SASTRE: ídolo do São Paulo na década de 40

                     Antonio Sastre Adrogué nasceu em Lomas de Zamora, em 27 de abril de 1911. Desde muito criança, o “Cuila”, apelido que carregou consigo durante toda a sua vida, sempre estava reunido onde existia uma bola ou alguma coisa parecida. Seu primeiro time foi o “Progressivo” do bairro de Avellaneda que era conhecido como “A Mosca” e onde Sastre começou a se tornar famoso. De lá, não demorou muito para chegar ao Independiente, que fica localizado no mesmo bairro. Tornou-se profissional apenas em 1931 (foi a primeira década do profissionalismo no futebol argentino).

                     Sempre admirado pela classe e pela forma de tratar a bola, Sastre era um polivalente, atuando em várias funções da meia cancha, do ataque e até do sistema defensivo. Pelo Independiente, Sastre jogou em todas as posições, inclusive como goleiro. O fato aconteceu em uma partida contra o San Lorenzo de Almagro, quando o goleiro titular, Fernando Bello, machucou-se e a  equipe  viu-se  sem  arqueiro, já  que naquela época não eram  permitidas  as substituições durante as partidas.  Depois de dois vice-campeonatos consecutivos em 1935 e 1937, o Independiente conquistou o bicampeonato em 1938 e 1939, além de outro vice-campeonato em 1940.

                     Era o prêmio mais do que justificado pelo futebol apresentado pela “La gran delantera diabólica” ou, “A grande dianteira diabólica”, formada por Erico, De la Mata e Sastre. Jogando pela seleção Argentina, Sastre fez partidas memoráveis levando os torcedores argentinos a lotarem os estádios para vê-lo jogar. Também os jornalistas europeus se arriscavam a atravessar o oceano atlântico para ver de perto este mágico da bola atuar. É considerado até hoje o jogador mais completo da história do futebol argentino.

SÃO PAULO F.C.

                    No final do ano de 1942, depois de 12 temporadas (que incluiu 112 gols e a chance de jogar algumas vezes com seu irmão Oscar) a diretoria do Independiente decidiu recompensar o grande craque com o passe livre, quando já existia uma oferta interessante para jogar no Brasil defendendo o São Paulo F.C. Quando muitos pensavam que Sastre era um veterano, que estava mais para a aposentadoria do que para empreender tal aventura, o tempo cuidou de mostrar o quão errado estavam aqueles que consideravam o “Cuila” um cara que não tinha muito mais para dar.

                    Não havia televisão direta, Sastre era uma lenda, tudo era noticiado pelo rádio, o que se sabia sobre Antônio Sastre era que ele era um fenômeno! Na época, o Tricolor corria atrás de um jogador para comandar o time que disputaria o campeonato paulista de 1943. Foi ai que surgiu a intenção de contratar o argentino Antonio Sastre.

                    O periodista argentino Carlito de La Braga, passando pela cidade de São Paulo, falou ao então presidente do São Paulo F.C, Décio Pedroso, que Sastre admirava o Brasil e o futebol brasileiro, e que ele cairia como uma luva naquele time que já contava com Leônidas da Silva. Quando o São Paulo anunciou a contratação de Antônio Sastre os adversários ficaram atordoados. Sastre era o maior meia avançado do mundo, era o capitão da seleção argentina. Apesar da contratação de Sastre estar acertada desde março, o jogador demorou para chegar a São Paulo, tendo seu embarque seguidamente retardado, por indisponibilidade de passagens aéreas, difíceis de se conseguir naquela época.

                    Ao desembarcar no aeroporto de Congonhas, ele foi recebido por “uma grande massa popular”. Sastre foi fundamental para formar o time que na década de quarenta consolidou o São Paulo Futebol Clube como um dos grandes do futebol regional e também nacional. Ao lado de outros craques como Leônidas, Bauer, Luizinho e Teixeirinha, conquistou os títulos paulista de 1943, 1945 e 1946.

                    Logo no ano de sua chegada carregou a equipe, exibindo seu talento nos jogos. No dia 15 de março de 1943, Sastre assinou seu contrato e sua estreia foi nas Laranjeiras, em partida amistosa vencida pelo Fluminense pela contagem de 3×1. No final de semana seguinte o São Paulo iniciaria sua jornada no Campeonato Paulista contra o Corinthians, e Sastre ainda desentrosado, conheceu sua segunda derrota por 2 a 1 no clássico “Majestoso”! A imprensa, impiedosa em suas convicções sobre a idade de Sastre, publicou em letras garrafais: deSastre! Este fato marcou o craque que desde então calou a todos aqueles que o criticaram. Quando o técnico Joreca decidiu perguntar ao argentino o que estava acontecendo com o rendimento de seu futebol, Sastre foi curto ao dizer que não estava habituado a treinamentos físicos tão desgastantes.

                   A partir daí, Sastre começou a receber um tratamento diferenciado em sua preparação e seu futebol começou a decolar. “El Maestro Tricolor” era um jogador de raríssima habilidade além de ser um grande goleador. O título viria em 3 de outubro, contra o Palmeiras, quando um empate bastava ao São Paulo, mas o jogo ganhou contornos dramáticos para os são-paulinos quando Sastre se machucou no início do primeiro tempo, após uma “tesoura voadora” do zagueiro palmeirense Junqueira .

                   Naquele tempo não eram permitidas substituições, e Sastre teve de brigar com o médico do clube enquanto era atendido fora do campo, para que pudesse voltar, apesar da expressão de dor estampada em seu rosto. Ele mancou muito durante o restante do jogo, mas acabou como o melhor em campo e o principal responsável pelo empate por 0 a 0 que deu o título ao São Paulo. Em uma partida válida pelo Campeonato Paulista de 1944, contra a Portuguesa Santista, vencida pelo São Paulo por 9 a 0, Sastre deu show e marcou seis gols, tornando-se o recordista de gols marcados em uma só partida pelo Tricolor Paulista. Em sua passagem pelo Brasil, Sastre recebeu o seguinte elogio do técnico Oswaldo Brandão, que em 1947 conquistou o título paulista no comando do Palmeiras: “Ele é o homem que nos ensinou a jogar futebol”.

                    Sastre despediu-se dos gramados em 15 de dezembro de 1946, numa partida disputada pelo São Paulo contra o River Plate da Argentina, no estádio do Pacaembu. A festa foi toda para Sastre que com seu belo futebol, que levou o São Paulo a conquistar três títulos em quatro anos. Sastre disputou 129 partidas pelo São Paulo, com 92 vitórias, 18 empates e 19 derrotas, marcando neste período 58 gols. Sastre voltou à Argentina no final de 1946, decidido a largar o futebol. Mas o destino ainda lhe reservava uma emoção no mundo do esporte. Dirigentes do Gimnasia Y Esgrima de La Plata bateram em sua porta pedindo socorro. O Gimnasia havia feito uma péssima campanha na Primeira Divisão e não fugiu do rebaixamento. Sastre aceitou o convite e adiou sua aposentadoria.

                   O tempo provou que sua decisão foi acertada: com ele comandando o meio-de-campo, o Gimnasia conquistou o título da Série B de 1947 e voltou à divisão principal. Dever cumprido, Sastre parou definitivamente! Sastre foi um jogador sensacional, era eficaz nas alas, preciso como atacante, seguro como defensor e sempre solidário com os colegas, sendo considerado um jogador moderno da década de 1940. “El maestro” faleceu em Buenos Aires, no dia 23 de novembro de 1987.

Em pé: Piolim, Rui, Virgílio, Zezé Procópio, Noronha e Gijo   –    Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Anito e Teixeirinha
Em pé: Piolim, Rui, Bauer, Renganeschi, Noronha e Gijo   –    Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha
Em pé: Piolim, Rui, Zezé Procópio, King, Florindo e Noronha   –    Agachados: Barrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Leopoldo
Em pé: Paulo Machado de Carvalho, Rui, Bauer, Piolim, Gijo, Reganeschi, Noronha e o treinador Joreca   –   Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha
Em pé: Piolim, Zarzur, King, Zezé Procópio, Noronha e Florindo    –    Agachados: Luizinho, Sastre, Anito, Remo e Pardal

Postado em S

Deixe uma resposta