ALFREDO: titular da segunda Academia Palmeirense

                Alfredo Mostarda Filho nasceu dia 18 de outubro de 1946, na cidade de São Paulo. Foi titular da segunda Academia da Sociedade Esportiva Palmeiras na década de 70, quando a equipe alviverde era formada por: Leão, Eurico, Luiz Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. O técnico era Osvaldo Brandão. Com esta equipe o Palmeiras conquistou vários títulos importantes, como por exemplo; Campeão Paulista em 1972 e 74. Campeão Brasileiro em 1972 e 73. Campeão do Torneio Laudo Natel em 1972. Campeão do Torneio de Mar Del Plata em 1972.  Mas, para chegar a condição de titular da equipe principal do alviverde de Parque Antarctica e com ela conquistar tantos títulos importantes, muitas coisas aconteceram na vida de Alfredo Mostarda.

INÍCIO DE CARREIRA

               Houve um tempo, acredite, que as equipes não desperdiçavam uma única chance para disputar um amistoso e faturar um dinheirinho. O Palmeiras, claro, não fugia à regra, e mesmo em meio à disputa do Campeonato Paulista de 1966 conseguiu dar uma escapadinha entre uma partida e outra e foi até Valinhos/SP fazer um jogo amistoso. Contudo, como o jogo contra o Rigesa – time formado pelos funcionários da empresa de papel e celulose daquela cidade antecederia o derby com o Corinthians, a diretoria resolveu levar um time quase que totalmente suplente para o Interior. As exceções ficaram por conta do ponta-esquerda Rinaldo e do lateral-direito Djalma Santos, este iniciando o encontro no banco de reservas. E foi justamente em razão de o Palmeiras jogar com uma equipe bem mais do que mista que um dos maiores nomes da história alviverde pôde fazer a sua estréia no time principal. Alfredo Mostarda, que até então havia se destacado apenas nas categorias de base alviverdes, substituiu ninguém menos do que o grande Djalma Dias naquela partida e, desta forma, debutou no time principal com apenas 19 ano, na época, uma idade infinitamente pequena.     Apesar de não contar com seus principais nomes, o Verdão nem tomou conhecimento do frágil e amador adversário, goleando-o impiedosamente por 6 a 0. Este jogo aconteceu dia 25 de setembro de 1966 e o técnico do Palmeiras era Mário Travaglini.

               Depois de ser campeão juvenil foi emprestado para o Cruzeiro (RS), em 1967. Antes de retornar ao Palmeiras, em 1969, quando defendeu a equipe de aspirantes, Alfredo jogou no Marcílio Dias (SC), em 1968. A falta de oportunidade no Verdão o levou a ser novamente emprestado em 1970. Desta vez, ele foi jogar no Nacional (AM), equipe na qual conquistou o título amazonense. Antes de ganhar definitivamente uma chance no elenco alviverde, o zagueiro vestiu a camisa do América de São José do Rio Preto (SP), em 1971.

PALMEIRAS

               Ainda em 1971, ele fez parte do elenco palmeirense que disputou a Taça Libertadores da América, era reserva do Nélson. Em 1972, com a contusão de Polaco, que veio do Corinthians na negociação de Baldochi, Alfredo ganhou oportunidade para ser titular da equipe. Fez sua estréia no Palmeiras em 22 de janeiro de 1972, no jogo amistoso Palmeiras 7 x 0 Steua Bucareste. No mesmo ano, Alfredo foi campeão paulista pelo Palmeiras, que deixou o Corinthians mais um ano na fila, que vinha desde 1954. No entanto, com a saída do técnico Oswaldo Brandão e a chegada de Dino Sani para dirigir a equipe, o zagueiro começou a viver um inferno astral dentro do Palestra Itália. “Ele não respeitava muito os jogadores. Eu, o Eurico e o Leão fomos afastados por ele. Como o Bernardino foi muito mal em um jogo contra o Guarani, ele foi obrigado a colocar novamente o Leão como titular”, diz Alfredo. Mostarda conseguiu no Palmeiras os títulos de campeão brasileiro de 1972 e 1973 e campeão paulista de 1972 e 1974, mas com a chegada de Dino Sani, insatisfeito no Verdão, Alfredo foi emprestado ao Coritiba. Sua despedida do Palmeiras foi em 24 de fevereiro de 1979, num jogo do Campeonato Paulista, em que o Botafogo de Ribeirão Preto venceu o Palmeiras por 1 a 0.  Com a camisa do alviverde, Alfredo disputou 303 partidas. Venceu 167, empatou 98 e perdeu 38. Marcou 6 gols com a camisa esmeraldina.

OUTROS CLUBES

               Mas no Coritiba, o zagueiro reencontrou seu desafeto, Dino Sani, no ano seguinte. “O Coritiba era treinado pelo Jorge Vieira. Estava muito feliz lá ao lado do Jairo (goleiro), Oberdã (ex-Santos), Hermes e Luizinho, mas não aceitei a chegada do Dino Sani em 1976”, comenta Alfredo.
“Eu disse para o presidente do Coritiba que com o Dino Sani eu não aceitaria trabalhar, devido aos problemas que tive com ele no Palmeiras. A diretoria tentou me convencer a continuar, mas não concordei e fiquei sem jogar por 10 meses”, emenda Alfredo Mostarda. Em 1977, ele foi jogar no Santos, que estava a procura de um zagueiro e o contratou por empréstimo. “Fui até o capitão do time, uma grande honra, no jogo contra o Cosmos, na despedida do Pelé”, conta. Em 1978, Alfredo, na condição de reserva, voltou para o Palmeiras só saindo em 1980. De 1980 a 1983, ele defendeu o Taubaté (SP) e em 84 jogou apenas um mês no Jorge Wilstermann, da Bolívia. “Os bolivianos me prometeram salários em dólar, mas me pagaram em peso. Por isso peguei minhas malas e fui embora”, conta.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Alfredo Mostarda foi convocado diversas vezes para defender nossa seleção, no entanto a mais importante aconteceu em 1974, quando fez parte da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Ele atuou apenas uma partida naquele mundial, já que o miolo de zaga titular era formado por Luís Pereira e Marinho Peres. O único jogo em que Alfredo disputou foi contra a Polônia na decisão do terceiro lugar, uma vez que Luiz Pereira havia sido expulso no último jogo contra a Holanda, jogo este que nos tirou da disputa do título. Contra a Polônia o Brasil jogou com; Leão, Zé Maria, Alfredo, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo César Carpegiani, Ademir da Guia e Rivelino; Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. O Estádio Olímpico de Munique recebeu um grande público para o chamado jogo da consolação pelo terceiro lugar. Lato aos 30 minutos do segundo tempo, fez o único gol da partida, nos deixando com o quarto lugar daquele mundial.

               Durante o programa “Golaço”, da Rede Mulher de Televisão, no ano de 2007, Alfredo Mostarda falou sobre o atrito entre o goleiro Emerson Leão e o lateral-esquerdo Marinho Chagas, no dia daquele Polônia 1×0 Brasil, jogo que valia o terceiro lugar. “O Leão já tinha falado para o Marinho Chagas não subir tanto, porque a Polônia tinha o Lato, que era um jogador que atuava muito bem pela ponta direita. O Marinho subiu. E o Leão, bastante irritado, não se segurou. Partiu pra cima do Marinho no vestiário”, diz Alfredo, que pela seleção brasileira disputou apenas quatro partidas (todas no ano de 1974). Foram: uma vitória, dois empates e uma derrota.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Com essa bagagem o craque ensina semanalmente a 230 garotos no CDM Parque Veredas, na zona sul paulistana. “Tive treinadores ruins, excelentes e razoáveis. Eu tiro as coisas boas de cada um deles”, explica o ex-zagueiro. O principal segredo que ele tenta dividir com os alunos é o esforço, o que ele chama de “fazer algo a mais”. “Quando acabavam os treinos físicos, eu pedia para alguém ficar cruzando bolas na área para eu cabecear. Eu queria poder fazer além daquilo que me pediam”, explica, dando uma dica do que ele acredita que é ser um bom zagueiro, pois quando Alfredo jogava, ele possuía firmeza na marcação e um ótimo talento para sair jogando. Mostrava calma e cabeça no lugar nas horas mais difíceis. Mostarda foi mais um que acreditava nos jogadores brasileiros que buscavam o sexto título mundial para o Brasil. “Eu confio neste grupo. Dos jogadores que estão lá, muitos já jogaram uma Copa do Mundo e já têm experiência internacional. Os caras são maliciosos. Antigamente só dois ou três jogadores jogavam fora do país. Hoje só dois ou três jogam no país”. No entanto, as previsões de Alfredo não deram certo, pois o Brasil foi eliminado da competição ainda nas oitavas de final.

               Alfredo Mostarda Filho, o Alfredo Mostarda, zagueiro do Palmeiras nas décadas de 60 e 70, mora no bairro do Tatuapé, na capital paulista, casado, pai de duas filhas e avô de três netos, trabalha no projeto da prefeitura para menores carentes dando aula de futebol na Vila Manchester, próximo a Vila Carrão, na Zona Leste. “Torço para que a prefeitura mantenha esse trabalho, mas corre risco de acabar”, lamentou Alfredo Mostarda. Em 2009, durante uma festa de ex-jogadores do Palmeiras no salão nobre do Palestra Itália, Alfredo chegou a admitir que na infância teve um carinho especial pelo Corinthians. “Mas depois eu virei um grande palmeirense”, falou entre risos.

Em pé: Eurico, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zéca    –   Agachados: Edu, Leivinha, César, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Jair Gonçalves, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zéca    –    Agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Eurico, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zéca    –    Agachados: Ronaldo, Leivinha, Madurga, Ademir da Guia e Nei
Em pé: Nelsinho, Gilberto Sorriso, Neto, Alfredo, Bianqui e Ernani    –     Agachados: Juary, Carlos Roberto, Reinaldo, Evilásio e João Paulo
Em pé: Zé Maria, Leão, Marinho Peres, Alfredo, Paulo Cesar Carpegiani, Marinho Chagas e Admildo Chirol (preparador físico)     –     Agachados: o massagista Mário Américo, Valdomiro, Ademir da Guia, Jairzinho, Rivelino, Dirceu e Nocaute Jack
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