DUQUE: era chamado de treinador macumbeiro

                   David Ferreira nasceu dia 17 de maio de 1926, na cidade de Belo Horizonte – MG. Começou no futebol como jogador, mas ficou famoso como treinador, onde dirigiu grandes equipes, aqui no Brasil e no exterior, conquistando vários títulos. Segundo ele, alguns técnicos brasileiros espalharam que ele tinha morrido, só para que ele não concorresse com eles no futebol do Oriente Médio, onde fez muito sucesso. Era um treinador folclórico e tinha fama de macumbeiro, mas segundo depoimentos de vários jogadores do Corinthians que trabalharam com ele, diziam que na verdade era um paizão para os jogadores.

                   Teve duas passagens pelo Corinthians, na primeira em 1972 chegou ao vice-campeonato brasileiro e na segunda quase tirou o time de um jejum de 22 anos. O momento mais marcante pelo clube de Parque São Jorge, foi em 1976, quando a Fiel Torcida Corintiana invadiu o Maracanã e viu seu time vencer o Fluminense classificando dessa maneira para a grande final do Brasileirão daquele ano.

NÁUTICO

                  Duque começou no futebol como jogador nos anos 40, jogando pelo Vasco da Gama, Fluminense e Canto do Rio, onde encerrou a carreira. Em 1960 tornou-se técnico e conquistou nada menos do que quatro dos seis títulos do hexacampeonato pernambucano do Náutico, em 1964, 66, 67 e 68. Ainda conquistou os títulos pernambucanos de 1970 e 1971 pelo Santa Cruz e o de 1975 pelo Sport. O maior orgulho de Duque é ter montado o melhor Clube Náutico Capiberibe de todos os tempos, nos meados dos anos 60. O time formado por Lula (jogou no Corinthians); Gena, Mauro e Fraga; Salomão e Ivan (ou Zé Carlos); Nado, Bita (o “Homem do Rifle”, já falecido e irmão de Nado, também ex-Vasco e um dos 47 de Feola para a Copa da Inglaterra), Nino e Lála, jamais será esquecido pelo fanático torcedor do centenário time pernambucano.

                 Uma das belas recordações do técnico Duque comandando o Náutico, foi num jogo em 1966, em que o time pernambucano derrotou o Santos de Pelé em pleno Pacaembu por 5 a 3. Aquele 17 de novembro de 1966 será sempre lembrado pelos alvirrubros como o dia da vitória mais espetacular da história contemporânea do Náutico. Um inesquecível capítulo na vida do clube. Afinal, neste dia, o Clube Náutico Capibaribe venceu nada menos que o “melhor time do mundo”!

                Numa fria noite de quarta-feira, o Náutico que havia perdido o primeiro jogo em Recife por 2 a 0, veio até São Paulo no jogo de volta e venceu o Santos de Pelé e companhia por 5×3, no estádio do Pacaembu. Um resultado que assombrou o Brasil, pois o Santos, naquela época era considerado o melhor time do mundo, pela imprensa brasileira e estrangeira. O Náutico vinha fazendo uma excelente campanha na Taça Brasil de 66, tinha acabado de eliminar o Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia, numa goleada de 3×0 dentro da Ilha do Retiro.

                No dia seguinte as manchetes dos jornais, tanto de Recife como do sul do país enalteciam o grande feito do time comandado pelo técnico Duque. Nunca, jamais, em tempo algum, o goleiro Gilmar, do Santos havia levado mais de três gols de um só jogador em uma partida. Ontem, só Bita fez quatro. O quinto foi do ponteiro Miruca. Nesse dia Duque mandou a campo os seguintes jogadores; Aloísio, Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Zé Carlos e Ivan Brondi; Miruca, Gilson Costa, Bita e Lalá.

CORINTHIANS

                David Ferreira, o Duque, foi o último técnico a comandar o Corinthians durante o jejum de títulos, entre 1954 e 1977, e deixou o clube justamente no ano em que o tabu caiu, passando o comando do time para o experiente Oswaldo Brandão. Antes, teve tempo de dirigir o time em 13 partidas do Paulistão-1977, motivo pelo qual também é considerado campeão daquele ano.

                A primeira passagem como técnico do Corinthians teve início em 14 de maio de 1972, durante o primeiro turno do Paulistão daquele ano. Duque chegou para substituir o técnico interino Luizinho, que havia substituído Francisco Sarno. E a estreia de Duque no comando corintiano foi num clássico contra o Santos e o jogo terminou empatado em 1 a 1, gol de Vaguinho para o Corinthians e Oberdan para o Santos. Neste dia ele mandou a campo os seguintes jogadores; Sidnei, Zé Maria, Baldochi, Luiz Carlos e Pedrinho; Tião e Rivelino; Paulo Borges (Mirandinha), Nelson Lopes, Vaguinho e Aladim. Neste ano o Corinthians ficou em 4º lugar. Naquele momento a disputa estava centrada entre Palmeiras e São Paulo e, com o Timão de fora, o técnico acabou focando no Brasileirão. Teve tempo ainda para uma rápida excursão pela Europa, onde enfrentou clubes tradicionais, como a Roma (1-0) e o Olympiakos (2-0).

                No Brasileirão, fez uma campanha muito boa e levou o time até semifinal, contra o Botafogo. No duelo com o clube carioca, no Maracanã, o Timão perdeu por 2×1 – teve um gol anulado pelo árbitro Sebastião Rufino no último minuto da partida e com isto ficou de fora da decisão. Na classificação geral, somando toda a campanha no Nacional, ficou na quarta colocação, com 36 pontos.

               Em 1973, Duque continuou no cargo e levou o clube ao título do Torneio Laudo Natel, competição entre os clubes da capital paulista. O título foi em cima do Palmeiras, em um sábado de Carnaval. Vitória por 2 a 1. Ainda disputou o Torneio do Povo e as primeiras sete rodadas do Campeonato Paulista. Uma derrota para o Santos por 3 a 0, no Morumbi, com dois gols de Pelé e um de Brecha, fez com que o técnico fosse dispensado.

               Em 1976, Duque foi chamado novamente para comandar o Timão. Fez uma grande campanha no Brasileirão e levou o time à decisão contra o Internacional, em Porto Alegre. Com a derrota por 2×0, foi vice-campeão, mas conseguiu uma vaga na Copa Libertadores-1977. Aquele campeonato, contudo, entrou para história do clube por conta da semifinal contra o Fluminense, em 5 de dezembro, no Maracanã, quando cerca de 70 mil corintianos invadiram o estádio para apoiar a equipe. O Corinthians empatou por 1 a 1 com o Fluminense.

               Duque escalou a seguinte equipe naquele dia: Tobias, Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir; Ruço, Basílio e Neca; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Pintinho fez 1 a 0 para o Flu. E Ruço, após escanteio, fez de meia bicicleta o gol de empate. Nos pênaltis, no alagado Maracanã, Tobias foi o herói e o Corinthians venceu por 4 a 1 (o último pênalti batido por Zé Maria). O Corinthians foi para a final contra o fortíssimo Internacional e perdeu por 2 a 0, gols de Dadá Maravilha e Valdomiro.

               A conquista de um título parecia estar amadurecendo e a diretoria entendeu o recado, reforçou o elenco e manteve Duque no cargo. Um começo não muito animador no Paulistão (cinco vitórias em 14 jogos), contudo, fez com que o técnico fosse demitido após uma derrota para o Guarani por 3×0, no Morumbi. No lugar de Duque assumiu Oswaldo Brandão, que conduziu o time ao título, encerrando um tabu de 22 anos. Pela participação na campanha, Duque aparece como campeão de 1977.

               No total, o técnico comandou o Corinthians em quatro temporadas e esteve a frente do time em 113 jogos. Nesse período, conquistou 54 vitórias, 36 empates e 23 derrotas, além de 139 gols marcados e 88 sofridos. Duque teve aproveitamento de 64% dos pontos disputados pelo Alvinegro. Foi campeão do Torneio Laudo Natel, em 1973, e participou do título Estadual de 1977.

FLUMINENSE

               Assim que deixou o Corinthians em 1973, assumiu o comando técnico do Fluminense do Rio de Janeiro. Montou um bom time e fez um belíssimo campeonato carioca. Para a grande final ficaram os quatro grandes do Rio. O Fluminense enfrentou o Botafogo e venceu por 1 a 0, gol de Manfrini. Enquanto que o Flamengo empatou com o Vasco e também foi para a grande final. A decisão do título carioca aconteceu dia 22 de agosto de 1973. Para este jogo o técnico Duque escalou a seguinte equipe; Felix, Toninho, Brunel, Assis e Marco Antonio; Carlos Alberto Pintinho, Cléber e Marquinhos; Dionísio, Manfrini e Lula. O jogo foi no Maracanã, que recebeu neste dia um público de 74.073 pessoas. O árbitro foi José Favili Neto. O jogo terminou com a vitória do Fluminense por 4 a 2, gols de Manfrini (2), Toninho e Dionísio. Fluminense Campeão Carioca e mais um titulo no currículo de Duque.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Trabalhou como comentarista numa rádio carioca e não pensava mais em comandar um time de futebol porque não aguentaria correr em campo para acompanhar os jogadores de perto por causa de uma artrose. Mesmo assim, David Ferreira, o Duque, não descartava a possibilidade de voltar aos gramados como um assessor tático ou como um supervisor de qualidade. Foi considerado um técnico folclórico. Usava megafone nos treinos e isto acabou irritando um jogador quando trabalhava na Arábia Saudita, tanto é, que o jogador acabou destruindo-o de raiva. Era um treinador linha dura, a tal ponto que colocava fiscais para supervisionar os jogadores casados, mesmo porque as “marias chuteiras” não dão sossego aos jogadores.

                Duque nunca negou que foi um supersticioso e também que frequentava terreiro de umbanda, pois ele dizia que precisava ter o máximo de meios para ganhar uma partida, afinal, aquele era o seu ganha pão. Este foi David Ferreira, o Duque, mais um dos inúmeros folclóricos do nosso futebol. Duque faleceu dia 16 de julho de 2017.

Canto do Rio de 1956   –   Em pé: Lafaiete, Veludo, Eli, Victor, Duque e Venâncio   –   Agachados: nenhum jogador identificado
Em pé:  Clovis, Vitor, Lafayete, Duque, Castilho e Bassu    –   Agachados: Telê Santana, Didi, Atis, Valdo e Escurinho
Seleção Universitária do Rio de Janeiro em 1960   –    Em pé: Ascendino, Duque, Marcos André, Amaro, Paulo Emílio e Toninho   –    Agachados: Enézio, Mário Cézar, Dalquir, Camatta e Almir
Em pé: Vitor, Marcos André, Élcio, Eli, Duque e Lafaiete  –    Agachados: Osmar, Mituca, Zequinha, Pinheiro e Jairo
Em pé: Píndaro, Jair Santana, Adalberto, Édson, Duque e Bigode    –    Agachados: Telê Santana, Robson, Vilalobos, João Carlos e Escurinho
Aspirantes do Fluminense em 1953   –   Em pé: Batatais, Duque, Getúlio, Adalberto, Emilsom e Bimba    –     Agachados: Villalobos, Ramiro, Lary, Ceninho e Joel
Reencontro de Rivelino com Duque depois de muitos anos
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