AMÉRICO: ídolo palmeirense no final dos anos 50

                  Américo Murolo nasceu dia 28 de abril de 1932, na cidade São Paulo. Foi um meia atacante extraordinário. Jogou na Linense, Portuguesa Santista, XV de Jaú, Guarani, Flamengo e Palmeiras, onde sagrou-se campeão paulista em 1959, no chamado Super Campeonato em que o Palmeiras decidiu com o Santos numa melhor de três partidas. Jogou também na Itália e depois que encerrou a carreira montou um restaurante “Água na Boca” em São José do Rio Pardo, depois foi morar em Bragança Paulista.

                  Vários jogos marcaram a carreira de Américo, além da final de 59, quando jogava pelo Palmeiras, tem outro jogo no ano de 1964 quando jogava pelo Guarani, onde o bugre campineiro goleou o Santos de Pelé & Cia. por 5 a 1. Quem pagou o pato por isso foi o Botafogo de Ribeirão Preto, que no jogo seguinte do Peixe tomou uma goleada de 11 a 0, com oito gols de Pelé. Na época o Guarani tinha um grande time, era uma época de ouro do futebol paulista, onde as equipes consideradas pequenas vendiam caras suas derrotas para os grandes da capital.

LINENSE

                  Depois de começar a carreira no Jabaquara da cidade de Santos, Américo foi jogar na Linense em 1952. Linense foi o clube que revelou o jogador Leivinha e também o clube que realizou a primeira transferência internacional do Brasil, negociando o atacante Américo Murolo com a Itália. Em 1953, a Linense decidiu o título do Campeonato Paulista A2 com a Ferroviária. O jogo foi no Pacaembu e numa tarde inspirada do atacante Américo, a Linense venceu por 3 a 0, com três gols do atacante Américo. Mesmo defendendo um pequeno clube do interior paulista, as liras italianas foram encontrá-lo, e emissários do Lanerossi Vicenza o transformaram no primeiro jogador do interior a ser negociado com um clube italiano.

PALMEIRAS

                 Em 1958, quatro anos após ter se transferido ao futebol europeu, Américo retornou ao Brasil e, melhor ainda, ao seu time do coração. Com fama de craque mais do que justificada, transformou-se numa das principais armas ofensivas do alviverde de Parque Antarctica. E a grande prova disso foram os mais de 100 gols que marcou e os títulos que ajudou a ganhar, principalmente o Supercampeonato Paulista de 1959, pelo qual foi um dos maiores responsáveis.

                Sua estreia com a camisa alviverde aconteceu no dia 7 de setembro de 1958, quando o Palmeiras fez um jogo amistoso na cidade de Jaboticabal com o time da cidade, o qual venceu por 1 a 0. Chegava então o ano de 1959. O Palmeiras montou um grande time naquele ano, pois sabia que só assim poderia enfrentar o Santos de igual para igual. Mas no primeiro turno do Campeonato Paulista, o Peixe mostrou que realmente era o melhor time do Brasil e aplicou uma goleada sobre a equipe esmeraldina por 7 a 3.

               Aquela derrota ficou atravessada na garganta dos jogadores. Veio então o segundo turno. Era o dia 29 de novembro, um dia de muito sol na capital paulista. O jogo foi no Parque Antarctica e o árbitro da partida, foi Anacleto Pietrobon, um dos melhores árbitros daquela época. Começa o jogo e logo aos 13 minutos Américo abre o placar para o Palmeiras. Aos 22, Julinho ampliou. Pelé diminuiu aos 33, mas Romeiro aos 36 e Julinho aos 44 fecharam o placar do primeiro tempo. No segundo tempo, Américo ainda marcou mais um. Final de jogo, Palmeiras 5 a 1 contra o time mais temido da época, o Santos F.C.  Estava vingada aquela derrota do primeiro turno.

               Confirmando que eram as duas melhores equipes do Paulistão daquele ano, foram decidir o título. Na primeira partida houve empate de 1 a 1, gol de Pelé e Zéquinha. Veio a segunda partida e novamente empate, agora por 2 a 2, gols de Chinesinho e Getúlio contra para o Palmeiras, enquanto que Pepe marcou os dois gols da equipe santista. Sendo assim, houve necessidade uma terceira partida, que aconteceu dia 10 de janeiro de 1960. E neste dia o Palmeiras venceu por 2 a 1, gols de Julinho e Romeiro para o alviverde e Pelé para o Peixe. Neste dia o Palmeiras jogou com; Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Américo, Nardo e Romeiro.

               Diante de tal desempenho, causou muito espanto quando a diretoria, em fins de 1962, optou por aceitar uma proposta do Guarani/SP e vendeu o passe de Américo ao clube campineiro. A última partida de Américo com a camisa alviverde foi no dia 9 de dezembro de 1962, quando o Palmeiras enfrentou o Corinthians pela penúltima rodada do Campeonato Paulista daquele ano. O Corinthians venceu por 3 a 0, gols de Silva (2) e Nei.

               Neste dia o Palmeiras jogou com; Valdir, Zequinha II, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Hélio; Alencar, Américo, Vavá e Gildo. O técnico era Geninho. Durante o período que jogou no Palmeiras, ou seja, de 1958 até 1962, Américo disputou 174 partidas. Venceu 109, empatou 29 e perdeu 36. Marcou 97 gols.

              Conquistou os seguintes títulos: Campeonato Paulista/59, Torneio do México/59, Torneio Roberto Ugolini/59, Taça Brasil/60, Torneio Roberto Ugolini/60, Torneio Quadrangular de Lima (Peru)/62 e Torneio Cidade de Manizales (Colômbia)/62. Para o lugar de Américo, o Palmeiras trouxe o atacante Servilio, que na época era a sensação da equipe da Portuguesa de Desportos e que depois viria a ser um dos maiores jogadores da história do Palmeiras.

GUARANI

               Américo também marcou época na equipe campineira. Era um dos jogadores mais experiente da equipe, que tinha Nelsinho, Babá, Osvaldo Cunha, Diogo, Eraldo e outros que brilharam em grandes equipes do nosso futebol. Um dos jogos que marcou a presença de Américo na equipe do Guarani, foi aquele que aconteceu dia 18 de novembro de 1964, uma quarta feira a noite. O jogo foi no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, que recebeu naquela noite um público de 25.258 pagantes e o adversário do Bugre era o Santos, que na época tinha um time extraordinário.

              O árbitro da partida foi Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques. O primeiro terminou com a vitória do time da casa por 3 a 1, gols de Carlinhos, Joãozinho e Babá para o Bugre, enquanto que Ditinho marcou contra para o Santos. Na segunda etapa o Guarani marcou mais dois gols, Américo e Nelsinho, fechando assim o placar de 5 a 1. Neste dia o goleiro Sidnei do Guarani (já falecido) defendeu um pênalti cobrado por Pelé aos 13 minutos do segundo tempo.

              Neste dia o Guarani jogou com; Sidnei, Osvaldo Cunha, Ditinho, Diogo e Eraldo; Ilton e Carlinhos; Joãozinho, Nelsinho, Babá e Américo. O técnico era Armando Renganeschi. Já a equipe santista jogou com; Gilmar, Ismael, Modesto, Geraldino e Lima; Zito e Mengálvio; Peixinho, Coutinho, Pelé e Pepe. O técnico era Lula. Vale lembrar que neste ano o campeão paulista foi o Santos.

              Neste ano de 1964, o Guarani fez um excelente Campeonato Paulista. Venceu o Palmeiras por 1 a 0, o Corinthians por 3 a 1, goleou o Noroeste por 5 a 1 e venceu o São Paulo por 2 a 0. No ano seguinte manteve praticamente o mesmo time e voltou a fazer um bom campeonato, prova disto foi a boa vitória contra o Corinthians por 3 a 1 no dia 25 de novembro, gols de Babá (2) e Américo.

FLAMENGO

             Depois que deixou o Guarani, teve uma rápida passagem pelo Flamengo do Rio de Janeiro, onde disputou somente 28 partidas. Venceu 10, empatou 7 e perdeu 11. Marcou 3 gols. Sua estreia na equipe rubro negra aconteceu dia 12 de fevereiro de 1967 e sua despedida se deu no dia 26 de junho de 1967. A equipe do Flamengo naquele ano era formada por; Marco Aurélio, Murilo, Jaime, Ditão e Leon; Carlinhos e Américo; Pedrinho, Fio Maravilha, Ademar Pantera e Rodrigues. Este foi o time que enfrentou o Corinthians pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa no dia 6 de maio de 1967 no Maracanã. O jogo terminou com a vitória corintiana por 3 a 2, gols de Tales (2) e Benê para o alvinegro, enquanto que Fio Maravilha e Ademar Pantera marcaram para o Mengão. 

APOSENTADO

               Depois jogou no XV de Jaú e Portuguesa Santista, onde encerrou a carreira. Hoje, aposentado, vive com a família na cidade de Bragança Paulista/SP, onde tem seus cinco filhos e sete netos. Todo mundo sabe que o brasileiro é um povo sem memória, e isso fica bem claro também no futebol. Inúmeros são os jogadores em todos os clubes que, simplesmente pelo fato de terem brilhado numa época em que eram poucos ou quase nenhum os registros de imagens, hoje estão quase ou mesmo completamente esquecidos. Um bom exemplo disso é o meia Américo Murolo.

               Depois de surgir no Jabaquara de Santos/SP e viver grande fase no Linense/SP, este meia com pinta de centroavante chegou ao Verdão carregando fama de craque. E com o passar do tempo, mostrou que realmente era um grande craque, pois para jogar no Palmeiras naquela época não era para qualquer um. E como sempre dissemos nesta coluna, a falta de memória é uma das características do futebol brasileiro, por isso humildemente me orgulho de, neste espaço, ter mais uma vez feito justiça a um grande craque do passado.

              Me entristece em ver que quase ninguém se lembra mais destes grandes ídolos do futebol brasileiro, que anos atrás tantas alegrias nos deram. O que Américo contribuiu para o futebol brasileiro nos obriga que ele seja mais lembrado pelos palmeirenses, bugrinos e torcedores em geral, pois foi um jogador que encantava a todos com seu futebol arte.

1962   –   Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Perinho e Zé Carlos   –    Agachados: Norberto, Alencar, Geraldo José, Américo e Goiano
1962   –    Em pé: Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha, Zequinha II e Geraldo Scotto   –    Agachados: Julinho Botelho, Américo, Norberto, Hélio Burini e Gildo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto   –    Agachados: Gildo, Américo, Vavá, Hélio Burini e Geraldo José
Em pé: Ivan, Valdir, Waldemar Carabina, Edson, Flávio e Geraldo Scotto   –    Agachados: Paulinho, Romeiro, Américo, Chinesinho e Géo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto   –    Agachados: Julinho Botelho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Flávio, Mané e Geraldo Scotto   –    Agachados: Geraldo José, Américo, Vavá, Chinesinho e Cruz
Campeão Paulista de 1959   –   Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto   –    Agachados: Julinho Botelho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro

Em pé: Osvaldo Cunha, Sidnei, Beluomini, Tião Macalé, Eraldo e Diogo   –    Agachados: Amauri, Berico, Américo, Felício e Esquerdinha
Em pé: Murilo, Ditão, Jaime, Marco Aurélio, Carlinhos e León   –    Agachados: Pedrinho, Fio Maravilha, Américo, Ademar Pantera e Rodrigues
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