ZECA: lateral esquerdo da segunda Academia Palmeirense

                    José Luiz Ferreira Rodrigues, o grande lateral Zeca que brilhou no Palmeiras e Grêmio, nasceu em Porto Alegre em 06 de julho de 1946. Basta ter em mãos qualquer pôster do time do Palmeiras entre os anos de 1969 e 1977, que fatalmente vamos encontrá-lo. Durante quase dez anos ele foi praticamente o soberano da lateral esquerda daquelas fantásticas equipes da segunda academia alviverde nos anos setenta. Zeca não era um jogador tão badalado pelos torcedores como seus companheiros naqueles anos vitoriosos. Mas, como veremos, sua utilidade tática e seu aproveitamento sempre foram indiscutíveis. Era um lateral esquerdo que prevalecia pela regularidade e pelo seu futebol simples e eficiente, cumprindo exatamente seu papel de policiar o lado esquerdo e eventualmente avançar pelas linhas defensivas do adversário.

PALMEIRAS

                  Começou jogando nas categorias de base do Grêmio Porto-Alegrense em 1964. Permaneceu no tricolor gaúcho até o ano de 1969, quando foi negociado com o Palmeiras, que já procurava um substituto para o lendário Ferrari. Chegou ao clube envolvido na negociação que levou o ídolo Tupãzinho para o Grêmio. Sua estreia foi dia 9 de janeiro de 1969. Mostrou um futebol com grande regularidade e sempre esteve presente entre os titulares durante oito anos, principalmente na época da Segunda Academia. Em seu primeiro ano no Palestra Itália, Zeca revezou em várias oportunidades com seu companheiro Dé. Colaborou nas importantes conquistas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa e do Troféu Ramón de Carranza.

                 Depois do vice-campeonato paulista de 1971, Zeca assumiu definitivamente um lugar no time titular, e nas mãos do mestre Oswaldo Brandão seu futebol cresceu demais. O ano de 1972 trouxe inúmeras alegrias. Considerado até hoje como uma temporada perfeita, Zeca viveu seu período mais glorioso e vencedor com a camisa do Palmeiras. Naquele ano, o Palmeiras ganhou tudo: Campeão paulista de forma invicta, o campeonato brasileiro (Zeca atuou em todos os jogos), campeão do Torneio de Mar del Plata, campeão do Torneio Governador Laudo Natel e finalmente, campeão da Taça dos Invictos. Em 1973 voltou a conquistar o Campeonato Brasileiro. Não parecia haver limites para aquele time que atuava como uma verdadeira orquestra durante vários anos seguidos. No ano de 1974, Zeca faturou novamente o Troféu Ramon de Carranza e o Campeonato Paulista. Foi titular no jogo final do Campeonato Paulista de 1974, quando cerca de 10 mil palmeirenses comemoraram em meio a 100 mil corintianos, mantendo o rival em um jejum de mais 20 anos sem títulos.

                 Tudo parecia muito perfeito até chegar o ano de 1975. Foi aí, que começou seu período de sofrimento. Diagnosticado com problemas nos meniscos do joelho direito, Zeca precisou ser submetido a uma cirurgia. Normalmente, esse tipo de intervenção cirúrgica não causa grandes problemas em sua recuperação. No entanto, com Zeca foi diferente. Até hoje sem revelar o nome do médico responsável pela cirurgia, Zeca literalmente ficou com sua perna esticada como uma tábua e mal conseguia caminhar, pois restaram resíduos do menisco dentro de seu joelho. Enquanto o lateral Ricardo se fixava na equipe titular, Zeca perambulava constantemente pelo departamento médico do clube. Apesar do apoio dos companheiros e da diretoria, Zeca perdeu quinze quilos e entrou em profunda depressão, acreditando que o fim de sua carreira havia chegado.

                 Foi ai que começaram seus contatos mais próximos com o velho companheiro Dudu. Espírita e seguidor de Alan Kardec, Dudu trabalhou o lado emocional de Zeca, que novamente teve um contato mais próximo com os companheiros de clube quando foi convidado para ser o tesoureiro da caixinha dos jogadores. Zeca Intensificou seu tratamento de fisioterapia e novamente voltou aos gramados no ano de 1977, quando o mesmo Dudu já era o treinador do time. Sua última partida  pelo Palmeiras foi no dia 26 de outubro de 1977, quando o Verdão derrotou o Sport por 2 a 0. Com a camisa alviverde Zeca realizou um total de 389 jogos (218 vitórias, 114 empates, 57 derrotas e marcou sete gols). No ano seguinte, Zeca foi negociado com o Esportivo (RS). Atuou ainda em algumas partidas pelo Marília (SP). Posteriormente, iniciou sua carreira como integrante na comissão técnica do Grêmio.

APOSENTADO

                  Trabalhou no Japão por cinco anos como auxiliar técnico. Antes, havia exercido a mesma função durante quase 20 anos no Grêmio, tendo ao lado profissionais como Valdir Espinosa, Felipão e Evaristo de Macedo. Viúvo, Zeca tem três filhos, Sandro, Ricardo e André. Desde que perdeu a esposa, ajudou a implantar uma cooperativa de ex-jogadores em Porto Alegre cuja função é dar aulas de futebol para crianças carentes. Nesta empreitada, está ao lado de craques do passado como Tarciso, Tovar, Alcindo e Ancheta. Seu maior momento no clube ocorreu em 1972, quando conquistou os títulos paulista e brasileiro. No Parque Antártica também foi campeão Brasileiro de 1973, do Robertão de 1969 e do Paulista de 1974. Reside atualmente na capital gaúcha.

Em pé: Eurico, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca      –     Agachados: Edu, Fedato, Leivinha, Ademir da Guia e Nei
Em Pé: Jair Gonçalves, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca      –     Agachados: Edu, Leivinha, Valter Rossi (limeirense), Ademir da Guia e Nei
Em Pé: Eurico, Leão, Dudu, Luiz Pereira, Alfredo e Zéca      –     Agachados: Edu, Leivinha, César, Ademir da Guia e Nei
Em Pé: Eurico, Leão, Nelson, Baldochi, Dudu e Zéca      –     Agachados: Cabralzinho, Cardoso, César, Ademir da Guia e Pio

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