EDU BALA: titular da segunda Academia Palmeirense

                Carlos Eduardo da Silva nasceu dia 25 de outubro de 1948, na cidade de São Paulo – SP. Foi um ponta direita de muita velocidade, daí o apelido de Edu Bala. Jogou na Portuguesa de Desportos, no Palmeiras e no São Paulo, mas sua melhor fase foi sem dúvida alguma na Sociedade Esportiva Palmeiras, onde disputou 472 jogos com a camisa do alviverde de Parque Antarctica. Teve a honra de participar da segunda Academia de Futebol do Palmeiras, um time que deu muitas alegrias à torcida esmeraldina. Quem não se lembra daquele time da década de 70, onde jogavam; Leão, Eurico, Luiz Pereira, Alfredo e Zéca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei.

              O técnico era Osvaldo Brandão, um verdadeiro colecionador de títulos. Edu jogou no Palmeiras de 1969 até 1978 e nesse período sagrou-se campeão paulista em 1972 (invicto), 1974 e 1976. Campeão Brasileiro em 1972 e 1973. Campeão do Torneio Ramon de Carranza em 1974 e 1975, campeão do Torneio Laudo Natel em 1972, campeão do Torneio Mar del Plata, na Argentina em 1972 e campeão do Torneio Centenário da Imigração Italiana no Brasil em 1975. Ao todo Edu marcou 75 gols com a gloriosa camisa alviverde.

PORTUGUESA

               Em 1968, Edu começou sua carreira de jogador profissional jogando na Portuguesa de Desportos e nessa época a Lusa do Canindé tinha um grande time, com jogadores que depois iriam se consagrar em outros clubes. A formação era; Orlando, Zé Maria, Marinho Perez, Ulisses e Augusto; Lorico e Paes; Edu, Leivinha, Ivair e Basílio. Realmente um time que impunha muito respeito a seus adversários. Foi com este time que a Lusa travou um grande duelo com o Corinthians no dia 16 de março de 1969, onde o time de Parque São Jorge venceu por 3 a 2. Os gols corintianos foram marcados por Eduardo, Tales e Servilio. Para o time da Lusa marcaram Paes e Basílio. Deste time da Portuguesa, Zé Maria se consagrou como Super Zé no Corinthians e foi titular absoluto da nossa seleção na Copa de 1974, disputada na Alemanha.

               Marinho Peres foi para o Barcelona e também jogou no Santos ao lado de Pelé e disputou a Copa de 1974. Leivinha foi um grande nome dentro da Sociedade Esportiva Palmeiras, onde chegou a jogar com Edu por vários anos, formando a segunda Academia Palmeirense. Ivair também foi um grande nome dentro do Canindé e também no Corinthians, onde jogou por algumas temporadas. Basílio se consagrou em 1977, ao marcar o gol que tirou o Corinthians de um jejum de vinte e dois anos e oito meses. Jogando pela Portuguesa, Edu não conquistou nenhum título.

PALMEIRAS

               Em 1969, Edu chegou ao Parque Antarctica e logo se juntou a outros craques que marcaram época na história do Verdão. Edu nunca foi um craque incontestável. Muito pelo contrário. Era taxado de trapalhão quando um lance seu terminava em nada. Mas é inesquecível pelas arrancadas, pelos dribles e pelos chutes que o tornaram um dos mais velozes, carismáticos e perigosos jogadores da história do Palmeiras. Brilhou no Palmeiras com a camisa 7, por nove anos e meio. Poucos puderam repetir na história do clube o feito de Edu “Bala”, apelido que ganhou devido à sua velocidade dentro de campo. Depois de despontar na Portuguesa de Desportos, ainda júnior, Edu se transferiu para o Palmeiras em 1969, onde conquistou vários títulos.

               Um dos vários títulos conquistado foi em 1974, quando disputou o Torneio Ramon de Carranza, na Espanha. Edu foi um dos principais jogadores naquela brilhante conquista. Encantou aos espanhóis, que queriam de toda maneira que ele ficasse por lá, devido as belíssimas apresentações que fez em terras espanholas. Foi considerado o “Pelé” da competição. Suas arrancadas até a linha de fundo e seus cruzamentos certeiros na cabeça de Leivinha, fizeram com que vários clubes cobiçassem seu futebol.

               Segundo o próprio Edu “Não fui inteligente e o Palmeiras menos ainda. Os espanhóis davam uma fortuna pelo meu passe e eu acabei ficando no Palmeiras. Pisamos na bola. Eu e o meu ex-clube, mas agora é tarde”, lamenta o ex-ponta. Naquela época o Palmeiras tinha um time invejável, tanto é que passou a ser chamado de segunda Academia Palmeirense, uma vez que na década de 60, o alviverde já teve a primeira, que também era uma máquina de jogar futebol. Naquele timaço da década de 70, ele seguramente era um dos piores, muitas vezes fazia jogada de cabeça de bagre, mas de vez em quando fazia jogadas de gênio, impressionante. Era um autêntico ponta direita, tinha dificuldade em driblar os adversários, mas quando pegava um lateral pela frente, dava um chutão lá pra frente e saia apostando corrida com o adversário.

              Via de regra o Edu Bala chegava na frente, já preparado pra cruzar ou meter um canhão pro gol, de onde ele estivesse. E o pior, as vezes fazia uns golaços lá da ponta mesmo. Certa vez jogou Palmeiras x Santa Cruz. O alviverde venceu por 5 a 1. Neste jogo, o Edu protagonizou dois lances inesquecíveis. Em um deles, ele pegou a bola, colocou na frente do lateral, abaixou a cabeça e fez o cruzamento, porém, ele já havia transposto a linha de fundo uns 2 metros quando executou o cruzamento, muito engraçado. O segundo lance ele deu uma paulada no travessão, mas foi um chute tão forte, que a bola voltou e passou da linha do meio de campo. Dois lances que ilustram bem aquilo que você falou. Pelo Palmeiras Edu disputou 472 jogos. Venceu 248, empatou 155  e perdeu 69. Marcou 75 gols.

SÃO PAULO

               Quando jogava no Palmeiras, Edu sempre era bem orientado pelo seu companheiro de clube o goleiro Leão, que o aconselhou a deixar o alviverde e ir jogar no São Paulo, que na época tinha um grande esquadrão, inclusive havia sido campeão brasileiro no ano anterior. No Tricolor, chegou a fazer um bom trio de ataque com Serginho Chulapa, o centroavante e Zé Sérgio, o ponta esquerda. Em 1978, a equipe são-paulina era formada por; Waldir Perez, Getulio, Estevan, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro e Neca; Edu, Serginho Chulapa e Zé Sérgio.

              Edu jogou no São Paulo até 1980 e nesse período sagrou-se campeão paulista de 1980, numa final contra o Santos. Foram duas partidas. A primeira no dia 16 de novembro e o Tricolor venceu por 1 a 0 gol de Serginho Chulapa. A segunda foi no dia 19 de novembro e o placar foi o mesmo da primeira partida, inclusive o autor do único gol, ou seja, Serginho Chulapa. Edu disputou 145 partidas. Venceu 59, empatou 47 e perdeu 39. Marcou 15 gols. Terminado o ciclo vitorioso, passou por vários clubes, como; Desportiva do Espírito Santo, Uberaba de Minas Gerais, também pelo Marcílio Dias de Santa Catarina e no Sport Recife, onde sagrou-se campeão pernambucano em 1981.

             Em 1985 encerrou a carreira. Também chegou a vestir a camisa da nossa seleção em quatro oportunidades e não marcou nenhum gol com a amarelinha. A primeira vez foi dia 25 de fevereiro de 1976, quando o Brasil venceu o Uruguai por 2 a 1, num campeonato da Concacaf. A segunda aconteceu dois dias depois, quando vencemos a Argentina por 2 a 1. A terceira foi dia 4 de junho de 1976, quando o Brasil venceu o México por 3 a 0, num amistoso realizado em Guadalajara. E a última vez que Edu vestiu a camisa canarinho foi dia 9 de junho de 1976, quando o Brasil venceu o Paraguai por 3 a 1, num jogo válido pela Copa Atlântico.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Até meados da década de 80 os clubes adotavam os pontas que partiam com a bola em velocidade, levavam-na ao fundo do campo, e ali saía o cruzamento, geralmente em curva, que dificultava para zagueiros e beneficiava atacantes. Nesse nostálgico período dois ponteiros, que corriam pela direita, se caracterizavam pela velocidade: Cafuringa, no Fluminense e posteriormente Atlético (MG), e Edu Bala, com trajetória na Portuguesa, Palmeiras e São Paulo.  Quanto a Edu Bala, carequinha, ainda está ligado ao futebol como professor de escolinha, na capital paulista. De certo tem dezenas de histórias para contar à garotada, a começar pela persistência na correção de defeitos.

              Chegava ao fundo do campo com facilidade, mas pecava nos cruzamentos. Paciência e dedicação foram um santo remédio para melhorar o passe. Nos tempos de Palmeiras, havia uma manjada jogada em que o meia uruguaio Hector Silva o lançava no fundo do campo, e nem por isso os marcadores o neutralizavam. Edu era tão rápido que foi capaz de aplicar o drible da vaca correndo fora do campo para alcançar a bola. Ele sabia fechar por dentro e pegava forte na bola com a canhota. Foi um verdadeiro ponta, coisa muito rara no futebol de hoje.

Em pé: Eurico, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zéca     –    Agachados: Edu, Leivinha, César, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Eurico, Leão, Dudu, Luiz Pereira, Alfredo e Zéca     –    Agachados: Edu, Leivinha, César, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Valdir, Leão, Arouca, Pires, Samuel e Ricardo   –     Agachados: Edu Bala, Jorge Mendonça, Toninho, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Jair Gonçalves, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zéca     –    Agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Valdir, Leão, Arouca, Pires, Samuel e Ricardo    –     Agachados: Edu, Jorge Mendonça, Toninho, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Waldir Peres, Antenor, Tecão, Getúlio, Bezerra e Chicão     –      Agachados: Zequinha, Neca, Armando, Válter Peres e Edu Bala
Em pé: Orlando, Marinho Peres, Ulisses, Lorico, Zé Maria e Augusto   –    Agachados: Mário Américo, Edu, Leivinha, Ivair, Paes e Esquerdinha
Em pé: Eurico, Leão, Baldochi, Nélson, Dé e Dudu    –     Agachados:Edu, Jaime, César, Ademir da Guia e Pio
Em pé: Waldir Peres, Airton, Getúlio, Chicão, Marião e Bezerra    –    Agachados: Edu Bala, Teodoro, Serginho Chulapa, Dario Pereira

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