DORVAL: melhor ponta direita da história do Santos F.C.

                      Dorval Rodrigues nasceu dia 26 de fevereiro de 1935, na cidade de Porto Alegre (RS).  Começou a carreira nos juvenis do Grêmio Esporte Clube Força e Luz, onde permaneceu dos 17 aos 19 anos. Em outubro de 1956 chegou no Santos F.C.  No início de 1957, Dorval foi emprestado ao Juventus da Rua Javari, onde se destacou na preparação do campeonato paulista daquele ano. Retornou ao Santos como titular no lugar de Alfredinho. A escalação da primeira equipe do Santos da qual Dorval participou era a seguinte: Manga, Getúlio, Elvio, Formiga e Ivan; Zito e Jair da Rosa Pinto; Dorval, Pagão, Pelé e Pépe. O técnico era Luiz Alonso Peres, o Lula.  Já em 1960, o Santos tinha outro ataque; Dorval, Coutinho, Pelé e Pépe. Esta foi considerada a maior linha de meio e ataque da história do futebol brasileiro. Com este ataque e uma defesa que tinha; Gilmar, Lima, Mauro  Ramos  de  Oliveira,  Calvet  e  Dalmo  e  ainda  no  meio  de  campo, Zito e Mengalvio, o Santos conquistou quase tudo na década de 60, sendo que os títulos mais importantes foram sem dúvida alguma, o bicampeonato da Libertadores e o bicampeonato do Mundial Interclubes de 1962 e 1963. Com a camisa do Santos, Dorval fez 612 partidas e marcou 198 gols. É o 6º maior artilheiro do Santos F.C.

                     Já em 1964, Dorval foi vendido ao Racing da Argentina. Como o clube argentino não quitou o passe, Dorval acabou retornando ao Santos em 1965, ficando até 1967.  Em seguida, acertou com o Palmeiras. No clube do Palestra Itália, jogou com Ademir da Guia, Zequinha, César Maluco, Servílio, Djalma Santos, Geraldo Scotto e Tupãzinho. Pelo Palmeiras, Dorval jogou apenas 20 partidas. Venceu 12, empatou 4 e perdeu 4 vezes. Não marcou nenhum gol.  Em 1968 foi para o Atlético Paranaense, onde jogou até 1971. Foi campeão paranaense em 1970, ao lado de Bellini, Zé Roberto, Nilson, Djalma Santos e Sicupira. Ficou seis meses na Venezuela defendendo o Valencia. Depois veio para o SAAD, de São Caetano do Sul, junto com Coutinho e Joel Camargo, encerrando assim, sua brilhante carreira em 1972.  

                   Desde criança, Dorval demonstrou o interesse pelo esporte com a bola nos pés. No entanto, ele só chegou a uma equipe profissional em 1955, quando deixou a profissão de engraxate e foi contratado pelo extinto Grêmio Esportivo Força e Luz de Porto Alegre. O tamanho da equipe não impediu Dorval de se destacar nos campeonatos regionais e, assim ser chamado a defender a seleção de seu estado em um torneio no México. A habilidade e a facilidade no drible despertaram o interesse de grandes clubes do Brasil, resultando em sua contratação pelo Santos em 1956. Mas antes disso, Dorval veio para São Paulo fazer testes e nenhum clube grande o deixou treinar. Então, fez teste no Santos e conseguiu passar. Até hoje ele agradece por não ter jogado em outra equipe, pois foi no Santos que encontrou o pessoal que o ajudou a consagrar-se, pois chegou no lugar certo e na hora certa.

                   E foi vestindo a camisa alvinegra do time do litoral paulista que Dorval conquistou seus maiores feitos. No entanto, as glórias não chegaram logo que foi contratado pelo Peixe. Na época, foi considerado inexperiente pelos dirigentes, então foi emprestado ao Juventus para se adaptar melhor ao futebol paulista, antes de encarar toda a pressão de vestir a camisa do Santos F.C.  Depois de algum tempo, retornou a Vila Belmiro e os títulos não demoraram a aparecer. Em 1958, conquistou o Campeonato Paulista, com um show de Pelé, que marcou naquele campeonato, nada mais, nada menos, que 58 gols. Recorde que permanece até os dias de hoje e dificilmente será quebrado.

                   A maior decepção da carreira de Dorval foi de não ter tido a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo. Apesar do sucesso com a camisa do Santos, o jogador pouco foi lembrado pelos treinadores. Assim, o ex-ponta disputou apenas 13 partidas com a camisa da nossa seleção, enquanto vários companheiros de clube tiveram mais oportunidades. Apesar de afirmar que sonhava em ser convocado para disputar uma Copa do Mundo, Dorval admite que, mesmo que fosse chamado por um treinador, dificilmente conseguiria ser titular, pois na época o Brasil tinha um ponta direita chamado Garrincha. No mundial de 62 disputado no Chile, Dorval estava certo de ser convocado, afinal, naquele ano Santos e Botafogo eram os melhores times do Brasil, no entanto, não foi convocado pelo técnico Aymoré Moreira.  Ainda hoje ele lamenta, pois gostaria de pelo menos estar no grupo, afinal ele e o Mané Garrincha eram os melhores pontas da época, mas seu nome nunca apareceu numa lista de convocação. 

                   Foi justamente em uma partida contra o Botafogo, que Dorval exibiu uma de suas virtudes até então pouco conhecida pelo torcedor. Em 1961, ainda não existia a possibilidade de substituir jogadores durante um jogo e, dependendo da situação da partida, determinados atletas eram obrigados a desempenhar uma função diferente da que estavam acostumados. Assim, depois da expulsão do lateral esquerdo Dalmo, Dorval foi obrigado a marcar Garrincha, o grande destaque do Fogão.  Como conhecia bem a jogada de Garrincha e sabia por onde ele iria sair,  Dorval saiu-se muito bem e o Santos ganhou do Botafogo naquela noite por 3 a 1, num jogo que entrou para história, pois de um lado tínhamos; Gilmar, Mauro Ramos de Oliveira, Zito, Dorval, Coutinho, Pelé e Pépe. Enquanto do outro lado tínhamos, Garrincha, Didi, Quarentinha, Zagallo, Amarildo e Nilton Santos.  

Atualmente, jogadores que costumam frequentar casas noturnas são considerados indisciplinados e tem problemas com o treinador e a torcida. Na década de 60, porem, o conhecido gosto pela noite não afastou Dorval do time titular do Santos. Pelo contrário, as saídas noturnas nunca resultaram em problemas para ele, que era chamado dentro de campo de “locomotiva”, mas na vida noturna de “pé-de-valsa”. Ele próprio reconhece que foi um jogador boêmio, sempre gostou da liberdade. Todos tinham liberdade no Santos, mas todos também se cuidavam. Como não poderia ser diferente, as freqüentes saídas noturnas do ex-ponta geravam brincadeiras por parte dos demais jogadores. Durante sua passagem pelo Peixe, por exemplo, alguns companheiros de equipe, chegaram a afirmar que Dorval dançou com um travesti acreditando se tratar de uma mulher. Mas ele garante que foi invenção do pessoal, e que tudo isso não passava de inveja, pois nunca saia com os demais jogadores, afinal, era o mais velho da turma e não queria ver os outros dizendo que ele levava os mais jovens para o mau caminho.

                   Dorval anda meio triste pela falta de apoio no projeto em que trabalha e pela falta de reconhecimento com os craques do passado, principalmente por parte do Santos F.C.  Ele diz que é complicado, pois eles esquecem de tudo que fizeram pelo clube. Comenta que certa vez foi ver o Santos jogar na Vila Belmiro e o barraram na entrada. Teve de pegar fila e comprar ingresso. Dá pra acreditar? Não é pelo dinheiro do ingresso, mas por tudo que ele fez pelo Santos F.C. Poderia ter um certo privilégio, afinal, durante anos dedicou sua vida em prol daquele clube. Outra coisa que Dorval não se conforma, é com o fato de não poder utilizar o espaço dos camarotes “Artilheiros da Vila”, inaugurados em novembro de 2005 e localizados no quarto andar da Vila Belmiro. Esses camarotes levam o nome dos artilheiros do Santos. O nome de Dorval está lá, no entanto, ele não tem direito a nenhuma cadeira. Então pergunto, por que colocar o nome dele, se não pode usufruir daquilo que conquistou, afinal, é o 6º artilheiro de toda história do Santos F.C. com 198 gols marcados. 

                   São estas coisas que nos deixam revoltados e nos incentivam a escrever cada vez mais sobre estes craques do passado. Foram homens que escreveram seus nomes em letras douradas no futebol brasileiro, pois jogavam por amor a camisa do clube que defendiam. Jamais entravam em campo pensando no “bicho” que iriam receber, pois seu maior prêmio era a vitória. Por isso, essa coluna não cansa de exaltar estes verdadeiros ídolos, que souberam honrar e dignificar o nosso futebol. Craques como Dorval, jamais serão esquecidos de nossa memória, basta vermos os títulos que ele conquistou; Campeão Paulista de 1958, 1960, 1961, 1962 e 1964. Campeão da Copa Libertadores da América em 1962 e 1963. Campeão Mundial Interclubes em 1962 e 1963. Campeão da Taça Brasil em 1961, 1962, 1963 e 1964. Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1959, 1963, 1964 e 1966. Tudo isto, sem falarmos dos inúmeros torneios que o Santos conquistou em excursões que realizou pelo mundo todo. Também foi campeão paranaense em 1970 pelo Atlético Paranaense. Agora eu pergunto, dá para não enaltecer um jogador como este?

Mesmo com todos estes fatos que chegam a entristecer Dorval, ele não consegue deixar de amar o Santos, pois ele sempre diz; “O Santos era um grande time, que envolvia a amizade entre os jogadores. Nós jogávamos dentro e fora do Brasil, fazíamos excursão de até um mês fora do país. Isso era bom tanto para o Santos quanto para nós, que aparecíamos para o mundo. Não há dinheiro que pague toda aquela felicidade que senti.”, relembra com lágrimas nos olhos.

Em pé: Zito, Ramiro, Manga, Urubatão, Getúlio e Dalmo      –     Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe
Em pé: Haroldo, Dalmo, Lima, Ismael, Gilmar e Mauro      –     Agachados: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Almir e Pepe
Em pé: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro      –      Agachados: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe
Em pé: Ramiro, Airton Pavilhão, Veludo, Scotto, Dalmo e Zito      –     Agachados : Dorval, Jair, Pelé, Pagão e Pepe.
Em pé: Dalmo, Zito, Urubatão, Formiga, Getúlio e Laércio     –     Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe.

           

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