ZÉ ROBERTO: era chamado de jogador problema

                  José Roberto Marques nasceu dia 25 de maio de 1945, na cidade de Sertãozinho – SP. Foi um dos grandes pontas de lança que o Brasil produziu na década de 60. Ele  brilhou também com a camisa da seleção brasileira nas competições de futebol dos jogos olímpicos do Japão em 1964. Nos preparativos, em um amistoso, Zé Roberto chegou fazer três gols contra a Argentina.  Alto, magro, e dono de grande habilidade, Zé Roberto também era um jogador oportunista. Um dos gols mais marcantes de sua carreira foi num clássico entre Corinthians e São Paulo. Nesta época ele jogava no Corinthians.

                 Este jogo aconteceu dia 9 de outubro de 1974 no estádio do Pacaembu e decidia o título do primeiro turno do Campeonato Paulista.  Aos dois minutos da etapa complementar, Zé Roberto marcou  o gol do titulo para o alvinegro de Parque São Jorge. O campeão do segundo turno foi o Palmeiras, que acabou sagrando-se campeão paulista daquele ano, ao derrotar o Corinthians por 1 a 0, gol de Ronaldo aos 24 minutos do segundo tempo. Este jogo aconteceu dia 22 de dezembro de 1974 e com isto o alvinegro completou 17 anos sem um título paulista.

INÍCIO DE CARREIRA

                 Um dia o Sr. Jerônimo, pai de Zé Roberto, descobriu que seu filho com 13 anos de idade, faltava na escola para jogar no infantil do Botafogo FC. O garoto, que vivia com os avós em Ribeirão Preto, dizia que ia para a escola e no caminho deixava os livros de lado e tirava a chuteirinha surrada da sacola. Foi assim que seu pai tomou a decisão de enviar o jovem Zé Roberto para a cidade de São Paulo. Sob os cuidados da mãe, voltaria a estudar e ocupar a cabeça com coisas que o ajudariam na construção de um futuro melhor. O primeiro emprego, como datilógrafo, foi arrumado pela própria mãe, em um escritório da Rua São Caetano.

                 Depois desse primeiro trabalho, Zé Roberto também trabalhou como corretor no bolsa de valores. Até o dia em que descobriu o time amador do São Paulo do bairro de Santa Terezinha. Novamente, começou a faltar ao trabalho para jogar futebol. Coincidentemente, o time tinha as mesmas cores do Botafogo de Ribeirão Preto. Ai não teve jeito. Do São Paulo de Santa Terezinha ele acabou no São Paulo do Morumbi.

                 E Zé Roberto foi crescendo dentro do Morumbi. O ano de 1964 apresentou os primeiros frutos na carreira do atacante. Convocado para a seleção brasileira juvenil que foi aos jogos olímpicos do Japão, Zé Roberto anotou os três gols da vitória de 3×0 sobre a Argentina, ainda no período de preparação da equipe. Depois da olimpíada, Zé Roberto atuou por empréstimo no Guarani e na Francana no ano de 1966. A fama de “jogador problema” não demorou para chegar. Zé Roberto amava a popularidade. Não ligava para o dinheiro e gostava da boemia. Foi somente em função disso que o presidente Laudo Natel, do São Paulo, aceitou liberar um craque assim, de mão-beijada, ao Atlético Paranaense.

ATLÉTICO PARANAENSE

                 Em 1968 chegou ao Atlético juntamente com Bellini, Djalma Santos, Gildo e outros jogadores consagrados que foram contratados pelo presidente Jofre Cabral e Silva. Logo, Zé Roberto se transformou em ídolo e marcou 24 gols no Campeonato Paranaense, sagrando-se artilheiro da competição. Terminado o campeonato, o Atlético teve que devolver o atacante, pois não tinha Cr$ 100.000,00 estipulados por seu passe. Porém, volta e meia aparecia em Curitiba e era carregado em triunfo pela torcida atleticana. E tamanho carinho era recíproco. Zé Roberto comemorou com a nação rubro-negra a conquista do tricampeonato mundial, em 1970.

                 Depois da ótima passagem pelo rubro-negro em 68, voltou ao São Paulo, mas o Atlético não escondia a vontade de tê-lo novamente. O problema era arranjar dinheiro para comprar o passe. Na época, falava-se que o tricolor paulista venderia o atacante por Cr$ 150.000,00 com Cr$ 40.000,00 de entrada e o resto a perder de vista. Zé Roberto queria ficar e propôs que os dirigentes distribuíssem uma lista entre os sócios do clube para arranjar o dinheiro. Ele mesmo ofereceu Cr$ 3.000,00 e propôs ficar sem os 15% sobre o valor de seu passe. E então, foi promovida uma avant-première do filme Copa 70. Também foi realizado um amistoso com o Grêmio, para comprar o passe o atacante. Porém, tudo não passou de Cr$ 10.000,00. Sem dinheiro, o Atlético desistiu de Zé Roberto e a torcida, entrou em desespero.

CORITIBA

                 Três semanas depois, estourava a bomba: o Coritiba conseguia o empréstimo de Zé Roberto. Em seu primeiro treino pelo alviverde, as arquibancadas do Estádio Belfort Duarte estavam lotadas. Dias depois, o atacante estreou pelo Coritiba fazendo um golaço. Pegou a bola no meio-de-campo, driblou três zagueiros e chutou no canto, para delírio da torcida, que o aplaudiu em pé. Era um pequeno amistoso, previsto para render Cr$ 15.000,00, mas acabou dando quase o triplo.

                 Ao mesmo tempo em que marcava gols fantásticos, sua fama de boêmio crescia em Curitiba. Muitas e muitas vezes teve de ser buscado em boates por dirigentes, desesperados com a presença do craque no jogo do dia seguinte. Tornou-se consenso entre os que viram Zé Roberto jogar que ele era um craque fenomenal, capaz de jogadas mais espetaculares do que as de Pelé; porém, que todo esse talento foi desperdiçado em função do comportamento extra-campo.

                 Zé Roberto sentia extrema necessidade de ser reconhecido e cumprimentado nas ruas. Não ligava muito para o dinheiro, mas gostava da fama que o futebol lhe proporcionava. Muitos classificavam a personalidade dele da seguinte forma: um adolescente anarquista. Horário, compromisso, autoridade, nada disso lhe importava. Muitas vezes, isso tudo perturbava-o demais.

                Artilheiro implacável, dono de um futebol refinado e técnico, foi no Coritiba que Zé Roberto ganhou a alcunha de “craque”. Suas apresentações conquistaram os torcedores e seu desempenho em campo e ficou eternizado na história do Coxa como sendo um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa verde e branca.

 CORINTHIANS

                Dos tempos de glória, sobraram só as lembranças, como a estréia no Corinthians, em 1974, vencendo o Palmeiras por 3 a 1, com três gols seus. Este jogo aconteceu dia 18 de agosto e neste dia o técnico Sylvio Pirilo, do Corinthians, mandou a campo os seguintes jogadores; Armando, Zé Maria, Laércio (Baldochi), Brito e Vladimir; Tião e Rivelino (Adãozinho); Vaguinho, Lance, Zé Roberto e Pita. O Palmeiras saiu na frente com um gol de César Maluco, mas Zé Roberto numa tarde inspirada, marcou três gols, todos na segunda etapa.  Naquela tarde a torcida corintiana relembrou os bons tempos do pai de Zé Roberto, que jogou no alvinegro como ponta direita entre 1942 e 1945. Disputou 86 partidas pelo Timão e marcou 30 gols.

                A última partida que Zé Roberto disputou com a camisa corintiana, foi no dia 19 de outubro de 1975, quando o alvinegro derrotou o São Paulo por 1 a 0, gol de Adilson. Este jogo foi válido pelo Campeonato Brasileiro e neste dia o técnico Milton Buzetto, do Corinthians, escalou a seguinte equipe; Sérgio, Zé Maria, Darcy, Ademir e Wladmir; Ruço e Tião; Vaguinho, Zé Roberto (Adilson), César Maluco e Adãozinho (Ivan). Com a camisa corintiana, Zé Roberto disputou 60 jogos, venceu 25, empatou 17, perdeu 18 e marcou 17 gols.

FINAL DE CARREIRA

                 Em 1977, aos 29 anos, voltou a vestir a camisa rubro-negra do Atlético Paranaense. Porém, a noite já havia vencido a disputa com a bola. Zé Roberto não tinha mais condições físicas de jogar profissionalmente e decidiu parar em um jogo na Vila Capanema, depois de se contundir logo nos primeiros minutos. Em campo, a torcida o idolatrava. Na rua, a polícia o perseguia. Este foi Zé Roberto, um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro. Nos anos 60 e 70, era um craque indiscutível. Porém, indiscutível também era sua fama de malandro. Muitos dizem que ele foi um dos jogadores profissionais de carreira mais irregular e tumultuada do futebol brasileiro. O Gazela conseguiu a proeza de ser ídolo tanto no Atlético quanto no Coritiba. Atualmente, Zé Roberto mora em Serra Negra e trabalha para a Prefeitura no atendimento a crianças excepcionais.

                Em campo, a torcida o idolatrava. Na rua, a polícia o perseguia. Este foi Zé Roberto, um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro. Nos anos 60 e 70, era um craque indiscutível. Porém, indiscutível também era sua fama de malandro. Muitos dizem que ele foi um dos jogadores profissionais de carreira mais irregular e tumultuada do futebol brasileiro. O Gazela conseguiu a proeza de ser ídolo tanto no Atlético quanto no Coritiba.

                Zé Roberto sentia extrema necessidade de ser reconhecido e cumprimentado nas ruas. Não ligava muito para o dinheiro, mas gostava da fama que o futebol lhe proporcionava. Muitos classificavam a personalidade dele da seguinte forma: um adolescente anarquista. Horário, compromisso, autoridade, nada disso lhe importava. Muitas vezes, isso tudo perturbava-o demais. Zé Roberto morou durante anos em Serra Negra e trabalhou para a Prefeitura no atendimento a crianças excepcionais. Este sim, foi o gol mais bonito de sua vida. Zé Roberto faleceu dia 7 de maio de 2016.

Atlético-PR da década de 1960  –   Em pé: Djalma Santos, Nilo, Nair, Charrão, Célio e Bellini   –    Agachados: Dorval, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nilson
Atlético Paranaense de 1968   –  Em pé: Nilo, Zé Carlos, Célio, Bellini, Charrão e Nair    –  Agachados: Gildo, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nílson
1974   –   Em pé: Zé Maria, Tião, Laércio, Armando, Brito e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Rivelino e Pita
1974   –  Em pé: Zé Maria, Buttice, Tião, Brito, Baldochi e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Pita e Peri
1969   –   Em pé: Roberto Dias, Cláudio, Terto, Edson, Jurandir e Picasso   –    Agachados: Paraná, Zé Roberto, Teia, Nenê e Babá.
1971   –  Em pé: Pescuma, Hermes, Hidalgo, Célio, Piloto e Nilo    –   Agachados: Reinaldinho, Renatinho, Leocádio, Zé Roberto e Rinaldo
1964   –   Em pé: Deleu, Jurandir, Penachio, Roberto Dias, Serafin e Suly   –    Agachados: Faustino, Zé Roberto, Del Vecchio, Bazaninho e Agenor

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