CHARLES: ídolo do E.C. Bahia

                     Charles Fabian Figueiredo nasceu dia 12 de abril de 1968, na cidade de Itapetininga (BA). Charles apareceu para o futebol nacional após a conquista do Campeonato Brasileiro de 1988 pelo Bahia. Jovem atacante, até então com 20 anos de idade, estreou com a camisa do Bahia, logo contra o Corinthians. Entrando no 2º Tempo, faltando apenas 15 minutos para o jogo terminar. Quando aos 45 minutos, fez um a belíssima jogada e marcou um dos gols mais bonitos da rodada. Ao final da partida ficou conhecido popularmente, tanto pela torcida, quanto pela imprensa como o Anjo 45.

                     A partir daí, começou a ter mais chances, estava disposto a ganhar a posição. Na outra rodada, contra o Criciúma, graças a uma esquisita jogada de Charles, a vitória tricolor foi definida aos 23 minutos do 2º tempo. Depois de dois jogos, dois gols, entrou no gosto da torcida, e do mestre e técnico Evaristo de Macedo, ganhando a posição de titular e tornando-se muito importante para a conquista do campeonato. Em outra rodada, dessa vez contra o Santos do doutor Sócrates e de César Sampaio, o Bahia voltou a vencer, com uma gloriosa goleada de 5×1, e claro, Charles deixou o dele, aos 3 minutos do 2° Tempo.

                    Após ótima estreia, o garoto Charles, seria decisivo novamente, agora nas quartas de finais, contra o atual Campeão Brasileiro na época, o Sport, em plena Ilha do Retiro, lotada de torcedores rubro-negros. Foi talvez por muitos torcedores e críticos, o jogo mais de difícil do tricolor baiano na campanha do título brasileiro. Foi uma batalha do início ao fim, um grande jogo, com muitas emoções dos dois times. Logo aos 7 minutos do 1° Tempo, a torcida pernambucana pulava de alegria, era gol do Sport, terminando assim o placar da primeira etapa.

                    No 2° Tempo, o jogo era o mesmo, lá e cá, ataque do Sport, ataque do Bahia, e o tempo passava. Até que, aos 35 minutos, a estrela de Charles brilharia de novo, após cruzamento rasteiro do lateral esquerdo Paulo Robson, Charles pega de primeira e empata para o Bahia. Nos 15 minutos finais, pura emoção, mas o resultado não mudou, 1 x 1. A decisão para as semifinais ficaria em Salvador.

                    Agora jogando em casa, na Fonte Nova, o Bahia resistiu a pressão do Sport e assegurou sua classificação as semifinais, sobe o comando de Charles, Bobô, Zé Carlos, Ronaldo e cia, o esquadrão tricolor seguia sua trajetória rumo ao título. Após passar pelo Fluminense, e ser campeão brasileiro, numa final diante do Internacional, Charles se tornaria grande ídolo da torcida baiana. Fato que o fez ser convocado para a Seleção Brasileira e posteriormente para a disputa da Copa América em 1989.

                    Seu sucesso entre os baianos foi tão imediato que, ao não ser convocado pelo então treinador brasileiro Sebastião Lazaroni, apenas 13 mil pessoas foram à Fonte Nova acompanhar a estreia brasileira diante dos venezuelanos na competição sul-americana. A insatisfação do público não foi aplacada nem com a vitória por 3 a 1; nas arquibancadas, seria queimada uma bandeira brasileira, além de ofensas de Bebeto aos torcedores, que, por sua vez, arremessariam um ovo em Renato Gaúcho, responsável pela afirmação de que a Bahia seria uma “terra da índio”. Tal acontecimento, pelo acirramento de ânimos, faria com que a Seleção voltasse a Salvador apenas seis anos depois, em 1995.

                   Passando a conquista do título nacional, Charles continuaria a brilhar e ser decisivo. Em 1989, disputou a Libertadores pelo Bahia, que chegou as quartas-de-finais, sendo eliminado pelo próprio InternacionalEm 1990, ajudou o Bahia a chegar novamente as semifinais do brasileirão, sendo o artilheiro da competição com 11 gols e no final do ano recebeu a Bola de Prata da Revista Placar de melhor marcador do campeonato.

                  Ao todo conquistou pelo Bahia o título brasileiro e os campeonatos baianos de 1988 e 1991. Com todos essas conquistas, seu passe cresceu e as propostas de outros clubes também. Depois do título baiano de 1991 seguiu para o Cruzeiro, deixando grandes saudades no Bahia.

CRUZEIRO

                 No clube mineiro, seguiu com sua grande carreira de artilheiro e decisivo. Em sua primeira temporada, conquistou a Supercopa Libertadores, sendo artilheiro com 3 gols. No Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro não obteve uma grande campanha, ficando apenas na 16° colocação.

                 No ano seguinte sagraria-se campeão mineiro, de forma invicta, ajudando com seus gols decisivos, e ainda levaria de novo a Supercopa Libertadores. Já no brasileirão, foi melhor em relação ao ano anterior, ajudou o Cruzeiro a chegar a segunda fase da competição, ficando ao final do campeonato na 8° colocação.

                 Sua boa fase no Cruzeiro, chamou a atenção de um dos maiores jogadores da história do futebol, o craque argentino Diego Maradona, que no final de 1992, comprou seu passe e o levou para o Boca Juniors da Argentina.

BOCA JUNIORS

                Pelo Cruzeiro, Charles continuou fazendo gols e chamou a atenção de Maradona, que o levou para o Boca Juniors. Mas em Buenos Aires, Charles não conseguiu render o mesmo futebol. Atrapalhado por contusões, ele retornou ao Brasil, e onde foi para o Flamengo.

FLAMENGO

                Ao chegar ao Flamengo, Charles adicionaria “Baiano” a seu nome, pois no clube já se encontrava o volante Charles Guerreiro. Na Gávea, o atacante conseguiu marcar incríveis 18 gols em apenas 29 partidas. No entanto, por problemas internos, o jogador se desligou do Flamengo ao final da temporada de 1994. Em 2006 treinou o Bahia, também treinou o Votoraty, Icasa e Camaçari

TÍTULOS

Bahia

Campeonato Baiano: 1988 e 1991

Campeonato Brasileiro: 1988

Cruzeiro

Supercopa Libertadores: 1991 e 1992

Grêmio

Campeonato Gaúcho: 1993 e 1999

Copa Sul: 1999

Seleção Brasileira

Copa América: 1989

PRÊMIOS

Artilheiro do Campeonato Brasileiro: 1990

Bola de Prata: 1990

ARTILHARIA

Campeonato Brasileiro: 1990 (11 gols)

Supercopa Libertadores: 1991 (3 gols)

Bahia campeão brasileiro de 1988 – Em pé: João Marcelo, Ronaldo, Paulo Rodrigues, Tarantini, Paulo Robson e Claudir   –    Agachados Marquinhos, Bobô, Charles, Zé Carlos e Gil
Em pé: o primeiro é Luíz Inarra (preparador físico), seguido por Paulo César e Paulão. O sexto é Adilson e o penúltimo é o treinador Ênio Andrade    –    Agachados: após o massagista estão Mário Tilico e Charles. O último é Marquinhos
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