DJALMA DIAS: uma elegância em campo

               Djalma Pereira Dias Junior nasceu dia 21 de agosto de 1939, na cidade do Rio de Janeiro. Zagueiro de estilo clássico, Djalma Dias tinha elegância no seu futebol e não precisava fazer falta para roubar a bola, que entregava redonda para o meio de campo. Por uma graça do destino, quando era pequeno ele desobedeceu ao pai, que sempre o mandava deixar a bola de lado e estudar. Porém, o que o pai via era o menino mulato, desde sempre magro, jogar até sumir das vistas no campo da Rua Ezequiel, em um antigo depósito de café. Começou jogando em times de várzea do Rio. Em 1959, assinou seu primeiro contrato como profissional no América-RJ, para ganhar NCr$ 10,00, entre luvas e ordenados. Lá foi campeão carioca  e  considerado um dos destaques do ano. Permaneceu no clube carioca até 1963,  quando  foi  contratado  pelo  Palmeiras,  onde  foi  jogar  ao lado de Djalma Santos, Waldemar Carabina, Dudu, o goleiro Valdir e tantas outras feras.

PALMEIRAS

              Jovens torcedores palmeirenses que já viram zagueiros de seu time dando chutões para a arquibancada ou usando o vigor físico para “atropelar” atacantes adversários, provavelmente desconheçam a história de Djalma Dias, zagueiro de técnica refinada e, naturalmente, avesso aos “bicões”. E Djalma desfilou seu talento pelo Parque Antártica na década de 60, formando dupla, inicialmente, com Waldemar Carabina. Ele foi um dos destaques do inesquecível time decantado como “academia alviverde”.  Djalma Dias encantava a torcida com seu estilo clássico. Tinha o tempo exato da bola e se destacava pela capacidade de antecipação. E quando dominava-a, fazia questão que ela saísse limpa de trás.

              Fez sua estréia no Palmeiras dia 13 de fevereiro de 1963, quando perdeu para o São Paulo por 2 a 0. E sua despedida aconteceu no dia 2 de abril de 1967, quando o Verdão venceu o Cruzeiro por 3 a 2. Em 1968, surgiu a lei que dava ao jogador 15% do valor da venda de seu passe. Djalma tentou entrar em um acordo com o clube e, depois de oito meses de negociações frustradas, deixou o Parque Antártica.

              Viveu no Palmeiras a sua melhor fase. Numa época em que o Santos de Pelé tinha total hegemonia no futebol paulista, nacional e mundial, nosso craque foi um dos maiores protagonistas dos títulos conquistados pelo Verdão, como aquele de 1963, quando o Peixe tentava seu tetracampeonato, mas com uma grande campanha e tendo uma excelente equipe naquele ano, arrancou o título que o Santos já dava como garantido. Mesmo tendo trocado de técnico no meio do campeonato, Silvio Pirilo entrou no lugar de Geninho, o time alviverde aproveitou duas derrotas do Santos em casa (4 a 1 para o Botafogo de Ribeirão Preto e 5 a 1 para a Ferroviária) para ficar com o título.

             Dois jogadores conquistavam também seus primeiros títulos no clube de Parque Antarctica, o bicampeão mundial Vavá e o ainda promissor Ademir da Guia. Neste campeonato paulista de 1963, o vice artilheiro também foi um jogador palmeirense, Servílio, que marcou 21 gols, um a menos que Pelé.  Dois anos depois, em 1965, Djalma Dias estava vestindo a camisa da seleção brasileira. Foi no dia 7 de setembro, quando o Palmeiras representando o Brasil, enfrentou o Uruguai e venceu por 3 a 0. Neste dia o Palmeiras, ou seleção brasileira jogou com; Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho, Tupãzinho, Servilio e Rinaldo.

              Djalma Dias jogou no Palmeiras de 1963 até 1967 e nesse período sagrou-se campeão paulista em 1963 e 1966 e do Torneio Rio-São Paulo de 1965. Atuou em 239 jogos, sendo 150 vitórias, 44 empates e 45 derrotas. Marcou dois gols com a camisa do alviverde de Parque Antarctica.  Depois que saiu do Palmeiras, teve uma breve passagem pelo Atlético Mineiro em 1968.

SANTOS F.C.

              No ano seguinte, em 1969, estava jogando em outro clube de expressão nacional, o Santos F.C., que tinha na época o seguinte time; Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo; Clodoaldo e Lima; Manoel Maria, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu.  Ele sempre dizia, quando defendia o Palmeiras, que contra Pelé não havia marcação, mas agora não precisava mais se preocupar, pois tinha o Rei jogando a seu favor. E foi exatamente no time da Vila Belmiro que conquistou mais um campeonato paulista, em 1969 e o Torneio Laudo Natel em 1970. Ficou na equipe santista até 1971. Depois voltou ao futebol carioca, desta vez para defender as cores do Botafogo, onde jogou até 1974, indo depois para o Atlético Mineiro novamente.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              A seleção brasileira foi um capítulo à parte na vida de Djalma Dias. Em 1962 era convocado freqüentemente para integrar a equipe titular nos amistosos quando, após uma partida vitoriosa contra a Polônia, ele foi cortado sem maiores explicações. Não foi ao Chile, onde o Brasil venceria pela segunda vez a Copa do Mundo.  Quatro anos se passaram e ele havia, mais uma vez, sido chamado para toda a fase preliminar da copa que seria disputada na Inglaterra. Era um momento de euforia exagerada por parte da comissão técnica do time canarinho, e 44 jogadores compunham a lista da seleção. Nos treinos do Brasil, cujos jogadores eram divididos em quatro equipes de cores diferentes, Djalma pertencia ao selecionado de cor grená, que todos sabiam ser o titular. Mais uma vez foi cortado de última hora e não viajou.

              As más lembranças da seleção, porém, não o fizeram guardar mágoas do futebol, pois, segundo ele, restaram mais lembranças positivas do que negativas. Dia 21 de novembro de 1965, o Brasil fez dois amistosos. A tarde no Maracanã, a seleção considerada titular enfrentou a União Soviética, empatando em 2 a 2, com gols de Gerson e Pelé. A noite no Pacaembu, a seleção considerada reserva, enfrentou a Hungria e venceu por 5 a 3, gols de Servílio (2), Lima, Abel e Nair. Esta seleção reserva, tinha nada mais, nada menos que a seguinte formação; Felix, Carlos Alberto, Procópio, Djalma Dias e Edmilson; Lima e Nair; Marcos, Prado, Servilio e Abel.

             Nesta noite a seleção brasileira foi comandada por dois técnicos, Aymoré Moreira e Luiz Alonso Peres, o Lula. Em 1969 foi titular absoluto nas Eliminatórias, que até então tinha como técnico o polêmico João Saldanha, que para ele, a equipe que iria disputar o mundial do México em 70 era; Cláudio; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo (ou Piazza) e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu. Mas com a chegada de Zagallo, a exclusão de seu nome continua sem explicação até hoje. “São águas passadas” dizia sempre Djalma Dias.

FINAL DE CARREIRA

              Encerrar sua carreira em 1974 no Botafogo, do Rio, não foi o fim do futebol para ele. Apesar de nunca ter passado por sua cabeça ser treinador de futebol, Djalma continuava a jogar bola com os amigos e, na década de 70, integrou a seleção de Masters do Brasil ao lado, mais uma vez, de seu companheiro Pelé. Desde sua meninice até os últimos dias de sua vida, o introspectivo carioca mostrava um corpo esbelto, o que lhe dava direito de caçoar dos colegas que viviam em regime. Segundo ele, sua dieta era comer de tudo, e quando perguntavam como fazia para manter seu corpo em forma, ele respondia: “É à base de cerveja!”. Depois de encerrada sua carreira profissional, Djalma ainda foi dono de uma oficina mecânica, de uma empresa de exportação de produtos químicos e de uma pequena editora que abriu em Belo Horizonte, a Brasil Palestra.

              Djalma Dias morreu em primeiro de maio de 1990, no mesmo ano que Araken Patusca, Toninho Guerreiro, Mário Américo e Yashin. Morreu repentinamente, com somente 50 anos, vítima de problemas cardíacos, enquanto assistia à TV em sua casa. Como herança deixou seu filho Djalminha, que fez história no Palmeiras, no Guarani e no Deportivo La Coruña, da Espanha.  Foi sem dúvida alguma, um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro.  Era extremamente técnico, costumava deixar o gramado ao fim do jogo sem sequer sujar o calção, tal era sua elegância dentro de campo. Se consagrou como um dos melhores jogadores em sua posição. Em campo, ele parecia um bailarino da bola.

            Ainda hoje, aqueles que o viram jogar sentem saudade de vê-lo desfilando pelos gramados. Sempre jogou com lealdade, visando a bola. De estilo extremamente técnico e habilidoso, nosso zagueiro dificilmente cometia faltas e tinha muita facilidade para sair jogando com a bola dominada. Ao lado de Waldemar Carabina e depois de Minuca, formou duas das maiores duplas de zaga do Palmeiras e da história do futebol.  Toda a técnica e a habilidade de Djalma Dias foram herdadas e aprimoradas por seu filho, o meia Djalminha, que também brilhou com a camisa alviverde e sempre confessou que muito do seu talento recebeu do pai.

Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Djalma Dias, Dudu e Geraldo Scotto    –    Agachados: Gildo, Servilio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Rinaldo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Dudu, Djalma Dias e Ferrari     –    Agachados: Julinho, Servilio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Rinaldo

Em pé: Djalma Santos, Picasso, Waldemar Carabina, Djalma Dias, Vicente e Zéquinha    –   Agachados: Julinho, Vavá, Servilio, Ademir da Guia e Gildo
Em pé: Carlos Alberto, Félix, Djalma Dias, Clodoaldo, Joel e Rildo    –    Agachados: Jairzinho, Gerson, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu

 

Em pé: Airton, Ubirajara, Brito, Djalma Dias, Nei Conceição e Valtencir     –    Agachados: Zéquinha, Paulo César Cajú, Nei, Roberto Miranda e Robertinho
Em pé: Carlos Alberto, Agnaldo, Ramos Delgado, Djalma Dias, Clodoaldo e Rildo    –    Agachados: Manoel Maria, Lima, Edu, Pelé e Abel
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Minuca, Djalma Dias, Dudu e Ferrari    –   Agachados: Gallardo, Ademar Pantera, Servilio, Suingue e Ademir da Guia
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