque o Santos tinha um time só de craques. Era difícil de ser derrotado, mas eu me recordo bem da derrota para o Corinthians em 68, que marcou a quebra do tabu”, conta Kaneco. Sobre os confrontos contra o rival do Parque São Jorge, Kaneco ressalta que os vários anos de jejum diante do Santos (o Timão não vencia o Peixe há 12 anos) aumentavam a pressão nos jogadores corintianos. “Era visível que o Corinthians entrava em campo nervoso quando nos enfrentava. Mas naquele dia tudo deu certo para os corintianos. O Paulo Borges acertou um chute inacreditável e o time todo do Santos não esteve bem”, 

                 Depois do Santos, Kaneco chegou a jogar pelo Velez Sarsfield, da Argentina. Lá, ele teve como companheiro de ataque o centroavante Carlos Bianchi, que se tornou em um dos mais conceituados treinadores do futebol portenho. “Ele era garoto. Ainda não dava pinta que seria um grande treinador”, conta o ex-ponta, que é casado, pai de três filhos, avô de uma menina e mora no bairro do Gonzaga, em Santos.

                 Depois do Santos, onde foi bicampeão paulista (67/68), Kaneko jogou no Vélez Sarsfield (Argentina), Madureira, Caldense, América-SP e Valência (Espanha). Alexandre Carvalho Kaneko, 61 anos, parou de jogar aos 26 anos e está aposentado desde 2002. No auge da carreira, Kaneko desfilava pelas ruas de Santos com um Cadillac conversível. As meninas se derretiam.

                Autor de uma das jogadas mais bonitas do futebol brasileiro, o ex-santista Alexandre de Carvalho Kaneko vive desde maio de 2002 como aposentado. Consagrado pelo lençol psicodélico, ou lambreta, como também ficou conhecido o drible que criou, ele ainda hoje é lembrado por torcedores e jornalistas.

                Tudo porque em uma partida entre Santos e Botafogo-SP, válida pelo Campeonato Paulista de 1968, o jovem, de descendência japonesa e desconhecido em meio aos craques do Peixe, recebeu na direita, prendeu a bola entre os calcanhares e a jogou por cima de seu marcador.

                O chapéu aplicado por Kaneko em Carlucci gerou frisson entre os milhares de torcedores que lotavam a Vila Belmiro. Não satisfeito por humilhar o adversário, o ponta direita ainda cruzou na medida para Toninho Guerreiro. O gol ganhou ainda mais plasticidade com o toque de letra do centroavante. “Tem um pessoal que ainda me reverencia por aquela jogada”, conta o ex-atleta, que chegou a ter seu nome pedido na seleção brasileira por muitos. Kaneko vive na cidade de Santos desde que encerrou a carreira, no início da década de 70.

               Antes de ganhar direito à aposentadoria, trabalhou por 19 anos em uma rede de supermercados, teve empresa de licitações, academia de ginástica e fundou uma escola infantil que existe ainda hoje. “Todas as atividades que exerci tiveram relação com administração de empresas”.

              Desde a época como jogador profissional, Kaneko tinha a convicção de que preferia o terno e a gravata necessários aos cargos administrativos do que os gramados. “O futebol sempre foi uma diversão para mim. Acabei jogando pelo Santos por um erro de percurso”.

              Além do Peixe, ele vestiu a camisa de Vélez Sarsfield, da Argentina, Madureira, Caldense, América-SP e Valência, da Venezuela, clube em que encerrou a carreira de forma bastante precoce, aos 26 anos.

              Formado em Educação Física e Administração de Empresas, Kaneko nunca mais se envolveu com o futebol a partir daquele dia. “Às vezes eu me junto com os amigos para bater uma bolinha, mas apenas isso. E somente porque quero manter a forma física em dia”, explica.

              Enquanto foi supervisor de lojas, dividiu com outros três profissionais a responsabilidade de comandar 42 lojas. “Atendíamos a clientes, fornecedores, cuidávamos de funcionários e comprávamos as verduras para toda a rede no Ceagesp. Era uma loucura”.

              E agora, mesmo aposentado, não haveria chance de Kaneko trabalhar com futebol? “Só se fosse para trabalhar em alguma área administrativa”.

Em pé: Ambrósio, Adelson, Manoel, Raul Marcel, John Paul e Neguito   –    Agachados: Kaneco, J.Alves, Cabinho, Moreno e Marco Aurélio
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