ZÉ CARLOS: campeão brasileiro pelo Guarani e 1978

                   José Carlos Bernardo nasceu dia 28 de abril de 1945, na cidade de Juiz de Fora (MG). Zé Carlos foi apontado como o “carregador de piano” do Cruzeiro por mais de uma década. Fez parte de duas gerações vitoriosas do time celeste. Entre os anos de 1965 e 1977, o volante entrou em campo ao lado de craques como Dirceu Lopes, Tostão, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho, mas não teve seus méritos ofuscados e conseguiu colocar seu nome na galeria de ídolos da torcida cruzeirense.

CRUZEIRO

                Começou sua carreira no mundo da bola em 1962, atuando nas categorias de base do time do Sport, de Juiz de Fora, sua cidade natal e se profissionalizou em 1964. No ano seguinte foi contratado pelo Cruzeiro e durante os seus três primeiros anos na Raposa revezou no meio de campo com Piazza, Tostão e Dirceu Lopes, a concorrência era fortíssima!

                Zé Carlos chegou ao clube, em janeiro de 1966, totalmente desconhecido da torcida cruzeirense. Se dependesse do seu comportamento fora de campo, sempre tímido e acanhado, Zé Carlos teria passado incógnito em sua trajetória pelo clube. Mas, dentro do gramado, o jogador exibia uma técnica fora do comum e uma regularidade impressionante que lhe fez entrar para o hall dos grandes ídolos. “Eu me preocupava com a técnica porque é o que tem de prevalecer em qualquer jogador de meio-campo. Se eu errasse mais de três passes em um jogo, voltava para casa com raiva de mim mesmo, até se ganhasse prêmios e fosse elogiado por colegas”, comenta Zé Carlos.

               Em 1966, ele já fazia parte do grupo que surpreendeu o país ao vencer de forma incontestável o Santos de Pelé na final da Taça Brasil. O título mais importante de sua carreira, no entanto, foi conquistado bem mais tarde, em 30 de julho de 1976, quando participou da vitória por 3 a 2 sobre o River Plate na final da Copa Libertadores da América, no estádio Nacional, em Santiago (Chile). Em 1974, foi o autor do lance mais polêmico do futebol brasileiro em todos os tempos. No Campeonato Brasileiro daquele ano, Cruzeiro e Vasco fizeram a mesma campanha no turno final e a CBD marcou uma decisão extra entre as duas equipes para decidir o título, que seria numa partida única no Mineirão, já que o Cruzeiro havia feito melhor campanha em todas as outras fases da competição.

               Mas o clube foi vítima da maior armação já vista em nosso futebol. A partida foi transferida para o Maracanã. O time jogava por um empate para sagrar-se campeão. Quando o Vasco vencia a partida por 2 x 1, o ponta direita Baiano cruzou uma bola da lateral e Zé Carlos marcou, de cabeça, o gol de empate que daria o título ao Cruzeiro.  Inexplicavelmente, o árbitro Armando Marques anulou o gol, que poderia ser o mais importante de Zé Carlos com a camisa cruzeirense.

              A perda do título naquela circunstância colocou em dúvida a idoneidade das competições nacionais que tiveram origem no Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Em 1975, Zé Carlos passou pelo momento mais difícil de sua carreira, quando sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles do pé direito e precisou ser afastado dos gramados. Na época, a previsão inicial dos médicos era de que ele ficaria apenas 15 dias longe dos gramados. No entanto, a estimativa estava errada e o volante precisou de seis meses para recuperar-se da contusão. “Nunca pensei em parar de jogar durante esses meses. As vezes, durante a recuperação, tentava jogar, mas dava muito receio porque o tendão estava frágil” explica Zé Carlos, que vestiu a camisa do Cruzeiro em 628 jogos. É o jogador que mais atuou pelo Cruzeiro. Para aqueles que viram o seu futebol de gênio, jamais será esquecido e para sempre será considerado o imortal da academia cruzeirense. Só para lembrar os títulos que Zé Carlos conquistou com a camisa celeste:  Campeão Mineiro (65, 66, 67, 68, 69, 72, 73, 74, 75 e 77), Taça Brasil (1966), Copa Libertadores da América (1976).

FRUSTRAÇÃO

              Assim como a maioria dos jogadores, o maior sonho de Zé Carlos era vestir a camisa da seleção. Apesar de ter sido convocado em algumas oportunidades, ele não conseguiu se firmar na equipe verde-amarela. Em 1970, chegou a ser chamado para integrar ao grupo que se preparava para a disputa da Copa do Mundo, mas foi dispensado no corte que houve antes do início da competição. Sua maior oportunidade na seleção brasileira chegou em 1975, justamente quando estava retornando aos gramados depois da contusão no pé direito. A seleção mineira foi encarregada de representar o Brasil na Copa América, disputada em jogos de ida e volta, sem sede fixa.

            O técnico Osvaldo Brandão apostou no jogador e o integrou ao grupo, que ficou em terceiro lugar na competição (Peru foi campeão e a Colômbia, vice). Como estava voltando de contusão, Zé Carlos não foi utilizado na primeira fase do campeonato.  Na primeira partida da semifinal, derrota por 3 a 1 para o Peru, o volante entrou durante o jogo no lugar do zagueiro Miguel. O atleta agradou e foi titular da segunda partida da semifinal, a última do Brasil no torneio. O jogo marcou também sua despedida com a camisa verde-amarela, mas ele não se diz frustrado por isso. “O Brasil tinha grandes jogadores no meio-campo, como Gérson, Rivelino, Ademir da Guia, que também não teve muitas oportunidades, Piazza, Dirceu, Clodoaldo… Na época, complicava também que a CBF olhava mais para os jogadores de Rio de Janeiro e São Paulo. Mas não me arrependo de nada. Só de chegar à seleção brasileira já foi uma honra”, declarou Zé Carlos.  Pela Seleção Brasileira, Zé Carlos realizou 4 jogos (Peru duas vezes, Alemanha e Argentina). Não marcou nenhum gol com a camisa canarinho.

GUARANI

Em 1977, aos 32 anos o meia foi para o Guarani, de Campinas e lá conquistou mais um título histórico: o de campeão brasileiro. Ele fez parte do jovem time comandado por Carlos Alberto Silva. O Guarani é, até o momento, o único time do interior a possuir um título brasileiro. No Campeonato Brasileiro de 1978, pela primeira vez, as semifinais e finais foram disputadas em sistema de ida-e-volta, não mais em jogo único. O grande adversário do Guarani naquele ano, foi o Palmeiras e o primeiro jogo entre eles aconteceu no dia 10 de agosto, no estádio do Morumbi, que recebeu naquele dia um público de 99.829 pessoas. Ao final dos noventa minutos, o placar apontava 1 a 0 para o Bugre Campineiro, gol de Zenon cobrando pênalti. A segunda partida aconteceu dia 13 de agosto de 1978, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas, que recebeu naquele dia um público de 27.086 pessoas. O árbitro foi José Roberto Wright e o placar foi o mesmo da primeira partida, 1 a 0 para o Guarani, só que desta vez foi Careca que marcou o gol. Neste dia o Guarani jogou com: Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Manguinha e Renato; Capitão, Careca e Bozó. O técnico era Carlos Alberto Silva.

FINAL DE CARREIRA               

              Além do Bugre, Zé Carlos também atuou no Botafogo, Bahia e Uberaba, entre outros clubes. Em 1983, quando estava no Nova Lima (MG), o volante decidiu parar de jogar futebol. A partir de então decidiu se enveredar pela carreira de técnico. Foi no ano seguinte para o Bugre, mas foi substituído pelo ex-companheiro de equipe Carlos Alberto Silva. Assim sendo, foi para o Mogi Mirim para atuar como técnico e jogador, ficando ali por seis meses nada produtivos. Antes de encerrar a carreira de técnico, em 1996 ainda comandou equipes como o Avaí, o Criciúma e Botafogo, além dos árabes El Rahed e Jabalen e dos desconhecidos Blumenau e Marcílio Dias. Desde 1996 atua nas categorias de base de times mineiros. Começou trabalhando em Contagem, Três Marias e Sete Lagoas. Mais tarde foi para Pará de Minas e, por fim, Itaúna.

              Casado há mais de 40 anos, é pai de três filhos. Sempre torceu para o Cruzeiro e seu maior sonho foi atuar por quase doze anos por ele. No Cruzeiro, mesmo jogando de volante, Zé Carlos marcou 83 gols e  formou ao lado de Dirceu Lopes, Tostão e Piazza o “quadrado mágico”, meio-campo responsável pela conquista de muitos títulos do clube mineiro na década de 60. José Carlos Bernardo foi um gênio da bola, muito habilidoso, conseguia antever as jogadas dos adversários e concebia passes e lançamentos com perfeição milimétrica, sem falar nas cobranças de falta e finalizações a gol, perfeitas mesmo tendo como ponto de vista um centroavante nato. Para todos que tem o Cruzeiro no coração, Zé Carlos é realmente imortal!

Em pé: Zé Carlos, Neco, Darci Menezes, Pedro Paulo, Procópio e Raul      –     Agachados: Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues
GUARANI CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1978     –     Em pé: Zé Carlos, Edson, Mauro, Miranda, Gomes e Neneca     –     Agachados: Capitão, Renato, Careca, Zenon e Bozó
SELEÇÃO DE CAMPINAS – Em pé: Carlos, Oscar, Mauro, Polozzi, Zé Carlos e Odirlei     –     Agachados: Lúcio, Renato, Careca, Zenon e Tuta
Em pé: Vanderlei, Zé Carlos, Piazza, Pedro Paulo, Brito e Raul     –    Agachados: Natal, Evando, Tostão, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira
Em pé: Zé Carlos, Nelinho, Procópio, Renato, Perfumo e Vanderlei     –    Agachados: Joãozinho, Palhinha, Evaldo, Dirceu Lopes e Lima

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