TEIXEIRINHA: um grande amor pelo São Paulo F.C.

                 Elísio dos Santos Teixeira nasceu dia 4 de março de 1922, na cidade de São Paulo. É um dos maiores nomes da história do São Paulo F.C. Jogou no Tricolor de 1939 até 1956 e nesse período disputou 516 jogos, sendo 309 vitórias, 102 empates e 105 derrotas. Marcou 183 gols, o que faz dele um dos maiores artilheiros da história do São Paulo Futebol Clube, mais precisamente, o terceiro. Fica atrás somente de Gino que marcou 237 gols e de Serginho Chulapa que marcou 243 gols. Sagrou-se campeão paulista em 1943, 1945, 1946, 1948, 1949 e 1953.

                 Não teve oportunidades reais na Seleção Brasileira, porque a Segunda Guerra Mundial transformou a década de 40 em um caos. Formou boas duplas com os marcantes Leônidas da Silva, Sastre e Gino, além de ter participado dos seis primeiros títulos paulistas do Tricolor. Foi um ponta esquerda que costumava atormentar a vida dos laterais. Hoje aposentado, vive das glórias do passado e relembra com alegria as grandes conquistas com a camisa do Tricolor Paulista.

SÃO PAULO  F.C.

                 Ingressou nos aspirantes do São Paulo em agosto de 1938, quando tinha 16 anos. Em 8 de outubro de 1939, jogou sua primeira partida no time principal, contra o Sanjuanense. É o segundo jogador que mais tempo atuou no São Paulo, participando de 18 temporadas, sendo superado somente por Rogério Ceni. Teixeirinha primava pela sua  regularidade. Nunca jogava mal, sua característica era carregar a bola até a linha de fundo e virar para o meio, colocando o companheiro em condições de concluir para o gol. Além dos 6 títulos paulista que conquistou, também foi vice em 4 oportunidades; 1941, 1944, 1950 e 1952.

                Nunca jogava mal, mas dificilmente era apontado como o melhor em campo. Entretanto, a eficiência de Teixeirinha era bem acima da média, uma atuação normal dele era sempre muito valiosa para o Tricolor.  Uma jogada constante que fazia era superar o lateral adversário correndo junto a linha lateral e só virar para a direita a poucos metros da linha de fundo. Quase nunca armava um ataque correndo em diagonal. Nos anos 40 e 50, usava o armário nº 1 do clube, que era um sinal de prestígio com os companheiros.

AMOR AO TRICOLOR

                Poucos jogadores foram tão apaixonados pelo São Paulo quanto Teixeirinha.  Ao se retirar do Tricolor, tentou ainda jogar na Portuguesa Santista, porém um estranho fenômeno psicológico o impediu. Sentia-se mal vestindo outra camisa e abandonou de vez o futebol, foi ser revendedor comercial, negociando com madeiras. Estreou no São Paulo em 1939, todavia somente em 1940 descobriu sua verdadeira posição, a ponta-esquerda. Velocíssimo, se partia com a bola dominada, ninguém o detinha, chegava a linha de fundo deixando um rastro para o seu marcador seguir.

                Em 1956, aos 34 anos, ele decidiu que era o momento de parar. Estava chegando outro astro para a posição, Canhoteiro. Teixeirinha admirava Luizinho e jogou com Leônidas, Sastre, Remo, o argentino Negri e outros. Fez parte do famoso time do São Paulo dos anos 40, conhecido como “Rolo Compressor”.

CAMPEÃO PAULISTA DE 1943

                Foi um campeonato disputado em pontos corridos, onde todos enfrentam a todos, em turno e returno. Em caso de empate na liderança ao fim do returno, haveria um super campeonato entre esses clubes. Corinthians, Palmeiras e São Paulo protagonizaram uma emocionante corrida ponto a ponto até a última rodada. O final do Torneio foi marcado pelos clássicos.

                Em seus antepenúltimos jogos, Corinthians, líder com 30 pontos enfrentou o São Paulo, vice-líder empatado com o Palmeiras, ambos com 28. O São paulo venceu por 2 a 0, chegando a 30 pontos, passando o Palmeiras e empatando com o Corinthians na liderança (naquela época uma vitória valia 2 pontos). Este jogo contra o Corinthians aconteceu dia 5 de setembro e foi disputado no Estádio Municipal do Pacaembu. O árbitro foi Carlos de Oliveira Monteiro, mais conhecido por Tijolo. Os gols do Tricolor foram anotados por Leônidas da Silva aos 9 minutos do primeiro tempo e Luizinho aos 4 da etapa complementar.  

                No jogo seguinte, venceu ao Santos F.C. por 4 a 1 em plena Vila Belmiro e ultrapassou o Corinthians, chegando aos 32 pontos. O Corinthians precisaria vencer seu penúltimo jogo, para voltar a liderança. Mas era o Derby Paulista contra o Palmeiras terceiro colocado e o alviverde venceu por 3 a 1, ficando com 30 pontos, assim como o Corinthians contra 32 do São Paulo! E o São Paulo enfrentaria na última rodada, justamente o Palmeiras, o 3° colocado.

                O Corinthians venceu seu último jogo, que foi uma goleada sobre a Portuguesa Santista por 6 a 1, empatando com o São Paulo em 32 pontos. Se o Verdão vencesse, os três empatariam em 32 pontos e haveria um supercampeonato desempate. Começa a finalíssima no Pacaembu e aos 6 minutos de jogo, Sastre do São Paulo se contundiu e passou o resto do jogo fazendo número, pois naquela época não havia substituição. O São Paulo passou então o jogo segurando o 0 a 0, que lhe valeu o título.

                Neste dia o técnico Joreca do São Paulo mandou a campo os seguintes jogadores; King; Piolim e Virgílio; Zezé Procópio, Zarzur e Noronha; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Pardal. Já o técnico Del Débbio escalou a seguinte equipe; Oberdan Cattani; Junqueira e Osvaldo; Brandão, Og Moreira e Dacunto; Caxambu, Gonzalez, Cabeção, Villadoniga e Canhotinho.

                Desde 1937 o Paulistão sempre ficava entre Corinthians ou Palmeiras, o que gerou a piada de que, para decidir quem seria o campeão, bastava jogar cara ou coroa, já que só havia duas possibilidades. Um dirigente são paulino questionou a piada, perguntando quando, nesse caso, o São Paulo seria o campeão. Lhe responderam que o São Paulo só seria campeão Paulista, quebrando a hegemonia quando a moedinha caísse de pé. Ao fim do campeonato, com o título São Paulino, a diretoria tricolor fez uma carreata pela Av. Pacaembu tendo um carro alegórico com uma moeda de pé.

               Em segundo lugar ficou o Corinthians que também teve o artilheiro da competição com 20 gols, que foi o jogador Milani. Em último lugar ficou o Jabaquara, que dos 20 jogos que disputou, venceu somente 2, marcou 29 gols e sofreu 73. Este título de 1943 foi o segundo Paulistão do São Paulo e seu primeiro título após sua re-fundação, em 1935. Foi uma campanha maravilhosa, pois dos 20 jogos que disputou, venceu 15, empatou 3 e perdeu somente 2, que foi para o Ypiranga e para o Corinthians, ambos no primeiro turno.

                Praticou várias goleadas como os 6 a 1 contra o Santos, os 8 a 1 contra a Portuguesa Santista, os 9 a 0 novamente sobre a Portuguesa Santista e os 4 a 1 sobre o Santos. Marcou 63 gols e sofreu 21, tendo portanto, um saldo de 42 gols. Este título pode ser considerado um divisor de águas: a partir dele, ninguém mais duvidou da grandeza fulgurante do São Paulo F.C.

OUTROS TITULOS PAULISTA

                O título Paulista de 1945 foi calmo e tranqüilo. De ponta a ponta, como um verdadeiro time grande, enterrando definitivamente as esperanças Palmeirenses e Corintianas, de que era mais fácil uma moeda cair em pé, do que o São Paulo ser campeão. Garantiu o título na ante-penúltima rodada, com uma suada vitória sobre o Ypiranga por 3×2, já que o adversário ficou na frente do placar por duas vezes, 1×0 e 2×1. O campeonato de 1945 foi a consagração de alguns craques do Tricolor como Virgílio e Zezé Procópio, este um dos “monstros sagrados” daquela época. No campeonato de 1945, o São Paulo aplicou uma goleada histórica no Clube Atlético Jabaquara por 12×1, com quatro gols de Leônidas da Silva, quatro de Remo, três de Teixeirinha e um de Barrios.

               O título Paulista de 1946, o São Paulo ganhou de maneira invicta, mas a luta foi bem mais árdua do que no ano anterior, já que o Corinthians ficou no páreo o tempo todo. Na Sexta rodada, São Paulo e Corinthians se enfrentaram, depois de terem obtido cinco vitórias cada um. Deu São Paulo, 2×1, gols de Luizinho e Remo para o Tricolor e Milani para o Corinthians. Na última rodada São Paulo e Palmeiras se enfrentaram. Foi um jogão, uma grande final. Este jogo aconteceu no Estádio Municipal do Pacaembu, no dia 10 de Novembro de 1946.

               O Palmeiras tinha tudo para atrapalhar o Tricolor, mas não conseguiu. O Tricolor venceu por 1×0, gol de Renganeschi, que  estava em campo só para fazer número. Mal o marcavam porque estava machucado, mancando muito, ficando parado próximo a área adversária. Após os 38 minutos do segundo tempo, Bauer foi cruzar e a bola, como que guiada pelos deuses do futebol, tomou o rumo do gol. O goleiro Oberdan ainda conseguiu voltar e, num salto, prensou a bola na trave. Ela caiu mansa, quicando.

                Renganeschi, mancando muito e, esquecido, mas valente, arrancou inesperadamente e, num esforço total, como se fosse a bola de sua vida, tocou- a para o gol. São Paulo campeão paulista de 1946. Neste dia o São Paulo jogou com; Gijo, Piolim, Renganeschi, Rui e Noronha; Bauer e Remo; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva e Teixeirinha. Depois Teixeirinha ainda sagrou-se campeão paulista em 1948, 1949 e 1953. Sua última partida pelo Tricolor aconteceu dia 25 de março de 1956, contra o Rio Branco do Espírito Santo.

1953    –   Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Pé de Valsa, Poy, Mauro Ramos de Oliveira, Bauer e o massagista Serrone   –    Agachados: Maurinho, Marucci, Albella, Nenê e Teixeirinha
Em pé: Fiorotti, Luisinho, Virgílio, Silva, Florindo, Lola e Zaclis   –   Agachados: Doutor, Waldemar de Brito, Leônidas da Silva, Teixeirinha e Pardal
Em pé: Alfredo Ramos, Pé de Valsa, De Sordi, Poy, Mauro Ramos de Oliveira e Bauer   –    Agachados: Lanzoninho, Negri, Gino Orlando, Baiano e Teixeirinha
1951   –   Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Poy, Clélio, Bauer, Vitor e o mordomo Serrone   –    Agachados: Haroldo, Dino Sani, Gino Orlando, Negri e Teixeirinha
Em pé: Paulo Machado de Carvalho, Rui, Bauer, Piolim, Gijo, Reganeschi, Noronha e o treinador Joreca   –    Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha
1948   –   Em pé: Rui, Savério, Mauro, Bauer, Mario e Noronha   –    Agachados: China, Ponce de León, Leônidas, Remo e Teixeirinha
Em pé: Rui, Palante, Oberdan, Mauro, Bauer e Noronha   –    Agachados: Friaça, Pinga, Baltazar, Antoninho e Teixeirinha
Em pé: Alfredo Ramos, De Sordi, Poy, Pé de Valsa, Mauro, Bauer e o mordomo Serrone   –    Agachados: Maurinho, Albella, Gino, Negri e Teixeirinha

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