DEL DÉBBIO: oito títulos com a camisa do Corinthians

                  Armando Del Débbio nasceu dia 2 de novembro de 1904, na cidade de Santos – SP. Jogou no Corinthians durante nove anos, depois foi jogar na Itália. Dois anos depois retornou ao Parque São Jorge e ficou por lá mais dois anos. Nestas duas passagens pelo Corinthians, sagrou-se Tricampeão Paulista por duas vezes e faltou muito pouco para não conquistar o terceiro. Era um jogador duro na marcação e formou ao lado do goleiro Tuffy e de Grané, o mais famoso trio defensivo da história corintiana.  Vestiu a camisa alvinegra em 215 jogos. Venceu 143, empatou 31 e perdeu 41. Marcou 2 gols a favor e 2 gols contra. Depois que encerrou a carreira passou a trabalhar como técnico no próprio Corinthians, onde dirigiu a equipe por 175 vezes. Juntamente com Marcelinho Carioca e Kleber, Del Débbio conquistou 8 títulos pelo Corinthians, o que mostra que embora tenha jogado há décadas atrás, não devemos esquecê-lo, mas sim prestar à ele esta singela homenagem.

PRIMEIRO  TRICAMPEONATO

                   Ainda com 18 anos, Del Débbio assumiu a condição de titular no time do Corinthians. Isso foi em 1922, quando ele ajudou a equipe alvinegra a conquistar o primeiro título paulista de uma série de três, que só terminaria em 1924, com o primeiro tricampeonato da história do futebol paulista. E este primeiro título de 1922, foi um título muito importante para o Corinthians, pois era o centenário da Independência do Brasil. O time corintiano daquele ano era assim formado: Xororó, Garcia e Del Débbio; Gelindo, Amilcar e Ciasca; Perez, Rodrigues, Gambarotta, Tatú e Rato. O técnico era Guido Giacominelli. Realmente era um time muito forte, pois durante o campeonato aplicou várias goleadas como aquele 6 a 2 sobre o Santos no dia 19 de novembro de 1922. Goleou também o Mackenzie por 9 a 0, o mesmo placar contra o Inter da capital paulista. Com 19 gols, Gambarotta acabou como artilheiro do certame. Um dos tentos do atacante serviu para vencer o Sírio, que à época mandava seus jogos no Parque São Jorge. Desta forma, o Alvinegro estreou em seu futuro estádio como visitante.

                  Realmente a década de 1920 marcou um dos períodos mais gloriosos da história do Corinthians. Dos 10 campeonatos paulistas realizados, a equipe de Parque São Jorge conquistou 5, com direito a um tricampeonato. Em 1920 o Corinthians goleou o Santos por 11 a 0 em plena Vila Belmiro. Esta foi a maior goleada corintiana sobre o Peixe. Este jogo aconteceu dia 11 de julho de 1920. O placar poderia ser maior, pois aos 21 minutos do segundo tempo, o Santos ficou com apenas 7 jogadores em campo, pois quatro haviam sido expulsos, o que obrigou o árbitro Eduardo Taurisano a encerrar a partida. Em 1923, Del Débbio sagrou-se campeão novamente e ajudou o Corinthians a conquistar o primeiro bicampeonato com algumas rodadas de antecedência. No jogo decisivo, a equipe bateu o São Bento por 3 a 0 e ganhou o único título no Estádio da Ponte Grande, antecessor do Parque São Jorge. Em um Estadual tumultuado em 1924, o Alvinegro estreou apenas em abril e viu o torneio parar por mais de um mês em função da Revolução Tenentista. Ainda assim, garantiu o troféu sobre o Paulistano com um gol de Tatu no sofisticado Jardim América.

                  Em 1925, o Corinthians não ficou campeão, mas neste ano ele realizou uma partida que entrou para a história do clube. Foi no dia 11 de novembro, quando o Corinthians fez um amistoso com a Seleção Brasileira e o jogo terminou empatado em 1 a 1. O jogo foi na Ponte Grande, campo que pertencia ao Corinthians. Neste jogo o jogador corintiano Neco jogou pela seleção canarinho e Del Débbio jogou pelo Corinthians. Foi um jogo que teve uma grande repercussão na época. No ano seguinte o Corinthians comprou o Parque São Jorge. Como naquele local abrigava uma pequena fazenda, até hoje o campo tem o apelido carinhoso de Fazendinha.

                  O presidente do clube entre 1930 e 1933, Sr. Alfredo Schiring, foi homenageado com o nome do estádio por contribuir com sua compra. O Corinthians inaugurou seu novo estádio somente em 22 de julho de 1928, num jogo amistoso entre o Campeão Paulista e o Campeão Carioca, que era o América, num empate de 2 a 2, e lá estava Del Débbio em campo juntamente com Tuffy, Grané, Neco, Rato e também De Maria, que fez o primeiro gol da partida, por conseguinte o primeiro do estádio e também o mais rápido, pois foi aos 29 segundos de jogo.

SEGUNDO TRICAMPEONATO  

               E foi neste ano de 1928, que o Corinthians deu uma nova arrancada para a conquista do seu segundo tricampeonato. Na partida que decidiu o título de 28, o Alvinegro bateu a Portuguesa por 3 a 2, em casa. Revoltado com a arbitragem, o dirigente Benedito Bueno da Lusa  invadiu o campo armado e foi agredido por Neco, que só não levou um tiro porque o cartola foi contido pela polícia. Após a Lusa deixar o gramado, o árbitro Enéas Sgarzi autorizou Neco a dar nova saída e marcar o último tento sem goleiro. No ano seguinte veio o bicampeonato em cima do arqui rival Palestra por 4 a 1. Este jogo aconteceu no dia 1 de dezembro de 1929 e os gols foram anotados por: De Maria (2), Filó e Gambinha, enquanto que para o Palestra marcou Carrone.

               Este título foi de forma invicta. Este ano de 1929, também foi importante para o Corinthians, pois além de conquistar seu sétimo título estadual, venceu o Barracas da Argentina por 3 a 1 no primeiro amistoso internacional do Corinthians. Este jogo aconteceu dia 1 de maio de 1929 e foi realizado no Parque São Jorge. No dia seguinte estava estampado no jornal “A Gazeta” um texto do jornalista Thomaz Mazzoni que saudava a “fibra dos mosqueteiros”. Sendo assim, a partir daquele dia os jogadores do Corinthians passaram a ser chamados de Mosqueteiros e o time ganhou o mascote adotado até os dias de hoje como oficial.  Em 1930 veio o segundo tricampeonato e o jogo final aconteceu no dia 4 de janeiro de 1931, quando o Corinthians goleou o Santos por 5 a 2 em plena Vila Belmiro.

                Os gols foram marcados por: Gambinha (2), De Maria, Filó e Nápoli, enquanto que para o Peixe marcaram Feitiço e Vitor. Neste dia a torcida corintiana invadiu a Vila Belmiro. Foram 8 composições de trem com 10 vagões cada, todos de corintianos que saíram da Estação da Luz para verem o Timão conquistar seu segundo tricampeonato. Na volta muitos torcedores viajaram em cima dos vagões sem camisa comemorando o titulo, com isto, muitos vieram a morrer de pneumonia e tuberculose.

                Em 1931 a Lázio, da Itália, resolveu formar um time praticamente inteiro de brasileiros, que ganhou o apelido de Brasilázio. Levaram vários jogadores de vários clubes brasileiros, mas nenhum outro sentiu tanto quanto o Corinthians, pois levaram o zagueiro Del Débbio e os atacantes Filó, Rato e De Maria. Com isto o time de Parque São Jorge naquele ano de 31 ficou em sexto lugar no campeonato paulista e começava uma época difícil para o clube.  Del Débbio ficou na Itália por 5 anos e voltou ao Brasil para defender novamente o seu time do coração. Em sua volta, jogou 4 das 14 partidas que deram ao Corinthians o primeiro título da era profissional em 1937. Del Débbio defendeu a Seleção Brasileira em três oportunidades entre 1929 e 1931 com três vitórias e um gol marcado.

TREINADOR             

                 Em 1938, Del Débbio resolveu encerrar sua carreira de jogador e passou a trabalhar como técnico no próprio Corinthians. E já no seu primeiro ano sagrou-se campeão paulista. No ano seguinte, quando já estava afastado dos gramados por algum tempo, voltou a vestir a camisa alvinegra. Isto aconteceu no dia 22 de outubro de 1939, diante de uma situação emergencial, entrou em campo aos 35 anos na vitória por 2 a 1 sobre o Ypiranga. Neste dia Del Débbio foi jogador e técnico ao mesmo tempo. Com esta vitória o Corinthians sagrou-se campeão paulista com duas rodadas de antecedência, mas depois ainda derrotou o São Paulo por 1 a 0 e a Portuguesa por 5 a 1.  Fechava assim o terceiro tricampeonato do S. C. Corinthians Paulista. Em toda a História centenária do Timão, apenas quatro treinadores alcançaram mais de cem vitórias no comando do time paulista.

                  O último foi Armando Del Débbio, que comandou o time de 1939 a 1942, 1947 a 1948 e 1963, obteve 114 vitórias, 25 empates e 36 derrotas, em 175 partidas. O que é praticamente impossível no futebol de hoje. Também dirigiu o Palmeiras em 100 jogos com 58 vitórias, 19 empates e 23 derrotas entre os anos de 1942 e 1944 e em 1945. Era o comandante da equipe quando deixou de se chamar Palestra Itália e adotou o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras. E já com o novo nome, o Verdão sagrou-se campeão naquele mesmo ano e lá estava Del Débbio como treinador.  Dirigiu também o São Paulo em 28 jogos com 8 vitórias, 6 empates e 14 derrotas. Foi o primeiro homem a comandar o clube que acabara de nascer, em 1936.

                 Armando Del Débbio faleceu dia 8 de maio de 1984, na cidade de São Paulo. Reza a lenda, que ele jamais jogou mal uma partida. E não foram poucas, 215. Formou aquele que é considerado até hoje o mais temido trio defensivo da história do Corinthians. Del Débbio e Grané na zaga e Tuffy no gol. Portanto, fica aqui nossa humilde homenagem à este homem que conquistou 8 títulos pelo Corinthians e que foi um exemplo dentro e fora das quatro linhas.

Em pé: Del Débbio, Junqueira, Brandão, Zezé Procópio, Oberdan, Oswaldo e Dino    –     Agachados: Luizinho, Lima, Leônidas da Silva, Remo e Hércules
Em pé: Del Débbio, Tarzan, Túlio, Turcão, Zezé Procópio, Oberdan, Og Moreira e Waldemar Fiúme    –     Agachados: Caieira, Oswaldinho, Villadoniga, homem não identificado (seria o Mr. M?), Lima e Mantovani.
Grané – Tuffy – Del Débbio

Em pé: Nerino, Grané, Tuffy, Del Débbio, Guimarães e Rueda    –    Agachados: Filó, Neco, Gambinha, Rato I e Rato II
Em pé: Gelindo, Rafael, Rueda, Colombo, Del Débbio e Ciasca    –    Agachados: Peres, Neco, Pinheiro, Tatu e Rodrigues
Em pé: Nerino, Grané, o goleiro Tuffy, Del Débbio, Guimarães e Munhoz    –     Agachados: Filó, Apparício, Gambinha, Rato e De Maria
Em pé: Técnico Del Débbio, Zezé Procópio, Og Moreira, Junqueira, Oberdan, Clodô, Begliomini, Del Nero e dois integrantes da comissão técnica    –     Agachados: Cláudio, Waldemar Fiúme, Viladôniga, Lima e Echevarrieta
DEL DÉBBIO
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