GATÃO: ídolo no Corinthians e no XV de Piracicaba

                   Vicente Naval Filho nasceu dia 10 de maio de 1928,  na cidade de Piracicaba – SP. Jogou no XV de Piracicaba e também no Corinthians, onde foi campeão paulista em 1952 e 1954 e campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1953 e 1954. Foi um dos maiores jogadores da história do XV de Piracicaba, atuando em 423 vezes pelo clube piracicabano. Ao todo marcou 202 gols com a gloriosa camisa do Nho Quim. Batizado na Matriz de Bom Jesus, em 1928, foi revelação precoce de futebolista invulgar, atacante espetacular e perigoso, surgido nos infantis piracicabanos, ainda jovem, integrou o quadro de profissionais do XV de Novembro.

                   Integrando o profissionalismo, tornou-se um dos mais consagrados elementos de sua posição. Visado pelos “grandes” da capital, acabou cedido ao Corinthians, atingindo assim o estrelato máximo, pois contribuiu, decisivamente, para que aquele clube conquistasse o campeonato paulista em 1952. Sagrou-se também campeão pelo Corinthians em 1953 e 54 do Torneio Rio-São Paulo e também fez parte do elenco que conquistou o IV Centenário em 1954. 

INÍCIO DE CARREIRA

                  Gatão, iniciou sua passagem no futebol em 14 de maio de 1944, defendendo as cores da S. R. Palmeiras, em partida contra a equipe do Paulista F. C., em partida válida pelo Campeonato Piracicabano de Futebol. O jogador fez sua estréia com o pé direito, já que a equipe da S.R. Palmeiras venceu o Paulista pelo placar de 3 x 2. Em sua temporada de estréia, Gatão marcou apenas 3 gols, mas despertou interesse dos diretores da equipe do XV de Piracicaba pelo bom futebol apresentado. Após um ano e meio de sua estréia nos campos piracicabanos, Gatão assinou contrato com o XV de Piracicaba em 30 de dezembro de 1945. A notícia da contratação de Gatão foi tida como a melhor notícia dos últimos tempo no XV de Piracicaba.

XV DE PIRACICABA

                   No dia 30 de dezembro de 1945, Gatão assinava contrato com o XV de Piracicaba, onde se transformaria no maior goleador de sua história. Embora houvesse realizado anteriormente alguns jogos com a camisa zebrada, a estréia oficial como jogador do XV de Piracicaba foi contra o Libertad do Paraguai, em 18 de janeiro de 1946. Após um jogo muito disputado, a equipe saiu com a vitória, pelo placar de 3 x 2, sem nenhum gol do estreante Gatão. Os três gols do XV foram marcados pelo jogador Alicate. O primeiro gol de Gatão não demorou a sair. Logo em sua segunda partida com a camisa do XV, no dia 20 de janeiro de 1946, o artilheiro decidiu a partida para o XV diante da Internacional de Limeira, marcando o terceiro gol da vitória por 3 x 2 da equipe Piracicabana.

                  Ao longo de sua passagem pelo alvinegro, Gatão foi campeão da 15ª Região, que credenciou o alvinegro para disputa do Campeonato do Interior, bi-campeão do Campeonato do Interior (1947-48) e Campeão do Torneio Início do Campeonato Paulista em 1949. Gatão fez parte da equipe Pioneira da Lei do Acesso, lembrada até hoje pelos Piracicabanos, com a seguinte escalação: Ari, Elias, Idiarte; Cardoso, Straus e Adolfinho; De Maria, Sato, Picolino, Gatão e Rabeca. A equipe terminou o campeonato com 6 pontos de vantagem para o segundo colocado: Guarani, que ficou com o vice-campeonato. Na ocasião, Gatão foi o artilheiro do XV de Piracicaba, com 18 gols marcados.

                 Ainda pelo XV, Gatão foi convocado para a seleção paulista, convidada para realizar o jogo de abertura do Maracanã, construído para realização da Copa do Mundo de 1950. Junto com Gatão, outro jogador que fez história do XV convocado pela seleção Paulista foi Dema, que na época atuava pelo Palmeiras. Apesar de não entrar em campo na partida, Gatão começava cada vez mais a despertar o interesse das grandes equipes do Futebol Brasileiro, especialmente Corinthians, São Paulo e Flamengo.

                 Gatão encerrou sua primeira passagem pelo XV de Piracicaba em 14 de fevereiro de 1952, no empate na partida amistosa contra a equipe do Guarani, na cidade de Campinas. Na última partida de sua primeira passagem, Gatão deixou sua marca, mostrando que deixaria saudades na torcida alvinegra. Oficialmente, Gatão encerrou sua passagem pelo XV em 29 de fevereiro de 1952, quando assinou com o Corinthians, com passe fixado em Cr$ 1.200.000,00.

CORINTHIANS

                 Pretendido por grandes times, chegou ao Corinthians em 29 de fevereiro de 1952. Fez sua estréia em 1º de março de 1952, contra o Botafogo-RJ, em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo do ano em questão. O jogo terminou com a vitória do time carioca por 2 a 0, gols de Vinícius e Jaime. Neste dia o treinador corintiano Rato mandou a campo os seguintes jogadores; Cabeção, Murilo e Julião; Idário, Lorena e Roberto Belangero; Cláudio, Luizinho, Baltazar (Nardo), Gatão (Jackson) e Carbone (Nelsinho).

                  Mas não foi esta derrota que desanimou a equipe, pois ao final do Torneio, o alvinegro de Parque São Jorge sagrou-se campeão. O primeiro gol de Gatão com a camisa corintiana foi no segundo jogo que fez, ou seja, uma semana depois, quando o Corinthians voltou a perder, desta vez para a Portuguesa de Desportos por 3 a 2. Neste dia marcaram para o alvinegro, Gatão e Jackson, enquanto que para a Lusa marcaram Pinga, Renato e Djalma Santos cobrando pênalti.

                 Ainda em 1952, Gatão integrou a delegação da equipe do Corinthians que viajou até a Europa para enfrentar grandes equipes. A excursão foi maravilhosa, pois dos 17 jogos realizados, venceu 16 perdendo apenas para o Bechitash, da Turquia por 1 a 0. Gatão ficou no Corinthians até 1954 e sua última partida com a camisa alvinegra aconteceu dia 4 de dezembro de 1954, quando o Corinthians venceu o Ypiranga por 3 a 1, com dois gols de Cláudio e um de Luizinho. Neste período que jogou no Corinthians, Gatão fez 73 jogos. Venceu 51, empatou 10 e perdeu 12. Marcou 18 gols.

                 Pela equipe do Parque São Jorge, Gatão foi Campeão Paulista dos anos de 1952 e 1954 e Bi-campeão do Torneio Rio São Paulo nos anos de 1953/54. Seus dois gols mais importantes foram marcados contra o São Paulo (3 a 3 dia 25 de julho de 1954) no jogo que valeu a conquista da Taça Charles Miller. Depois foi jogar na Ponte Preta, mas ficou no time campineiro por pouco tempo, retornando ao clube que o revelou para o futebol. E foi no seu querido XV de Piracicaba que ele encerrou sua brilhante carreira.

DE VOLTA AO XV DE PIRACICABA

                 Gatão encerrou sua carreira de jogador em 7 de janeiro de 1961, em partida amistosa entre XV de Piracicaba e Nacional, da cidade de Jundiaí. A partida terminou com vitória do XV pelo placar de 3 x 1, sem gols marcados pelo artilheiro Gatão. Na noite da despedida do artilheiro, na sede do XV foi inaugurada uma foto de Gatão, que compareceu com toda família e amigos para receber a homenagem. Após o encerramento da cerimônia, foi oferecido um jantar no restaurante “A Brasserie” para comemorar a despedida de Gatão. Jogou durante 10 anos no XV, onde ele diz que o melhor quadro foi o de 1948/1949, do qual fez parte e que conquistou o título de campeão profissional do interior, ingressando nos jogos de campeonato da Primeira Divisão.

                Gatão retornou ao XV como treinador em quatro oportunidades. A última delas foi em 1986, quando Gatão foi convocado para ajudar o alvinegro a escapar do rebaixamento. Assumiu a equipe em 26 de julho, com a demissão do treinador Julinho. Estreou logo com uma vitória sobre o Juventus na cidade de São Paulo, vencendo em seguida Guarani e Mogi Mirim e conseguindo um empate contra o América, na cidade de Rio Preto, salvando o XV do rebaixamento com duas rodadas antes do final do Paulistão. Com a missão cumprida, Gatão pediu demissão logo após o jogo contra o América, já que ficou revoltado com a atuação do árbitro Ulisses Tavares da Silva, que havia feito de tudo para prejudicar o XV contra a equipe de Rio Preto

                 Gatão regressou ao XV na noite do dia 3 de maio de 1955, quando foi trazido de volta para a equipe de Piracicaba juntamente com Marcílio Guerra. Apesar de não conquistar título pelo XV de Piracicaba em sua segunda passagem pelo clube, Gatão continuou encantando a torcida piracicabana, com grandes atuações e muitos gols. Em sua carreira pelo XV de Piracicaba, Gatão disputou 423 jogos e marcou 202 gols, maior marca da história de um jogador pelo XV de Piracicaba em sua quase centenária história. Foi um dos jogadores mais consagrado em sua posição, tornou-se o jogador dos sonhos dos  times da capital, sendo emprestado ao Corinthians, onde atingiu o auge de sua carreira, pois contribuiu, decisivamente, para que o alvinegro paulista conquistasse o campeonato em 1952, ano em que também  excursionou pela Europa com absoluto sucesso.

                Profissional honesto, esforçado e amante da disciplina, garantiu seu futuro financeiro, tornando-se um modelo como esportista. Como cidadão, aproveitou bem seus ganhos e conquistou sua estabilidade financeira. Gatão faleceu dia 2 de março de 1995, vítima de câncer. Foi casado com Terezinha Carraro Naval, com quem teve sete filhos, tinha como lema: “ Como craque, tudo pelo XV. Como cidadão, tudo por Piracicaba e por minha família.” E um destes sete filhos, também foi jogador profissional e era conhecido por Gatãozinho, jogando inclusive no Corinthians e no Juventus.

Em pé: Alfredo, Pepino, Idiarte, Cardoso, Mena e Adolfinho    –    Agachados: Russo, De Maria, Mandu, Gatão e Nelsinho
1953  –   Em pé: Cabeção, Goiano, Homero, Olavo, Diogo e Roberto Belangero   –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Gatão e Simão
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