OSWALDO PISONI: primeiro goleiro a sofrer um gol no Maracanã

                Oswaldo Pisoni nasceu dia 8 de junho de 1926, na antiga Rebouças (hoje Sumaré) e se mudou para Americana ainda criança. Começou a jogar futebol no Colégio Liceu de Campinas, como centroavante e depois permaneceu como goleiro. Não queria jogar no gol nem a paulada, mas era obrigado porque jogava aonde o padre queria. Jogou nas equipes do Guanabara de Campinas, Rio Branco de Americana, Inter de Limeira, Ypiranga de São Paulo, Bangu, Santos e Portuguesa.

                As atuações chamaram a atenção do Guanabara, time amador de Campinas, e depois teve o passe comprado pelo Rio Branco, em 1943. Estreou contra o Causb, então o principal time de Santa Bárbara d’Oeste, com vitória por 2 a 1. Pisoni defendeu as cores alvinegras de Americana até 1945, quando foi parar no Ypiranga, em São Paulo.

                Paralelo ao futebol, Pisoni cursava a faculdade de Odontologia em Araraquara e depois transferiu para a USP (Universidade de São Paulo). Por vezes, atendia aos próprios colegas de clube, o que lhe rendeu a alcunha de “doutor”.

                Pelo Ypiranga, Pisoni conseguiu chegar até a Seleção Paulista, dividindo vestiários com nomes como Djalma Santos – lateral campeão mundial em 1958 e 1962  e Carbone – centroavante do  Corinthians e Juventus.

                Com a camisa da Seleção Paulista, fez o jogo da inauguração do Maracanã no dia 16 de junho de 1950 contra a Seleção Carioca de novos. O gol anotado por Didi na meta defendida por Pisoni foi o único marcado pela Seleção Carioca, que perdeu a partida por 3 x 1. Os gols Paulistas foram marcados por Augusto, duas vezes e Ponce de León. “No futebol é isso aí, quem faz o gol. O que toma gol, que defende, não interessa. Interessa quem faz. Por isso que eu não queria ser goleiro. É uma porcaria. Tomou é frango defendeu é obrigação”, sempre dizia Oswaldo Pisoni.

                Em 1951, foi transferido para o Bangu, onde foi vice-campeão carioca no mesmo ano, inclusive no clássico “O Negro no Futebol Brasileiro”, de Mário Filho (que dá nome ao Maracanã), Ondino Vieira, técnico uruguaio que fez sucesso no Rio de Janeiro, definiu Oswaldo Pisoni como o melhor goleiro em atividade no Brasil, na época em que jogava no Bangu.

                Boêmio assumido, a difícil relação com a imprensa carioca fez com que fosse comprado pelo Santos F.C., no início da era Pelé. Pelo alvinegro praiano, foi bicampeão paulista em 1955 e 1956, o último na reserva do goleiro Manga.

                Já no final da carreira, foi para a Portuguesa de Desportos e depois disputou partidas amadoras pela região, como na Inter de Limeira e Velo Clube de Rio Claro. Aposentado do futebol, exerceu a profissão de dentista. Em homenagem por sua trajetória, a Tribuna de Honra do Estádio Décio Vitta leva o seu nome.

               Ficou conhecido no meio futebolístico como “Oswaldo Topete” pois, segundo contam, usava “Gumex”, uma brilhantina que mantinha seu topete impecável. Seria o “gel” usado pelos jovens de hoje e segundo o noticiário da época, era bem famoso com as mulheres, pois era considerado um galã.

JOGO HISTÓRICO

               Ele foi o goleiro da Seleção Paulista que venceu os Cariocas por 3 x 1. Oswaldo entrou para a história, ao sofrer o primeiro gol na inauguração do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. No dia 16 de Junho de 1950, ele sofreu o gol de Didi, que também entrou para a história do nosso futebol e em especial do Estádio do Maracanã, que mesmo inacabado, recebeu 160 mil pessoas, mesmo precisando subir extensas rampas, driblar vigas e as pontas perigosamente expostas dos ferros de armação do concreto. Mas ninguém se importava com isto.

             Uma semana depois, dia 24 de junho de 1950, uma tarde fria e de céu cinzento, coisa rara no Rio de Janeiro, mas o clima estava quente, pois o Brasil goleou o México na abertura da Copa do Mundo de 1950 por 4 a 0, como dois gols de Ademir de Menezes, um de Jair Rosa Pinto e um de Baltazar.

             A partida inaugural ocorreu em 16 de junho de 1950, com portões abertos. Houve inúmeras solenidades, com a presença das maiores autoridades do país e diversas bandas militares tocando em várias de suas dependências. Após o encerramento dessas solenidades, entraram em campo as seleções de novos do Rio e de São Paulo. Vitória dos paulistas por 3 a 1, com Didi marcando o primeiro gol da história do estádio para os cariocas, aos 10 minutos do primeiro tempo. A seguir, Augusto empatou ainda no primeiro tempo. Na fase final, Ponce de León e novamente Augusto consolidaram a vitória paulista.

Neste dia os Paulistas jogaram com: Oswaldo Topete; Homero e Dema; Djalma Santos, Brandãozinho e Alfredo; Renato, Rubens (Luizinho), Augusto, Ponce de León (Carbone) e Brandãozinho II (Leopoldo).

Do outro lado, os Cariocas jogaram com: Ernâni (Luiz Borracha), Laerte e Wilson; Mirim, Irani e Sula; Aloísio (Alcino), Didi (Ipojucan), Silas (Dimas), Carlyle (Simões) e Esquerdinha (Moacir Bueno).

              Vejam que interessante, imagine você, o jogador que passou boa parte da vida jogando bola ser lembrado sempre por um gol que sofreu. Mas temos que reconhecer que não foi um gol qualquer, foi o primeiro gol no maior estádio do mundo, o Maracanã.

              Oswaldo Pisoni largou o futebol no fim dos anos 50, com a camisa da Lusa, e se dedicou exclusivamente à profissão de dentista, que lhe rendeu fama na cidade de Americana. Era casado com a Sra. Zany e tiveram quatro filhos.

             Oswaldo não era o único da família a praticar esportes. O avô, Emilio Leon Brambilla, foi professor de luta greco-romana. O pai, Aristides Pisoni, vestiu a camisa do Rio Branco nos anos 20 como amador. Por fim, o irmão Athos conquistou, no tiro ao alvo, uma medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 1975, realizados na Cidade do México, quando acertou 199 dos 200 pratos lançados.

JOGOS PELO VELO CLUBE

             Sua estreia, foi contra o E.C. São Bento, em Sorocaba, em partida válida pela 2ª Divisão de Profissionais de 1954. A partida foi jogada em 9 de janeiro de 1955, e o São Bento venceu por 3 x 1. O único gol do Velo foi marcado por Criolo. Neste dia o Velo Clube jogou com; Oswaldo Pisoni, Valdemar, Salvador, Santo Antônio, Ciciá, Chunga, Sampaio, Tito, Bezerra, Tana e Criolo. Técnico: Syllas Bianchini.

            Depois Oswaldo ainda faria mais sete jogos pelo Velo. Ao todo foram cinco derrotas, uma vitória e dois empates. A única vitória foi diante da Seleção de São Bernardo do Campo por 5×2 no dia 23 de janeiro de 1955. Foram estas as partidas de Oswaldo Pisoni, no gol do Velo Clube, no ano de 1955, relativo ao Campeonato da 2ª Divisão de 1954.

            A seguir, jogou no Santos F.C. (segundo o Almanaque do Santos F.C.), sua estreia (substituindo Barbosinha), foi em uma partida amistosa, jogada em Santos, contra o São Paulo F.C. , em 20 de janeiro de 1956, com vitória santista por 4×1, com três gols de Pepe e um de Alfredinho para o Santos, enquanto que Gino marcou o único tento do Tricolor.

TRISTEZA

            Oswaldo Pisoni faleceu dia 13 de junho de 2016, aos 90 anos. O funeral aconteceu no dia seguinte, às 9h, e o sepultamento foi as 14h, no Cemitério da Saudade, em Americana. “Ele morreu dormindo. Estava bem de saúde, não aparentava que nenhum tipo de problema. Deixou quatro filhos; Kátia, Rosana, Regina e Oswaldo Filho.

            Oswaldo que também se formou em odontologia, foi um dos pioneiros no Brasil, a ser jogador de futebol e ao mesmo tempo dentista, além de ser considerado um galã, e chegou a entrar nos campos carregando as artistas brasileiras da época, como Virgínia Lane, uma grande vedete dos anos 40 e 50. O jornalista, Alex Ferreira, com alguns colegas de faculdade, produziram o documentário: “Oswaldo Pisoni, a trajetória do goleiro galã”.

SELEÇÃO PAULISTA DA INAUGURAÇÃO DO MARACANÃ   –   Em pé: Homero, Osvaldo Topete, Djalma Santos, Brandãozinho, Dema e Alfredo Ramos    –   Agachados: Claudio (não jogou neste dia), Renato, Rubens, Ponce de Leon, Orlando e Brandãozinho II
Bangu – RJ     –    Em pé: Rui, Mirim, Djalma, Mendonça, Oswaldo Topete e Rafanelli    –   Agachados: Menezes, Zizinho, Joel, Moacir Bueno e Nívio
Bangu – RJ    –    Em pé: Mirim, Pinguela, Djalma, Mendonça, Oswaldo Topete e Rafaneli    –   Agachados: Menezes, Zizinho, Joel, Moacir Bueno e Nívio
Oswaldo Pisoni quando defendia o extinto Ypiranga da capital paulista
Oswaldo Pisoni quando defendia o Santos F.C.
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