MANGA: dos goleiros o que mais vestiu a camisa do Santos F.C.

                  Agenor Gomes nasceu dia 26 de maio de 1929, na cidade de Vitória – ES. Foi goleiro do Santos de 1951 a 1960, nesse período sagrou-se campeão paulista em quatro oportunidades, em 1955, 56, 58 e 60 e também do Torneio Rio-São Paulo de 1959. Viu Pelé chegar na Vila Belmiro e com ele fez memoráveis partidas, em especial em 1958, quando Pelé foi o artilheiro do Campeonato Paulista com 58 gols, um recorde que certamente ninguém baterá, principalmente no futebol de hoje, onde os treinadores para não perderem o emprego, colocam suas equipes para jogarem retrancadas.

                  O filho mais velho de Manga, Marco Antonio Gomes, foi o primeiro mascote da história do Santos nos anos 50. Depois que Manga encerrou sua carreira de jogador, passou a trabalhar fora das quatro linhas, onde dirigiu a Portuguesa Santista em 1964 e 1965, sendo o responsável pela volta da Briosa ao primeiro escalão do futebol paulista depois da célebre vitória contra a Ponte Preta em 1964 por 1 a 0, gol de Samarone.

                 Trabalhou também na Ferroviária de Araraquara, onde foi campeão da segunda divisão em 1966.  Ainda nesse ano  trabalhou no São Carlos Clube, onde conquistou o acesso para a segunda divisão. Por isso, é considerado em São Carlos, como o melhor técnico de futebol que já treinou um clube da cidade e cultivou grandes amizades.

SANTOS F.C.

                 Manga começou a carreira como goleiro no Bonsucesso, do Rio de Janeiro, a mesma equipe em que começou Urubatão, outro jogador que marcou época na equipe do Peixe na década de 50. Em 1951, ele deixou o futebol carioca e veio jogar no Santos F. C. Sua estréia com a camisa santista aconteceu dia 30 de setembro de 1951, na partida em que o Santos perdeu para a Portuguesa de Desportos por 2 a 1. Nessa época o time da Vila Belmiro tinha a seguinte formação; Manga, Charret, Sarno, Nenê e Olavo; Pascoal e Nicácio; Alemãozinho, Antoninho, Odair e Tite. O técnico era Aymoré Moreira.

                 Este foi o time que perdeu para o Corinthians por 4 a 2 no dia 6 de janeiro de 1952. Os gols do Corinthians foram marcados por Baltazar (2), Cláudio e Luizinho, enquanto que para o Peixe marcaram Tite e Nicácio. Este jogo foi válido pelo segundo turno do Campeonato Paulista de 1951, ano em que o Corinthians sagrou-se campeão e seu ataque marcou 103 gols em apenas 28 partidas.

                 Em 1954 foi emprestado ao Bahia, onde ficou apenas alguns meses. Em 1955 Manga estava de volta a Vila Belmiro e ajudou o Santos a conquistar o titulo paulista, título este que foi muito comemorado pela torcida santista, pois desde 1935 o Peixe não conquistava este título. Foi um ano em que o Santos formou um grande esquadrão e realmente mereceu o título. Neste ano o time peixeiro era formado por; Manga, Helvio, Ivan, Ramiro e Formiga; Urubatão e Vasconcelos; Tite, Del Vecchio, Alvaro e Pépe.

                 No ano seguinte o time foi quase o mesmo, entraram somente Jair da Rosa Pinto, Pagão e Dorval.  O técnico destas e outras conquistas foi Luiz Alonso Perez, mais conhecido por Lula. Manga era muito respeitado dentro e fora de campo, pois era querido por todos, inclusive de Pelé, que chegou na Vila em 1956 e recebeu muitos conselhos de Manga.

                 O ano de 1958 foi simplesmente maravilhoso para o Santos. Tinha um extraordinário time, principalmente seu ataque que tinha Pelé no auge de sua carreira. Pelo Campeonato Paulista disputou 38 partidas e marcou 143 gols, sendo 58 só do Rei Pelé. Venceu 29, empatou 6 e perdeu somente 3, para Taubaté, Noroeste e Ferroviária, justamente para times do interior. Foram várias as goleadas, como por exemplo os 6 a 0 contra o XV de Piracicaba, os 10 a 0 contra o Nacional, os 8 a 1 contra o Ypiranga, os 6 a 1 contra a Portuguesa Santista, os 9 a 1 contra o Comercial, os 6 a 1 contra o Corinthians, os 7 a 1 contra o Juventus e também 7 a 1 contra o Guarani.

                Por tudo isso foi o legítimo campeão paulista daquele ano com a seguinte equipe; Manga, Getúlio, Ramiro, Urubatão e Dalmo; Zito e Jair da Rosa Pinto; Dorval, Pagão, Pelé e Pepe. Esta foi a equipe que goleou o Corinthians no dia 7 de dezembro de 1958 por 6 a 1. Os gols do Peixe foram marcados por Pelé (4), Pepe e Pagão. Para o alvinegro de Parque São Jorge o único tento foi assinalado por Zague.

                Manga foi campeão ainda do Torneio Rio-São Paulo em 1959 e chegou a ser campeão paulista pelo Santos em 1960, mas jogou poucas partidas, uma vez que Laércio era o titular da equipe. Sagrou-se campeão também em diversos Torneios que o Santos disputou pelo mundo a fora. Será sempre lembrado pelo torcedor santista por uma partida em que o Santos venceu o Palmeiras por 3 a 1. Neste confronto, Manga quebrou um dedo após defender um chute adversário. Mesmo assim, suportando imensa dor, ajudou os seus companheiros a sair com a vitória. Manga disputou 404 partidas pelo Santos, por isso, é até hoje o goleiro que mais vezes vestiu a camisa do alvinegro praiano.

TREINADOR

                Depois que encerrou a carreira como jogador, passou a viver fortes emoções fora das quatro linhas, e nesta nova profissão também foi um vitorioso. Em 1964 trouxe a Portuguesa Santista de volta à elite do futebol paulista. Em 1966 foi campeão da Segunda Divisão com a Ferroviária. Depois trabalhou no São Carlos Clube, onde até hoje é muito lembrado como um dos melhores treinadores que já trabalharam naquele clube. Em 1967, foi contratado como técnico do Santo André, entrando para a história do clube como o primeiro treinador na história do Ramalhão. Trabalhou ainda no Rio Branco de Paranaguá, do Paraná, no Araçatuba e no Grêmio Maringá.

TRISTEZA

                 O ex-goleiro do Santos, Agenor Gomes, o Manga, que brilhou na década de 50, morreu na madrugada do dia 26 de dezembro de 2003, na Santa Casa de Misericórdia de Santos. O jogador, que nos últimos anos vinha sofrendo sérios problemas de saúde, foi enterrado no Memorial Metrópole Ecumênica, onde o corpo foi velado por familiares e antigos companheiros do clube, como Tite e Clodoaldo. Manga estava internado na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa, desde o dia 5 de dezembro com insuficiência renal crônica e edema pulmonar.

                Antes de ser internado, ele vinha passando por três sessões semanais de hemodiálise que, somadas a algumas complicações clínicas, impossibilitaram totalmente que ele exercesse, no fim da vida, qualquer atividade profissional. Durante os 40 dias em que esteve internado, Manga recebeu de surpresa a visita de Pelé, que o deixou super emocionado. Manga deixou um casal de filhos, Marco Antonio e Jussara e também três netos.

               Ao longo dos 100 anos de glória do Santos F.C., a coleção de goleiros é vasta. A lenda da camisa nº 1 começa com Manga, depois passa por Gilmar, Cláudio, Cejas, Rodolfo Rodrigues, Fábio Costa e vai até o atual dono meta santista, Rafael. Os goleiros que marcaram a história do Santos Futebol Clube serão homenageados nos Novos Camarotes Térreos denominados Defensores da Vila. O camarote de nº 10 por exemplo receberá o nome de Agenor Gomes “Manga”. Esta é uma justa homenagem por tudo que ele fez ao clube praiano.

               Manga foi um goleiro que se notabilizou pela elasticidade e arrojo. Era muito querido por todos os companheiros, pois era um homem simples, humilde e muito justo. Por todas as cidades onde trabalhou, além de conquistar títulos, deixou uma legião de amigos e admiradores, em função de seu caráter, de sua formação profissional e de sua lealdade. Amava tanto o Santos que seu filho durante o velório confessou algo que seu pai lhe disse um dia; “olha Marquinhos, quando abrirem o meu coração, com certeza, vão encontrar uma baleia”.

               Manga também pôde desfrutar de três importantes títulos particulares, o prêmio Belfort Duarte, em 1960, que era dado ao jogador mais disciplinado, detentor da primeira Taça dos Invictos (Jornal “A Gazeta Esportiva”) numa série de 24 jogos em 1956; e a marca de 404 jogos com a camisa preto e branco, que até hoje não foi alcançada por nenhum outro goleiro. Sempre disciplinado, Manga levou outro predicado que tinha debaixo das traves para a profissão que escolheu após pendurar as chuteira, em 1960: a liderança. Além dos títulos paulista, sagrou-se campeão também de outros torneios importantes, como por exemplo o Torneio Internacional da Federação Paulista de Futebol em 1956, Campeão do Torneio Pentagonal da Cidade do México em 1959 e Campeão do Troféu Mário Echandi, na Costa Rica  também em 1959.

               Marco Antônio Gomes, filho do eterno Manga, conhecido por ter sido o primeiro mascote do Peixe, confidenciou o desejo do pai em não ver o filho na mesma carreira que ele. Teimoso, o “manguinha” acabou seguindo os passos do pai. No juvenil ingressou as equipes da Portuguesa Santista e Santos. No profissional atuou pelo Independente de Limeira e Francana. Mas aos 22 anos, quando ainda atuava pela Francana, sofreu uma lesão no joelho e parou. Hoje, ao 57 anos, Marco Antônio leva o nome do pai aonde for.

                Seja nos dias comemorativos ou em dias normais, a fachada do apartamento do filho frequentemente está decorada por um bandeirão com o desenho do Manga e o símbolo do Santos. No Cruzeiro do Centenário, apesar de não ter ido, a bandeira estava lá para homenageá-lo. Sem poder parabenizar o Santos pelos 100 anos de existência, o filho fez essa gentileza e completou ao dizer que o pai tem muito a ver com o hino do Clube.

1956   –   Em pé: Urubatão, Wilson Francisco Alves, Fiotti, Manga, Cássio e Feijó   –    Agachados: Alfredinho, Pelé, Ney Blanco, Guerra, Carlinhos e o massagista Macedo
1958   –    Em pé: Lula (técnico), Feijó, Dalmo, Zito, Fiotti, Urubatão, Manga, Laércio, Hélvio e Getúlio   –    Agachados: Dorval, Hélio, Álvaro, Afonso, Pagão, Guerra, Pelé, Pepe e Macedo (massagista
Em pé: Ivan, Fiotti, Hélvio, Manga, Urubatão e Zito   –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pelé, Pepe e Tite
Em pé: Ramiro, Hélvio, Manga, Urubatão, Zito e Ivan   –    Agachados: Alfredinho, Jair Rosa Pinto, Álvaro, Vasconcelos e Tite
Em pé: Zito, Ramiro, Manga, Urubatão, Getúlio, Dalmo e o massagista Macedo     –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe

Em pé: Ramiro, Hélvio, Fioti, Manga, Zito e Ivan    –   Agachados: Alfredinho, Alvaro, Pagão, Vasconcelos e Tite
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