PRADO: ídolo no São Paulo e no Corinthians

                Antonio Franco Coelho Prado nasceu dia 13 de maio de 1940, na cidade de Catanduva – SP. Foi um meia direita que marcou época jogando pelo São Paulo F.C., mas teve também uma curta passagem pelo Corinthians, Bragantino, Bangu e Portuguesa Santista, onde encerrou sua brilhante carreira. Depois que parou de jogar bola abriu uma Casa Lotérica na Vila Pompéia, em São Paulo, onde numa noite de 2001, foi assaltada e mesmo o ex-jogador entregando todo o dinheiro do dia, ele foi baleado, recebendo quatro tiros na barriga, mas felizmente não morreu. Na época em que jogou no São Paulo, a diretoria estava mais preocupada com a construção do estádio do Morumbi, com isto, o departamento de futebol era deixado de lado, mas mesmo assim, sempre teve bons times, como aquele de 1963, cujo ataque era; Faustino, Prado, Pagão e Canhoteiro. O meio de campo era formado por Roberto Dias e Benê e na zaga tínhamos, Deleu, Bellini, Jurandir e Riberto e o goleiro era Suly. Este timaço era comandado pelo saudoso Osvaldo Brandão.

INÍCIO DE CARREIRA

                Prado começou no futebol em equipes da várzea. Entre elas, vestiu a camisa da Associação Atlética Matarazzo, clube das Indústrias Matarazzo que sempre manteve grandes equipes. O time mandava seus jogos na praça de esportes do Grêmio Maria Zélia, no campo do S.T.I.F.T. (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem), que reconhecidamente, tinha um dos melhores gramados de São Paulo. A equipe treinava às quartas feiras na parte da tarde e seus jogadores, grande parte que eram funcionários do grupo, eram dispensados do trabalho para treinar, mandando seus jogos sempre nos sábados à tarde. Deixando a Atlética Matarazzo, Prado ficou algum tempo nas categorias amadoras do São Paulo F.C. e pouco depois, através de Jair Rosa Pinto foi levado para o Bragantino, onde assinou seu primeiro compromisso formal como jogador. O habilidoso e também esforçado Prado, atuava principalmente como ponta de lança, também sendo aproveitado como centroavante em várias ocasiões.

SÃO PAULO F.C.

               Em 1962, Prado foi contratado pelo São Paulo onde formou linhas ofensivas ao lado de Faustino, Bazaninho, Pagão, Agenor, Nenê, Celso e tantos outros daquele período. Prado foi um dos destaques da equipe naquele ano, tanto é, que em março de 1962 seu nome figurou entre os 41 jogadores que disputaram as 22 vagas para a disputa da Copa do Mundo do Chile. Seus números com a camisa tricolor apontam sua presença em 242 partidas com 129 vitórias, 57 empates e 56 derrotas. Marcou 124 gols.  Prado é o 12º artilheiro da história do Tricolor Paulista.

              No ano seguinte em que Prado chegou ao Morumbi, o clube ficou em 2º lugar, perdendo somente para o Palmeiras que foi o campeão daquele ano. No entanto, no Paulistão daquele ano tivemos um jogo que entrou para a história do futebol brasileiro. Foi no dia 15 de agosto de 1963, dia em que o São Paulo derrotou o Santos por 4 a 1. Até aí tudo normal, mas acontece que neste dia o Santos fugiu de campo para evitar uma goleada ainda maior. Prado não participou desta partida, pois Pagão era a mais nova contratação, sendo assim ele entrou jogando. Foi o famoso jogo do “cai cai”.

CORINTHIANS

               Prado permaneceu jogando pelo São Paulo até 1967, quando, ao lado de Oswaldo Cunha, foi contratado pelo Corinthians que colocou o zagueiro Eduardo Albuquerque como parte do pagamento. Sua estreia com a camisa alvinegra aconteceu dia 9 de julho de 1967, quando o Corinthians enfrentou o Guarani de Campinas na primeira rodada do Campeonato Paulista daquele ano. O jogo foi no Parque São Jorge e o Timão goleou por 4 a 1. Quem fez a estreia foi Prado, mas quem fez a alegria da Fiel torcida corintiana foi o atacante Silvio, que naquele dia marcos os 4 gols da equipe alvinegra. Neste dia o técnico Zezé Moreira mandou a campo os seguintes jogadores; Barbosinha, Osvaldo Cunha, Ditão, Clóvis e Maciel; Dino Sani e Rivelino; Bataglia, Prado, Silvio e Gilson Porto.

               Infelizmente com a camisa corintiana Prado não fez o mesmo sucesso que havia feito no São Paulo, várias contusões acabaram atrapalhando e também porque naquele período em que esteve no Parque São Jorge, havia outro centroavante, o grandalhão Silvio, que estava numa grande fase e fazia muitos gols. Com isto, Prado era escalado em algumas partidas, por isso disputou somente 10 jogos. Venceu 7, empatou 1 e perdeu 2. Marcou somente dois gols, sendo que ambos foram marcados contra a Prudentina, de Presidente Prudente. Sua última partida foi no dia 21 de janeiro de 1968, quando o Corinthians perdeu para o Bahia por 2 a 0, num jogo amistoso realizado no estádio Fonte Nova, em Salvador. Neste dia o Corinthians jogou com; Marcial, Galhardo, Ditão, Clóvis e Maciel; Dino Sani e Rivelino; Marcos (Benê), Prado (Tales), Flávio e Eduardo. O técnico era o popular Lula.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Em 1962 esteve na lista dos convocados para a Copa do Chile. Em 1965, Prado integrou o combinado paulista que representou a Seleção Brasileira no amistoso contra a Hungria no estádio do Pacaembu. A partida terminou com o Placar de 5 a 3 em favor dos canarinhos. Naquele dia 21 de novembro de 1965, na parte da tarde, o Brasil jogou contra a Rússia num amistoso realizado no Maracanã, que recebeu naquele dia um público de 117.000 espectadores. Era a seleção “A”, que jogou com a camisa amarela e empatou em 2 a 2, gols de Gerson e Pelé. O Brasil jogou com; Manga, Djalma Santos, Bellini (Mauro), Orlando e Rildo; Dudu (Roberto Dias) e Gerson; Jairzinho, Flávio (Ademar Pantera), Pelé e Paraná. Para este jogo temos algumas curiosidades. Foi a despedida do zagueiro Bellini da nossa seleção. Foi a primeira transmissão de um jogo de futebol da Rede Globo de Televisão. E a terceira curiosidade foi o primeiro gol da Russia, quando o goleiro Manga bateu um tiro de meta e a bola bateu na cabeça do atacante russo e a bola foi direto para o fundo das redes da meta brasileira. 

               A noite no Pacaembu a seleção “B” formada por jogadores paulistas e jogando de camisa azul, enfrentou a Hungria. Neste dia tivemos dois técnicos, Lula e Aymoré Moreira, que escalaram a seguinte equipe; Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Procópio e Edilson (Geraldino); Lima e Nair (Rivelino); Marcos, Servílio, Prado (Coutinho) e Abel. Os gols brasileiros foram anotados por; Servílio (2), Lima, Abel e Nair. A curiosidade deste jogo foi que Coutinho e Rivelino começaram no banco de reservas.

FINAL DE CARREIRA  

               Ao deixar o Parque São Jorge, Prado foi jogar no Bangu. Nesta transação, o ponta esquerda Aladim veio para o Corinthians. O time de Moça Bonita naquele ano de 1968 era o seguinte; Ubirajara, Fidelis, Mário Tito, Lincoln e Pedrinho; Jaime e Juarez; Élcio, Dé, Prado e Milano. Esta foi a equipe que enfrentou o Corinthians no dia 14 de julho e foi derrotada por 2 a 0, gols de Flávio e Buião. Ao deixar o Bangu, Prado jogou ainda na Portuguesa Santista e por lá encerrou sua carreira antes mesmo de completar 30 anos de idade, devido a uma contusão no tornozelo esquerdo.

               A hora de parar, no final dos anos 60, não chegou a ser um trauma. Segundo Prado, o grande problema da maioria dos atletas é justamente o fim da carreira. “Você está acostumado com aquele assédio todo, mas no meu caso não sofri de mal nenhum justamente porque soube parar. Não me arrependo de nada”, disse o jogador.

COMÉRCIO

               Logo que encerrou a carreira, Prado abriu uma casa lotérica de nome Can-Can na rua Caraibas, em Vila Pompéia, nas Perdizes, zona oeste da capital paulista. Em 2001, o ex-jogador foi assaltado quando fechava seu estabelecimento e, mesmo após ter entregado o dinheiro, levou quatro tiros na barriga. Felizmente, depois de ficar na UTI em estado grave, Prado sobreviveu e instalou vidros blindados para continuar trabalhando com maior tranquilidade. “A gente já estava cansado de ser assaltado e eu reagi. Cheguei a ficar na UTI e pensamos até em parar com o negócio. Conversei com meu filho e decidimos continuar. Agora, em 2006, sofremos novo assalto, mas não adianta reclamar. Se você fica com medo dessas coisas acaba não saindo de casa”, diz bem humorado, o ex-jogador.

               Sem medo dos tiros, Prado teme mesmo os aviões. Como atleta, o meia viajou por toda a América e até mesmo para a Europa em excursões promovidas pela diretoria do São Paulo. No entanto, após a aposentadoria, as viagens passaram a ser mais curtas. “Nas primeiras vezes eu não fiquei com medo não, mas em uma das viagens achei que não iria escapar. O comandante do avião chegou até a pedir para que as pessoas que tivessem dentadura tirassem. Estava tremendo tudo. Agora prefiro as viagens mais curtas”, relembrou.

               Prado fez fisioterapia para cuidar do tornozelo machucado ainda nas épocas de jogador. Apesar das dores até mesmo para as simples caminhadas, o ex-jogador sempre esbanjava bom humor. “Não dá mais para jogar bola. Até mesmo para andar dói, mas agora estou fazendo fisioterapia em casa, já está muito melhor”, finalizava. Uma coisa que muitas pessoas pensam, inclusive já foi até noticiado, é que o ex-jogador Prado é filho do jornalista Flávio Prado. Mas podemos afirmar que não é verdade, pois o pai do ex-jogador chamava-se Cesário e já é falecido. Prado sempre que comparecia ao Morumbi, era recebido com muito carinho e respeito, por tudo que ele fez pelo clube.

                Infelizmente Prado faleceu dia 31 de agosto de 2017, na capital paulista, aos 77 anos de idade, vítima de uma melanoma, segundo o que foi divulgado pelo São Paulo F.C.

Em pé: De Sordi, Dario, Riberto, Deleu, Roberto Dias, Suly    –   Agachados: Faustino, Prado, Benê, Baiano e Agenor
Em pé: De Sordi, Jurandir, Gilberto, Bellini, Riberto e Sérgio Lopes   –    Agachados: Nondas, Prado, Benê, Cido e Faustino
Em pé: De Sordi, Procópio, Deleu, Riberto, Suly e Benê  –    Agachados: Faustino, Prado, Baiano, Jair Rosa Pinto e Canhoteiro
Em pé: Osvaldo Cunha, Tenente, Bellini, Carlos Alberto, Fábio e Nene   –    Agachados: Paraná, Prado, Babá, Fefeu e Adíber
Em pé: Djalma Santos, Lima, Dias, Clóvis, Ditão e Suly   –     Agachados: Mário Américo, Dorval, Prado, Ademar Pantera, Nair, Rinaldo
Em pé: Oswaldo Cunha, Ditão, Barbosinha, Clóvis, Dino Sani e Maciel     –     Agachados: Bataglia, Prado, Silvio, Rivelino e Gílson Porto
Em pé: Deleu, Serafim, Leal, Jurandir, Bellini e Suly   –    Agachados: Faustino, Marco Antonio, Prado, Bazaninho e Valdir Birigui
Em pé: Oswaldo Cunha, Nenê, Bellini, Adevaldo, Tenente e Fábio    –     Agachados: Ferreti, Prado, Babá, Benê e Fefeu
Em pé: Bellini, Dias, Tenente, Renato, Suly e Jurandir   –    Agachados: Valdir Birigui, Zé Roberto, Prado, Valter e Paraná
Em pé: De Sordi, Zito, Altair, Calvet, Gilmar e Airton Pavilhão   –    Agachados: Jair da Costa, Didi, Prado, Pelé e Zagallo

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