BAZZANI: o maior ídolo da Ferroviária

                 Olivério Bazzani Filho nasceu dia 3 de junho de 1935, em Mirassol (SP). Bazzani foi um meia-esquerda típico do romântico futebol brasileiro. Lançamentos longos e com precisão milimétrica, bola no chão, finalizador e artilheiro nato, inclusive nas cobranças perfeitas de falta. E tinha uma qualidade a mais do que a maioria de seus pares. Era bom também no auxílio à marcação. Na Ferroviária formou em vários ataques, tendo como companheiros ao longo dos anos, Boquita, Beni, Pio e Nei, pela esquerda. Gomes, Baiano, Téia, Maritaca, Zé Luis, entre outros, pelo meio. Sem contar o seu companheiro e outra glória afeana Dudu, imortalizado na Sociedade Esportiva Palmeiras. Foi em sua  passagem  como  meia  esquerda,  que a Ferroviária viu suas maiores glórias, inclusive quebrando alguns paradigmas no futebol paulista, no que se refere a um clube do interior.

                 Em 1959, ficou na terceira colocação, à frente de São Paulo e Corinthians, tirando a hegemonia dos grandes (Portuguesa de Desportos inclusive) entre os quatro primeiros colocados. Foi então convocado, com Dudu e o goleiro Rosan, para a Seleção Paulista na disputa do Campeonato de Seleções. Contribuiu para o tetracampeonato do torneio, chegando a deixar Pelé no banco, contra a Seleção Mineira.  Bazzani começou nas divisões de base do Mogiano e passou pelo Rio Preto, antes da Ferroviária, quando chegou em 1954. É irmão de Bazzaninho, Óliver Roberto Bazzani, que foi jogador do São Paulo FC e do E.C. São Bento de Sorocaba.

                 A irmã Nadir foi jogadora de basquete profissional, e seu pai, Olivério Bazzani, foi zagueiro do Corinthians na década de 30 e jogou numa trágica partida que foi válida tanto pelo Campeonato Paulista, como pelo Torneio Rio-São Paulo. Este jogo aconteceu dia 5 de novembro de 1933, e foi a maior goleada que o Corinthians sofreu perante o Palmeiras (na época Palestra Itália) por nada mais nada menos que 8 x 0.

              Em 1960, a Ferroviária excursionou pela Europa e África. Foram 20 amistosos em dois meses, contra adversários como Belenenses, FC do Porto e Atlético de Madrid. Sofreu apenas uma derrota para o Sporting de Lisboa e dois empates. Muitas goleadas foram aplicadas no continente africano. Nessa época o técnico da Ferrinha era José Carlos Bauer, o monstro do Maracanã na Copa de 50. E nessa excursão, ele viu jogar um menino que o encantou pelo seu belíssimo futebol. Tentou traze-lo para jogar no Brasil, mas não conseguiu.

              Era nada mais, nada menos que Eusébio, que mais tarde seria o maior ídolo do futebol português.  Bazzani só saiu do futebol de Araraquara entre 63 e 65 quando foi jogar no Corinthians. Na segunda excursão da AFE, dessa vez pela América do Sul e Central, onde foi o artilheiro, com 8 gols, mesmo não participando dos 17 jogos disputados, pois fora vendido ao Timão.

              Em 1964, como que sentindo sua falta, a Ferroviária não fez uma boa campanha no Paulistão e em 1965 acabou sendo rebaixada para a segunda divisão. Bazzani, por seu lado, também não concretizou no Corinthians tudo o que teria capacidade para realizar, e então no ano seguinte, de volta à Fonte Luminosa leva o time à conquista do título de Campeã Paulista da Segunda Divisão de 1966, sendo o artilheiro do time, com 16 gols. No jogo das faixas, empate com o Cruzeiro de Tostão, Raul e Dirceu Lopes por 2×2. Comandou a Locomotiva grená no tri-campeonato do Interior em 1967, 1968 e 1969, quando chamávamos de bi, tri, tetra, os títulos que eram conquistados em competições seguidas.

              Hoje todo mundo é tri, tetra, etc. Mas voltamos ao Bazzani. Em 1968 a Ferroviária ficou novamente em terceiro lugar no Paulistão, atrás apenas de Santos e Corinthians. Naquele ano, pela primeira vez um clube interiorano fez o artilheiro do Campeonato Paulista: Téia, com 20 gols, muitos deles servidos por Bazzani. Para se ter uma ideia, entre 1957 e 1970, Pelé foi o artilheiro 10 vezes, Toninho Guerreiro foi duas e Flávio, do Corinthians, uma vez.

              Mais excursões e amistosos aconteceram em 1968. O Nápoli da Itália foi goleado por 4×0 na Fonte, em jogo da entrega das faixas do bi do interior. Bazzani viu a Fonte Luminosa lotada de gente e de alegria. Depois veio nova e vitoriosa excursão grená pela América Central. Treze jogos e apenas uma derrota. Em 1970 Bazzani participou da conquista da Taça dos Invictos e um ano antes de encerrar a carreira, participou de um dos jogos inesquecíveis para o torcedor grená.

               Em março de 1971 goleou o Santos F.C. de Cejas, Clodoaldo, Edu e Pelé por 4×1, na Fonte Luminosa. Bazzani não saiu jogando como titular, mas fez um dos gols da vitória grená para cerca de 20 mil expectadores. Por esses motivos a história de Bazzani se confunde com a história da Ferroviária, pois não é por coincidência que os maiores feitos do clube grená foram conseguidos com ele em campo. E não só dentro como fora das quatro linhas. Fez sua partida de despedida num amistoso contra o Guarani de Campinas em 28 de março de 1973, quarta-feira na Fonte Luminosa. O Bugre não teve cerimônia e venceu por 1×0. 

               Bazzani, então com 35 anos deu a chamada volta olímpica e espalhou emoção a todos os presentes quando foi às lágrimas, descalço no centro do campo. Cirurgião-dentista como segunda profissão, Bazzani nunca abandonou os laços com a Ferrinha. Como treinador, a partir de 1972, dirigiu a equipe grená inúmeras vezes, tanto no profissional quanto nas categorias de base e trabalhou no Departamento de Futebol também exercendo funções de gerência técnico/administrativa.

               Pelo Corinthians, Bazzani jogou de 1963 até 1965. Sua estréia com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge aconteceu no dia 23 de fevereiro de 1963, quando o Corinthians enfrentou o Palmeiras pelo Torneio Rio-São Paulo. O Verdão venceu por 1 a 0, gol de Tupãzinho aos 8 minutos do segundo tempo. Neste dia o Corinthians jogou com; Cabeção, Augusto, Eduardo, Ari Clemente e Oreco; Amaro e Rafael; Marcos, Davi, Nei e Lima.  O técnico era Fleitas Solich, que colocou Bazzani no lugar de Rafael na segunda etapa. Sua despedida aconteceu dia 9 de maio de 1965, quando o Corinthians perdeu para o Fluminense no Maracanã por 3 a 0 pelo Torneio Rio-São Paulo. Com a camisa do Corinthians, Bazzani disputou 89 partidas. Venceu 41, empatou 18 e perdeu 30 vezes. Marcou 15 gols.

               Na noite de quarta-feira, 18 de abril de 2007, com as presenças de ex-jogadores da Ferroviária como Nei, Maritaca, Fogueira, Pio, Geraldo Scalera e Peixinho, em partida organizada pela Prefeitura de Araraquara, a esposa de Olivério Bazzani Filho, Aparecida Castro Bazzani e o Prefeito Edinho Silva (PT) inauguraram o busto de bronze em homenagem ao eterno dono da camisa 10 grená.  O ex-atleta não pôde comparecer à festa devido à sérios problemas de saúde.

               Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, assim como complicações no sistema urinário e próstata, debilitaram muito a saúde de Bazzani. Uma cirurgia deveria ter sido realizada, mas as condições cardiológicas impediram. Desta maneira o velho Rabi, como ainda é chamado por muitos, não viu a cerimônia de inauguração do busto confeccionado em São Paulo pelo artista plástico Wagner Gallo. E o mais importante é o fato da homenagem ao grande ídolo ter sido proporcionada ainda em vida, como não é usual aos grandes homens.

               Bazzani sempre amou a Ferroviária e sempre teve orgulho de vestir aquela camisa grená, a qual grandes jogadores do futebol brasileiro, tiveram a honra de vesti-la. Como exemplo, podemos citar; Rosan, Geraldo Scalera, Dudu, Fogueira, Parada, Davi, Faustino, Peixinho, Dirceu, Pio, Teia, Maritaca, Nei, Machado, Boquita, Beni, Tales e tantos outros.

              O ex-jogador mais ilustre da Ferroviária de Araraquara, Olivério Bazzani Filho, morreu num sábado, dia 13 de outubro de 2007, aos 72 anos de idade vítima de câncer de próstata. Bazzani já lutava contra a doença a algum tempo. A homenagem dessa coluna para esse ilustre atleta que defendeu os times onde passou com muita determinação e raça. Entre eles: Mogiana de Campinas, Rio Preto, Ferroviária e Corinthians.

Em pé: Belvoni, Brandão, Fogueira, Joãozinho, Rossi e Machado   –    Agachados: Valdir, Leocádio, Téia, Bazzani e Pio
Em pé: Baiano, Carlos Alberto Altimári, Zé Carlos, Bebeto, Muri e Fernando   –    Agachados: Peixinho, Zé Luiz, Paulo Bim, Bazzani e Pio
Em pé: Antoninho, Galhardo, Dudu, Geraldo Scalera, Bernardo e Rodrigues   –    Agachados: Peixinho, Davi, Tales, Bazzani e Beni
Em pé: Getúlio, Fogueira, Baiano, Ademir, Ticão e Fernando   –    Agachados: Nicanor, Zé Luiz, Cabinho, Maritaca e Bazzani
Em pé: Valmir, Oreco, Aldo, Amaro, Eduardo e Ari Clemente   –    Agachados: Marcos, Manoelzinho, Nei, Bazzani e Lima
Em pé: Augusto, Oreco, Aldo, Amaro, Eduardo e Ari Clemente   –    Agachados: Marcos, Davi, Nei, Bazzani e Lima
Em pé: Fernando Sátiro, Fogueira, Getúlio, Mariani, Ticão, Bebeto, Fernando e Vail Mota (técnico)   –    Agachados: Maurinho, Lance, Cabinho, Bazzani e Nei
1971   –   Em pé: Celinho, Carlos Alberto, Fogueira, Muri, Ticão e Rossi   –    Agachados: Valdir, Zé Luis, Lance, Bazzani e Nascimento

1964   –   Em pé: Oreco, Ari Ercílio, Galhardo, Edson, Eduardo e Heitor   –    Agachados: Marcos, Luizinho, Silva, Flávio e Bazzani
1963   –   Em pé: Neco, Cláudio, Barbosinha, Ari Ercílio, Jorge Correia e Mendes   –    Agachados: roupeiro Romeu, Sérgio Echigo, Manuelzinho, Osmar, Rivelino e Bazzani

          

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