DIDI: o criador da Folha Seca

                       Valdir Pereira, mais conhecido no meio futebolístico como Didi. Nasceu dia 8 de outubro de 1929 em Campos (RJ) e faleceu dia 12 de maio de 2001. Foi um jogador que o torcedor brasileiro aprendeu a admirar e respeitar, por tudo que ele fez pelo nosso futebol.  Jogou em diversos clubes, como Americano, Madureira, Fluminense, Botafogo, Real Madrid, São Paulo e outros. Tudo isto sem falarmos que participou de dois mundiais, em 1958 na Suécia e em 1962 no Chile, sempre como titular absoluto, onde comandava o meio de campo da nossa seleção.  Em seu currículo de jogador profissional, está uma curiosidade. Foi ele que marcou o primeiro gol no estádio do Maracanã, no dia 10 de junho de 1950, quando cariocas e paulistas se enfrentaram num amistoso, que teve a vitória do selecionado paulista por 2 a 1.

                      Desde cedo nos terrenos baldios, demonstrou sua grande habilidade para jogar futebol. Com 14 anos e já com o apelido de Didi, levou um violento pontapé no joelho direito, que quase precisou amputar a perna. Depois de seis meses, já livre da cadeira de rodas e puxando ainda a perna, ele já pensava em voltar a jogar futebol.  Em 1943, Didi começou sua história no futebol, jogando no infantil do São Cristóvão. Ainda nas categorias de base, também passou por Industrial, Rio Branco, Goytacaz e Americano.  Em 1946 era titular absoluto do Americano de Campos, clube que deixou neste mesmo ano para jogar no Lençoense, de São Paulo. 

                      Em 1949 depois de jogar uma temporada no Madureira, foi contratado pelo Fluminense, onde começou a se firmar como um dos melhores elementos de meio-campo. Por isso em 1950 viu seu nome na relação de atletas cariocas que iriam enfrentar a seleção paulista, na inauguração do Maracanã. Nesse dia, ele marcou o primeiro gol na história do Estádio. Mas foi no campeonato de 1951 que Didi despontou para o sucesso, pois dos seus passes em profundidade, nasceram quase todos os gols de Carlyle e Orlando, que fizeram do Fluminense um novo campeão.

                     Em 1952 foi campeão do campeonato Pan-Americano realizado no Chile e, em 1953 campeão do Sul-Americano, disputado no Peru. Participou da Copa de 1954 na Suíça como armador da seleção e em 1956 durante uma excursão que o Fluminense fazia pela Europa, ele foi vendido ao Botafogo. Pelo Fluminense jogou quase 10 anos e marcou aproximadamente 100 gols. Os cinco anos seguintes seriam de jejum no pó-de-arroz. A diretoria do Botafogo, numa transação polêmica na época, conseguiu contratar o jogador. Dirigentes do Fluminense ficaram tão revoltados que chegaram a cortar relações com os botafoguenses por um bom tempo.

                    Em 1956, finalmente, a estrela do craque brilhou. O alvinegro estava montando um esquadrão quase imbatível, com Nilton Santos, Garrincha & cia. Didi caiu como uma luva no time, pois tinha a função de dar o ritmo de jogo, era o capitão, como poucos, de uma equipe extraordinária.   Pelo clube de General Severiano, foi campeão carioca em 1957 poucos meses depois de classificar o Brasil para a Copa da Suécia com um gol de “Folha Seca” contra o Peru.   Como surgiu o termo “Folha seca”; O lance foi inventado por Didi em 1956, na partida contra o América. Ele estava com uma contusão que não permitia dar os chutes de longa distância da forma normal. Por isso, ele achou um jeito para a dor desaparecer, ou seja, acertar o meio da bola, que fazia uma curva assustadora.

                    Em 1957 depois de ganhar o campeonato carioca pelo Botafogo, Didi passou por um momento curioso, ou seja, teve que cumprir uma promessa de atravessar a pé a cidade do Rio de Janeiro por causa do titulo.  Famoso e respeitado, Didi foi negociado por uma verdadeira fortuna com o Real Madrid em 1958. No clube espanhol, que já tinha as estrelas Puskas e Di Stefano ele nunca teve muitas chances. Amargou a reserva e chegou a se desentender com os donos do time. Decepcionado, acabou voltando ao Botafogo, em 1961, para a alegria da nação alvinegra que comemorou o título carioca no mesmo ano. Em 1962 o Botafogo mandava no futebol carioca, pois tinha uma equipe que juntamente com o Santos, eram a base da seleção brasileira, pois a equipe carioca tinha a seguinte formação; Manga, Joel, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo; Airton e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

                   Muitas pessoas não lembram, mas Didi também vestiu a camisa do São Paulo em 1963. Pelo tricolor do Morumbi foram apenas 4 jogos, sendo uma vitória e três derrotas e nenhum gol marcado.   No ano seguinte abandonou a carreira de jogador e partiu para uma nova aventura, a de técnico de futebol onde foi dirigir a seleção peruana. Sua maior tristeza, foi na Copa de 70 onde ele como técnico do Peru, teve que enfrentar a seleção brasileira, mas no final da partida, ele confessava que estava feliz, pois o Brasil venceu aquela partida por 4×2.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                   Didi representou o Brasil pela primeira vez no Pan-americano de 1954. No mesmo ano disputou a Copa do Mundo na Suíça. Mas seu auge aconteceria quatro anos depois, quando foi considerado o melhor jogador do Mundial de 1958. Nas eliminatórias, ele já deixava claro que seria o grande nome do meio-campo na Copa de 58, na Suécia. No mundial ele comandou a Seleção em campo coordenando todas as ações da seleção canarinho. Dizem até que ele era o verdadeiro treinador do time, enquanto Vicente Feola dormia tranqüilo no banco… O fato é que ele era soberano nas quatro linhas e a bola, obrigatoriamente passava pelos pés de Didi, antes de chegar até Garrincha, Pelé ou Vavá. Naquela Copa, uma atitude do meia tornou-se inesquecível. O Brasil disputava a final da competição, contra os donos da casa. Os suecos saíram na frente, com um gol de Liedholm, aos 4 minutos do primeiro tempo.

                    O estádio de Estocolmo quase veio a baixo. Didi, com uma calma impressionante, foi até o fundo das redes, pegou a bola e saiu conversando com os jogadores. “Falei para eles: o Botafogo veio aqui e ganhou desse time, nós somos a Seleção Brasileira, vamos perder ? Claro que não!”. Atravessou o campo, passando a bronca, com a bola embaixo do braço. A estratégia deu certo e seis minutos depois Vavá empatou. Aos 32 o mesmo Vavá fez o gol da virada. O Brasil terminou ganhando por 5×2 e levantando a taça, pela primeira vez. Didi foi eleito o melhor jogador da Copa.  Nesta final, o Brasil jogou com Gilmar, Djlama Santos, Belini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo. Quatro anos depois, estava no elenco que foi bicampeão no Chile. Desta vez, abriu espaço para o aparecimento da genialidade de Garrincha, que devido a ausência de Pelé que deixou a competição contundido, pode mostrar todo seu talento, através de um futebol que encantou o mundo com suas pernas tortas.

                   Didi era tão elegante, mas tão elegante em campo, que Nelson Rodrigues o apelidou de “Príncipe Etíope”. Foi um dos maiores armadores que o futebol mundial já teve. A excepcional visão de jogo e o passe sempre preciso e refinado, garantiram o nome dele na história do esporte. Mas ele tinha uma característica que ia além dos mortais dos gramados, jogava sempre de pé, com a cabeça erguida. Era raro Didi sair de um jogo com a roupa enlameada.  Pelo Botafogo Didi fez 313 partidas e marcou 113 gols.   E em toda sua carreira marcou 237 gols, sendo 21 pela seleção brasileira em 74 jogos. Em 2000, entrou para o Hall da Fama da Fifa, que tem em seu quadro lendas como Pelé e Beckenbauer.  Valdir Pereira, o Didi, morreu aos 71 anos, no Hospital Público Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, dia 12 de maio de 2001, dois dias após sofrer cirurgias para retirada de parte do intestino e da vesícula.

TÍTULOS

Como jogador: Campeão Carioca: 1951 (Fluminense), 1957, 1961 e 1962 (Botafogo); Torneio Rio-São Paulo: 1962 (Botafogo); Campeão do Mundo: 1958 e 1962 (seleção brasileira).

Como técnico: 3 vezes campeão do Peru pelo Sporting Cristal, 5 vezes campeão turco pelo Fenerbahce e 3 Copas do Rei e 1 campeonato do Golfo pelo Al-Ahli Club Jeddah (da Arábia Saudita).

Estas foram as palavras de Nilton Santos quando soube da morte de seu amigo Didi: “Ainda não sei quem, mas alguém lá no céu vai ter que sair do time para o Didi entrar”.

Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar      –     Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, Eli, Brandãozinho, Nilton Santos, Veludo e Bauer      –     Agachados: Julinho, Humberto Tozzi, Baltazar, Didi e Maurinho
Em pé: Djalma Santos, Eli, Nilton Santos, Brandãozinho, Castilho e Pinheiro      –    Agachados: Julinho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues
Em pé: Arati, Eli, Jair, Nilton Santos, Castilho e Pinheiro      –    Agachados: Telê Santana, Ademir de Menezes, Ipojucan e Friaça
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto Belangero      –     Agachados: Garrincha, Evaristo de Macedo, Índio, Didi e Joel
Em pé: De Sordi, Dino Sani, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar      –     Agachados: Joel, Didi, Mazzola, Dida e Zagallo
Em pé: Cacá, Zé Maria, Manga, Nilton Santos, Pampolini e Rildo      –     Agachados: Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos e Mauro      –     Agachados: Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo e Zagallo
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