NAIR: brilhou na Portuguesa e no Corinthians

                  Nair José da Silva nasceu dia 20 de maio de 1937, na cidade de Itaperuna – RJ. Foi um meia-armador da Portuguesa de Desportos nos anos de 1963 e 1965. No ano seguinte foi comprado pelo Corinthians juntamente com o zagueiro central Ditão. Neste ano também o alvinegro de Parque São Jorge contratou o ponta direita mais famoso do futebol mundial, Garrincha, que já estava em final de carreira. E a torcida corintiana naquele ano costumava cantar “Vocês vão ver como é Ditão, Nair e Mané”. Jogou no Corinthians de 1966 até 1968 e nesse período fez o meio de campo corintiano ao lado de Rivelino, que ainda estava dando seus primeiros passos no futebol profissional. Nair jogou também no Botafogo de Ribeirão Preto (antes da Lusa) e no Atlético Paranaense de 1969 até 1971, quando encerrou a carreira. Sempre jogou ao lado de grandes craques. Na Portuguesa tinha Ivair, Félix, Jair Marinho, Ditão e tantos outros. Já no Corinthians jogou ao lado de Rivelino, Tales, Flávio, Marcial e tantos outros.

INÍCIO DE CARREIRA

Começou a carreira no Madureira do Rio de Janeiro, depois veio para o Botafogo de Ribeirão Preto no início da década de 60, quando o time o clube formou uma de suas principais equipes, tanto é, que sempre tirava pontos dos chamados grandes da capital paulista. Assim foi no dia 16 de julho de 1961, quando o Botafogo jogando em pleno Pacaembu, arrancou um empate de 2 a 2 com o Corinthians. Neste dia o time de Ribeirão Preto jogou com; Machado, Ditinho, Tatau, Valter e Julião; Tarciso e Nair; Alex, Silva, China e Ivan. Os gols do alvinegro de Parque São Jorge foram anotados por Miranda e Benedito, enquanto que para o time do interior marcaram Valter e Silva.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

                Em 1963 foi jogar na Lusa do Canindé, onde também encontrou grandes craques. A Portuguesa fez excursões maravilhosas pela Europa e sempre voltava com grandes resultados, prova disso foi uma excursão na qual enfrentou times como Porto, Sporting (Portugal), Inter, Juventus (Itália), Betis e Espanhol (Espanha). Ao todo foram 15 jogos sem nenhuma derrota. A equipe da Lusa era a seguinte; Orlando, Cacá, Ditão, Edilson e Vilela; Pampolini e Nair; Nilson, Cássio, Gino e Gessy.

               Em 1964, a Lusa fez dois grandes jogos contra o Santos de Pelé & Cia. O primeiro aconteceu no primeiro turno, mais precisamente no dia 27 de setembro. O jogo foi realizado em São Paulo e a Portuguesa venceu por 4 a 3. Os gols foram marcados na seguinte ordem; Pelé abriu o placar aos 10 minutos de jogo. Nair empatou ainda no primeiro tempo cobrando pênalti. Dida desempatou para a Lusa logo aos 4 minutos da etapa complementar. Pelé empatou aos 20 também cobrando pênalti. Almir desempatou para a Lusa aos 29 e Dida aumentou o placar aos 35 e Pepe diminuiu aos 43 minutos. Fechando assim o placar de 4 a 3 para a Portuguesa.  O segundo jogo foi na última rodada do Campeonato e pelos pontos obtidos durante o certame, quem ganhasse aquele jogo seria o campeão paulista de 1964.  Esta foi sem dúvida a maior chance que a Lusa teve nos últimos anos de conquistar mais um título paulista.

                Naquele domingo à tarde, com verdadeiro dilúvio caindo na Vila Belmiro, Ivair chegou a sofrer um pênalti escandaloso do lateral direito Ismael, não marcado pelo árbitro Armando Marques.  O lance aconteceu no primeiro tempo, quando o placar ainda estava em branco.  O Santos venceu por 3 a 2 e todos os gols aconteceram no segundo tempo, sendo eles na seguinte ordem: Toninho, Pepe, Ismael (contra), Ditão e Pepe de falta.  Neste dia a Portuguesa que era comandada por Aymoré Moreira, jogou com a seguinte formação: Orlando, Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva e Edílson; Pampolini e Nair; Almir, Henrique, Dida e Ivair.  Este jogo foi transmitido ao vivo pela TV Record, canal 7, no comando do fanático torcedor da Lusa, o saudoso e inesquecível Raul Tabajara.  E o Santos F. C. jogou, venceu e sagrou-se campeão de 64, com a seguinte formação: Gilmar, Ismael, Modesto, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe. O técnico da equipe santista era o saudoso Luiz Alonso Peres, mais conhecido por Lula.

CORINTHIANS

Sua transferência da Portuguesa para o Corinthians, em 1966, ao lado do zagueiro-central Ditão, foi extremamente problemática e polêmica. O ex-presidente da Lusa, José Bizarro da Nave, alegou que os seus jogadores foram aliciados pelo “alto poder financeiro” do time do Parque São Jorge. O interesse corintiano por Nair era desde o ano anterior, quando o meio-campista fez um excelente Campeonato Paulista, sendo inclusive convocado para defender a Seleção Paulista daquele ano em diversas oportunidades, como por exemplo para um jogo do dia 21 de novembro. A tarde a seleção considerada “A” enfrentou a União Soviética no Maracanã e empatou em 2 a 2. Os gols brasileiros foram anotados por Pelé e Gerson. Naquele mesmo dia a noite, a seleção “B” que era formada somente por jogadores paulistas, enfrentaram a Hungria no Pacaembu e venceu por 5 a 3. Os gols brasileiros foram anotados por Servilio (2), Lima, Abel e Nair.  Neste jogo nossa seleção foi comandada por dois treinadores, Aymoré Moreira e Luiz Alonso Peres, o Lula, ambos já falecidos, que mandaram a campo a seguinte formação; Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Procópio e Edmilson; Lima e Nair; Marcos, Prado, Coutinho e Abel. O árbitro da partida foi Eunápio de Queiroz. Este jogo teve um público pagante de vinte cinco mil pessoas e marcou a despedida do jogador Coutinho da seleção e por outro lado a estréia do goleiro Felix.

               A estréia de Nair no time corintiano, aconteceu no dia 13 de fevereiro de 1966, quando o Timão derrotou o Fluminense por 2 a 0 pelo Torneio Rio-São Paulo. Os gols foram marcados por Gilson Porto e Nei. Neste dia o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo os seguintes jogadores; Heitor, Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Edson; Nair e Rivelino; Marcos (Bataglia), Flávio (Nei), Tales e Gilson Porto. Ainda neste ano de 1966, Nair participou de dois jogos que entraram para a história do futebol. A primeira foi no dia 2 de março, quando Garrincha fez sua estréia com a camisa alvinegra de Parque São Jorge diante do Vasco da Gama. Mané Garrincha não foi feliz em sua estréia, pois o Vasco venceu por 3 a 0, gols de Célio (2) e Maranhão. O curioso da história é que no dia desse jogo, o jornal “A Gazeta Esportiva” estampou em sua primeira página: “Vocês verão como é: Ditão, Nair e MANÉ”. Só que, na prática, a história foi bem diferente com o Timão, mais uma vez, perdendo na estréia de um grande craque. Garrincha jogou apenas 13 jogos pelo Corinthians e marcou somente dois gols.

               A segunda partida de Nair pelo Corinthians e que entrou para a história, aconteceu no dia 17 de dezembro de 1966. O jogo foi contra o Santos e naquela oportunidade havia o famoso tabu, e já faziam nove anos que o Corinthians não vencia o Peixe em Campeonatos Paulista. Neste dia o treinador do Corinthians Zezé Moreira mando a campo os seguintes jogadores; Marcial, Jair Marinho, Ditão, Clóvis e Maciel; Nair e Rivelino; Bataglia, Tales, Flávio e Gilson Porto.  Já o técnico Lula escalou o seguinte time; Cláudio, Modesto, Mauro Ramos de Oliveira, Orlando Peçanha e Geraldino; Zito e Joel Camargo; Dorval, Lima, Toninho Guerreiro e Abel. O jogo começou tenso e Flávio abriu o placar aos 32 minutos da primeira etapa. Aos 30 do segundo tempo, Zito empatou a partida.

              Tudo parecia que este seria o placar final, quando aos 42 minutos, o lateral direito Modesto derruba Gilson Porto dentro da área e o árbitro Armando Marques não tem dúvida, marca pênalti. O encarregado da cobrança era Nair. A torcida corintiana vibra, pois com 2 a 1 no placar e faltando apenas alguns minutos para terminar a partida, seria o fim do famoso tabu.  Mas, para desespero da Fiel e principalmente de Nair, o goleiro Cláudio defendeu. E assim dessa maneira, o tabu se arrastaria por mais dois anos, pois somente no dia 6 de março de 1968 ele acabaria.

               A última partida de Nair com a camisa corintiana, também foi um jogo que entrou para a história do futebol paulista. Foi no dia 19 de novembro de 1967, quando o Corinthians perdeu para o Palmeiras por 2 a 0, com dois gols de Tupãzinho.  Os dois gols foram idênticos, falta do meio de campo, goleiro num canto e bola no outro. Todos acharam que o goleiro Barbosinha estava vendido e nunca mais vestiu a camisa do Corinthians. Com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge, Nair disputou 90 partidas. Venceu 53, empatou 19 e perdeu 18. Marcou 14 gols. Depois jogou ainda no Atlético Paranaense, onde disputou a Taça de Prata de 1968. Nesse time haviam vários jogadores em fim de carreira como, Bellini, Gildo, Zé Roberto e Nilson. E por lá encerrou a carreira. Nair é casado pela segunda vez, tem cinco filhos e cinco netos e vive em Madureira – RJ.

Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Edson e Heitor      –    Agachados: Garrincha, Nair, Flavio, Tales e Gilson Porto
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Clóvis, Galhardo, Edson e Dino Sani      –     Agachados: Marcos, Rivelino, Flávio, Nair e Gilson Porto
Em pé: Augusto, Vilela, Ditão, Félix, Amaro e Edilson     –     Agachados: Almir, Nair, Aloísio, Ademar e Ivair
Em pé: Jair Marinho, Edson, Galhardo, Ditão, Dino Sani e Heitor     –   Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gilson Porto
NAIR – FÉLIX – JAIR MARINHO
Em pé: Félix, Henrique Pereira, Ditão, Pampolini, Wilson Silva e Cacá    –     Agachados: Mário Américo, Neivaldo, Henrique Frade, Dida, Nair e Nilson.

 

 

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