FERRARI: lateral da primeira academia palmeirense

                   Gilberto José Ferrari nasceu dia 9 de janeiro de 1937, na cidade de Campinas – SP. Jogador dedicado com sobrenome de classe, o lateral esquerdo Ferrari marcou época no inesquecível time da primeira academia palmeirense, criado pelo magnífico treinador Dom Ernesto Filpo Nuñez no início dos anos sessenta. Depois de jogar por equipes amadoras da região, chegou às categorias de base do Guarani F.C em meados de 1955. Inicialmente atuando pelo lado direito, como lateral ou ainda como ponteiro, Ferrari foi aos poucos sendo deslocado para a ala esquerda do gramado onde acabou se fixando como lateral esquerdo. Formou ao lado do goleiro Dimas, Ditinho, Walter, Eraldo e Diogo, uma das linhas defensivas mais regulares do Bugre nos primeiros anos da década de sessenta.  Em 1960 por exemplo, o Guarani tinha um excelente time, que era formado por; Nicanor, Ferrari e Ditinho; Valter, Heraldo e Diogo; Paulo Leão,

                   Hilton, Cabrita, Benê e Oswaldo. Este foi o time que o técnico Armando Renganeschi mandou a campo no dia 10 de novembro de 1960, quando o Guarani empatou com o Corinthians em 2 a 2 pelo Campeonato Paulista. Os dois gols bugrinos foram marcados por Oswaldo, enquanto que os dois gols corintianos foram marcados pelo ponta direita Bataglia.

PALMEIRAS

                  Dedicado e dotado de um futebol sério, Ferrari foi contratado pelo Palmeiras durante a temporada de 1962, em razão de uma contusão de Geraldo Scotto que em seguida acabou fraturando a perna uma semana antes da Copa. Foi numa partida no Pacaembu, contra o São Paulo, em que o Tricolor venceu por 2 a 1, gols de Baiano e Benê, enquanto que Chinesinho marcou o único tento do alviverde. Foi uma jogada com o ponta direita Célio e com isto ficou nove meses parado. Scotto queria muito ir para aquele mundial no Chile, mesmo que fosse para ficar na reserva do Nilton Santos, que realmente era o titular absoluto da nossa seleção naquele mundial em que conquistamos o bicampeonato.

                 Enquanto Geraldo Scotto se recuperava, Ferrari foi ganhando seu espaço e quando Scotto se recuperou, alternou vários períodos no banco de reservas e não conseguiu mais reproduzir seu futebol como antes. Além de Geraldo Scotto e Ferrari, o alviverde também contou naquele período com Vicente Arenari (que anos mais tarde foi técnico do próprio Palmeiras). A estreia de Ferrari com a camisa alviverde aconteceu dia 3 de abril de 1963, quando o Palmeiras empatou com o Grêmio de Porto Alegre em 2 a 2, gols de Servilio e Renato (contra). Quatro meses depois, Ferrari marcaria seu primeiro gol com a camisa alviverde. Foi no dia 4 de agosto de 1963, quando o Palmeiras derrotou o Noroeste por 2 a 1. O outro gol esmeraldino foi anotado por Tupãzinho.

                Ainda no ano de 1963, Ferrari ajudaria o Palmeiras a conquistar mais um título paulista. O jogo que decidiu o título aconteceu dia 11 de dezembro de 1963, quando o Verdão goleou o Noroeste por 3 a 0. Este jogo foi realizado no Pacaembu, que recebeu neste dia um público de 37.023 pagantes. Os gols da partida foram anotados por Servilio aos 14 e aos 44 minutos da primeira etapa e Julinho Botelho aos 17 da etapa complementar. O árbitro da partida foi Anacleto Pietrobon. Dois anos depois Ferrari teve outras emoções. A primeira foi dia 23 de maio, quando o Palmeiras derrotou o Botafogo carioca por 3 a 0 e sagrou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo. Os gols foram anotados por Tupãzinho, Ademir da Guia e Dario. Com este resultado, o Palmeiras também venceu o segundo turno e como havia vencido também o primeiro turno, se sagrou campeão sem a necessidade de passar por uma decisão.

                A outra grande emoção na carreira de Ferrari, aconteceu dia 7 de setembro de 1965, quando tivemos a inauguração do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Devido a belíssima campanha que o Palmeiras vinha fazendo, inclusive era chamado de “Academia”, ele foi convidado a participar das festividades de inauguração. O Palmeiras vinha de sucessivas vitórias e acumulando uma invencibilidade de 11 jogos. A equipe estava completa e em plena forma. O Palmeiras entrou em campo com Valdir Joaquim de Moraes no gol, Djalma Santos (que completaria 92 jogos pela Seleção justamente nesta partida) na lateral direita, Djalma Dias e Waldemar Carabina compondo a zaga e Ferrari na lateral esquerda. O meio-campo com Dudu e Ademir, municiando Julinho pela direita, Rinaldo pela esquerda e Tupãzinho e Servilio no ataque. No banco, Picasso, Procópio, Santo, Zequinha, Germano, Ademar Pantera, Dario e Gildo. Uma verdadeira Seleção Brasileira. E o Palmeiras honrou a camisa canarinho, pois venceu a seleção uruguaia por 3 a 0, gols de Rinaldo (cobrando pênalti), Tupãzinho e Germano.

                No ano seguinte, mais um título paulista. Para este Campeonato Paulista, o Corinthians trouxe Garrincha, o São Paulo trouxe o meia Didi, o Palmeiras por sua vez não precisou trazer nenhum medalhão, pois possuía uma equipe altamente técnica e com isto fez um brilhante campeonato. A partida que decidiu o título aconteceu dia 7 de dezembro de 1966 e foi disputada lá no estádio Dr. Francisco de Palma Travasso, em Ribeirão Preto, diante do Comercial. O jogo terminou com a vitória alviverde por 5 a 1, gols de Gallardo (3), Ademir da Guia e Servilio. Para esta partida o técnico alviverde Mário Travaglini mandou a campo os seguintes jogadores; Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Minuca e Ferrari; Zequinha e Ademir da Guia; Gallardo, Ademar Pantera, Servílio e Rinaldo.

                No ano seguinte, Ferrari conquistaria mais dois títulos pelo Palmeiras, o primeiro foi  o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, espécie de Campeonato Brasileiro da época. A decisão foi diante do Grêmio. A partida que decidiu o título aconteceu dia 8 de junho de 1967 e foi disputada no estádio do Pacaembu, que neste dia recebeu um público de 28.000 espectadores. O jogo terminou com a vitória esmeraldina por 2 a 1, com dois gols de César, enquanto que o zagueiro Ari Ercílio marcou o único tento gremista. Para esta partida o técnico Aymoré Moreira mandou a campo os seguintes jogadores; Perez; Djalma Santos, Baldochi, Minuca e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Dario (Zico, depois Jorge), Servílio, César e Tupãzinho (Rinaldo). A segunda conquista do ano foi a Taça Brasil. A conquista foi diante do Náutico, do Recife. Foram necessárias três partidas. A primeira deu Palmeiras 3×1. A segunda deu Náutico 2×1. A terceira deu Palmeiras 2×0. Este jogo foi no Pacaembu dia 29 de dezembro de 1967.

               A última partida de Ferrari com a camisa alviverde foi dia 18 de janeiro de 1969, quando Palmeiras e Guarani empataram em 0 x 0. Depois voltou ao Guarani onde permaneceu até 1970. Em seguida, atuou ainda pelo Comercial de Ribeirão Preto e o Paulista de Jundiaí, onde encerrou sua carreira. Depois do futebol, Ferrari voltou a residir na cidade de Campinas, onde se aposentou como funcionário público da prefeitura municipal. No Verdão, foram 293 jogos (171 vitórias, 65 empates, 57 derrotas), seis gols marcados e cinco títulos conquistados. Ferrari faleceu dia 15 de julho de 2016.

Em pé: Djalma Santos, Valdir, Santo, Procópio, Dudu e Ferrari        –      Agachados: Julinho, Servilio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Germano
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Procópio, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari     –     Agachados: Jairzinho, Ademar Pantera, Servilio, Dudu e Rinaldo
Em Pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Dudu, Djalma Dias e Ferrari      –     Agachados: Julinho, Servilho, Tupãzinho, Ademir Da Guia e Rinaldo
Em Pé: Djalma Santos, Valdir, Baldochi, Osmar, Dudu e Ferrar      –     Agachados: Suingue, Tupãzinho, Servílio, Ademir da Guia e Rinaldo
Em pé: Chicão, Eurico, Baldochi, Nelson, Dudu e Ferrari      –     Agachados: César, Tupãzinho, Artime, Ademir da Guia e Serginho
Em pé: Djalma Santos, Perez, Baldochi, Minuca, Dudu e Ferrari      –    Agachados: Dario, Servilio, César, Ademir da Guia e Tupãzinho
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Minuca, Baldochi, Dudu e Ferrari      –     Agachados: Gallardo, Suingue, César, Jair Bala e Rinaldo

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