BENÊ: tirou um título do São Paulo no último minuto de jogo

                   Benedito Carlos de Souza nasceu dia 25 de maio de 1946, na cidade de São Paulo (SP). Existem jogadores que escrevem sua história graças aos campeonatos conquistados, ou ainda por um único gol, mesmo que esse gol não tenha representado absolutamente nada em termos de título para o seu clube, pois foi exatamente isso que aconteceu na carreira de Benê, quando marcou um gol contra o São Paulo pelo Campeonato Paulista de 1967. Este gol não valeu nada para o Corinthians, no entanto, foi um gol que até hoje o torcedor são-paulino não esquece, pois ele tirou o titulo do Tricolor, titulo este que iria acabar com um jejum de dez anos.

CORINTHIANS 

                  Benê começou sua carreira no Corinthians e chegou ao elenco de profissionais somente no ano de 1967, quando disputou seu primeiro Campeonato Paulista na suplência de Flávio Minuano. Oportunista de carteirinha se destacava mais pela voluntariedade e pelo faro de gol do que propriamente pelos seus atributos técnicos. Naqueles tempos de ausência de títulos lá pelas bandas do Parque São Jorge, Benê partiu com a delegação alvinegra para o estádio do Pacaembu, naquele dia 17 de dezembro de 1967, sem nenhuma pretensão de colocar uma faixa de campeão no peito. Aquela data marcava mais um clássico contra o São Paulo e o tricolor do Morumbi estava ansioso em quebrar uma escrita que também já durava dez anos sem uma conquista estadual.

                  Relacionado inicialmente para compor o banco de reservas, Benê foi informado repentinamente pelo técnico Lula que jogaria aquela partida no lugar de Flávio Minuano. Naquele ano o São Paulo aparecia como vice-líder do campeonato até a penúltima rodada do returno (na classificação por pontos ganhos), com um ponto a menos que o Santos. Correndo paralelamente, o time da Vila Belmiro ainda aguardava o resultado de uma ação que tramitava nos tribunais, referente ao jogo interrompido contra o Comercial de Ribeirão Preto por falta de garantias de segurança.

                 O Santos fatalmente acabaria vencendo o recurso jurídico e assim ganharia mais um ponto na tabela de classificação. Mesmo com uma vitória do São Paulo contra o Corinthians, haveria a necessidade da realização de um “jogo extra”. Caso o Santos não fosse beneficiado pelo ponto nessa questão, o São Paulo poderia sair do Pacaembu com o título. Com o empate do São Paulo contra o Corinthians, a classificação do campeonato registrou uma igualdade de “pontos ganhos” entre Santos e São Paulo, cabendo ainda o resultado final do recurso promovido pelo Santos para decidir o campeonato. Então, o presidente da Federação Paulista de Futebol, João Mendonça Falcão, entrou em ação. Ele imediatamente tratou de convencer os dirigentes santistas para retirar o recurso da partida contra o Comercial, havendo então a necessidade da realização de uma partida extra para decidir o certame, o que financeiramente seria muito atraente.

MAJESTOSO

                 Para este jogo o técnico Sylvio Pirilo escalou a seguinte equipe; Picasso, Renato, Jurandir, Roberto Dias e Edilson; Nenê e Lourival; Valter, Dejair, Babá, e Paraná. Do outro lado o técnico Lula mandou a campo os seguintes jogadores; Marcial, Osvaldo Cunha, Ditão, Clóvis e Maciel; Edson e Rivelino; Marcos, Tales, Benê e Gilson Porto. O primeiro tempo registrou um empate sem gols, deixando a torcida tricolor, que praticamente dominava o estádio, muito apreensiva. No segundo tempo, quando eram jogados 25 minutos, o médio volante Lourival acertou um forte arremate que venceu o goleiro Marcial e a torcida são-paulina enlouqueceu de alegria. O Corinthians fazia uma partida apática e nada parecia arriscar o histórico triunfo do “Time da Fé”.

                 No minuto derradeiro de jogo, quando já se ouvia aquela tradicional marchinha, “…tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora…”, uma última bola foi levantada por Maciel em direção da grande área do goleiro Picasso. O centroavante Benê, bem colocado, acerta uma cabeçada que toca junto ao pé do poste esquerdo, rolando depois caprichosamente em cima da linha fatal.  O próprio Benê, um tanto desequilibrado, tocou de canela na bola que mansamente trilhou para o barbante do arco tricolor. O Pacaembu silenciou e mal o São Paulo deu uma nova saída, o árbitro Armando Marques decretou o final do encontro. Esse gol fez com que o São Paulo fosse obrigado a disputar o título com o Santos em um jogo extra. E deu Santos 2 a 1, gols de Edu e Toninho Guerreiro, enquanto que Babá marcou para o São Paulo.

                 Em 1968, Benê foi cedido por empréstimo ao Corinthians de Presidente Prudente, retornando na temporada seguinte. Benê ainda permaneceu no Corinthians até o ano de 1971, quando foi negociado junto ao S.C. Internacional. Ao todo, Benê atuou pelo Corinthians em 161 jogos obtendo 83 vitórias, 42 empates, 36 derrotas e 50 gols marcados. No Inter, Benê foi campeão gaúcho de 1971 e em seguida defendeu os times da Ponta-grossense (PR), Portuguesa de Desportos, Saad (SP) e XV de Piracicaba, encerrando sua carreira no Velo Clube da cidade de Rio Claro, no ano de 1977.

Em pé: Polaco, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Pedro Rodrigues e Alexandre   –    Agachados: Paulo Borges, Ivair, Benê, Rivelino e Suingue
Em pé: Lula, Dirceu Alves, Ditão, Luiz Carlos, Polaco e Miranda   –    Agachados: Toninho (massagista), Paulo Borges, Ivair, Benê, Suingue e Lima
Em pé: Dirceu Alves, Lidu, Carlos, Clóvis, Edson e Diogo   –    Agachados: Paulo Borges, Adnan, Benê, Rivelino e Eduardo
Em pé: Luís Carlos, Dirceu Alves, Maciel, Ditão, Pedro Rodrigues e Lula   –    Agachados: Paulo Borges, Tales, Benê, Rivelino e Buião
1971   –   Em pé: Gainete, Bibiano Pontes, Hermínio, Jorge Andrade, Carbone e Édson Madureira   –    Agachados: Valdomiro, Sérgio Galocha, Claudiomiro, Paulo César Carpegiani e Benê
Em pé: Fogueira, Ado, Ditão, Dirceu Alves, Luís Carlos e Miranda   –    Agachados: Paulo Borges, Ivair, Benê, Rivelino e Aladim
1969   –   Em pé: Ado, Pedro Rodrigues, Miranda, Luis Carlos, Ditão e Tião    –   Agachados: Ivair, Suingue, Lima, Benê e Rivelino
Em pé: Miranda, Fogueira, Ado, Ditão, Dirceu Alves e Luís Carlos    –    Agachados: Paulo Borges, Ivair, Rivelino, Benê e Aladim
Em pé: Zé Maria, Luis Carlos, Benê, Tião, Ditão e Ado    –     Agachados: Pedrinho, Lindóia, Paulo Borges, Rivelino e Aladim

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