RATINHO: um verdadeiro camisa 7

                    Heitor Martinho de Souza nasceu dia 3 de março de 1942, na cidade de Joinville – SC. No meio futebolístico era conhecido por Ratinho devido a sua estatura e pela sua velocidade com a bola nos pés. Ele não foi craque como Pelé, Garrincha, Cruyff, Maradona, Ronaldo, mas driblou como ninguém, era um verdadeiro ponta direita, daqueles que chegavam na linha de fundo e cruzava para o cabeceio do centroavante. Ratinho, que nunca foi padre ou pastor, conforme andaram escrevendo em São Paulo, tinha apenas 1m63 de altura. Jogou no Fluminense de Joinville (1958 a 1962), Marcílio Dias (de 1962 a 1965), Portuguesa (de 1965 a 1972), São Paulo (1973/74) e no Joinville (em 1976 e 1978), onde encerrou a carreira. Sua melhor fase sem dúvida alguma foi jogando pela Portuguesa de Desportos, onde teve atuações destacadas e era muito querido pela torcida da lusa. Sua estreia com a camisa da Portuguesa aconteceu numa vitória diante do São Paulo por 2 a 0 e neste dia a Lusa do Canindé jogou com; Orlando; Augusto, Ulisses, Zé Roberto e Edilson; Paes e Amaro; Ratinho, Leivinha, Ivair e Stéfano.

INÍCIO DE CARREIRA

                   Ratinho começou sua carreira no Fluminense, do bairro Itaim, em Joinville, no início da década de 60. Em 1962, foi para o Marcílio Dias onde conquistou seu primeiro título, o troféu Luíza Mello, correspondente ao campeonato estadual daquele ano. Seu futebol chamou a atenção de grandes clubes.  Em 1965, Ratinho e o ponta-esquerda Renê foram vendidos para a Portuguesa de Desportos.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

                  Tudo começou na década de 60, quando surgiu para o futebol o rápido e habilidoso ponteiro-direito Ratinho, de 1,63m de altura. Como ele fazia salseiro pelo setor direito nas passagens por clubes catarinenses como Joinville e Marcílio Dias, a Portuguesa foi buscá-lo em 1965, e a sua torcida não cansou de aplaudi-lo. Na Lusa, Ratinho jogou em companhia do zagueiro e volante Ulisses, já falecido vítima de infarto. Ambos participaram do time de 1968 formado por Félix; Zé Maria, Jorge, Marinho Perez e Augusto; Ulisses e Lorico; Ratinho, Leivinha (Basílio), Ivair e Rodrigues.

                  As atuações convincentes premiaram Ratinho com a lembrança do nome entre os 40 pré-relacionados pela comissão técnica à Copa do Mundo de 1970, no México. Durante sua carreira não marcou muitos gols, mas alguns ele fazia questão de lembrar. Ratinho marcou dois gols na maior goleada da história da Portuguesa em Janeiro de 1970. A Portuguesa massacrou o Ferroviário de Oruru da Bolívia em amistoso disputado na Bolívia. Pela Taça Cidade de São Paulo, Ratinho marcou o gol de empate, 1 a 1, diante do São Paulo no Morumbi. Ainda em 1970 na Taça Cidade de São Paulo, Ratinho marcou o gol da vitória, 2 a 1, contra o Corinthians no Estádio Palestra Itália. Em 1971 na Vila Belmiro, a Lusa empatou com o Santos por 1 a 1 gol de Ratinho. Marcou o primeiro gol da Portuguesa na goleada de 5 a 1 sobre o Juventus no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista de 1972. Ratinho foi titular da Portuguesa no jogo de inauguração do Estádio do Canindé em 1972 quando a Lusa perdeu para o Benfica por 3 a 1.

              A ultima partida de Ratinho com a camisa da Portuguesa foi na derrota para o Santa Cruz no Estádio Palestra Itália (1 a 0). Neste dia a Portuguesa jogou com Orlando, Humberto Monteiro, Marinho Peres, Calegari e Isidoro; Lorico e Luizinho; Ratinho, Héctor Silva (João Marques), Enéas e Wilsinho (Piau), o técnico foi Cilinho. Na Lusa, ganhou destaque nacional, chegando a ser convocado para a Seleção Paulista. Com orgulho, ele sempre mostrava uma foto formando um ataque com Rivelino, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu.

SÃO PAULO F.C.

              Em 1972, Ratinho transferiu-se para o São Paulo, integrando a equipe que foi vice-campeã brasileira (perdeu o título para o Palmeiras). Um de seus primeiros clássicos aconteceu dia 24 de fevereiro, quando enfrentou o Corinthians no Pacaembu. O jogo terminou com a vitória corintiana por 1 a 0, gol de Vaguinho. Neste dia o técnico Telê Santana mandou a campo os seguintes jogadores; Sérgio, Forlan, Paranhos, Roberto Dias e Osmar; Edson e Pedro Rocha; Ratinho (Jésum), Zé Carlos, Terto e Paraná. Em 1975, Ratinho deixou o Morumbi e mudou-se para Joinville, onde jogou no América e no Joinville (76 e 77). Foi autor do primeiro gol do Joinville no Campeonato Estadual de 1976, numa vitória sobre o Marcílio Dias de Itajái.

TRAGÉDIA

              Era o dia 11 de fevereiro de 2001, um domingo trágico para duas famílias joinvilenses. Uma colisão frontal entre os veículos Golf LYB-0730, e o Gol MAY-3421, ambos de Joinville, no km 5 da SC-495, acesso ao Balneário de Barra do Sul, no Norte do Estado, envolveu oito pessoas e matou seis. Cinco pertenciam à família do ex-jogador Ratinho, o Heitor Martinho de Souza, 58 anos de idade, que também morreu no local. A colisão aconteceu por volta das 13h30 e o trânsito precisou ser desviado por um acesso secundário. Os acidentados foram socorridos pela equipe do Corpo de Bombeiros de São Francisco do Sul. De acordo com os patrulheiros da Polícia Rodoviária Estadual e da Polícia Militar que atenderam a ocorrência, somente a perícia poderia determinar o motivo do acidente.

              No local, o que se podia ver era que o Golf, dirigido por Karla Valéria Vasconcelos Rosa, de 39 anos de idade, funcionária de uma empresa de telefonia, invadiu a pista contrária após uma curva, deixando marcas de freio no asfalto por cerca de 10 metros. Com a colisão os dois veículos ficaram destruídos. Bancos foram deslocados e um buraco tomou conta da lateral do motorista e passageiros que viajavam no banco de trás do Gol. A polícia acredita que as meninas de três e seis anos, viajavam no colo dos adultos, sem o cinto de segurança.

              Morreram no acidente o comerciante e ex-jogador Ratinho, sua esposa Zuleika de Souza, a nora Maria Nirce Aguiar de Souza e as netas Sharla Luana de Aguiar de Souza e Sacha L. M. de Souza e também Emídia Cirene Brandalise que estava no outro veículo. O filho do ex-jogador, Heitor Martinho de Souza Júnior e a neta Sara Maria de Souza, de 6 anos, foram encaminhados para os hospitais Dona Helena e Municipal São José, em Joinville. O estado da menina era considerado grave, mas sobreviveu. O filho de Ratinho sofreu lesões em uma das pernas e seu estado era considerado estável e também sobreviveu.

              Dono de uma loja de material esportivo, Ratinho era um apaixonado pelo futebol. Foi treinador da equipe júnior do Joinville e da Sociedade Irineu. Com a equipe do Irineu conquistou o vice-campeonato de um torneio internacional em Vilareggio, na Itália, em 1999. Sua morte deixou consternada a comunidade desportiva de Joinville e região. “A morte de Ratinho deixa uma marca profunda na história do futebol. É lamentável a perda desse amigo”, disse o prefeito Luiz Henrique da Silveira. “O Ratinho era um guerreiro em campo, um espetáculo de jogador e um grande amigo”, comenta Osni Fontan, seu companheiro no time do Joinville, em 1976. O velório de Ratinho e seus familiares (a mulher, nora e duas netas) foi no Centro Educacional e Social do Itaum (Cesita).

                    Heitor, o filho de Ratinho que sobreviveu ao acidente desabafou “Perdi tudo que tinha, que mais amava. Eles morreram e eu fiquei vivo, mas morto”. Ele só saiu do hospital após dois meses, sem saber que todos tinham falecido. A loja que seu pai era proprietário, a Ratinho Sports, onde gerações já compraram chuteiras, camisas de clubes, troféus e medalhas, ficou esse tempo todo fechada. Contas e mais contas vencidas, e mais ninguém para chorar junto ou buscar saídas.

                   Mesmo triste, Heitor encarou o retorno à loja. Passou por um problema, dois, três, vários. A clientela torcia e comparecia ao estabelecimento, entrando e saindo da loja, ou ligando para o fone que também não é mudado há 50 anos. Entre a atenção a um e outro cliente que chega na loja, Heitor fala sobre o novo momento após o longo filme de terror, que chega a um final feliz. “Estou em uma fase nova, boa. Encontrei uma nova companheira, a Lara, casamos há dois anos, e ela está grávida de três meses. É uma ressurreição”, conta sorridente. Heitor cuida da sua estamparia e da loja com carinho. “É o nome do meu pai, tenho muito orgulho de ser filho dele, uma pessoa que todo mundo gostava. Aprendi com o que passei que temos de deixar em vida é o caráter, a bondade, simpatia. Nenhum bem material é maior que isso”, destaca. Mais um cliente entra, e lá vai ele, pronto para o jogo. Toca a bola e segue em frente na vida Heitor, a torcida quer mais um golaço!

                  E o filho de Ratinho acrescenta “Justamente quando meu pai passou a dedicar mais tempo à família, e profissionalmente se identificava como o empresário Heitor Martinho de Souza, morreu tragicamente após colisão frontal com envolvimento de seu veículo Gol, que se transformou num amontoado de lata retorcida e o balanço disso tudo foi de seis mortos, cinco deles da família do ex-jogador: ele, esposa, nora e duas netas e mais uma pessoa que estava no outro veiculo”. 

                  Ficará para sempre em nossa memória os dribles ousados e a velocidade que fizeram de Ratinho um atacante conhecido em todo o Brasil no final da década de 60, quando viveu o melhor momento de sua carreira. Só nos resta dizer, Descanse em paz Heitor Martinho de Souza, o nosso querido e inesquecível Ratinho. 

Em pé: Aguilera, Calegari, Lorico, Fogueira, Carlos Alberto, Deodoro e Marinho Peres     –   Agachados: Ratinho, Daniel, Cabinho, Basílio e Piau
Em pé: Orlando, Zé Maria, Ulisses, Augusto, Marinho Peres e Carlão    –    Agachados: Ratinho, Leivinha, Ivair, Paes e Rodrigues
Em pé: Orlando, Luizão, Marinho Peres, Zé Maria, Lorico e Augusto   –   Agachados: Ratinho, Ivair, Leivinha, Paes e Rodrigues
SELEÇÃO PAULISTA: Em pé: Miranda, Lorico, Ado, Luiz Carlos, Pedrinho e Ditão    –    Agachados: Ratinho, Leivinha, César, Ademir da Guia e Rivelino
SELEÇÃO DA REVISTA PLACAR: Em pé: Árbitro Emidio Marques Mesquita, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu, Zéca, Forlan e Osvaldo Teixeira Duarte (presidente da Portuguesa)  –  Agachados: Arlindo, Ratinho, Brecha, Ademir da Guia, Edu e o técnico Oswaldo Brandão
Em pé: Gilberto, Sérgio, Samuel, Teodoro, Arlindo e Forlan   –    Agachados: Ratinho, Terto, Zé Carlos, Pedro Rocha e Piau
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