TIÃO MARINO: subiu com a Inter de Limeira para a primeira divisão em 1978

                   Sebastião Marino Neto nasceu dia 26 de maio de 1951, na cidade de Ribeirão Preto-SP. Portanto, ontem completou 61 anos de vida. Foi um centroavante que por onde passou deixou sua marca de artilheiro. Jogou em vários clubes brasileiro, como por exemplo Internacional de Limeira, São José, Corinthians, Figueirense, Flamengo e Sertãozinho, onde encerrou a carreira. Sua melhor fase foi na equipe limeirense e no São José da cidade de São José dos Campos, onde até hoje é o maior artilheiro da história do clube com 82 gols marcados, por isso, é lembrado com muito carinho pelos torcedores do Águia do Vale, tanto é, que em 1993 recebeu a chave da cidade e tornou-se cidadão honorário da cidade. Foi um centroavante oportunista e artilheiro, especialista em gols de cabeça.

                  Ajudou a Inter de Limeira a subir para a elite do futebol paulista em 1978 e dois anos depois repetiu a dose, conquistando com o São José, o acesso à primeira divisão. Teve a honra de jogar no Corinthians nos anos de 1972 e 1973, atuando em 12 oportunidades e marcando 2 gols com a camisa do alvinegro  de  Parque São Jorge. Iniciou a carreira no infantil do Clube de Regatas do Flamengo/RJ, mas foi profissionalizado pelo Fluminense de Feira de Santana/BA. Com 21 anos de idade foi contratado pelo Corinthians, onde jogou ao lado de craques renomados, como Zé Maria, Rivelino, Ado, Mirandinha e tantos outros.

CORINTHIANS

                 Sua estréia com a camisa corintiana aconteceu dia 13 de fevereiro de 1972, quando o Timão derrotou a Caldense por 2 a 1 num jogo amistoso realizado na cidade de Poços de Caldas e neste dia o técnico Francisco Sarno mandou a campo os seguintes jogadores; Ado, Miranda, Pedrinho, Luiz Carlos e Guaracy; Dirceu Alves e Adãozinho; Joãozinho, Vaguinho (Paulo Sérgio), Mirandinha (Tião Marino) e Aladim. Os gols foram marcados por Vaguinho e Paulo Sérgio. Ficou no Corinthians até o dia 27 de fevereiro de 1973, quando o alvinegro empatou com o Bahia em 0 a 0 pelo Torneio Nacional. Durante o período que permaneceu no Parque São Jorge, Tião Marino disputou 12 jogos. Venceu 6, empatou 4 e perdeu 2. Marcou 2 gols. O primeiro foi no dia 28 de janeiro de 1973, quando o alvinegro derrotou o Rio Claro por 2 a 1 e o segundo dia 31 de janeiro de 1973, quando venceu o Inter de Porto Alegre por 1 a 0.

FIGUEIRENSE

                 Quando Tião Marino chegou ao Figueirense, já tinha no seu currículo passagens por vários clubes paulistas inclusive o Corinthians. Quando desembarcou em Florianópolis o jogador não poderia imaginar que participaria de uma das conquistas mais expressivas do Furacão. Em 1973, Avaí e Figueirense disputaram uma seletiva para garantir a primeira participação de um clube catarinense na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. No dia 13 de maio o jogo foi realizado no Adolfo Konder, campo do Avaí. O jogo foi marcado pela disputa acirrada. Aos 25 minutos do primeiro tempo, Tião Marino abriu o placar para o Figueirense e o time segurou o resultado até o apito final do árbitro da partida. O segundo confronto foi disputado no dia 16 de maio, no estádio Hercílio Luz, em Itajaí. Com o empate em 0 a 0 o Figueira se tornou o primeiro representante catarinense no Campeonato Brasileiro.

INTER DE LIMEIRA

                 Em 1976, o então presidente da Internacional, Jairo de Oliveira e sua diretoria fez ressurgir o Leão da Paulista. Contratou o centroavante César Maluco, que tanto sucesso fez na Sociedade Esportiva Palmeiras. Contratou também outro atacante, Benê que havia jogado por alguns anos no Corinthians e sem muito alarde chegou também neste ano, Tião Marino. No ano seguinte, mais precisamente dia 30 de janeiro de 1977, tivemos a inauguração do Estádio Major José Levy Sobrinho, o Limeirão. Mais de 30 mil pessoas estiveram presente naquele domingo ensolarado para assistir Internacional x Corinthians. O jogo terminou com a vitória corintiana por 3 a 2. Os gols corintianos foram anotados por Luciano (2) e Romeu, enquanto que para a Inter marcaram Carlinhos e Roberto.

                O árbitro da partida foi Oscar Scolfaro e o Corinthians jogou com; Tobias, Belline, Darcy (Ademir), Zé Eduardo (Cláudio Marques) e Cláudio Mineiro; Tião (Vieira), Ruço e Luciano; Vaguinho, Geraldão (Edu) e Romeu. O técnico era Duque. A Internacional jogou com; Carlinhos, Silvio (Carlinhos), Bellini, Klein e Bauer; Jorge Cruz, Sérgio Moraes (Roberto) e Sérgio Luiz (Varley); Assis, Tião Marino e Marcos.  No ano seguinte a Internacional reforçou a equipe e conquistou o acesso para a primeira divisão do futebol paulista. A equipe daquele ano era assim formada; Carlinhos, Lopes, Alexandre Pimenta, Klein e Pedro Paulo; Pitico, Tornado e Ademir Mello; Juarez, Tião Marino e Caldeira.

SÃO JOSÉ

Em 1979, depois de sair muito magoado da Inter de Limeira, Tião Marino foi contratado pelo E. C. São José da cidade de São José dos Campos, onde permaneceu até 1982, se tornando o maior artilheiro da história do clube com 82 gols. Tião Marino foi um dos heróis da campanha vitoriosa do São José em 1980, quando foi campeão da Segunda Divisão. O time estreou no dia 09 de março de 80, no estádio Martins Pereira, quando o São José recebeu o Jabaquara e goleou por 7 a 1. Os gols foram marcados por Tião Marino (4), Nenê (2) e Esquerdinha. O São José jogou neste dia com; Tonho; Fidélis (Julião), Walter Passarinho, Ademir Gonçalves e Nelsinho; Drailton (Valtinho), Ademir Mello e Esquerdinha; Arlindo, Tião Marino e Nenê. O time era dirigido pelo técnico Nascimento. Posteriormente, sob o comando do técnico Henrique Passos, o São José chegou ao título ao golear o Catanduvense, pelo placar inquestionável de 4 a 0, em jogo realizado no Pacaembu, em 29 de outubro de 1980. Tião marino (2), Baitaca e Edinho marcaram os gols.

                Logo na primeira participação da “Águia do Vale” no Campeonato Paulista da 1ª Divisão, quando o time, na condição de “caçula” da competição, ficou na 7ª colocação. Tião Marino foi o artilheiro da equipe, com 15 gols. Formou ao lado dos ponteiros Edinho e Nenê, um ataque histórico do São José, na virada das décadas de 70 para 80. Marcou gols inesquecíveis, como na vitória do time joseense, por 1 a 0, sobre o Grêmio de Porto Alegre, na estréia da Taça de Ouro de 1982. No jogo realizado no estádio Martins Pereira, o São José enfrentou um Grêmio campeão mundial que tinha em seu elenco Leão, Paulo Roberto, China, Bonamigo, Paulo Isidoro, Batista, Hugo de Leon, Tarcísio, Baltazar, entre outros craques, comandados pelo técnico Ênio Andrade.

Em 2009, a torcida Mancha Azul, do São José, confeccionou um bandeirão de 4×8 metros com a estampa que diz “Tião Marino eterno” e a foto do maior goleador de toda a história do São José. Uma justa homenagem ao atacante que, com a camisa da Águia do Vale, disputou 224 partidas e empurrou a bola para o fundo das redes 82 vezes nos quatro anos em que defendeu as cores do time. Foi também uma forma de não apagar da memória o serviço prestado pelo atleta ao futebol de São José dos Campos. Entre 1979 e 1982, Sebastião Marino Neto, hoje com 61 anos, fez a alegria do torcedor joseense e foi peça fundamental na equipe campeã da divisão de acesso em 1980, e que levou o São José à elite do Campeonato Paulista pela primeira vez na história.

               Tantos anos se passaram, muitos atacante surgiram e vestiram a camisa da Águia, mas nenhum conseguiu sequer se aproximar da marca de Tião Marino. Hoje, o artilheiro da Águia está aposentado, mora em Ribeirão Preto com a família, trabalha com venda de material hospitalar, mas nunca esqueceu a cidade de São José dos Campos e o time onde viveu o melhor momento de sua carreira futebolística. Ele ainda bate sua bolinha aos finais de semana com os amigos. Mas segundo o próprio Tião, o “campo já está ficando grande. Guardo muitas lembranças boas do São José. Amo muito aquela cidade, onde deixei muitos amigos. E hoje sempre que vou à praia, passo antes na cidade para rever o pessoal e o meu amigo Valter Passarinho, que ainda mora na cidade (zagueiro da Águia no acesso de 1980)”, disse Tião.

               Depois de alguns anos, Tião Marino retornou ao estádio do São José onde viu as homenagens que lá foram prestadas a ele e emocionado disse “Foi muito gratificante. E confesso que durante a viagem eu chorei dentro do ônibus. Eu tenho uma filha nascida em São José e essa cidade sempre me trouxe boas lembranças. Tanto o São José quanto a Internacional de Limeira e o Figueirense foram importantes na minha vida. Mas o São José foi o mais marcante. Na época, o presidente do Bangu, Castor de Andrade, mandou me buscar de helicóptero para ir jogar no time dele e eu não quis sair daqui. Hoje, não é mais assim. O jogador voa igual um passarinho e muda de time toda hora”.

               Quanto as magoas que teve durante sua carreira ele disse “no ano que joguei na primeira divisão pelo São José, eu estava na lista de convocados do Telê Santana para a seleção brasileira. Porém, ele optou por chamar o Jorge Mendonça, do Guarani. Isso não me magoa, mas eu tinha esperança de ser convocado. Outro acontecimento foi quando me aposentei  e vi que o São José e a Inter de Limeira nunca tinha depositado meu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Mas não quero entrar na justiça, quero conversar primeiro para tentar resolver da melhor forma. Não guardo nenhuma mágoa disso, não”. Esse é o Tião Marino, um sujeito tranqüilo, de bem com a vida e que deixou muita saudade aos torcedores das equipes por onde jogou.

Em pé: Lula, Klein, Tornado, Alexandre Pimenta e Zé Carlos     –    Agachados: Juarez, Admir Mello, Tião Marino, Carlinhos e Caldeira
Em pé: Luiz Moraes, Klein, Tornado, Lula, Alexandre Pimenta e Zé Carlos     –    Agachados: Nestor, Carlinhos, Humberto Ramos, Tião Marino e Caldeira
Em pé: Darcy, Admir Mello, Walter Passarinho, Ademir Gonçalves, Nelsinho e Tonho     –    Agachados: Edinho, Tata, Tião Marino, Esquerdinha e Nenê

Em pé: Vininho, Lopes, Tornado, Alexandre Pimenta, Zé Carlos e Lula    –    Agachados: Juarez, Admir Mello, Tião Marino, Marquinho e Caldeira

 

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