TALES: ídolo corintiano na década de 60

                   Tales Flamínio Carlos nasceu dia 23 de fevereiro de 1943, na cidade de São Manuel – SP. Jogou na Ferroviária, no Corinthians, no Flamengo e no São Bento de Sorocaba, onde encerrou sua carreira. Sempre jogou como meia direita, tinha um enorme talento com a bola nos pés, praticava um futebol clássico e rápido. Na década de 60, muitos pais que eram torcedores corintianos, colocaram o nome de Tales em seus filhos, tal era a admiração e carinho que tinham pelo craque. Só não chegou a ser convocado para defender a Seleção Brasileira em 1966, porque se lesionou e teve de ser operado durante o tempo em que os jogadores da camisa canarinho disputavam o mundial. Jogou no Corinthians de 1966 até 1970 e nesse período conquistou somente um título, o Torneio Rio-São Paulo de 1966 e assim mesmo foi dividido com mais três clubes, Santos, Vasco e Botafogo, porque devido ao mundial daquele ano, não havia mais data para um quadrangular, sendo assim a CBD declarou os quatro clubes como campeões.

FERROVIÁRIA              

                   Tales chegou na Ferroviária com 18 anos para um período de testes em 1961. Um amigo de São Manoel, sua cidade natal, o indicou para o presidente Antonio Tavares Pereira Lima, ambos cursavam Direito em Bauru. Chegou tímido, mas após 15 dias de treinos,  foi contratado e teve grandes momentos com a camisa 8 grená. Atleta técnico, frio na conclusão, e inteligente na armação impôs padrão no meio campo grená naqueles anos dourados da Ferrinha.

                  A Ferroviária era um clube muito forte do interior paulista daquela época, tanto é que dificilmente um time grande da capital saía de lá com uma vitória. Não trazia a vitória, mas geralmente trazia um jogador, pois a Ferroviária foi no passado um clube que revelou inúmeros craques, que depois fizeram muito sucesso jogando na capital. Exemplo disto podemos citar; Rosan, Téia, Maritaca, Dudu, Faustino, Pio, Bazani, Fogueira, Geraldo Scalera, Galhardo, Nei e o próprio Tales que só não chegou na Seleção Brasileira devido a uma contusão e por isso teve que ser operado durante os treinamentos dos jogadores que iriam disputar o mundial.

                 Para ter uma ideia do quanto a Ferroviária tinha um bom time naquela época, ela chegou até golear o Santos de Pelé, que já era bicampeão mundial. Dia 1 de setembro de 1963, a Ferroviária venceu o Santos por 4 x 1, em Araraquara, no primeiro turno. Depois, na Vila Belmiro, dia 8 de dezembro de 1963, venceu novamente com outra goleada, 5 x 1, com um gol de Tales e quatro de Peixinho. O gol de Tales ele  entrou pela direita driblou o goleiro Gilmar e mandou para as redes. Um dos gols mais marcante de sua carreira. A surpresa, no entanto, não foram as vitórias, mas sim as goleadas.

                A Ferroviária contava naquele período com a melhor equipe do interior, a qual tinha cedido vários jogadores à Seleção Paulista, campeã brasileira em 1960. Fazia excursões à Europa, as viagens e os resultados da equipe estimularam os flertes de outros clubes como Tales. Naquela época o time da Ferroviária era assim formado; Toninho, Fogueira, Beliomini, Geraldo Scalera e Zé Maria; Dudu e Capitão; Peixinho, Tales, Tião Nego e Nei. Pela Ferroviária, Tales disputou 123 partidas. Venceu 52, empatou 21 e perdeu 50 vezes. Marcou 51 gols.

CORINTHIANS

                Devido ao belíssimo futebol que Tales apresentava na Ferroviária, não demorou muito para que um time grande da capital começasse a namorá-lo. E o Corinthians foi mais rápido que os demais e foi buscar aquele meia direita que mais tarde iria se transformar num dos grandes ídolos do alvinegro de Parque São Jorge. Sua estréia com a camisa corintiana aconteceu dia 22 de janeiro de 1966, quando o Corinthians fez seu primeiro jogo do ano. Foi um amistoso contra o Londrina lá na belíssima cidade do Paraná. O jogo terminou empatado em 2 a 2. A estréia não poderia ter sido melhor, pois os dois gols corintianos foram marcados por Tales, enquanto que para o time do Paraná os dois gols foram de Gauchinho. Neste dia o Corinthians jogou com; Heitor, Jair Marinho, Galhardo, Maciel e Edson; Dino Sani e Rivelino; Marcos (Bataglia), Tales, Flávio (Nei) e Gilson Porto. O técnico era o saudoso Osvaldo Brandão.

                E no primeiro ano de clube, Tales já conquistou seu primeiro e único título com a camisa do alvinegro, foi o Torneio Rio-São Paulo de 1966. Disputado em pontos corridos, ao fim do torneio verificou-se um inusitado empate entre quatro equipes (Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco) na primeira posição. Devido aos preparativos para a disputa da Copa do Mundo (com muitos convocados entre os clubes em questão), e também porque os clubes não quiseram jogar com reservas, as federações do Rio e de São Paulo resolveram não realizar um quadrangular extra e proclamar os quatro primeiros colocados como campeões empatados, sendo que o Vasco fez a melhor campanha, era o clube com mais vitórias empatado com o Corinthians, porém seu saldo de gols era maior.

                Foi neste ano de 1966 também, que o Corinthians passou a ser chamado de Timão, pois foi neste ano que foram contratados, Nair e Ditão junto a Portuguesa de Desportos e também o grande nome do futebol brasileiro, Garrincha. No entanto, o grande Mané Garrincha já estava no final de carreira e não pode realizar o grande futebol de anos anteriores. Pelo Corinthians disputou apenas 13 partidas. Quando chegou ao Parque São Jorge já era um veterano, com 32 anos de idade e com problemas no joelho.

                Além disso, convocado para a fase de preparação e para a Copa da Inglaterra daquele ano, esteve pouco tempo a serviço do Timão. Das treze partidas que disputou pelo alvinegro, foi uma pálida lembrança do grande Garrincha que o povo brasileiro habituou-se a ver em campo, tanto com a camisa do Botafogo carioca, como também com a camisa da Seleção Brasileira. Das treze partidas que disputou, venceu cinco, empatou duas e perdeu seis. Marcou apenas dois gols.

               Tales não chegou a jogar aquela partida em que o Corinthians quebrou o tabu de onze anos sem vencer o Santos (em Campeonato Paulista), mas fazia parte do elenco. Jogou ao lado de grandes nomes do futebol brasileiro e fez dupla de área por alguns anos com Nei e com Flávio, jogadores que também marcaram época no alvinegro de Parque São Jorge. Tales jogou no Corinthians de 1966 até 1970 e nesse período disputou 178 partidas. Venceu 99, empatou 45 e perdeu 34. Marcou 71 gols.

                Sua última partida com a camisa corintiana aconteceu dia 15 de julho de 1970, quando o Corinthians perdeu para o Guarani por 1 a 0 pelo Campeonato Paulista daquele ano.  O jogo foi no estádio Brinco de Ouro, em Campinas e neste dia o Corinthians jogou com; Ado, Miranda, Ditão, Luiz Carlos e Pedrinho; Dirceu Alves e Suingue; Paulo Borges, Ivair (Tales), Célio e Lima. O técnico era Dino Sani.

FLAMENGO

                Ao deixar o Corinthians, Tales foi jogar no Flamengo, onde o time carioca tinha um bom esquadrão e naquela época estava surgindo para o futebol, o grande craque Zico, que já no início da carreira encantava a todos que o viam jogar. A estréia foi no dia 7 de abril de 1971. Tales teve uma rápida passagem pelo clube da Gávea e nesse período serviu de garçom para nomes como Fio Maravilha, Nei e ainda o próprio Zico, que estreou no time profissional numa partida disputada por Tales, que posteriormente seria substituído por Chiquinho.

               Naquele ano de 1971, o Flamengo tinha a seguinte equipe; Ubirajara, Murilo, Onça, Reyes e Rodrigues Neto; Zanata e Liminha; Fio Maravilha, Tales, Doval e Caldeira. Com a camisa rubro-negra, Tales disputou apenas 17 partidas, sendo 10 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Marcou apenas um gol, pois já não tinha o mesmo vigor dos tempos de Ferroviária e Corinthians.

FINAL DE CARREIRA

                Em 1972, foi jogar no São Bento de Sorocaba, que na época tinha o seguinte time; Luiz Antonio, Aranha, Mendes, Geraldo e Maciel; Gonçalves e Werneck; Vanderlei, Tales, Wagner e Valdir. Esse time conquistou a quinta colocação no Paulistão daquele ano. Três anos depois, Tales encerrou sua brilhante carreira. Por duas vezes, Tales vestiu a camisa amarelinha da seleção. “Houve um combinado Santos-Corinthians para representar a seleção brasileira. Pelé foi seu companheiro de quarto. Quando ele chegava Tales saia. Respeitava sua privacidade.

                A história de Tales é interessante e das mais curiosas. Ele era professor primário e técnico em contabilidade, embora não exercesse nenhuma das profissões. Sempre que podia batia sua bolinha com amigos, no entanto, dono de um futebol clássico e rápido, logo chamou a atenção de olheiros da região e a Ferroviária foi mais rápida e convenceu aquele garoto a ir para Araraquara, onde em pouco tempo já era ídolo do time, que na época tinha verdadeiros craques. Depois surgiu o Corinthians e sua vida, onde passou quatro anos dando alegrias a imensa Fiel Torcida Corintiana, que sempre o tratou com muito carinho e respeito, pois sabia que era um jogador exemplar, dentro e fora de campo. E mais tarde veio outro clube de massa, o Flamengo.

               Enfim, Tales pode se considerar um jogador privilegiado, pois teve muitas alegrias dentro do futebol. Depois que deixou de jogar bola, foi professor de Educação Física no Centro Esportivo Dr. Pitico e funcionário da Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP), onde mora e onde encerrou a carreira ao lado de Maciel, ex-Corinthians, e de Babá, ex-São Paulo e Guarani. Lá, ele é dono também de uma loja de material esportivo e leva uma vida tranquila ao lado de sua família.

1969   –   Em pé: Alexandre, Polaco, Luiz Carlos, Ditão, Dirceu Alves e Pedro Rodrigues   –    Agachados: Suingue, Tales, Servílio, Tião e Carlinhos
Em pé: Antoninho, Galhardo, Dudu, Geraldo Scalera, Peixoto e Rodrigues Lindão   –    Agachados: Peixinho, Davi, Tales, Bazzani e Beni
Em pé: Toninho, Fogueira, Dudu, Geraldo Scalera, Beluomini e Zé Maria   –    Agachados: Peixinho, Tião Nego, Tales, Capitão e Nei
Em pé: Chirú, Luis Antônio, Édson, Clodoaldo, Nelsinho e Ney Roz   –    Agachados: Rubinho, Sérgio Pinheiro, David, Tales e Babá
Em pé: Oswaldo Cunha, Barbosinha, Luis Carlos, Ditão, Edson e Maciel    –   Agachados: Bataglia, Tales, Flávio, Rivelino e Lima
Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Édson e Heitor   –    Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto
1966   –    Em pé: Jair Marinho, Édson, Galhardo, Ditão, Dino Sani e Heitor   –    Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gílson Porto
Em pé: Oswaldo Cunha, Dirceu Alves, Ditão, Luis Carlos, Edson, Lula e o massagista Davidson   –    Agachados: Paulo Borges, Tales, Parada, Rivelino e Eduardo
1968  –  Em pé:Oswaldo Cunha, Ditão, Diogo, Edson, Luís Carlos e Maciel   –    Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Eduardo
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel   –    Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson
1969  –  Em pé: Luis Carlos, Dirceu Alves, Maciel, Ditão, Pedro Rodrigues e Lula   –    Agachados: Paulo Borges, Tales, Benê, Rivelino e Buião
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