WALDEMAR DE BRITO: o descobridor de Pelé

                  Waldemar de Brito nasceu dia 17 de maio de 1913, em São Paulo. O tempo apagou muitos de seus feitos, mas teve participação fundamental na história do futebol brasileiro. Primeiro, foi um dos principais jogadores do país nas décadas de 30 e 40, atuando no ataque e também na armação das jogadas. Jogou no São Paulo F.C. onde marcou 56 gols. Disputou até uma Copa do Mundo em 1934 com a seleção brasileira. Mas para muitos, sua maior façanha aconteceu após o término da carreira, quando indicou aos Santos F.C. um garoto de apenas 15 anos de idade, e que mais tarde, se tornaria o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé.  Dentro de campo, Waldemar de Brito também deixou uma ótima impressão.

                 Com um estilo clássico de jogar, ele começou aparecer com sucesso no início dos anos 30.  Em 1933, foi o artilheiro  do  Campeonato  Paulista,  pelo  São Paulo da Floresta, com 21 gols, no vice-campeonato de seu time. O campeão daquele ano foi o Palestra Itália, que tinha grandes  jogadores como; Junqueira, Romeu Pellicari, Imparato e tantos outros.  Ainda em 1933, Waldemar de Brito alcançou um recorde que dificilmente será quebrado. Marcou 33 gols em 22 partidas. Uma fantástica média de 1,5 gol por jogo.  Também se consolidou como o maior artilheiro da história de uma edição do Torneio Rio-São Paulo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Em 1934, foi convocado para defender a seleção brasileira no mundial da Itália, onde foi recebido como uma das principais estrelas do Brasil ao lado de Leônidas da Silva.  O Brasil só participou daquele mundial, graças a desistência da seleção peruana. Devido a cisão entre profissionalismo e amadorismo, a CBD, entidade oficialmente amadorista, não teve à sua disposição jogadores dos clubes profissionais que não eram a ela filiados.  No entanto, a entidade contratou oito jogadores provenientes de clubes profissionais, compondo o resto do plantel com jogadores do Botafogo do Rio de Janeiro, que era a única equipe de expressão filiada a CBD, e que  a dominava politicamente. O técnico da nossa seleção, Luís Vinhais, só conseguiu reunir 17 atletas no grupo que foi à Europa – nove do Botafogo, aliado da CBD, e outros, entre eles, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que foram aliciados pela entidade com altos salários. Para fugir do assédio da confederação, o Palestra Itália (atual Palmeiras) chegou a esconder seus melhores craques em uma chácara.

                A Espanha, nossa primeira (e única) adversária naquele mundial, contratou um observador só para analisar como jogavam Waldemar de Brito e Leônidas da Silva. E o trabalho valeu a pena, pois o espião espanhol percebeu um vício de Waldemar, que era o de chutar apenas no canto esquerdo. E justamente naquela partida, aconteceu um pênalti a favor do Brasil, e advinha quem foi bater?  Waldemar de Brito.  O craque brasileiro cobrou no lado de costume e o goleiro espanhol Zamora defendeu. No final, a Espanha venceu por 3 a 1 e mandou o Brasil de volta para casa, pois naquela época, quem perdia uma partida estava fora da competição.

               Este jogo aconteceu no dia 27 de maio de 1934. O único gol brasileiro foi marcado por Leônidas da Silva e a nossa seleção jogou neste dia com; Pedrosa, Silvio Hoffman, Luiz Luz, Otacílio e Luizinho; Canalli, Ariel e Valdir; Waldemar de Brito, Leônidas da Silva e Carvalho Leite.  O Brasil ficou em 14º lugar daquela Copa que foi disputada de 25 de maio a 10 de junho na Itália e, que teve a dona da casa como campeã, ao vencer a Checoslováquia na prorrogação, uma vez que no tempo normal, terminou empatado em 1 a 1.  Waldemar de Brito, entrou para a história como o primeiro jogador a perder um pênalti em Copas do Mundo. Com a camisa da seleção brasileira, Waldemar de Brito realizou 17 partidas, sendo que 15 não foram oficiais e marcou 17 gols, sendo que 16 não foram em jogos oficiais.

DE VOLTA AO TRICOLOR

              No Brasil, Waldemar de Brito também teve passagens pelo futebol carioca, no Flamengo em 1939, quando foi campeão estadual e Fluminense. Mais experiente, depois até de jogar no San Lorenzo, da Argentina, voltou a ter destaque nos anos 40, quando defendeu o São Paulo F.C., que nesta época já havia trocado de nome. Em 1942, na linha ofensiva junto de Luizinho, Teixeirinha e Pardal, participou da inesquecível estréia de Leônidas da Silva no Tricolor, no empate de 3 a 3 com o Corinthians, quando foi registrado o público de 70.281 torcedores no Pacaembu.

             Neste dia, 24 de maio de 1942, o São Paulo jogou com; Doutor, Fiorotti e Virgílio; Zacilis, Lola e Silva; Luizinho, Waldemar de Brito, Leônidas da Silva, Teixeirinha e Pardal. Neste ano, mesmo sem o título, o São Paulo terminou o campeonato paulista com uma espantosa média; 26 gols em 26 rodadas.  No ano seguinte, registrou o início da decadência de Waldemar de Brito. Embora tenha sido campeão paulista de 1943 com o São Paulo, sentiu o gosto em boa parte da campanha, do banco de reservas.  O São Paulo teve um mau início no campeonato. Perdeu seis pontos, derrotado pelo Corinthians e Ipiranga, empatando com Portuguesa e Juventus (naquela época vitória valia 2 pontos). Depois desse jogo porém, o técnico Conrado Ross, que não se dava bem com os jogadores, foi dispensado.

             E o incrível Paulo Machado de Carvalho resolveu contratar para o seu lugar, um ex-jornalista esportivo, Jorge de Lima, o famoso Joreca. Daí em diante, o time ganhou todas as partidas do segundo turno e só empatou em 0 a 0, na decisão com o Palmeiras, em 3 de outubro de 1943.  Pelo São Paulo F.C. Waldemar de Brito realizou 138 partidas. Venceu 60, empatou 37 e perdeu 41. Marcou ao todo 56 gols com a camisa tricolor.  Dois anos depois, Waldemar de Brito foi jogar no Palmeiras, onde realizou apenas 15 partidas e marcou 5 gols. Depois jogou na Portuguesa Santista, onde encerrou sua carreira de sucesso.

DESCOBRIDOR  DE  PELÉ

              Mestre nos gramados, Waldemar de Brito abraçou o projeto de garimpar talentos no Bauru Atlético Clube, onde trabalhou como técnico da equipe. Em 1954, na preliminar de um compromisso da equipe principal, surgiu nas categorias de base um jovem com imenso talento, que marcou sete gols de seu time na goleada de 12 a 1.  Foi o suficiente para chamar a atenção do ex-craque da seleção brasileira e do Tricolor. Experiente, Waldemar de Brito não deixou o Bauru aceitar uma proposta relâmpago do Noroeste por Pelé. Ele sabia que o jovem tinha potencial para brilhar em um clube maior.

               Por isso, em 1956, levou sua revelação ao Santos e, na apresentação do futuro fenômeno no clube, previu; “Esse será o maior do mundo”.  O tempo mostrou que seu pressentimento estava certo. Quando Pelé chegou no Santos F. C., levado por Waldemar de Brito, a crônica esportiva da cidade de Santos, não falava de outra coisa, se não da chegada daquele jovem que no primeiro treino que realizou no meio de tantas feras como; Formiga, Zito, Pagão, Pepe e outros. Tanto é que no dia seguinte saiu a seguinte notícia num dos principais jornais da cidade praiana, escrita pelo famoso repórter De Vaney;  “A reportagem esteve ontem, pela manhã, assistindo a movimentação do plantel do Santos Football Club.

               Nos 40 minutos de atividades dos profissionais, destacou-se sobremaneira, o meia-direita que formou na equipe de suplentes, com um trabalho sóbrio, porém de boas qualidades técnicas, impressionando assim, favoravelmente a todos que lá estiveram, e principalmente a direção técnica do campeão paulista de 1955.  Após o coletivo, a reportagem se movimentou e apurou tratar-se do jovem Edson Arantes do Nascimento, com 16 anos de idade, estudante, que procedia de Bauru, sem estar vinculado a qualquer agremiação esportiva. A seguir, o diretor do departamento profissional do Santos iniciou entendimentos com seu progenitor e ainda com o famoso jogador do passado Waldemar de Brito, que é o orientador intelectual da grande promessa futebolística, presente nossa reportagem. Tudo assentado, Edson Arantes do Nascimento (conhecido por Pelé) foi contratado pelo campeão paulista de 1955. Receberá o jovem Cr$ 6.000,00 mensais e estudará em um dos colégios de nossa cidade, às expensas do Santos Football Club em curso ginasial.

               Waldemar de Brito, salientou ainda que Edson desde a idade de 13 anos, vem sendo lapidado cuidadosamente e que seu trabalho (dele, Waldemar), não tem sido em vão, pois o garoto, possui futebol nos pés e ficará perfeitamente entrosado no Santos, ao qual considera no momento, o melhor do estado de São Paulo. Deixou Waldemar de Brito uma saudação aos esportistas de Santos a quem é muito grato, pois em sua carreira esportiva, sempre teve de parte dos santistas o melhor aplauso, sendo essa sua preferência em trazer para o Santos Football Club o jovem Pelé”.

              E assim, o nosso Waldemar de Brito deu sua enorme colaboração para o nosso futebol brasileiro, ao descobrir o maior jogador de futebol de todos os tempos, o Rei Pelé. Somente um craque como Waldemar poderia notar aquele belíssimo diamante, que mesmo sem ser lapidado, já brilhava intensamente. Por isso, o nosso muito obrigado a Waldemar de Brito, que faleceu dia 21 de fevereiro de 1979. 

Em pé: Luizinho, Leônidas da Silva, King, Virgílio, Silva e Noronha    –    Agachados: Piolim, Waldemar de Brito, Lola, Remo e Pardal
Em pé: Fiorotti, Luizinho, Doutor, Virgílio, Lola e Zaclis      –     Agachados: Silva, Teixeirinha, Waldemar de Brito, Remo e Pardal

                                                                              

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