TURCÃO: ídolo no Palmeiras e no São Paulo

                 Alberto Chuari nasceu dia 24 de maio de 1926, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. Jogou no Palmeiras na década de 40 e no São Paulo na década de 50. Foi campeão paulista nos dois clubes, mas destacou-se mesmo foi no Palmeiras, onde sagrou-se campeão em 1944, 1947 e 1950. Já pelo Tricolor sagrou-se campeão em 1953. Jogou ao lado de grandes craques como Oberdan Catani, Valdemar Fiume, Zezé Procópio e tantos outros, mas também teve que marcar jogadores excepcionais como; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Servílio o bailarino e tantos outros.

INÍCIO DE CARREIRA

                 O senhor Carlos Paeta, que era oficial da Light, percorreu os campos de futebol pra procurar quem gostasse praticar futebol e tentar jogar no Ypiranga. Viu Turcão jogando no Ás de Ouro, da Vila Mariana e o  convidou. Só treinava no Ypiranga, pois eles não o deixaram jogar. Sendo assim, resolveu treinar no Palestra Itália, jogando como Juvenil.

PALMEIRAS

                 Chegou no Palestra em 1942. Até 1944 participava de um jogo e outro. Em 1945, quando o clube já havia mudado de nome para Sociedade Esportiva Palmeiras, foi que ele se tornou profissional e naquela época o alviverde tinha jogadores espetaculares. Apenas para citar; Oberdan Catani, que na época era considerado o melhor goleiro da América e talvez do mundo. Valdemar Fiume, um jogador que apenas os mais antigos tiveram a sorte de ver jogar, e jogar tanto, que não poderiam mesmo ter-lhe dado outro apelido que não o de “Pai da Bola”.

               Por isso ele é um dos que tem um busto lá no Parque Antarctica. E tantos outros que se formos fazer uma lista ela será bem comprida. Turcão começou jogando como lateral esquerdo, mas quando lhe deram uma oportunidade na zaga central, não saiu mais do time. Marcou jogadores como Leônidas da Silva do São Paulo e Servílio do Corinthians, jogadores que não podiam dar espaço, caso contrário era gol na certa.

               Chegou o ano de 1947 e o Palmeiras formou um grande esquadrão; Oberdan, Caieira e Turcão; Zezé Procópio, Túlio e Valdemar Fiume; Lula, Osvaldinho, Arthurzinho, Lima e Canhotinho. O técnico era o saudoso Oswaldo Brandão. A tabela marcava para o dia 28 de dezembro de 1947 o jogo entre Palmeiras e Santos pela antepenúltima rodada do segundo turno do Campeonato Paulista. O Santos não tinha um grande time naquele ano, mas como o jogo era na Vila Belmiro o jogo poderia ficar mais difícil. No entanto, o Palmeiras venceu por 2 a 1, com um dos gols sendo marcado por Turcão. O gol foi quase do meio-de-campo.

                O chute foi tão forte que atravessou o campo todo, como o goleiro santista estava um pouco adiantado, quando quis voltar já era tarde. Com esta vitória o Palmeiras praticamente sagrou-se campeão paulista daquele ano. Nessa época Turcão estava com 21 anos de idade. Foi carregado em triunfo e na comemoração um sujeito meteu a mão no seu pescoço, arrancando sua correntinha de ouro. Tentou pega-lo mas não conseguiu. Então foi no jornal e fez um pedido tão comovente, que o sujeito acabou devolvendo e está com seu filho até hoje.

               O São Paulo que já havia sido campeão paulista em 1945 e 46, voltou a conquistar o título em 1948 e 49. Veio então o ano de 1950, onde o Palmeiras formou novamente um grande time; Oberdan, Sarno e Turcão; Salvador, Luiz Villa e Valdemar Fiume; Nestor, Rodrigues, Aquiles, Jair da Rosa Pinto e Lima. O técnico era Jim Lopes. O jogo que decidiu o título aconteceu dia 28 de janeiro de 1951, quando o alviverde enfrentou o São Paulo e empatou em 1 a 1.

               O gol palmeirense foi marcado por Aquiles. Havia chovido muito naquele dia, o campo estava horroroso, tanto é que a bola parou no meio da lama e Aquiles aproveitou e acertou um chute muito forte, abrindo o placar. Mas o Tricolor empatou através de Teixeirinha. Assim que terminou o Campeonato Paulista de 1950, também acabou o contrato de Turcão com o Palmeiras. Aproveitando a oportunidade da renovação, Turcão pediu um aumento salarial na certeza que iria ser dado, afinal, todos os jogadores do elenco já ganhavam acima de 20 mil.

              Mas para sua surpresa não lhe deram o aumento.  Mesmo com o argumento que era campeão juvenil, amador e duas vezes como profissional, não teve conversa. Disseram que pagariam somente 8 mil. De tanto Turcão insistir, disseram que iriam pensar no caso e que no dia seguinte dariam a resposta. No entanto, naquela mesma noite venderam seu passe ao Guarani de Campinas, onde jogou apenas um mes.

SÃO PAULO F.C.

               Assim que o Tricolor ficou sabendo que Turcão havia saído do Palmeiras, imediatamente foram busca-lo. Quando chegou a equipe Tricolor era assim formada; Poy, Turcão, Mauro Ramos de Oliveira, Bauer e Pé de Valsa; Dino Sani e Alvaro; Luiz Rosa, Lauro, Durva e Luiz Marini. Este foi o time que perdeu para o Corinthians por 4 a 1 no dia 16 de dezembro de 1951. Tres gols de Jackson e um de Cláudio. Para o Tricolor marcou Alvaro. Neste ano o Corinthians tinha um ataque sensacional, tanto é, que em 28 jogos do Campeonato Paulista, marcou 103 gols. E com uma campanha espetacular, o alvinegro de Parque São Jorge sagrou-se campeão daquele ano e no ano seguinte também.

              Chegava o ano de 1953 e o time começou o Campeonato Paulista embalado. Goleou o Comercial de Ribeirão Preto por 6 a 1, depois venceu o XV de Jaú por 3 a 0 e o Nacional por 4 a 1. O título foi decidido no dia 24 de janeiro de 1954, quando o Tricolor venceu o Santos por 3 a 1 em plena Vila Belmiro. Os gols foram marcados por Albella (2) e Maurinho. A campanha foi a seguinte: 24 jogos com apenas duas derrotas e dois empates. Marcou 70 gols e sofreu 21.

               Turcão recorda as boas amizades que fez com seus companheiros de clube e fala um pouco de alguns. “O Mauro era algo fora do comum, grande jogador e pessoa, um amigo que todos gostavam, morreu precocemente com câncer, craque extraordinário e elegante, altamente técnico, mas não gostava do apelido de Martha Rocha, já que a mulherada era fã dele. Naquele tempo as amizades eram muito boas. Até hoje sou amigo do Oberdan Cattani e dos jogadores do Palmeiras. Bauer enfrentei e depois joguei junto, na Copa do Mundo de 1950 foi chamado de Monstro do Maracanã.

               Formou com o Ruy e Noronha uma linha-média sensacional. Eu marquei o Garrincha duas vezes e não quero me lembrar. Ele era muito habilidoso e passava por mim. Conversei com ele e falei “não faz palhaçada comigo, hein, passa, vai embora, se não você vai ver”. Mas ele não fez palhaçada comigo. Perdemos para o Botafogo duas vezes, mas eu não gostava de jogar contra ele. Já o Leônidas tinha uma velocidade impressionante. Marquei ele duas vezes. O ‘Diamante Negro’ não fez gol, mas era perigosíssimo. Você bobeava, ele chegava primeiro que você. E para terminar vou falar do Canhoteiro.

               Quem trouxe ele pro São Paulo foi o Wilson, antigo zagueiro do Vasco, que pediu pra mim não jogar tão duro, já que o menino era magrinho. Começou o treino, sendo que na primeira bola passou por mim parecendo que eu nem existia. Na segunda, terceira e quarta a mesma coisa. Resumindo, pra não falar muito, quando acabou o treino, o Wilson veio me agradecer, dizendo que ele seria contratado e eu falei pra contratar mesmo, pois tomei um baile de um jogador que se tornou um fora-de-série. Infelizmente não tinha juízo e morreu precocemente.

               Turcão não teve moleza na época em que jogou, pois enfrentou verdadeiros craques, pois naquela época para ser titular de um Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo precisava jogar muita bola. E para dar um pequeno exemplo disto, vejam os jogadores que formavam o ataque de seus clubes; Lima, Liminha, Humberto Tozzi, Jair da Rosa Pinto e Rodrigues pelo Palmeiras. Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário pelo Corinthians. Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão pela Portuguesa. Tite, Del Vecchio, Alvaro, Vasconcelos e Pépe pelo Santos. Turcão encerrou a carreira em 1956 com 30 anos de idade, devido a um grave problema no joelho.

              Antes de encerrar a carreira ainda jogou algum tempo no Santa Cruz de Recife por empréstimo, mas quando voltou para o São Paulo o joelho não agüentava mais. Neste ano de 1956, o São Paulo foi Vice-Campeão, perdendo para o Santos. O jogo que garantiu o título foi realizado no Pacaembu dia 3 de janeiro de 1957 e o alvinegro venceu por 4 a 2, com dois gols de Del Vecchio, um de Feijó e um de Tite, enquanto que para o São Paulo, os dois gols foram marcados por Zézinho. Depois que parou de jogar bola foi trabalhar na Kibon, onde ficou por um bom tempo antes de se aposentar em definitivo.

SELEÇÃO

               Atuou apenas em uma partida pela Seleção Brasileira, foi pela Taça Bernardo O`Higgins em 1955. Para Turcão foi uma grande emoção vestir a camisa canarinho. Jogou também pela Seleção Paulista várias vezes, que naquela época não era para qualquer um vestir aquela camisa, pois só tinha feras em sua posição. Segundo Turcão, os jogadores de hoje não tem amor a camisa, coisa que sobrava nos jogadores de sua época. Turcão faleceu dia 21 de abril de 2013.

Em pé: Bonelli, De Sordi, Victor, Turcão e Mauro    –     Agachados: Maurinho, Zézinho, Gino Orlando, Manéca e Canhoteiro
Em pé: Vicente Feola, Bauer, Turcão, Mauro Ramos de Oliveira e o mordomo Serrone    –    Agachados: Alfredo Ramos, De Sordi, Maurinho e Canhoteiro  (todos jogadores do São Paulo)
Em pé: Caieiras, Zezé Procópio, Túlio, Oberdan, Valdemar Fiume e Turcão    –    Agachados: Lula, Arturzinho, Osvaldinho, Lima e Canhotinho
Em pé: Turcão, Alfredo, Poy, Bauer, Dino e Mauro Ramos de Oliveira   –    Agachados: Alcindo, Durval, Lauro, Bibe e Luiz Marini
Em pé: Alfredo Ramos, Turcão, Pé de Valsa, Poy, Bauer, Mauro Ramos de Oliveira e um integrante da comissão técnica   –     Agachados: Alcindo, Bibe, Durval, Rodrigues e Maurinho
Em pé: O treinador Vicente Feola, Riberto, Sarará, Bonelli, Turcão, Alfredo Ramos e Mauro Ramos de Oliveira    –    Agachados: Maurinho, Lanzoninho, Gino, Dino Sani e Canhoteiro
Em pé: de óculos escuro é Mário Moraes, Turcão, Oswaldo Palante, Oberdan, Francisco Sarno, Luiz Villa, Waldemar Fiúme, o massagista Guido e o roupeiro Tamanqueiro    –     Agachados: Eduardo Lima, Canhotinho, Aquiles, Jair Rosa Pinto e Rodrigues Tatu
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